quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Preço da Submissão

Nenhuma revolução, ideologia, governo ou líder, ao longo da marcha da história, conseguiu ascender ao poder sem o apoio do exército. Das civilizações da mesopotâmia, até as revoluções socialistas do século XX, o apoio das Forças Armadas, em particular dos exércitos, foi fundamental para que governos fossem erguidos e derrubados. O poder de dissuasão imposto pelas armas é o mesmo que garantirá a segurança do novo sistema. Foi assim que, ao longo dos tempos, os militares foram vigas permanentes no processo de construção dos mais variados Estados. O exército é a síntese da população que o compõe, o que o torna na maioria das vezes o porta-voz da vontade da maioria, tanto para o bem, quanto para o mal. Neste último caso, o próprio corpo militar se organiza e procura derrubar o governo tirânico. A exceção à regra é o governo socialista, pois como se trata de movimento revolucionário, ascende ao poder através de uma longa estratégia de mudança cultural e de valores que atinge mesmo a raiz de um povo, e por conseqüência, das Forças Armadas. Mesmo assim, cedo ou tarde, se dá conta do mal que causa, e acaba por derrubá-lo também, atendendo via de regra ao clamor das ruas, ou ao apelo de novas lideranças.
Ocorre que, quando o exército torna-se indiferente, apenas uma massa amorfa sem pensamento próprio, fica aberto o caminho para que movimentos organizados tomem o poder para si a revelia da vontade popular. Não que os militares devam tomar e impedir à fórceps qualquer ação política que seja, mas a opinião da caserna sempre deve ser levada em conta. Afinal, os altos estudos da caserna são de fundamental importância para a compreensão da geopolítica e na manutenção dos objetivos nacionais permanentes de um Estado. Mas e se os homens de farda deixam de participar da vida nacional e adotam uma atitude passiva, o que poderia acontecer?
Ora, a resposta a esta pergunta é precisamente o que está ocorrendo em nosso país. Diariamente, novos decretos são assinados, novas leis são criadas e novas medidas são tomadas com um único objetivo: destruir a liberdade individual e tornar o cidadão escravo de seu grande irmão, o Estado. Pouco a pouco, sob os mais diversos pretextos, sejam eles igualdade racial, social, sexual ou o queridinho de todos, os “direitos humanos”. São com estes argumentos que liberdades são usurpadas e minorias são favorecidas a despeito da vontade geral da população, que de tão envolvida pelo poder estatal não enxerga o preço que está pagando pelos cuidados generosos do Big Brother.
Alguns verdadeiros iluminados conseguem ver a situação das coisas e demonstram perder completamente as esperanças, especialmente quando temos nossos formadores de opinião a serviço da revolução. Alguns acreditam que a única salvação que nos resta é acreditarmos no Exército Brasileiro e nas Forças Armadas para nos livrarem do destino que nos aguarda desde a década de 30, e que foi interrompido em 1964 pela determinação e coragem de nossos militares, que não mediram esforços para defender a democracia e os valores mais caros ao nosso povo.
A estes que acreditam que novamente possa ocorrer algo do tipo, meus sinceros lamentos. Hoje, nossos soldados sequer conseguem defender-se das calúnias impostas pela esquerda acerca dos fatos que permearam os “anos de chumbo”! Como poderão reagir diante de uma ameaça muito maior quando foram castrados de sua autoridade? Nem sequer tem o status de consultores! Quando negam mesmo dentro de seus estabelecimentos de ensino a disseminação da verdade histórica em troca de um “certificado pelo MEC”, nada podemos esperar deles. Na ativa, não tem voz, não tem coragem. Quando passam à reserva, resolvem escrever artigos criticando aquilo que solenemente ignoraram quando estavam com alguma possibilidade de influenciar a nova geração de jovens. Cultuam heróis da Guerra do Paraguai, mas não fazem esforço algum para defenderem seus heróis de 64, limitando-se a um discurso submisso e “pacificador”, enquanto são trucidados e humilhados por aqueles que hoje estão no poder, que inventam a história e causaram tanta dor e infortúnios ao país. Não enxergam o perigo real que correm, ignorando o sucateamento de seus quartéis, e criando sistemas burocráticos cada vez mais sofisticados, que tornam o soldado combatente um mero burocrata, um administrador da miséria orçamentária que recebe a cada ano.
A revolução está quase completa sim, sem o apoio do Exército, mas com sua completa passividade. É um preço alto a se pagar pela sua submissão, e parece não haver luz no final do túnel.

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