terça-feira, 11 de agosto de 2009

Triste Realidade da Caserna

As Forças Armadas brasileiras estão em um estado que beira a falência total. Salários completamente defasados em relação ao restante da Administração Pública Federal, a falta de recursos para seu melhor aparelhamento aliados ao mais solene compromisso de seus chefes em ignorarem tudo o que os rodeia levam nossos militares a uma situação de desmotivação e completa decepção com a carreira das armas. A situação na caserna é delicada, muito embora quase nada se diga a respeito, pois o silêncio dos comandantes, especialmente o do Exército Brasileiro, servem como um tampão que impede a verdade de ser mostrada como ela é.
Não bastasse a calúnia que é feita contra os militares sobre o episódio ocorrido em 1964, onde jornalistas e professores de história distorcem os fatos ocorridos naquele ano, bem como no período conhecido como regime militar, eles ainda precisam conviver com o descaso do governo para com as Forças Armadas. E a situação é mais grave do que parece. Aliás, bem mais grave.
Viaturas e equipamentos sucateados, e a falta de toda a sorte de suprimentos para fazer os que funcionam rodar fazem com que nossos soldados tenham que fazer verdadeiros milagres com os recursos que recebem, bem ao contrário do que ocorre com os demais setores da administração. Para se ter uma idéia da gravidade do descaso governamental, na área amazônica, com suas fronteiras permeáveis e o trânsito constante de ilícitos e estrangeiros, as unidades militares simplesmente não possuem munição para realizar sequer seu adestramento básico. E não estou falando de tiros de canhão, mísseis ou coisa do gênero. A falta refere-se justamente à munição 7,62mm dos fuzis, a arma básica do Exército.
Enquanto os altos escalões se preocupam em criar sistemas mirabolantes de gerenciamento da miséria, nossos soldados saem cada vez menos preparados para o cumprimento de sua missão. Organizações Militares precisam, para sobreviver, literalmente mendigar doações em outros órgãos federais, como a Receita, para que possam obter desde materiais de expediente e faxina até modernos computadores 486, a fim de que possam cumprir suas atividades eminentemente administrativas, tendo em vista que as operacionais, salvo exceções que confirmam a regra, ou ficam relegadas a segundo plano ou são desenvolvidas de forma precária. Não fosse o brio de cada militar, a imposição constitucional do não direito à greve e a disciplina da tropa, a muito já teríamos paralizações. Entretanto, os militares mostram seu descontentamento ao saírem das fileiras da caserna. Centenas de oficiais e praças abandonam a Força pelo simples motivo de conseguirem melhores vencimentos e condições de trabalho no mínimo coerente.
Com tudo isto ocorrendo, os teóricos da guerra imaginam inimigos fictícios do norte (leia-se EUA), sem perceberem que seus verdadeiros inimigos ocupam o planalto central e vivem cercados de toda a segurança proporcionada por eles mesmos. A culpa da atual situação dos militares é deles próprios, pois possibilitaram que estes verdadeiros vermes ocupassem posições de destaque na política nacional. São Ministros de Estado e até Presidentes da República. Derrotados militarmente durante o regime militar, venceram ideologicamente. É mais uma prova que a pena tem mais poder que a espada.
Cercados de toda a sorte de privilégios, os chefes militares esquecem-se de sua tropa, de seus soldados. Vivem uma realidade platônica e enebriante, completamente dominados pela ideologia que seus antepassados lutaram para combater. Vivem num mundo paralelo, de sonhos e fantasias, enquanto seus valorosos soldados trocam os treinamentos de tiro de fuzil por horas de faxina nos quartéis, para recebê-los em mais uma "visita de inspeção".

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