segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A Foto de Dilma

Confirmando as projeções feitas desde muito tempo atrás, o Partido dos Trabalhadores oficializou a Ministra Chefe da Casa Civil como sendo pré-candidata daquela agremiação para as próximas eleições presidenciais. Imediatamente, nosso querido presidente deixou claro que a meta do seu governo para este ano era a de elegê-la como sucessora para "os próximos oito anos". A propaganda e o uso da máquina administrativa como instrumentos de flagrante campanha eleitoral já é de muito conhecida. Só não acredita quem não quer. Posso estar enganado, mas isto não seria crime não, a utilização dos canais do governo dando suporte a uma candidata antes mesmo do início da corrida eleitoral? O governo pode fazer isto abertamente? Claro que sim! No Brasil, tudo pode.
Não poderíamos esperar atitude diferente de nosso mandatário maior. Afinal, que tipo de comportamento podemos aceitar deste indivíduo que celebra a ausência de partidos de direita como sendo "a consolidação democrática deste país"? Nada poderia caminhar por outro rumo que não este. E assim, debaixo dos narizes empinados da oposição e dos ditos jornalistas, Lula promove sua candidata, transformando discursos em comícios, tudo dentro de um ambiente de completa apatia e normalidade.
A vitória da ladrazinha é praticamente inevitável. Não que o PT tenha a maioria dos eleitores, mas detém a exclusividade de uma militância devotada e cega, capaz de fazer o impossível pela causa. E assim, será eleita a nossa próxima presidente, para os próximos oito anos. A perpetuação ideológica do poder estará praticamente acertada e numa ilusão democrática estaremos elegendo sempre os mesmos governantes, apenas com nomes diferentes.
Triste mesmo será a cena dos gabinetes dos chefes militares, que hoje ostentam a foto de um sorridente Lula, como que debochando dos generais, coronéis e capitães que estão dentro de seus postos de comando. Amanhã será a vez dela, da Dilma, ter seu retrato sorridente estampado nas paredes dos quartéis, com seu sorriso de triunfo e desprezo. Culpa dos próprios militares, incompetentes mesmo para  instaurar no país um regime ditatorial decente, que pudesse proteger a verdade dos fatos ocorridos naqueles anos e eliminado seus inimigos ao invés de anistiá-los com gordas quantias. Como arremate de tal situação, declaram-se apolíticos e resolvem adotar a estratégia do silêncio (covardia), onde nada falam para se defenderem das injúrias e calúnias impostas pelos reescritores da história, que contam mentiras como se fossem a mais pura verdade.
Evidentemente que hoje não cabe qualquer tipo de reação armada ao atual estado de coisas, mas deveria haver uma reação intelectual dentro dos colégios militares e das escolas de formação das Forças Armadas. Mas não há, porque "o militar é apolítico". Pura balela. Parecem que  se esqueceram de que  patronos do Exército, e heróis da Guerra do Paraguai como o Duque de Caxias e Osório não só eram políticos como eram de partidos oponentes. Estavam, durante grande parte de suas vidas, empenhados em defender suas idéias e convicções. Um no partido conservador, outro no liberal, respectivamente. Nem por isto, entretanto, deixaram cumprir as ordens emanadas pelo Imperador, obedecendo aos princípios de hierarquia e disciplina. 
Ao invés de seguirem estes exemplos, nossos militares criaram uma imagem completamente idealizada destas personagens, elevando-os à condição de homens perfeitos e sem mácula, quando na verdade foram homens normais, sujeitos a erros e acertos, com a diferença de que defendiam seus pontos de vista em ferrenhas discussões políticas. Porém, isto não os impediu de lutarem ombro a ombro sempre que foram acionados.
Se nossas Forças Armadas voltarem-se para o passado, verão que sempre foram politizadas e que isto é necessário para que se tenha pelo menos elementos pensantes dentro das casernas, que se preocupam com os rumos que a nação está tomando. Não podem ficar limitados às questões mirabolantes como "uma superpotência invasora" ou a "missões no exterior", ignorando completamente o cenário de seu próprio país. Não que devam pegar em armas, mas devem estar vigilantes e atentos aos rumos que o país está tomando, quer para o bem, quer para o mal. De nada adianta gritarem e espernearem quando passam para a condição de reserva. Precisam atuar na ativa, mostrando que estão a par das estratégias políticas que um ou outro grupo está tomando, e que não se calarão diante de situações que possam colocar em risco a própria sobrevivência de nossa sociedade.
A foto da Dilma é praticamente inevitável, e seu sorriso será de ironia diante dos chefes militares que lutaram contra seus crimes durante o período dos governos presididos por generais. Seria infinitamente melhor se seu sorriso fosse de preocupação disfarçada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário