quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Doce Ilusão do Carnaval

A festa popular terminada nesta última terça-feira transformou-se num verdadeiro ópio do povo. É a reedição da política do pão e circo, onde o pão é dado pelos bolsas-esmolas do governo e o circo tem o seu ápice na festa pagã do carnaval. Isto sem contar os inúmeros carnavais fora de época que se espraiam pelo país, anestesiando ainda mais a população.
Quem procurou os portais de informações da internet e os jornais televisivos ou não, bateu-se frontalmente com a manchete mais importante de todas: qual escola será a campeã este ano? Qual bloco os baianos mais gostaram? Quais personalidades estavam presentes nos camarotes VIPs? Quantas bocas o folião/foliã conseguiu beijar naquela noite?
Parece que o mundo para nestes dias, e nada mais interessa a não ser as notícias carnavalescas, com comentários de inúmeros especialistas no tema. Esquecem-se os escândalos governamentais, a demissão do gen Santa Rosa, as loucuras do governo do Irã, enfim, todos ficamos presos ao monopólio de notícias sobre "o maior espetáculo do mundo". Não me surpreenderia se o apedeuta-mor dissesse ao final da festa  que "nuca antes na história deste país o carnaval foi tão festejado, coisa que o governo anterior não conseguiu fazer" sem, claro, estar com Dilma Roussef a tira-colo.
Não que eu seja contra o carnaval. Simplesmente hoje não temos mais um carnaval como era antes. A questão é sabermos no que ele se transformou especialmente nos últimos 20, 30 anos. Deixou de ser uma festa popular onde as pessoas vão brincar e se divertir para se transformar numa verdadeira vitrine das "conquistas" revolucionárias (feministas, gayzistas, ambientalistas) dos últimos tempos. Quando um repórter pergunta a um folião quantas bocas a criatura beijou nas últimas 3, 4 horas e o vivente responte "10 ou 20", estamos diante da total banalização das relações afetivas entre os seres humanos. Evidentemente que eu não tenho nada que me meter se o cidadão achou a boca dele no lixo. O que incomoda é o fato  desta atitude não só ser encarada com normalidade, mas incentivado. Como que se fosse necessário para se divertir no carnaval, a criatura "pegar" o maior número possível de gente. Soma-se a isto, o apoio governamental ao se distribuir gratuitamente preservativos com a desculpa bem pensada de se evitar as DST, quando na verdade querem evitar dar à população o senso de responsabilidade pelos seus atos. Acaba que a relação sexual torna-se algo banal, corriqueiro, que não necessita de qualquer intimidade entre os atores. Distribuindo camisinhas, o governo dá a clara mensagem de "não se preocupem com as consequências de seus atos, estamos aqui para que vocês apenas relaxem e gozem".
Como se não bastasse, temos a erotização precoce de crianças que desfilam como rainhas de bateria e em fantasias que, mesmo encobrindo, suscitam desejos ocultos de pedófilos que se afloram neste período. Não podemos esquecer dos homossexuais, que têm neste período de festa a redenção total de suas atitudes, pois mesmo demonstrações explícitas de relação sexual não podem ser vistas como ofensivas por conta de que "no carnaval, tudo pode".
Desta maneira, em doses homeopáticas e precisas, nosso senso de responsabilidade está sendo atrofiado pela ilusão de liberdade que pensamos ter. Progressivamente, valores são substituídos e novos são colocados e impostos por uma minoria, diante de uma maioria anestesiada e atônita. Pensam ter conquistado inúmeras liberdades, quando na verdade vivem dentro de uma redoma que os torna zumbis autômatos, que não reagem a nada, a não ser ao toque da campainha, como cães de Pavlov. Com samba no pé, é claro.

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