sábado, 8 de agosto de 2009

Perseguição contra a maioria

Observando, por mera obra do acaso, o programa “Entre Aspas” da GloboNews, verifiquei uma entrevista deveras interessantes, cujos interlocutores não conseguirei lembrar, mas que tratava de um assunto bastante controverso: a utilização de imagens religiosas em repartições públicas, especialmente as cristãs. A polêmica acerca do assunto é inevitável. Os defensores do chamado Estado Laico não admitem a utilização de imagens religiosas por parte dos órgãos públicos. O argumento mais forte que utilizam é de que questões religiosas não podem influenciar decisões legais, como o caso do aborto e das pesquisas com células troncas embrionárias.
O estranho nisto tudo é que a lei está sendo separada da religião, num processo inverso ao que ocorreu ao longo da história. Antes de qualquer código legal, as regras que regiam as civilizações eram estritamente as religiosas. Foi a partir dos mandamentos das diversas religiões e de seus dogmas que os diversos sistemas legais foram criados. Isto ocorre porque a fonte primária do direito é a religião. Desta maneira, ambos estão ligados umbilicalmente, e formam a identidade de uma civilização. Querer dissociar um de outro ao ponto de vetar símbolos cristãos em repartições públicas, sob a alegação de que valores religiosos podem influenciar as leis é de um cinismo absurdo. Como algo que inspirou o direito deve ser impedido de influenciá-lo? O pretexto usado é de que outras religiões existem no país que não a católica ou cristã, o que é verdade. Mas elas são a minoria. Experimentem fazer tal lei em um país muçulmano sob a alegação de que valores islâmicos não podem estar em órgãos governamentais? Ao invés de aprovarem tal lei, os árabes iriam no mínimo fuzilar os cristãos, como acontece, aliás, todos os dias, todos os anos.
A religião pode e deve intervir nos assuntos legais. Afinal, ela é parte fundamental da constituição de nosso povo, detentor de todo o poder de acordo com a carta de 1988. A separação do Estado da Igreja deveu-se especialmente às questões políticas, não às legais. Afinal, estas são resultados justamente da doutrina religiosa, como sua fonte primária, independente de qual seja o país. A lei árabe baseia-se no islã. A Ocidental, no cristianismo e no judaísmo. Coerente seria proibir em locais sujeitos a administração pública o uso de artigos religiosos árabes, de umbanda, ou qualquer outra que represente a minoria do povo. Certo fez a França ao proibir véus árabes. Ora, a França é um país católico, de tradição católica. Se o muçulmano quer usar seus símbolos religiosos sem ser importunado, é muito simples, basta saírem da França ou tornarem-se cristãos. A França, e o ocidente como um todo, não tem qualquer obrigação de tolerar aquilo que lhe é estranho. Note que eu não estou falando de perseguição religiosa. Se quiserem cultuar Alá, que vão para as mesquitas e para suas casas, e não impor à população uma cultura que lhe é estranha. Enquanto isto, as terras tupiniquins seguem na direção inversa.
O resultado de tal absurda lei será certamente uma perseguição religiosa contra a maioria. O pobre do cidadão será perseguido por ser... Católico! E isto num país onde mais de 70% da população é pertencente a esta religião. Novamente, as minorias serão beneficiadas. É apenas uma pequena faceta da Nova Era que se aproxima, onde a liberdade será apenas mais uma palavra no dicionário.

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