segunda-feira, 29 de março de 2010

31 de Março de 1964

Entender os fatos históricos não é simplesmente pinçá-los, isolá-los e interpretá-los. Um fato isolado nada significa se não for inserido dentro do contexto ao qual pertence. Não há como um estudioso da História, acadêmico ou não, chegar a conclusões acertadas e confiáveis acerca de determinado acontecimento se não estabelecer os vínculos entre este e a realidade que o cerca naquele determinado período. Isolando, o pesquisador cai no erro grosseiro de atribuir a um acontecimento, falsas verdades. Escondendo e manipulando o momento e os dados do período, as conclusões são fatalmente equivocadas e correm o risco mais forte de serem contaminadas pelo viés ideológico, especialmente dos jovens pesquisadores que, mergulhado em sua necessidade de autoafirmação, acabam comentendo o engano de oferecer o mais do mesmo, repetindo tudo o que aprenderam dentro dos círculos acadêmicos, sob o temor de serem censurados diante de conclusões que possam ir de encontro a que seus mestres ensinaram.
É precisamente o que acontece com o estudo dirigido ao esclarecimento do que aconteceu no dia 31 de março de 1964. Para a grande maioria de nossos estudantes e professores, este foi o momento em que o Brasil mergulhou em um período de trevas, que impediu o desenvolvimento social e que ocasionou duras perseguições contra pobres estudantes e intelectuais que queriam apenas construir "um mundo melhor". E os milicos tomaram o poder e sairam a caça de seus opositores.
Para explicar a origem do movimento, é importante ressaltar alguns fatos que são sistematicamente excluídos do contexto para favorecer a tese de que a movimento de 64 surgiu assim... do nada, contra o governo de João Goulart. Mas a coisa não é bem assim. O furo é mais embaixo. Não foi unilateralmente que os militares tomaram o poder, e nem eles mesmo tinham pensamento unânime. Vejamos.
Desde a década de 20 do século passado o Brasil começava a ser alvo de interesse do Comunismo Internacional, articulado e sediado na Rússia, que objetivava a disseminação desta ideologia por todo o mundo. Esta ideologia consistia basicamente em extinguir a propriedade privada e acabar com as diferenças de classes entre as pessoas, de modo que a força de trabalho deixasse de ser do trabalhador e de seu patrão e passasse a ser do Estado. Evidentemente que nem todos concordavam com tal situação, e os opositores do novo regime ou eram fuzilados ou enviados a campos de trabalhos forçados, que mais tarde serviriam de inspiração para os campos de concentrações nazistas.
Com o fim da produção privada, a Rússia enfrentou o pior episódio de fome de sua história, que levou à morte duas dezenas de milhões de pessoas. O mesmo ocorreria na China, no Laos, no Vietnã, na Coréia do Norte e em Cuba. E o regime que prometia a igualdade trouxe a pobreza generalizada, enquanto os mandatários do Partido gozavam de farta comida e de todos os benefícios do capitalismo ocidental que forneciam-lhes toda sorte de produtos luxuosos.
Para a implementação de tal regime era necessária não uma reforma, mas uma revolução. E a revolução consiste em destruir toda a estrutura de uma civilização, erguida ao longo de milênios, e substituí-la por uma nova ordem, com novos valores, crenças, costumes e religião. E isto somente é possível na ponta da espada, com derramamento de sangue inocente daqueles que são contrários a este novo cenário. Foi assim na França no final do século XVIII e início de XIX. Sua revolução levou a França de potência mundial a potência européia secundária, atrás da Alemanha e da Inglatera por exemplo. Na rússia não foi diferente. Desde a família real até pequenos produtores rurais e comerciantes, sem falar nas igrejas, todos foram varridos do mapa pela sede revolucionária de sangue. E estava imposto o regime comunista.
Era este o regime que figuras como Luis Carlos Prestes, Olga Benário, João Goulart e Brizola defendiam, isto para citar somente alguns nomes. O Brasil era alvo de Moscou que queria obter a influência na América Latina antes dos EUA. Este assédio fica mais evidente após a II GM, quando efetivamente o mundo é dividido entre dois blocos. E para implementar o comunismo era preciso desestabilizar o governo e o sistema atual. Como? Semeando a insegurança e praticando atos de terrorismo, assaltos, sequestros, estupros, jogando a culpa destes crimes em uma sociedade injusta e não nas pessoas que os cometiam. Além do terrorismo, a inteligencia comunista infiltrou-se dentro dos círculos universitários e culturais, e mesmo dentro das Forças Armadas. Com seus discursos contra as injustiças, os agentes do Partido Comunista eram como sereias que hipnotizavam sua platéia para depois devorar-lhes como inocentes úteis. Surgiram greves e revoltas por todas as partes, quer no meio civil, quer no meio militar.
A situação piorou quando João Goulart realizou uma visita à China de Mao Tsé Tung (que já contabilizava dezenas de milhões de mortos pela fome oriunda da "maravilha comunista"), e começou a realizar as chamadas reformas de base que constituíam basicamente em acabar com a propriedade privada, com a liberdade de expressão e em estatizar a economia. Tal situação colocou uma pressão enorme sobre os mandatários do país, quando a população em peso exigia que fosse tomada uma atitude para que se evitasse que o país se transformasse em mais uma República Popular. Os atos de terrorismo e de guerrilha assolavam cidades de norte a sul do Brasil. Motins dentro dos quartéis evidenciaram a perigosa situação que se desenhava. O Partido Comunista, com células inflitradas dentro das Forças Armadas, como aquela de Carlos Lamarca, estava pronto para desencadear uma série de motins e ataques terroristas no dia 1 de Abril de 1964, quando um levante de proporção nacional mergulharia o país nas trevas comunistas. A população, vendo a inércia de seus governantes, viu nas Forças Armadas a única esperança de salvar o país da total ruína. E foi atendida.
Em 31 de Março de 1964, os militares assumiram o controle da nação e numa demonstração de coesão e patriotismo, evitaram o que seria talvez a mais sangrenta guerra civil da América Latina, quando a Academia Militar das Agulhas Negras esteve entre duas forças antagônicas que posteriormente se uniram em prol da honra e da integridade da pátria. Os planos do Partido Comunista estavam, por ora, frustrados.
É mentira afirmar que os militares tomaram o poder por decisão própria e que nada os impelia a fazê-lo. Afinal, a ameaça totalitária do comunismo ronda a nação desde a década de 20 e já está infiltrada em todos os meios formadores de opinião. Os militares apenas atenderam o chamado da pátria que juram defender em solene juramento. Não foi uma ação, mas uma reação a tudo o que estava acontecendo ao redor do mundo. E se alguns estudiosos mal-informados dizem que tudo foi culpa da CIA, porque excluem a KGB da responsabilidade pelos sequestros, estupros, assassinatos e roubos praticados por militantes comunistas? Ou que Prestes foi treinado na Rússia para implementar o comunismo? Ou que Olga Benário não era sua esposa, mas uma agente disfarçada para proteger sua vida? E o financiamento de Cuba para as malfadadas guerrilhas de Brizola? Porque chamam de teoria de conspiração esses argumentos e nada falam quando se trata da CIA ter sido a mentora e financiadora da contra-revolução?
Em 31 de março, o filme vai se repetir: na mídia, ONGs de desaparecidos políticos vão chorar lágrimas de crocodilos, e alguém vai exigir que se abram os "Arquivos da Ditadura". Nos quartéis, uma ordem-do-dia cheia de voltas e rodeios que nada explica e, novamente, nenhuma palavra das Forças Armadas sobre o que ocorreu naquele período. A eterna "estratégia do silêncio". E nas universidades, palavras de ordens contra a tortura, a burguesia, a igreja e a família. Sem falar, é claro, em uma crônica do Élio Gaspari, do Zé Dirceu, do ou até da Dilma na Folha, n'O Globo, na Zero Hora explicando para o povo o que aconteceu naqueles dias e que "isso nunca mais deve se repetir".
Houveram excessos? Sim. Mas nada comparável ao mais brando dos governos comunistas.




segunda-feira, 22 de março de 2010

Moral de Cuecas

Como pode, então, uma intelectualidade que fomenta e incentiva condutas de traição e promiscuidade cobrar um comportamento diferente das chamadas celebridades?

Vejam o caso do golfista Tiger Woods, ou do cantor Dudu Nobre. O que eles têm em comum? Aparentemente, ambos tiveram aventuras enquanto estavam casados, o que causou verdadeira indignação dos diversos setores da mídia, especialmente no caso do golfista. Tido como modelo exemplar de conduta profissional e pessoal, viu sua imagem ser destruída em questão de segundos, retirando-lhe patrocinadores e causando-lhe inúmeros incomodos pessoais. No caso do Dudu Nobre, sua ex-mulher é notícia em quase todas as revistas de fofocas tupiniquins, revigorando nosso apetite insaciável pela conduta pessoal da vida alheia.
Que os dois casos possam ser condenados sob uma ótica ou outra é compreensível. Mas que a mídia e a intelectualidade em geral os condene soa um pouco paradoxal. Afinal, que autoridade moral tem o meio jornalístico, cultural e midiático para condenar uma conduta que eles mesmos incentivam diariamente? Vejamos:
Na esmagadora maioria da produção cultural, não só brasileira como mundial, a temática da traição e da promiscuidade é requisito obrigatório para que um escritor ou novelista consiga vender sua obra e continuar trabalhando. Afinal, produção cultural hoje significa escrever umas tramas bobas, consoantes com o ataque aos nossos valores mais caros e mostrando que a traição e a putaria generalizada não só são atitudes compreensíveis, mas também desejáveis. Desta maneira, o autor vende livro, faz sucesso e num passe de mágica vira um intelectual. Exemplos não faltam.
Basta ligarmos nas novelas televisivas nas minisséries, ou abrir um livro de um romancista brasileiro dos dias de hoje para verificarmos que tanto a traição quanto a promiscuidade são retratadas de forma positiva. E não a traição por razões sentimentais, mas puramente aquela guiada pelo desejo. Da mesma maneira, um homem ou mulher que tenha inúmeros parceiros é retratado como sendo o cara popular aquele exemplo de conduta. Quando uma esposa movida exclusivamente pelo desejo sexual comete um ato de infidelidade, como aconteceu em uma novela recente, o que acontece? O público torce para que o amor dos amantes dê certo. OK, mas aquilo era amor ou simplesmente desejo? E o pior é que este tipo de comportamento. não só é retratado de forma positiva como também é veiculado em horários onde crianças e adolescentes estão assistindo à TV. Culpa dela? Em parte, mas ainda mais culpados são os pais que permitem que seus filhos assistam a tal tipo de programação. Mas aí vem a pergunta: Não estariam os adultos de hoje tão alienados, tão doutrinário pela tal da nova era que não percebem que este tipo de programação é nefasta? A resposta é sim. O certo tomou o lugar do errado e vice-versa.
Como pode, então, uma intelectualidade que fomenta e incentiva condutas de traição e promiscuidade cobrar um comportamento diferente das chamadas celebridades? Com que respaldo estas pessoas exigem de outras atitudes contrárias às que foram implantadas sistematicamente em suas vidas?
Um outro exemplo que podemos utilizar foi a da utilização de uma criança como rainha de bateria de uma escola de samba. Todos acharam isto a coisa mais normal do mundo, como se uma posição como esta não despertasse olhares de cobiça e de sentimentos sexuais puros. Agora juntem a isto o fato de ser uma criança. Pergunto: será que este tipo de situação não aumenta a tendência pedófila daqueles que a possuem? Será que, para um pedófilo, ver uma criança como rainha de bateria de uma escola de samba não é algo realmente excitante? Não tenho dúvidas que um indivíduo com esta tendência certamente sentiu-se mais encorajado a procurar a fonte de seu prazer. Mas parece que para nossa intelectualidade, a coisa não ocorre deste jeito, porque o carnaval é a maior demonstração de nossa cultura nacional. E quando alguém comete o hediondo crime de pedofilia estas mesmas pessoas que o incentivaram a isto, pela indiferança ante a sexualização prematura de nossas crianças, vêm atacar com toda a otoridade alguém que cometeu uma conduta que eles mesmos incentivaram.
Infelizmente, não é somente nas questões sexuais que isto acontece. A figura do malandro, o sujeito despreocupado que sempre procura dar um jeitinho inclusive utilizando-se da violência, tornou-se verdadeiro ícone de nossa chamada (oh céus!) cultura. Desde o surgimento das rodas de samba esta figura é cantada em prosa, verso, ópera, filme, novela e teatro. Se isto não é incentivar a corrupção, a vagabundagem, e a total descrença nos nossos valores familiares e laborosos então eu não sei mais o que é. Novamente, nossos formadores de opiniões do alto de sua moral condenam veementemente os atos de corrupção, favorecimento, nepotismo, sequestros, assaltos, homicídios. E novamente foram eles que plantaram no seio de nossa sociedade que ser malandro é algo bom, é a alma da brasilidade. E fazem este jogo duplo sem sequer ruborizarem.
Este é apenas um pedaço do triste retrato de nossa produção dita de elite. Uma série de repetições de modismos estrangeiros sem qualquer reflexão a respeito que nos tornam reféns de uma produção literária, musical e cinematográfica cada vez mais fraca e desajustada. Em seus livros, filmes e musicais, nossos ídolos incentivam a traição, a promiscuidade e a malandragem para no minuto seguinte colocarem uma cueca na cabeça e saírem condenando condutas que incentivam. É como aquela máxima da educação: a mão que bate é a mesma que acalanta.
E quanto aos verdadeiros intelectuais que produzem obras densas e profundas? Bom, estes não conseguem boas vendas, pois seus trabalhos exigem reflexões aprofundadas de críticos e consumidores. E a atrofia cerebral generalizada não permite que suas obras sejam reconhecidas como deveriam ser.



segunda-feira, 15 de março de 2010

Não Bastam Apenas Boas Intenções

Willian Waack, em seu programa na GloboNews, tentou dar um enfoque realista sobre as declarações de Lula em Cuba acerca dos prisioneiros políticos da ilha. Infelizmente, não soube escolher seus convidados.

O programa Almanaque, da GloboNews trouxe, neste final de semana, a presença de escritor Samarone Lima e dos cientistas políticos Cláudio Couto e Bolívar Lamounier, que juntamente com o jornalista Willian Waack, procuraram analisar as declarações do presidente Lula sobre prisioneiros políticos em Cuba. O jornalista possui uma trajetória um tanto peculiar em comparação com seus companheiros de profissão, ao publicar o livro Camaradas, onde mostra uma esquerda que a esquerda tenta esconder. Por esta razão, o programa poderia ser bastante interessante. Mas não foi isso o que se viu.
Basicamente, ao comentarem sobre as declarações do presidente, os convidados limitavam-se a dizer que foram infelizes, e que Lula deveria ter sido mais enfático em defender os direitos humanos. E que tal declaração, mesmo sendo em território cubano, não iria configurar intervenção estrangeira em assuntos internos (diferentemente do caso Zelaya, uma clara intromissão brasileira nos assuntos hondurenhos). De Samarone Lima, esperava-se uma atitude favorável ao governo de Castro. Afinal, mesmo não o conhecendo, sabia-se que era fruto da intelectualidade brasileira. Então, que mais poderia se esperar? Para minha surpresa, o escritor retratou a realidade do que viu: pobreza, controle político, censura, e a total falta de liberdade da população que vive ideologicamente e mesmo fisicamente encarcerada.
O suposto debate parecia bem. Entretanto, ao serem chamados os cientistas políticos, ficou claro que o cerne da questão, os reais motivos que levaram o presidente a dar tal declaração não seriam mencionados. Ambos os cientistas ficaram surpresos com as declarações, principalmente porque o Brasil estava caminhando para a aprovação de um Projeto Nacional de Direitos Humanos. Foi a partir deste momento que deixei de ver o programa, especialmente porque a seguir seriam tratadas as causas da miséria cubana. Ou era causada pelo regime ou pelo embargo dos EUA. Acho que já sabia qual seria a resposta.
Willian Waack, em seu programa na GloboNews, tentou dar um enfoque realista sobre as declarações de Lula em Cuba acerca dos prisioneiros políticos da ilha. Infelizmente, não soube escolher seus convidados. A essência da questão não foi tratada, que é a aliança ideológica que mantém ligados umbilicalmente Fidel e Lula: o Foro de São Paulo. Poderiam ser mantidos os convidados, desde que fosse trazido para o debate alguém que conheça profundamente a situação cubana e as conexões de Lula (e, porque não dizer, do PT ou da esquerda como um todo). Faltou a presença de Graça Salgueiro, Heitor de Paola, Percival Puccina ou Olavo de Carvalho para citar alguns dos maiores conhecedores do assunto. Desta maneira, uma oportunidade preciosa foi perdida para que fosse mostrado a fundo as reais intenções de nosso governo. Foi como se o programa estivesse estudando um oceano com seus integrantes olhando para a superfície e achando que saberíam tudo a respeito dele.
Boas intenções não são suficientes. É preciso coragem para mergulhar fundo no problema e encontrar as verdadeiras respostas. Parece que Willian Waack falhou.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Falando Mentiras com Verdades

Lula parece não se contentar com a produção jornalística a seu favor. Parece querer que ele mesmo as faça, numa grande gráfica nacional paga pelo dinheiro público.

Parece que, finalmente, o presidente Lula conseguiu dar uma declaração que possua ao menos um resquício de verdade, por diluído que seja. O portal de notícias G1, destaca entre suas manchetes que Lula reclama da programação de TV e diz que existem falsos democratas na imprensa. Se nosso mandatário está se referindo aos democratas como defensores da democracia, acertou em cheio. Nossos jornalistas não passam de repetidores da ideologia esquerdista e do politicamente correto. Entretanto, Lula chama a atenção de seus militantes para que leiam os editorais dos jornais que, segundo ele, querem monopolizar a opinião. E não é que o molusco acerta novamente? Jornalistas e intelectuais brasileiros se acham os donos da verdade porque possuem voz uníssona, sem qualquer confronto efetivo de idéias, o que torna nossos editoriais e as colunas dos articulistas, salvo raras exceções, uma mera repetição sistemática de pensamento com a utilização de um jogo de palavra premeditado e executado de tal maneira que faça com que dois artigos que seguem a mesma ideologia possam ser tidos como contraditórios.
Continuando em seu discurso, o presidente afirma que a programação das emissoras de televisão é de baixa qualidade e repetitiva. E olha como o nosso copanhêro estava num dia feliz! Acertou novamente! A programação televisiva nacional chega a ser ridícula, e completamente vazia sob qualquer ponto de vista, quer seja científico, político, jornalístico e principalmente cultural. Novelas que se repetem com os temas de sempre somente trocando as personagens. Comentários políticos que nada mais são do que a repetição sistemática das surradas acusações de corrupção, desvio de dinheiro e de conduta, mas que nada dizem a respeito da destruição sistemática de nossa sociedade e do processo totalitário que toma conta de toda a nação.
E então a máscara cai ao se ler efetivamente as linhas da reportagem. Lula acusa os editorias dos jornais de serem a única voz pensante no mundo. Certo. O que ele sonega é o fato de que as redações dos periódicos nacionais estão em sua imensa maioria a serviço do seu governo, do partido. Uma imprensa servil, sem coragem e sem qualquer compromisso com a verdade e que nada tem feito a não ser ajudá-lo a alavancar cada vez mais sua popularidade. Lula parece não se contentar com a produção jornalística a seu favor. Parece querer que ele mesmo as faça, numa grande gráfica nacional paga pelo dinheiro público. Não se contenta com qualquer resistência que seja, como as de Nivaldo Cordeiro, Olavo de Carvalho, Diogo Mainardi ou Percival Puccina por exemplo, gotas de lucidez num oceano de alienação.
Ao falar da produção televisiva nacional, Lula chama a atenção para o excesso de reprises dos seriados enlatados e filmes estrangeiros bem como sobre as milionárias produções cinematográficas de Hollywood (AVATAR) comparando com as pequenas cifras gastas pelo cinema nacional (advinhe...Lula, O Filho do Brasil). Incentiva a todos que façam sua contribuição e saiam de suas casas, de suas cidades e da frente da TV. Certamente, esta foi uma manobra para que o seu filme, de resultado pífio nas bilheterias, fosse visto por um maior número de pessoas. Lula não está errado ao dizer que a televisão brasileira não presta. Erra quando afirma que a repetição de filmes e enlatados seja a causa disto. Prova disto é que nosso país não produz qualquer programa que pudesse competir com os documentários científicos do Discovery Channel ou do History, bem como séries televisivas do porte de um Seinfeld, Monk, House, Roma, ou mesmo algo tão polêmico quanto Big Love. Quanto à nossa história cinematográfica, nenhum filme chega perto da profundidade de um Forrest Gump, Seabiscuit e mesmo do esquerdista Beleza Americana. Nossa produção cultural nada mais é do que a repetição do que ocorre no jornalismo: programas de conteúdo revolucionário que objetivam destruir nossos valores mais caros, abrindo caminho para o socialismo de Lula.
Então porque o nosso presidente criticou a imprensa e a cultura se elas fazem exatamente o que ele quer? Ora, para expurgar das redações os últimos lampejos de lucidez e oposição que estejam nos veículos de informação, seja pela exclusão destes da mídia, seja por fomentar o descrédito destes articulistas que, ao falarem contra o estado de coisas no qual nos encontramos, estariam sendo antidemocráticos.
Quanto à cultura, a resposta está no próprio corpo da reportagem qundo, ao final dela, Dilma afirma que temos hoje um Estado parceiro da cultura. Correção Ministra, um Estado impositor da cultura. Colocando o povo contra a produção nacional de obras culturais, muito embora esta mesma cultura seja subserviente aos interesses do governo e do partido, fica mais fácil para a opinião pública da maioria, engolir atos totalitários como o Projeto de Lei 29/2007 que quer impor conteúdo nacional à televisão paga, mesmo em canais estrangeiros. Ou seja, a pressão do povão, da maioria, pode fazer com que os interessados (os assinantes da TV paga) percam a sua liberdade de escolha sobre o que querem assistir nas manhãs de domingo ou na quarta-feira a noite, tudo com o argumento de incentivar a cultura.
Sobre estes aspectos, a imprensa, os intelectuais e a mídia como um todo, nada falam.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Os Incriticáveis

Imagine que neste momento caro leitor, você esteja em uma Igreja, Templo, Sinagoga ou Mesquita. Imagine agora que, ao receber os ensinamentos inerentes à religião de sua preferência (ou mesmo na santidade de seu lar), você as toma como verdades espirituais, encarnadas nas escrituras litúrgicas de cada uma delas. Você, se religioso, lutará para que suas crenças sejam respeitadas.
Agora imagine a situação de estar a frente da televisão, lendo um jornal, ouvindo rádio ou navegando pela web em busca de entretenimento ou das notícias ao redor do mundo. De repente, uma cena da novela ou um artigo jornalístico começa a criticar a sua religião. Começa a dizer que os cristãos, especialmente os católicos, foram assassinos inquisitores responsáveis pelos mais hediondos crimes. Que os evangélicos são um bando de alienados e que em algumas igrejas seus fiéis entregam suas riquezas para um pastor que pratica a lavagem cerebral de seu rebanho. Que os rabinos judeus ensinam a arte da usura e do lucro. Ou que o islamismo prega sobretudo a violência, o terrorismo, e a poligamia. Imaginou a situação? Então fica a pergunta no ar: Não seriam estes artigos, novelas, notícias, seja lá o que for preconceito?  Se sim ou não, o fato é que ninguém é silenciado por emitir tais palavras. Nenhum autor de novelas, jornalista, apresentador, músico ou escritor jamais foi repreendido ou censurado por expressar tais pensamentos. É o direito à liberdade de expressão.
O que parece que ninguém vê (ou finge que não vê) é que existem pessoas que emitem suas opiniões acerca de determinado assunto e são sumariamente silenciadas pela tropa de choque dos militantes de esquerda e de ONGs das mais diversas. Suas opiniões caem exatamente no exemplo daqueles que criticam uma igreja, uma entidade, mesmo um governante. Mas com uma diferença: mexeram com a viadagem! E não tem coisa que perturbe mais os machões censores de plantão do que a viadagem. Exemplos não faltam. Em  reportagem do portal G1, o  Senado aprovou a indicação do general Raymundo Nonato Cerqueira Filho para o Superior Tribunal Militar (STM). Este Oficial-General havia criticado a presença de homossexuais nas Forças Armadas, argumentando que um gay não teria o mesmo respeito da tropa. Se é verdade ou não, é questão que não interessa. O fato é que, por uma opinião o general foi tachado de... advinhem... preconceituoso. Vejam que ninguém falou nada em defesa deste militar e sobretudo cidadão em poder expressar a sua opinião. Parece que a liberdade de expressão que tantos falaram que fora roubada pelo regime militar ainda não retornou mesmo depois de mais de duas décadas de Estado Democrático
Um gay, se tiver sua conduta criticada por qualquer cidadão heterossexual, gozará de todo o direito de obter a justiça contra a discriminação. Se for criticado por outro gay, bem, aí está tudo em casa. Estamos diante, como já foi dito, de uma superclasse, de superhumanos, verdadeiros semideuses que gozam de um status que nem mesmo Jesus Cristo obteve: o direito de não serem criticados. E aí começam a pulular em nosso noticiário e nas diversas esferas governamentais, projetos dos mais exdrúxulos como o de censurar a Bíblia ou qualquer escritura que condene a classe suprema.  São seres intocáveis, perfeitos, acima do bem e do mal, acima das milenares tradições religiosas, acima de qualquer coisa atribuída ao homem e mesmo a Deus.
Religião, família, costumes, governos, pessoas, enfim, tudo pode ser criticado, menos o homossexualismo. O engraçado é que, onde a violência e o preconceito contra os gays impera, ninguém fala uma vírgula sequer em defesa destes. Mahmoud Ahmadinejad que o diga.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A Democracia dos DCEs

Sinceramente, não tenho a mínima noção da finalidade dos chamados DCEs que estão presentes nas universidades públicas brasileiras. Como tenho minha graduação nos bancos escolares da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), obviamente não tive contato com os chamados DCEs. Antes que os desinformados comecem a chamar esta escola de autoritária e anti-democrática, devo lembrá-los que lá existe a chamada Sociedade Acadêmica Militar (SAM), que busca melhorar a vida dos cadetes que passam internados durante 4 anos de suas vidas. Esta agremiação é formada por cadetes eleitos e que tem como objetivo principal proporcionar intercâmbios com demais estabelecimentos de ensino, organizar eventos culturais e científicos dentre outros. Cabe ressaltar, ainda, que não há no país qualquer instituição que seja mais democrática do que as escolas militares, pois nelas o fator determinante para aspirar seu ingresso é um só: o mérito. Desta maneira, sem uso de quotas de qualquer tipo, absolutamente todos os matizes que compõe a sociedade brasileira estão nelas representados.
Feito este parênteses, voltamos ao caso dos DCEs, mais precisamente à situação ocorrida na UFRGS que pude ver no site do MÍDIA SEM MÁSCARA, onde os derrotados nas últimas eleições querem impor na marra as suas próprias idéias. Vale lembrar que os atuais integrantes do DCE da UFRGS possuem orientação ideológica diferente dos antigos integrantes, que eram de esquerda e extrema esquerda. Foi então que um insight veio a minha mente e comecei a entender qual era a verdadeira finalidade destas agremiações incrustradas no seio da educação superior brasileira: fomentar a luta de classes, divulgar a doutrina socialista e suas diversas vertentes, e impor a democracia comunista, onde somente é válida a opinião daqueles que concordam com estes ideais.
O resultado foi que, durante uma reunião para deliberar sobre o Parque Tecnológico da Universidade, os opositores esquerdistas literalmente partiram para cima dos integrantes do DCE que iriam participar e provavelmente aprovar o projeto.
Eis a democracia que, por esta amostra, permeia os diversos DCEs Brasil afora, dominados por militantes comunistas. Para eles, voto e liberdade de opinião só são válidos quando expressam a vontade da maioria, sendo que esta é, na verdade, um ser hipotético que sempre decidirá pelo que quer a direção da agremiação. Caso se dê o contrário, é complô, conspiração, etc. Os esquerdistas não aceitam qualquer discussão que tenha como resultado decisões contrárias àquelas previamente acertadas pela cúpula diretora esquerdistas. Quando perdem as eleições, como no caso da UFRGS, fazem de tudo para tirar a legitimidade do DCE de representar os estudantes. De uma hora para outra, passa de porta-voz dos universitários para uma entidade opressora e contrária à vontadade da maioria, este ser difuso sem corpo. Parecem esquecer que foi justamente a mesma maioria que elegeu os novos representantes que compõe a agremiação. Se eles são de direita é porque os estudantes vislumbraram que os camaradas da esquerda não estavam cumprindo o papel que realmente cabe ao DCE, qual seja, o de representar os estudantes e primar pela melhoria da qualidade de vida, pelo fomento da cultura e do intercâmbio científico (pelo menos é o que faz a SAM na AMAN), e não o de implementar o pensamento revolucionário nos estudantes.
Mas a democracia à moda dos DCEs não é fato isolado e restrito ao mundo universitário, ou mesmo nacional. Basta vermos o que acontece em cada eleição aqui no Brasil ou em qualquer deliberação legislativa. Se algo vai de encontro ao que querem as esquerdas, rapidamente a tropa de choque comunista inventa um escândalo, ou relembra dos horrores da ditadura para abafar o caso. 
Na Europa, situação semelhante ocorre, basta verificarmos as votações acerca da admissaão de novos membros na União Européia. Se o povo de um país rejeita a sua entrada na comunidade, uma nova consulta é agendada, tantas vezes quantas forem necessárias até a adesão daquele país. O inverso não ocorre, ou seja, depois de aceita a adesão nenhuma consulta popular é feita para saber se a população deseja continuar na UE. Desta maneira, cedo ou tarde, todos os países europeus irão aderir à comunidade, nem que seja na base do cansaço.
Graças aos DCEs nossos estudantes de ciências humanas ficam cada vez mais enfeitiçados pela ideologia comunista. Percebem que suas idéias somente são valorizadas e levadas a sério quando são consoantes com o que pensa a maioria. Felizmente, parece que no Rio Grande do Sul as coisas começam a tomar um novo rumo, embora o esforço tenha que ser homérico diante do poder de uma militância organizada e bem instruída. Seria este um surto de liberdade dentro do torpor coletivo que envolve a cabeça de nossos estudantes universitários? Torço sinceramente que sim.

terça-feira, 9 de março de 2010

O Lento Retorno do Império

Parece que tramita na CCJ uma proposta de Emenda Constitucional do deputado Arnaldo Faria de Sá, para nivelar o salário das corporações das Polícias e Bombeiros Militares em todo o país pelos vencimentos pagos pelo Distrito Federal. Sendo assim, esta unidade da federação, que paga os melhores salários do Brasil, será utilizada como parâmetro para o nivelamento nacional. A proposta parece bem-intencionada aos olhos da grande maioria da população. Afinal, em tese, iria corrigir a defasagem salarial que existe entre as polícias militares dos Estados e do Distrito Federal.
É importante destacar, no entanto, que este tipo de proposta soa como um ato imperativo da União. Afinal, não cabe a este ente da Federação tratar de tal assunto, pois na organização política e legal brasileira, as polícias são de responsabilidade dos estados-membros (excluindo-se, obviamente, as Polícias Federais). Este tipo de proposta é uma verdadeira afronta ao conceito de Federação sob o qual aparentemente somos organizados. Mostra a fome do poder central em controlar os estados. É importante lembrar que, numa Federação, os estados-membros abrem mão de sua soberania, não de sua autonomia. E cada vez mais cresce a influência de Brasília nos assuntos que devem ser tratados de maneira regionalizada.
Enganam-se aqueles que julgam que "império" é somente uma nação expansionista que devora outras nações soberanas. Vivemos hoje um proto-império, onde o poder central devora cada vez mais a autonomia de seus estados. Se fossem outros tempos, estariam pipocando Sabinadas, Cabanagens, Balaiadas e Revoluções Farroupilhas que tinham em comum justamente a luta contra o centralismo da Corte. Hoje a Corte mudou o nome para União, e as antigas províncias são estados, mas a centralização efetiva de poder continua. Não são respeitatas as peculiaridades regionais inerentes a um país de proporções continentais como o Brasil. Haveria, então, algum meio de frear a fome da União? Sim, e chama-se Senado Federal.
Esta casa legislativa não representa diretamente os interesses do povo. Este é representado pela Câmara dos Deputados, estes sim responsáveis por atender as aspirações da população. Os senadores são (ou deveriam ser pelo menos) os vigilantes de seus estados, assegurando que a autonomia não seja tomada a força pelo poder central. São eles que devem tratar dos assuntos referentes às questões internas dos estados que representam. É por este motivo que cada um dos estados-membros da nossa pseudo-federação possuem número igual de senadores, para que suas aspirações sejam reinvidicadas. Na prática isto não acontece, pois o próprio sistema legislativo e judiciário nacional propociona poderes muito superiores ao Presidente da República, a ponto de desvirtuar por completo a função do Senado e mesmo do legislativo como um todo. O resultado é a discussão acerca da validade ou não da existência do Senado Federal sem que os debatedores (políticos e jornalitas em geral) sequer tenham noção da sua verdadeira função.
Eliminando-o, o governo central encontrará o caminho completamente livre para continuar com seus desmandos e influência dentro dos estados, tolhindo suas autonomias e deixando-os ao largo de decisões que deveriam ser tomadas por eles, e não pela União. As forças políticas regionais que poderiam contrapor a política centralizadora de Brasília serão impotentes sem o auxílio dos senadores. E a população, cega e doutrinada, não consegue perceber que está sendo enganada por falsos argumentos vindo de pessoas que não tem qualquer preparo para exercer uma função pública.
Assim, lentamente, os tentáculos da União vão devorando os estados numa atitude claramente imperialista. Estamos entrando, sem percebermos, em um Império sem reis ou imperadores, mas governado por um "Presidente da República".
A democracia que vivemos é ilusória e populista. Apenas uma frágil pele que mascara a aparência real do corpo podre.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Paradoxo da Educação

Que o ensino brasileiro é pífio, disto não resta qualquer dúvida. Com metodologias que atrofiam a busca individual pelo conhecimento (e auto-conhecimento), nossos jovens são doutrinados em verdadeiras fábricas de militantes, que começa desde a pré-escola e culmina no nossos bancos acadêmicos, onde multidões de zumbis-papagaios (ser imaginário que não passa de um morto-vivo que repete tudo aquilo que ouve, sem pensar a respeito) vão ocupar os espaços na nossa mídia, na nossa política, e serão chamados de intelectuais de acordo com os padrões estabelecidos para este adjetivo no cenário nacional.
Antigamente, passavam-se 11 anos nos bancos escolares para que o indivíduo obtivesse o conhecimento necessário para que fosse proclamado como portador do "ensino médio completo". Ou seja, a criatura entrava na escola aos 6, 7 anos de idade e de lá saía, aos 17, 18, com a suposta bagagem necessária a quem se habilita a prestar um concurso vestibular para o ingresso no chamado ensino superior. Mesmo para formar novos militantes revolucionários, demorava-se 11 anos, atualmente 12, em virtude da inclusão do 9º ano dentro da estrutura do nosso ensino.
Causou-me surpresa e indgnação quando, ao conversar com um velho e bom amigo, descobri que estes 12 anos podem ser condensados em... 1 ano!! Isto mesmo! Em 1 ano, todo o ensino médio é resumido e o cidadão já sai com diploma e tudo, reconhecido pelo MEC é claro. Evidentemente que este programa nada mais é que um aspirador de votos para nosso presidente, assegurando-lhe a sua confortável popularidade. Aí fica a pergunta: este cidadão absorveu o conhecimento necessário para ser detentor do ensino médio? Ora, se um estudante universitário, na sua grande maioria, não absorveu nada além de vômito ideológico, e muitas vezes não lembra sequer da Fórmula de Báskara, que dizer daquele que conclui todo o ensino médio em 1 ano?
Mesmo com o governo dizendo que o ensino médio pode ser concluído em 1 ano, agora está insistindo para que as crianças frequentem a escola a partir dos 4 anos de idade. Mas se em um período de 12 meses este mesmo governo afirma que habilita pessoas a possuírem o segundo grau, porque insistem em diminuir a idade das crianças para o ingresso no sistema de educação?
Isto me faz lembrar o caso de um casal que resolveu educar seus filhos em casa, causando a ira de pedagogos e educadores, bem como do Ministério da (des)Educação, sob o argumento de que estes pais estariam impedindo seus filhos de estudarem. Tentando invalidar a iniciativa, o MEC aplicou uma pesada prova sobre os mais variados assuntos, muitos dos quais não fazem parte da grade curricular de nossas escolas, para demonstrar que as crianças não haviam aprendido nada. E os meninos passaram no teste. Os pais sugeriram, então, que a mesma avaliação fosse aplicada aos alunos do ensino regular para verificar a qualidade do ensino formatado. O resultado... silêncio.
Fica formada, desta maneira, um estranho esquema acerca do que é considerado educação nos dias atuais. Para o governo, é preciso que se passem mais de 10 anos em sala de aula para se obter o certificado de conclusão do ensino médio. Ao mesmo tempo, jovens e adultos conseguem obter o mesmo certificado com 1 ano de estudo. Alunos que aprendem em casa demonstraram que são tão ou mais qualificados quanto aqueles que seguiram as leis de diretrizes e base da educação.
Mas o problema vai além. Estes alunos, dos supletivos, fatalmente serão beneficiados por uma cota para alunos oriundos do ensino público, e se tornarão novos universitários que irão ensinar outra geração de alunos, tanto os seus semelhantes quanto aqueles que ralaram 11, 12 anos. Não saberão efetivamente sobre os assuntos que falam, mas vomitarão o discurso surrado da guerra de classes e da eterna contrução de um mundo melhor.
Serão componentes e incentivadores da massa votante de vacas de presépio, sem pensamento próprio, entorpecida pela oportunidade que o Estado proporcionou para que conseguissem o diploma de ensino médio. É a total ridicularização do conhecimento, onde cultura significa velhice, ultrapassado. A moda é tentar derrubar o sistema e livrar o mundo das garras do capital. Para isto, basta emburrecer ainda mais a população, começando pela ilusão de recuperar 12 anos em 12 meses. A isto, chamam "democratização da educação" ou como seria mais ao gosto do nosso presidente "educação para todos".

terça-feira, 2 de março de 2010

O Valor Relativo da Vida Humana

Orlando Zapata Tamayo, preso político do governo de Fidel Castro, vítima fatal de uma greve de fome iniciada como forma de protesto pelas condições desumanas das prisões as quais são submetidos os opositores da ditadura cubana. Sua morte pouco repercutiu no noticiário brasileiro, mas as declarações do nosso presidente sim. Segundo ele, não podemos julgar um país ou a atividade de um governante em função da atitude de um cidadão que decide fazer uma greve de fome. Trocando em miúdos: Fez greve de fome, azar o dele.
É assim que a vida humana é tratada pelos militantes da esquerda. Se ela for de um de seus companheiros, tem valor. Se for de um de seus opositores, que se dane. Fidel ainda afirma que Lula sabe que o governo cubano jamais torturou, ou perseguiu seus adversários. Isto é uma meia-verdade, se formos analisarmos o fato de que a maioria daqueles que se opuseram à tirania de Fidel foram mandados para el paredón e sumariamente executados por cometerem o crime hediondo de protestar contra o governo comunista e sanguinário (perdão pela redundância) que a cinco décadas assola aquele país caribenho. Para Lula, azar de Zapata. Ninguém mandou que fizesse greve de fome. E os grupos que esperavam a intervensão do presidente brasileiro na questão dos presos políticos ficaram a ver navios. Parece que se esqueceram que isto é uma questão interna de Cuba, e não cabe ao Brasil intervir. Mas... não foi exatamente o que fez o molusco na questão Zelaya, se imiscuiu em assuntos internos de nação estrangeira? O que há de diferente neste caso? Ora, agora não era um cumpanhêro que estava em apuros, mas um opositor que ousou usar a palavra para criticar o governo da ilha. Então vale a máxima de, dois pesos, duas medidas.
Interessante é verificar que nossos intelectuais nada dizem a respeito. Nade de surpreendente. Afinal, a vítima era contrária ao maravilhoso e humano regime comunista, então deveria mesmo morrer. Sua vida não vale nada. É o mesmo caso do tenente da PM de São Paulo que foi morto a coronhadas por Lamarca. Era inimigo; consequentemente sua vida nada vale. Diferente dos guerrilheiros do araguaia eternos defensores da democracia, ou dos pobres estudantes que lutaram contra a ditadura. A eles tudo. Indenizações milionárias, pensões vitalícias por terem sido torturados e toda a sorte de benefícios. Aos mortos que eles fizeram e àqueles que torturaram a eterna acusação de culpados, de escória, o esquecimento. Este é o valor dado à vida humana por nossos democratas. Não que tais indenizações não sejam justas. Injusto é que elas contemplem apenas um dos lados, contrariando a tal da Lei da Anistia que, se me lembro, foi ampla e irrestrita.
Para Lula, claro que não há tortura ou assassinatos de opositores do governo na ilha de Cuba. Assim como não existe mensalão ou ligação do PT com as FARCs via Foro de São Paulo. Nosso presidente jamais trairia a confiança de seu velho e caquético camarada. São sócio-fundadores do maior movimento revolucionário da América Latina, verdadeiros irmãos de sangue. Possuem a bênção de nossa Igreja, de nossos meios acadêmicos e de nossos jornalistas e intelectuais em geral. São imunes a qualquer ataque, a qualquer fato por mais provado e comprovado que seja. Ambos possuem uma blindagem ideológica, uma áura divina que os torna gurus e fontes para toda uma geração de formadores de opiniões. Possuem, inclusive, o poder de decidir o valor da vida humana, como fizeram neste caso.
E ainda tem a cara-de-pau de dizer, perante um altar, que é um homem sem pecado.