quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Mentes Dominadas

Há muito que em nosso país, ou melhor, no mundo como um todo, as opiniões e crenças individuais estão sendo sistematicamente condenadas. Falar com liberdade de consciência é hoje tarefa para poucos que ousam quebrar a barreira psicológica que foi erguida em torno do indivíduo. Em nome do grupo, da sociedade, cada vez mais as pessoas deixam de emitir suas convicções, substituindo-as por discursos pré-fabricados e politicamente corretos. Esta perigosa mudança de comportamento é incutida na mente humana desde as idades mais tenras, seja pela servidão hipnótica dos pais a uma opinião coletiva, seja pela doutrinação emanada de nossas escolas, universidades, jornais, televisão, teatro, cinema música...
O grau de submissão da mente individual à mente coletiva é tamanho que, mesmo os ditos intelectuais, não conseguem enxergar a realidade dos fatos, por mais provas que se mostrem a respeito. Os indivíduos são impelidos, como que por uma força sinistra, a repetirem de maneira robótica um discurso que efetivamente não lhes pertencem. A dominação mental que atinge os cérebros humanos é hoje por demais preocupante.
Um caso que chama a atenção é a dos jornalistas. Tenho para mim que um integrante desta profissão deva fazer de tudo para informar de maneira coerente e verdadeira. Infelizmente, mesmo naqueles mais brilhantes, não é isto o que ocorre. Vejam o exemplo da jornalista Ana Paula Padrão. Ela, e a quase totalidade de seus colegas de profissão, insiste em chamar de golpista o atual governo de Honduras. Causa certo desconforto verificar que uma jornalista tão influente, tão experiente, não se dê ao luxo de ler a Constituição de Honduras. Se o tivesse feito, verificaria que o traidor, o criminoso, é Zelaya, e não o atual governo. O que ocorreu em Honduras nada mais foi do que a aplicação de sua lei maior, e não um golpe.¹
Este tipo de fato ocorre justamente pela imposição do pensamento coletivo sobre o individual. O correto seria a valorização do pensamento individual. É ele que nos guia para o caminho da verdade e que forma o amálgama de nossa consciência. Ao abdicarmos disto, somos apenas peões num sinistro jogo de xadrez, onde os verdadeiros atores nada mais querem a não ser a nossa servidão silente e disciplinada. A imposição do pensamento da coletividade atrofia a nossa percepção da realidade. As pessoas, desta maneira, deixam de buscar a verdade dos fatos para repetirem aquele velho discurso pronto, em parte por estarem hipnotizados pela sociedade, em parte por questão de comodismo. Construir a sua própria realidade pode aprecer por demais trabalhoso para certas pessoas.
Palavras de ordem como justiça social, igualdade, fim do preconceito, inclusão, e tantas outras, não passam de mantras repetidos à exaustão em nosso meio jornalístico, cultural e artístico. Sobre estas bandeiras, o pensamento do indivíduo é destruído e dá lugar ao coletivo. A aceitação destas falsas verdades encontra terreno fértil na mente rebelde de nossos adolescentes, que sem orientação de seus pais e professores, (estes mesmo embebidos pelo pensar da maioria) tornam-se presas fáceis para o canto da sereia. Como consequência, entregam a sua liberdade de expressão e de opinião ao grupo. Inertes, são incapazes de pensar por si próprios e, portanto, de encontrar a verdade escondidas sob as opiniões pré-fabricadas de nossos intelectuais. Viram verdadeiros papagaios, vitrolas que não possuem vida individual, e menos ainda, consciência individual.
É por isto que temos exemplos como o da Ana Paula Padrão. Ao invés de pesquisar sobre o fato, apenas repete o discurso pronto da maioria, como se esta estivesse sempre com a razão. É assim que, de maneira galopante, nossos pensadores mais conceituados tornam-se meros bonecos de ventrílocos, papagaios que nada pensam, apenas repetem conceitos e idéias para o aplauso geral da platéia.

1 verificar post sobre Honduras no meu antigo blog: abrasuacabeca.blog.terra.com.br

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