sexta-feira, 12 de março de 2010

Falando Mentiras com Verdades

Lula parece não se contentar com a produção jornalística a seu favor. Parece querer que ele mesmo as faça, numa grande gráfica nacional paga pelo dinheiro público.

Parece que, finalmente, o presidente Lula conseguiu dar uma declaração que possua ao menos um resquício de verdade, por diluído que seja. O portal de notícias G1, destaca entre suas manchetes que Lula reclama da programação de TV e diz que existem falsos democratas na imprensa. Se nosso mandatário está se referindo aos democratas como defensores da democracia, acertou em cheio. Nossos jornalistas não passam de repetidores da ideologia esquerdista e do politicamente correto. Entretanto, Lula chama a atenção de seus militantes para que leiam os editorais dos jornais que, segundo ele, querem monopolizar a opinião. E não é que o molusco acerta novamente? Jornalistas e intelectuais brasileiros se acham os donos da verdade porque possuem voz uníssona, sem qualquer confronto efetivo de idéias, o que torna nossos editoriais e as colunas dos articulistas, salvo raras exceções, uma mera repetição sistemática de pensamento com a utilização de um jogo de palavra premeditado e executado de tal maneira que faça com que dois artigos que seguem a mesma ideologia possam ser tidos como contraditórios.
Continuando em seu discurso, o presidente afirma que a programação das emissoras de televisão é de baixa qualidade e repetitiva. E olha como o nosso copanhêro estava num dia feliz! Acertou novamente! A programação televisiva nacional chega a ser ridícula, e completamente vazia sob qualquer ponto de vista, quer seja científico, político, jornalístico e principalmente cultural. Novelas que se repetem com os temas de sempre somente trocando as personagens. Comentários políticos que nada mais são do que a repetição sistemática das surradas acusações de corrupção, desvio de dinheiro e de conduta, mas que nada dizem a respeito da destruição sistemática de nossa sociedade e do processo totalitário que toma conta de toda a nação.
E então a máscara cai ao se ler efetivamente as linhas da reportagem. Lula acusa os editorias dos jornais de serem a única voz pensante no mundo. Certo. O que ele sonega é o fato de que as redações dos periódicos nacionais estão em sua imensa maioria a serviço do seu governo, do partido. Uma imprensa servil, sem coragem e sem qualquer compromisso com a verdade e que nada tem feito a não ser ajudá-lo a alavancar cada vez mais sua popularidade. Lula parece não se contentar com a produção jornalística a seu favor. Parece querer que ele mesmo as faça, numa grande gráfica nacional paga pelo dinheiro público. Não se contenta com qualquer resistência que seja, como as de Nivaldo Cordeiro, Olavo de Carvalho, Diogo Mainardi ou Percival Puccina por exemplo, gotas de lucidez num oceano de alienação.
Ao falar da produção televisiva nacional, Lula chama a atenção para o excesso de reprises dos seriados enlatados e filmes estrangeiros bem como sobre as milionárias produções cinematográficas de Hollywood (AVATAR) comparando com as pequenas cifras gastas pelo cinema nacional (advinhe...Lula, O Filho do Brasil). Incentiva a todos que façam sua contribuição e saiam de suas casas, de suas cidades e da frente da TV. Certamente, esta foi uma manobra para que o seu filme, de resultado pífio nas bilheterias, fosse visto por um maior número de pessoas. Lula não está errado ao dizer que a televisão brasileira não presta. Erra quando afirma que a repetição de filmes e enlatados seja a causa disto. Prova disto é que nosso país não produz qualquer programa que pudesse competir com os documentários científicos do Discovery Channel ou do History, bem como séries televisivas do porte de um Seinfeld, Monk, House, Roma, ou mesmo algo tão polêmico quanto Big Love. Quanto à nossa história cinematográfica, nenhum filme chega perto da profundidade de um Forrest Gump, Seabiscuit e mesmo do esquerdista Beleza Americana. Nossa produção cultural nada mais é do que a repetição do que ocorre no jornalismo: programas de conteúdo revolucionário que objetivam destruir nossos valores mais caros, abrindo caminho para o socialismo de Lula.
Então porque o nosso presidente criticou a imprensa e a cultura se elas fazem exatamente o que ele quer? Ora, para expurgar das redações os últimos lampejos de lucidez e oposição que estejam nos veículos de informação, seja pela exclusão destes da mídia, seja por fomentar o descrédito destes articulistas que, ao falarem contra o estado de coisas no qual nos encontramos, estariam sendo antidemocráticos.
Quanto à cultura, a resposta está no próprio corpo da reportagem qundo, ao final dela, Dilma afirma que temos hoje um Estado parceiro da cultura. Correção Ministra, um Estado impositor da cultura. Colocando o povo contra a produção nacional de obras culturais, muito embora esta mesma cultura seja subserviente aos interesses do governo e do partido, fica mais fácil para a opinião pública da maioria, engolir atos totalitários como o Projeto de Lei 29/2007 que quer impor conteúdo nacional à televisão paga, mesmo em canais estrangeiros. Ou seja, a pressão do povão, da maioria, pode fazer com que os interessados (os assinantes da TV paga) percam a sua liberdade de escolha sobre o que querem assistir nas manhãs de domingo ou na quarta-feira a noite, tudo com o argumento de incentivar a cultura.
Sobre estes aspectos, a imprensa, os intelectuais e a mídia como um todo, nada falam.

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