quarta-feira, 10 de março de 2010

A Democracia dos DCEs

Sinceramente, não tenho a mínima noção da finalidade dos chamados DCEs que estão presentes nas universidades públicas brasileiras. Como tenho minha graduação nos bancos escolares da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), obviamente não tive contato com os chamados DCEs. Antes que os desinformados comecem a chamar esta escola de autoritária e anti-democrática, devo lembrá-los que lá existe a chamada Sociedade Acadêmica Militar (SAM), que busca melhorar a vida dos cadetes que passam internados durante 4 anos de suas vidas. Esta agremiação é formada por cadetes eleitos e que tem como objetivo principal proporcionar intercâmbios com demais estabelecimentos de ensino, organizar eventos culturais e científicos dentre outros. Cabe ressaltar, ainda, que não há no país qualquer instituição que seja mais democrática do que as escolas militares, pois nelas o fator determinante para aspirar seu ingresso é um só: o mérito. Desta maneira, sem uso de quotas de qualquer tipo, absolutamente todos os matizes que compõe a sociedade brasileira estão nelas representados.
Feito este parênteses, voltamos ao caso dos DCEs, mais precisamente à situação ocorrida na UFRGS que pude ver no site do MÍDIA SEM MÁSCARA, onde os derrotados nas últimas eleições querem impor na marra as suas próprias idéias. Vale lembrar que os atuais integrantes do DCE da UFRGS possuem orientação ideológica diferente dos antigos integrantes, que eram de esquerda e extrema esquerda. Foi então que um insight veio a minha mente e comecei a entender qual era a verdadeira finalidade destas agremiações incrustradas no seio da educação superior brasileira: fomentar a luta de classes, divulgar a doutrina socialista e suas diversas vertentes, e impor a democracia comunista, onde somente é válida a opinião daqueles que concordam com estes ideais.
O resultado foi que, durante uma reunião para deliberar sobre o Parque Tecnológico da Universidade, os opositores esquerdistas literalmente partiram para cima dos integrantes do DCE que iriam participar e provavelmente aprovar o projeto.
Eis a democracia que, por esta amostra, permeia os diversos DCEs Brasil afora, dominados por militantes comunistas. Para eles, voto e liberdade de opinião só são válidos quando expressam a vontade da maioria, sendo que esta é, na verdade, um ser hipotético que sempre decidirá pelo que quer a direção da agremiação. Caso se dê o contrário, é complô, conspiração, etc. Os esquerdistas não aceitam qualquer discussão que tenha como resultado decisões contrárias àquelas previamente acertadas pela cúpula diretora esquerdistas. Quando perdem as eleições, como no caso da UFRGS, fazem de tudo para tirar a legitimidade do DCE de representar os estudantes. De uma hora para outra, passa de porta-voz dos universitários para uma entidade opressora e contrária à vontadade da maioria, este ser difuso sem corpo. Parecem esquecer que foi justamente a mesma maioria que elegeu os novos representantes que compõe a agremiação. Se eles são de direita é porque os estudantes vislumbraram que os camaradas da esquerda não estavam cumprindo o papel que realmente cabe ao DCE, qual seja, o de representar os estudantes e primar pela melhoria da qualidade de vida, pelo fomento da cultura e do intercâmbio científico (pelo menos é o que faz a SAM na AMAN), e não o de implementar o pensamento revolucionário nos estudantes.
Mas a democracia à moda dos DCEs não é fato isolado e restrito ao mundo universitário, ou mesmo nacional. Basta vermos o que acontece em cada eleição aqui no Brasil ou em qualquer deliberação legislativa. Se algo vai de encontro ao que querem as esquerdas, rapidamente a tropa de choque comunista inventa um escândalo, ou relembra dos horrores da ditadura para abafar o caso. 
Na Europa, situação semelhante ocorre, basta verificarmos as votações acerca da admissaão de novos membros na União Européia. Se o povo de um país rejeita a sua entrada na comunidade, uma nova consulta é agendada, tantas vezes quantas forem necessárias até a adesão daquele país. O inverso não ocorre, ou seja, depois de aceita a adesão nenhuma consulta popular é feita para saber se a população deseja continuar na UE. Desta maneira, cedo ou tarde, todos os países europeus irão aderir à comunidade, nem que seja na base do cansaço.
Graças aos DCEs nossos estudantes de ciências humanas ficam cada vez mais enfeitiçados pela ideologia comunista. Percebem que suas idéias somente são valorizadas e levadas a sério quando são consoantes com o que pensa a maioria. Felizmente, parece que no Rio Grande do Sul as coisas começam a tomar um novo rumo, embora o esforço tenha que ser homérico diante do poder de uma militância organizada e bem instruída. Seria este um surto de liberdade dentro do torpor coletivo que envolve a cabeça de nossos estudantes universitários? Torço sinceramente que sim.

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