quinta-feira, 4 de março de 2010

O Paradoxo da Educação

Que o ensino brasileiro é pífio, disto não resta qualquer dúvida. Com metodologias que atrofiam a busca individual pelo conhecimento (e auto-conhecimento), nossos jovens são doutrinados em verdadeiras fábricas de militantes, que começa desde a pré-escola e culmina no nossos bancos acadêmicos, onde multidões de zumbis-papagaios (ser imaginário que não passa de um morto-vivo que repete tudo aquilo que ouve, sem pensar a respeito) vão ocupar os espaços na nossa mídia, na nossa política, e serão chamados de intelectuais de acordo com os padrões estabelecidos para este adjetivo no cenário nacional.
Antigamente, passavam-se 11 anos nos bancos escolares para que o indivíduo obtivesse o conhecimento necessário para que fosse proclamado como portador do "ensino médio completo". Ou seja, a criatura entrava na escola aos 6, 7 anos de idade e de lá saía, aos 17, 18, com a suposta bagagem necessária a quem se habilita a prestar um concurso vestibular para o ingresso no chamado ensino superior. Mesmo para formar novos militantes revolucionários, demorava-se 11 anos, atualmente 12, em virtude da inclusão do 9º ano dentro da estrutura do nosso ensino.
Causou-me surpresa e indgnação quando, ao conversar com um velho e bom amigo, descobri que estes 12 anos podem ser condensados em... 1 ano!! Isto mesmo! Em 1 ano, todo o ensino médio é resumido e o cidadão já sai com diploma e tudo, reconhecido pelo MEC é claro. Evidentemente que este programa nada mais é que um aspirador de votos para nosso presidente, assegurando-lhe a sua confortável popularidade. Aí fica a pergunta: este cidadão absorveu o conhecimento necessário para ser detentor do ensino médio? Ora, se um estudante universitário, na sua grande maioria, não absorveu nada além de vômito ideológico, e muitas vezes não lembra sequer da Fórmula de Báskara, que dizer daquele que conclui todo o ensino médio em 1 ano?
Mesmo com o governo dizendo que o ensino médio pode ser concluído em 1 ano, agora está insistindo para que as crianças frequentem a escola a partir dos 4 anos de idade. Mas se em um período de 12 meses este mesmo governo afirma que habilita pessoas a possuírem o segundo grau, porque insistem em diminuir a idade das crianças para o ingresso no sistema de educação?
Isto me faz lembrar o caso de um casal que resolveu educar seus filhos em casa, causando a ira de pedagogos e educadores, bem como do Ministério da (des)Educação, sob o argumento de que estes pais estariam impedindo seus filhos de estudarem. Tentando invalidar a iniciativa, o MEC aplicou uma pesada prova sobre os mais variados assuntos, muitos dos quais não fazem parte da grade curricular de nossas escolas, para demonstrar que as crianças não haviam aprendido nada. E os meninos passaram no teste. Os pais sugeriram, então, que a mesma avaliação fosse aplicada aos alunos do ensino regular para verificar a qualidade do ensino formatado. O resultado... silêncio.
Fica formada, desta maneira, um estranho esquema acerca do que é considerado educação nos dias atuais. Para o governo, é preciso que se passem mais de 10 anos em sala de aula para se obter o certificado de conclusão do ensino médio. Ao mesmo tempo, jovens e adultos conseguem obter o mesmo certificado com 1 ano de estudo. Alunos que aprendem em casa demonstraram que são tão ou mais qualificados quanto aqueles que seguiram as leis de diretrizes e base da educação.
Mas o problema vai além. Estes alunos, dos supletivos, fatalmente serão beneficiados por uma cota para alunos oriundos do ensino público, e se tornarão novos universitários que irão ensinar outra geração de alunos, tanto os seus semelhantes quanto aqueles que ralaram 11, 12 anos. Não saberão efetivamente sobre os assuntos que falam, mas vomitarão o discurso surrado da guerra de classes e da eterna contrução de um mundo melhor.
Serão componentes e incentivadores da massa votante de vacas de presépio, sem pensamento próprio, entorpecida pela oportunidade que o Estado proporcionou para que conseguissem o diploma de ensino médio. É a total ridicularização do conhecimento, onde cultura significa velhice, ultrapassado. A moda é tentar derrubar o sistema e livrar o mundo das garras do capital. Para isto, basta emburrecer ainda mais a população, começando pela ilusão de recuperar 12 anos em 12 meses. A isto, chamam "democratização da educação" ou como seria mais ao gosto do nosso presidente "educação para todos".

Um comentário:

  1. É a diminuição da intelectualidade no Brasil.

    Essa asneira de se estudar a partir dos 4 anos (fora de casa, claro... Família não serve para ensinar) já existe há tempos na Venezuela.

    E o barbudo vai acumulando votos e mais votos, e garantindo seu império (que só impera no Brasil porque o populacho é ignorante e complacente, além de subserviente e vagabundo).

    ResponderExcluir