segunda-feira, 29 de março de 2010

31 de Março de 1964

Entender os fatos históricos não é simplesmente pinçá-los, isolá-los e interpretá-los. Um fato isolado nada significa se não for inserido dentro do contexto ao qual pertence. Não há como um estudioso da História, acadêmico ou não, chegar a conclusões acertadas e confiáveis acerca de determinado acontecimento se não estabelecer os vínculos entre este e a realidade que o cerca naquele determinado período. Isolando, o pesquisador cai no erro grosseiro de atribuir a um acontecimento, falsas verdades. Escondendo e manipulando o momento e os dados do período, as conclusões são fatalmente equivocadas e correm o risco mais forte de serem contaminadas pelo viés ideológico, especialmente dos jovens pesquisadores que, mergulhado em sua necessidade de autoafirmação, acabam comentendo o engano de oferecer o mais do mesmo, repetindo tudo o que aprenderam dentro dos círculos acadêmicos, sob o temor de serem censurados diante de conclusões que possam ir de encontro a que seus mestres ensinaram.
É precisamente o que acontece com o estudo dirigido ao esclarecimento do que aconteceu no dia 31 de março de 1964. Para a grande maioria de nossos estudantes e professores, este foi o momento em que o Brasil mergulhou em um período de trevas, que impediu o desenvolvimento social e que ocasionou duras perseguições contra pobres estudantes e intelectuais que queriam apenas construir "um mundo melhor". E os milicos tomaram o poder e sairam a caça de seus opositores.
Para explicar a origem do movimento, é importante ressaltar alguns fatos que são sistematicamente excluídos do contexto para favorecer a tese de que a movimento de 64 surgiu assim... do nada, contra o governo de João Goulart. Mas a coisa não é bem assim. O furo é mais embaixo. Não foi unilateralmente que os militares tomaram o poder, e nem eles mesmo tinham pensamento unânime. Vejamos.
Desde a década de 20 do século passado o Brasil começava a ser alvo de interesse do Comunismo Internacional, articulado e sediado na Rússia, que objetivava a disseminação desta ideologia por todo o mundo. Esta ideologia consistia basicamente em extinguir a propriedade privada e acabar com as diferenças de classes entre as pessoas, de modo que a força de trabalho deixasse de ser do trabalhador e de seu patrão e passasse a ser do Estado. Evidentemente que nem todos concordavam com tal situação, e os opositores do novo regime ou eram fuzilados ou enviados a campos de trabalhos forçados, que mais tarde serviriam de inspiração para os campos de concentrações nazistas.
Com o fim da produção privada, a Rússia enfrentou o pior episódio de fome de sua história, que levou à morte duas dezenas de milhões de pessoas. O mesmo ocorreria na China, no Laos, no Vietnã, na Coréia do Norte e em Cuba. E o regime que prometia a igualdade trouxe a pobreza generalizada, enquanto os mandatários do Partido gozavam de farta comida e de todos os benefícios do capitalismo ocidental que forneciam-lhes toda sorte de produtos luxuosos.
Para a implementação de tal regime era necessária não uma reforma, mas uma revolução. E a revolução consiste em destruir toda a estrutura de uma civilização, erguida ao longo de milênios, e substituí-la por uma nova ordem, com novos valores, crenças, costumes e religião. E isto somente é possível na ponta da espada, com derramamento de sangue inocente daqueles que são contrários a este novo cenário. Foi assim na França no final do século XVIII e início de XIX. Sua revolução levou a França de potência mundial a potência européia secundária, atrás da Alemanha e da Inglatera por exemplo. Na rússia não foi diferente. Desde a família real até pequenos produtores rurais e comerciantes, sem falar nas igrejas, todos foram varridos do mapa pela sede revolucionária de sangue. E estava imposto o regime comunista.
Era este o regime que figuras como Luis Carlos Prestes, Olga Benário, João Goulart e Brizola defendiam, isto para citar somente alguns nomes. O Brasil era alvo de Moscou que queria obter a influência na América Latina antes dos EUA. Este assédio fica mais evidente após a II GM, quando efetivamente o mundo é dividido entre dois blocos. E para implementar o comunismo era preciso desestabilizar o governo e o sistema atual. Como? Semeando a insegurança e praticando atos de terrorismo, assaltos, sequestros, estupros, jogando a culpa destes crimes em uma sociedade injusta e não nas pessoas que os cometiam. Além do terrorismo, a inteligencia comunista infiltrou-se dentro dos círculos universitários e culturais, e mesmo dentro das Forças Armadas. Com seus discursos contra as injustiças, os agentes do Partido Comunista eram como sereias que hipnotizavam sua platéia para depois devorar-lhes como inocentes úteis. Surgiram greves e revoltas por todas as partes, quer no meio civil, quer no meio militar.
A situação piorou quando João Goulart realizou uma visita à China de Mao Tsé Tung (que já contabilizava dezenas de milhões de mortos pela fome oriunda da "maravilha comunista"), e começou a realizar as chamadas reformas de base que constituíam basicamente em acabar com a propriedade privada, com a liberdade de expressão e em estatizar a economia. Tal situação colocou uma pressão enorme sobre os mandatários do país, quando a população em peso exigia que fosse tomada uma atitude para que se evitasse que o país se transformasse em mais uma República Popular. Os atos de terrorismo e de guerrilha assolavam cidades de norte a sul do Brasil. Motins dentro dos quartéis evidenciaram a perigosa situação que se desenhava. O Partido Comunista, com células inflitradas dentro das Forças Armadas, como aquela de Carlos Lamarca, estava pronto para desencadear uma série de motins e ataques terroristas no dia 1 de Abril de 1964, quando um levante de proporção nacional mergulharia o país nas trevas comunistas. A população, vendo a inércia de seus governantes, viu nas Forças Armadas a única esperança de salvar o país da total ruína. E foi atendida.
Em 31 de Março de 1964, os militares assumiram o controle da nação e numa demonstração de coesão e patriotismo, evitaram o que seria talvez a mais sangrenta guerra civil da América Latina, quando a Academia Militar das Agulhas Negras esteve entre duas forças antagônicas que posteriormente se uniram em prol da honra e da integridade da pátria. Os planos do Partido Comunista estavam, por ora, frustrados.
É mentira afirmar que os militares tomaram o poder por decisão própria e que nada os impelia a fazê-lo. Afinal, a ameaça totalitária do comunismo ronda a nação desde a década de 20 e já está infiltrada em todos os meios formadores de opinião. Os militares apenas atenderam o chamado da pátria que juram defender em solene juramento. Não foi uma ação, mas uma reação a tudo o que estava acontecendo ao redor do mundo. E se alguns estudiosos mal-informados dizem que tudo foi culpa da CIA, porque excluem a KGB da responsabilidade pelos sequestros, estupros, assassinatos e roubos praticados por militantes comunistas? Ou que Prestes foi treinado na Rússia para implementar o comunismo? Ou que Olga Benário não era sua esposa, mas uma agente disfarçada para proteger sua vida? E o financiamento de Cuba para as malfadadas guerrilhas de Brizola? Porque chamam de teoria de conspiração esses argumentos e nada falam quando se trata da CIA ter sido a mentora e financiadora da contra-revolução?
Em 31 de março, o filme vai se repetir: na mídia, ONGs de desaparecidos políticos vão chorar lágrimas de crocodilos, e alguém vai exigir que se abram os "Arquivos da Ditadura". Nos quartéis, uma ordem-do-dia cheia de voltas e rodeios que nada explica e, novamente, nenhuma palavra das Forças Armadas sobre o que ocorreu naquele período. A eterna "estratégia do silêncio". E nas universidades, palavras de ordens contra a tortura, a burguesia, a igreja e a família. Sem falar, é claro, em uma crônica do Élio Gaspari, do Zé Dirceu, do ou até da Dilma na Folha, n'O Globo, na Zero Hora explicando para o povo o que aconteceu naqueles dias e que "isso nunca mais deve se repetir".
Houveram excessos? Sim. Mas nada comparável ao mais brando dos governos comunistas.




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