terça-feira, 20 de abril de 2010

Descendo do Muro

Ainda mais curioso é o fato de que ninguém exigiu que a vinheta comemorativa fosse retirada do ar que não a militância petista. A "ordem" foi prontamente obedecida pela emissora sem pestanejar. Será que ela realmente apóia o candidato tucano?

Não vejo televisão aberta, mas tenho visto algumas manchetes de portais de notícias onde está a afirmação de que a Rede Globo de televisão tem feito uma espécie de propaganda subliminar para a campanha eleitoral de José Serra. Claro que os blogueiros militantes do PT choraram e numa demonstração de total submissão, a referida emissora retirou a tal campanha comemorativa a seus 45 anos, por não querer ser taxada de tendenciosa. Mas a mesma emissora não foi totalmente tendenciosa na questão do desarmamento e já não o é a muito tempo em relação a temas como o homossexualismo, a liberalização das drogas ou mesmo o aborto? Porque não há protestos contra a sua programação que incentiva condutas que vão de encontro aos valores morais de nossa sociedade? Eis a faceta da força de choque da esquerda. Bastou um chiadinho, e imediatamente a toda-poderosa Rede Globo retirou o tal "apoio velado a José Serra" de sua programação. A pergunta que não quer calar é a seguinte: qual é o problema de uma emissora de televisão, rádio ou publicações periódicas como revistas e jornais, deixarem claro o seu posicionamento político? Porque precisam ser hipócritas e se dizerem neutras? Porque não descem de cima do muro e tomam , abertamente e sem medo, uma posição? Ou alguém ainda acha que a Folha, O Estadão, a própria Rede Globo e a esmagadora maioria das grandes redes de comunicação são neutras? Qual destas publicações critica efetivamente as invasões de terra, a supremacia homossexual, a putaria generalizada, ou investiga a fundo as ligações do PT com as FARCs? Nenhuma! E os articulistas que o fazem sempre correm o risco de serem demitidos por não se enquadrarem no "perfil editorial do jornal" (Olavo de Carvalho que o diga). É isto que chamam de "isenção"? Ora faça-me o favor de enganar a outro!
A única ressalva que eu vejo nesta situação é o fato de não possuirmos em território nacional nenhuma outra rede de televisão com o poder de penetração da Rede Globo, o que evidentemente uniformiza a opinião pública. As razões deste domínio nacional por parte de uma emissora (suas concorrentes não conseguem atingir a fundo seus índices de audiência) foram explicadas, embora superficialmente, em postagem anterior. É esta a única ressalva que deve ser feita.
Ainda mais curioso é o fato de que ninguém exigiu que a vinheta comemorativa fosse retirada do ar que não a militância petista. A "ordem" foi prontamente obedecida pela emissora sem pestanejar. Será que ela realmente apóia o candidato tucano?
Não que Serra seja ideologicamente muito diferente de Dilma, longe disto. Acontece que o fato é que uma emissora quer seja grande ou pequena, deve ter o direito de expressar sua opinião política abertamente. Aliás, isto acontece todos os dias na plim-plim, desde as fontes internacionais de notícias (que são puramente da esquerda mundial como CNN, The New York Times, ou o jornal francês Le Monde), até o apoio incondicional dado à agenda revolucionária, quer seja nos programas jornalísticos quer seja na grade de entretenimento. Se nossos jornais e redes de rádio e televisão tivessem um posicionamento claro a respeito de questões como homossexualismo, desarmamento, aborto, ou ideologia política, certamente a democracia florescera de maneira ainda mais forte. Afinal, mesmo os jovens artistas e jornalistas que já saem formatados de nossas universidades a louvarem o comunismo e demonizarem o capitalismo e a propriedade privada, empresas de comunicação com posições ideológicas bem consolidadas poderiam mostrar a esses novos profissionais o que eles deveriam aprender nos bancos escolares.
Não há mal algum em saber que a emissora "X" é de direita e a "Y" é de esquerda! Não há qualquer problema em abrir páginas de jornais distintos e constatar que, diante de um mesmo objeto, tenham opiniões flagrantemente antagônicas. Isto somente beneficiaria o debate democrático acerca de questões polêmicas que atingem o interesse público, e poderiam ser discutidas e analisadas de maneira mais profunda e coerente, e não com o coro uníssono de nossa imprensa e de nossa mídia atual.
É evidente que, para os detentores do poder de formar opiniões, nada disto é interessante, pois já estão contaminados pela ideologia revolucionária. E mesmo assim, o povo deu demonstração de que ainda preza pela sua liberdade e pelos seus valores mais caros, fato comprovado pelo resultado do plebiscito da questão do desarmamento, onde o "não" venceu o "sim", mesmo quando este estava (e está) com o apoio maciço de todos os setores de nossa intelectualidade.
O caso da Rede Globo é apenas um exemplo, pois o mesmo ocorre com todas as outras emissoras [ou alguém esqueceu que Bóris Casoy foi demitido da Record por fazer uma pergunta ao então candidato (candidato!) Lula sobre o seu envolvimento com as FARCs?].
Para que tenhamos uma democracia efetiva, é necessário que haja uma liberdade de informação efetiva. Enquanto acharmos "o fim do mundo" uma empresa de televisão, rádio ou jornal, demonstrar abertamente seu posicionamento sobre questões de cunho político e ideológico estaremos fadados a viver numa democracia ilusória, onde seis é o oposto de meia-dúzia.

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