quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Carneando Ovelha


Quando eu era criança lembro de uma cena que até hoje está estampada em minha mente: meu pai carneando uma ovelha na fazenda de meu falecido tio-avô. Pode parecer algo até violento para aqueles que nunca viram tal atividade, mas a mim  interessava  que, dentro de poucos instantes, aquele animal serveria para o churrasco, e sua pele daria um bom pelego para as noites de inverno. Mas as coisas não eram tão fáceis. O bicho demorou a morrer, talvez porque eu e meu irmão estivéssemos com pena do animal. Lembro que meu pai chegou a nós dizendo: Não tenham pena do bichinho, senão ele demora mais a morrer. E assim foi
Lembro, também, que enquanto a vítima agonizava, o rebanho todo olhava atônito ao acontecimento, sem qualquer tipo de reação, como que entendendo que este era o destino que lhes aguardava. Não houve reação, ou luta para tentar salvar seu semelhante daquele acontecimento. E enquanto meu futuro jantar estava pendurada atada pelos posteriores, o talho na garganta e o sangue correndo pelo chão, aquela espécie de "adeus" continuou, até o momento em que meu pai e o capataz da fazenda a tiraram de lá para que fosse preparada para o churrasco. Somente os cães estavam sedentos por aquele petisco, mostrando total alegria e êxtase nos seus olhos.
Pois não é que hoje em dia eu vejo exatamente a mesma cena repetida quase todos os dias? A ovelha sendo carneada, os cães sedentos de sangue, e o rebanho observando atônito a sua lenta agonia. O enredo é o mesmo, só alteraram as personagens. Ao invés de ovelhas, temos pessoas de bem, que lutam pela sua liberdade de expressão e opinião. Ao invés de cães, militantes esquerdistas e revolucionários que se deliciam com o sangue fresco sendo derramado pela vítima. Foi o que aconteceu com o gen Santa Rosa. Foi carneado pelo presidente e seu ministro da defesa. E os seus companheiros de fardas ficaram lá, olhando com pena o triste fim de um de seus semelhantes, mas nada fazem. Do outro lado, os cães da esquerda estão sedentos pelas vítimas que fazem. Pulam de alegrias a cada vitória conquistada, pois sabem que seus opositores nada fazem além de ficarem submissos à vontade dos carrascos que cada vez mais eliminam aqueles que ousam contrariá-los. 
Enquanto aqueles que deveriam erguer a voz contra os desmandos totalitários da corja que governa o país ficam com pena de terem perdido mais um de seus aliados e nada fazem a respeito, os cães se preparam para se deliciarem com o sabor da carne da presa morta, esperando pela escolha da próxima vítima.

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