quinta-feira, 27 de maio de 2010

Questão de Educação

Filho, se tu tirar um décimo a menos do necessário para passar de ano e a professora resolver te passar mesmo assim, eu vou à escola falar para te colocarem de recuperação" - Enilton Paim Morato, meu pai.

Nunca meus pais prometeram a mim ou meus irmãos qualquer tipo de recompensa por ter logrado êxito em um ano escolar. Nunca me deram qualquer presente como recompensa por uma nota alta ao final do ano letivo. Mas quando as notas não iam bem, as coisas mudavam. Adeus TV, futebol, brincadeira com os amigos até as notas voltarem ao normal. E foi assim que eu e meus irmãos fomos criados e ensinados a valorizar o estudo não para ganhar presentes ao final do ano, mas como a única maneira de se subir na vida. Ao mesmo tempo, vez ou outra, eu e meu irmão limpávamos a casa, tanto interna quanto externamente, e realizávamos praticamente qualquer sorte de serviço doméstico. E na escola, a orientação quanto às brigas com os coleguinhas era a seguinte: "meu filho, jamais comece a provocar ninguém, a bater em ninguém. Mas se tu chegar em casa machucado de uma briga e não tiver machucado o outro, vai apanhar em casa também! Se levou, tem que bater de volta!”.
Foi com meu pai, também, que realizamos nosso primeiro disparo com arma de fogo. Claro que não acionamos o gatilho aos 4 anos de idade, mas o vimos fazê-lo de perto. Poucos anos mais tarde,  realizaríamos o nosso próprio. Quando o pai retornava da caserna (Sargento de Material Bélico do Exército Brasileiro) era certo que eu iria amaciar um limão para que ele fizesse sua caipirinha. Mais tarde, eu mesmo a prepararia, ainda sem ter completado 10 anos (com ele sempre me dizendo que aquilo era ruim, que fazia mal; eu duvidei, ele me deu um gole puro e aquilo foi horrível mesmo). Quando chegava a noite, assistindo à televisão com um copo de cerveja, eu pedia para tomar a espuma. E assim fazia. Tanto eu quanto o meu irmão. Assim, na minha adolescência, comecei a compartilhar dos primeiros goles de cerveja e vinho dentro de casa nos almoços de domingo. A caipirinha ficaria para mais tarde.
Se meu pai fizesse isto hoje seria certamente acusado de incentivar a violência, o alcoolismo e o consumo de drogas. Seria acusado de explorar o trabalho infantil e de causar transtornos psicológicos irreversíveis ao não querer que passássemos de ano a qualquer custo. E se algum Conselho Tutelar o pegasse... Correria o risco mesmo de perder a guarda, minha e de meus irmãos. Isto sem contar nos castigos aplicados, sendo que ainda lembro-me do quão ruim é ajoelhar-se no milho e de como era pesada a mão de minha mãe quando tinha um cinto a mão! Por tudo isto, especialmente pelos castigos, só tenho algo a dizer: obrigado.
Ainda naquele tempo meus pais diziam: "vocês não estão fazendo tudo quanto é tipo de serviços gerais para que sobrevivam disto, mas para que saibam cobrar das pessoas que, se Deus quiser, vocês poderão pagar para fazê-los". Outra frase que ainda hoje lembro é de meu pai dizendo: "vocês só apanharão por duas coisas: mentira e teimosia". E assim foram tantos ensinamentos, castigos, e uma educação que trago desde o berço. Meus pais nunca me davam a resposta pronta. Se queria saber algo, que fosse buscar no dicionário ou nos livros. Para a legião de "ólogos" de hoje, esta educação vai frontalmente de encontro a tudo o que os teóricos apregoam para o bom desenvolvimento de um ser humano.
O resultado desta educação que meus pais me deram foi o seguinte: 1) nunca tive curiosidade de mexer nas armas de meu pai, que sempre me dizia onde ficavam, caso eu precisasse utilizá-las para a defesa própria ou de nossa casa. 2) Nunca tive curiosidade em experimentar qualquer tipo de drogas, mesmo o álcool. 3) Nunca provoquei qualquer briga, e só revidei uma única vez (foi uma vez só que aconteceu). 4) Sempre respeitei aos mais velhos e aos meus professores, estes como aos meus pais respeito. 5) Quando tirava notas baixas, não colocava a culpa nos docentes, mas na minha preguiça de não ter estudado a matéria. 6) Adquiri o hábito de ler e pesquisar além do que me era passado em sala de aula. 7) Aprendi que, para vencermos na vida existe apenas um caminho: trabalho; e tantas outras que seria necessário um livro para descrever.
Porque estou falando disto? Ora, porque não param de pipocar em nossos veículos de informações casos de desrespeito para com os professores em sala de aula e a ameaça de sua integridade física. Alunos não respeitam mais seus mestres, o que acaba com a autoridade do profissional em sala. O resultado são estudantes cada vez mais violentos que buscam apenas uma menção numérica em seus boletins escolares, e não à absorção do conhecimento. Não é surpresa que tenhamos hoje estudantes do ensino médio que são semi-analfabetos e universitários com a capacidade de raciocínio de um macaco. E qual é a solução de nossos governos espertinhos? A não repetência! Acreditem isto já acontece há um bom tempo em Porto Alegre, onde os alunos não podem ser reprovados para não ficarem traumatizados, o que evitaria, em tese, a evasão escolar.
Acontece que os sabichões do ensino e a massa intelectual e acadêmica em geral esquecem que estamos apenas colhendo os frutos de uma lavoura plantada por eles mesmos. Ao acabarem com a autoridade paterna e materna, destruir os valores familiares como a religiosidade, o respeito e a valorização do trabalho como forma única de se galgar sucesso na vida, eles acabaram com qualquer referência que possa guiar nossas crianças e adolescentes. Afinal, os pais de hoje são aqueles rebeldes sem causa de ontem que acham que todo mundo tem que ser tratado de maneira igual, mesmo sendo desiguais. Não educam seus filhos porque não querem ter este trabalho. E aqueles que ainda acreditam na educação conservadora de antigamente, correm o risco de serem denunciados e perderem a guarda de seus filhos.
Enquanto os pais não assumirem a responsabilidade na criação de suas crianças, o resultado só tende a piorar. A educação vem de casa, não é adquirida na escola, apenas complementada. Quanto mais o Estado impedir os progenitores de criarem seus filhos à maneira que lhes melhor parecer, mais nossa sociedade estará sendo destruída e transformada nesta massa amorfa que conhecemos.
Se o ensino está desta maneira, a culpa é dos próprios pensadores do ensino, que retiram a autoridade familiar e se preocupam em programar nas grades curriculares matérias como educação sexual e planejamento familiar, assuntos que são flagrantemente destinados a serem ensinados pelos pais, e não pelo Estado.
Mas este ano tem copa, ano que vem tem carnaval, e o governo dá camisinha de graça pra todo mundo poder trepar com quem quiser. Preocupar-se, para quê?

terça-feira, 18 de maio de 2010

E Viva Nós!!!

Graças aos esforços diplomáticos, hoje estamos perfeitamente alinhados na busca  de uma união duradoura com aquele democrático país, que zela pelos mais fundamentais direitos do cidadão.

O governo do presidente Lula conseguiu um feito extraordinário: dobrou o Irã! Palmas para o Itamaraty e para o molusco itself! Quem os EUA e a UE pensam que são para impor sanções ao pobre Mahmoud Ahmadinejad só porque ele quer enriquecer urânio para fins pacíficos? E daí que o maluco queira varrer o Estado de Israel como ele próprio falou. Negativo! Nós, o povo brasileiro, pacifista e concilhador mostramos ao mundo que yes, we can dobrar o Irã. Que orgulho me dá de ter nascido no país do futuro! Que coisa mais gratificante é a nossa diplomacia! Somos realmente a solução para todos os problemas do mundo. Acabamos com o preconceito contra o Irã!
Graças aos esforços diplomáticos, hoje estamos perfeitamente alinhados na busca  de uma união duradoura com aquele democrático país, que zela pelos mais fundamentais direitos do cidadão. O Irã é um exemplo para o mundo! Como é bonito ver nas ruas de Teerã, Árabes, Judeus e Cristãos de mãos dadas, lado a lado. É gratificante observarmos mesquitas, sinagogas e igrejas no mesmo bairro, e seus integrantes convivendo na mais perfeita harmonia! E o que falar do homossexualismo então? Aquele lugar é o exemplo mais vivo de tolerância e de respeito aos grupos sexualmente alternativos. Lembram como é animado o desfile do orgulho gay por aquelas terras? Como é grandiosa a Parada Gay de Teerã? E os manifestantes das minorias e dos opositores do governo que são recebidos e entram diretamente na discussão dos assuntos governamentais? Que exemplo de país! Obrigado Lula por nos aproximar de tão esplendorosa democracia.
Mas não pensem que o Brasil é bonzinho não!! Nós tratamos com dureza e intransigência aqueles que ousam afrontar garantias constitucionais e os direitos humanos. E é por isto que, mais uma vez, nosso governo mostra ao mundo como deve ser conduzida uma política externa harmoniosa e coerente ao ameaçar boicotar  reunião entre a União Européia e a América Latina caso Honduras participasse.  Este sim é um país perigoso, com armas nucleares, um exército preparado e um governo ditatorial encravado nas Américas! Este sim deveria ser varrido do mapa! Ainda bem que agora dispomos do nosso querido aliado  árabe caso queiramos destruir a ameaça hondurenha!
Por isto, compatriotas das terras tupiniquins, orgulhemo-nos! Nosso governo está empenhado em nos defender da ameaça hondurenha e de trazer para nossas terras as maravilhosas conquistas democráticas e humanitárias do Irã! 
E viva nós!!!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Paquiderme Europeu

Não fosse o poderio econômico alemão, há muito a chamada zona do Euro já teria desabado.

O velho mundo está ruindo diante da nova ordem. Pouco a pouco, a Europa está deixando de ser européia em virtude da permeabilidade de suas fronteiras e da legislação benevolente com os imigrantes. Esta perigosa combinação destruiu progressivamente as identidades nacionais, agravada com a criação da União Européia. Parece que a única nação dentro da Europa que ainda resiste à planificação cultural é a Inglaterra, muito embora ela mesma já esteja completamente desfigurada do que um dia já fora.
Um livro interessante sobre o assunto foi escrito por Walter Laqueur: Os Últimos Dias da Europa. Nesta obra, o autor desdobra e investiga os fatores que determinam a morte lenta do velho mundo, através das sucessivas invasões de estrangeiros e a crescente distribuição de benefícios sociais a esta população imigrante. Em busca do "Estado do Bem-Estar Social", a novo contingente populacional sai de regiões limítrofes ao continente como o norte da África e os Orientes Próximo e Médio (islâmicos) na esperança de obterem na benevolência européia aquilo que não têm em sua terra natal. O resultado é o surgimento de grupos sociais dentro do território da Europa que são completamente diferentes daquilo que significa ser europeu. Essas pessoas vêm de países com cultura, religião e leis peculiares e insistem em implementá-las nos países aos quais migram. Em certos casos, bairros (e mesmo cidades inteiras) praticamente não respondem às leis, costumes e religião nativa e passam a ser contaminadas pelos valores dos países de origem dos imigrantes. Já vimos tal situação ocorrer, praticamente no mesmo local, quando a Europa era conhecida por Império Romano.
Regados com os inúmeros benefícios estatais concedidos aos imigrantes pelas diversas brechas legais, os estrangeiros acabam progressivamente impondo seus hábitos e costumes à revelia da legislação vigente naquele país. O caso das vestimentas islâmicas é um bom exemplo desta imposição. Bastou alguns países cogitarem proibir estes trajes e a comunidade islâmica prontamente reagiu apoiada por grupos de direitos humanos e, claro, pela "diplomacia do carro bomba!" Agora: experimente usar um crucifixo ou tomar uma cervejinha em um país islâmico para ver o que acontece?
No entanto, a imigração não é o pior problema europeu. A bem da verdade, poderia mesmo ser a solução devido ao crescente envelhecimento da população, desde que as pessoas que fossem morar e viver nos países europeus assimilasse e aceitasse a cultura européia, e não tentar impor a sua própria. Sem este entendimento, a perda das características básicas que dão noção de nação a um povo é inevitável. E é precisamente isto o que acontece neste momento em todo o continente europeu, inclusive na Inglaterra. Se antes a Europa era dividida em pequenos países, cada um com sua característica própria, hoje ela parece ser um país só, que impõe goela abaixo de seus membros, os ditames de um dito Parlamento Europeu, que extingue as identidades nacionais, sem se importar com a opinião dos moradores destes lugares. E assim, pouco a pouco, a Europa vai se tornando alvo fácil para a revolução cultural que lhe é imposta de maneira segura e progressiva.
Não obstante, a crise cultural, que transformou aquele continente de fonte de cultura e conhecimento para um verdadeiro museu a céu aberto, não é a causa principal da crise atual. Esta advém das políticas econômicas adotadas, que estão se mostrando cada vez mais ineficientes e equivocadas. Não fosse o poderio econômico alemão, há muito a chamada zona do Euro já teria desabado.
Isto ocorre porque na maioria dos países, optou-se pelo chamado "Estado do Bem-Estar Social". Este modelo é muito lindo e maravilhoso no papel, mas quando é traduzido para o mundo real, o resultado é este que estamos vendo na Grécia, na Espanha, Portugal, Itália, Irlanda, e possivelmente levará à bancarrota todo o bloco. Os benefícios sociais que os governos distribuem às populações causam um desequilíbrio óbvio nas contas públicas. Para acalmar e equilibrar as finanças, é utilizado aquele velho e conhecido remédio: aumento de impostos. Este aumento de impostos recai sobre os produtores de riquezas, ou seja, empresários e trabalhadores da iniciativa privada que, sem perceberem, pagam os diversos seguros e bolsas que são distribuídos aos "excluídos". Além disso, o crescimento do funcionalismo estatal, com servidores remunerados pelos cofres públicos, agrava ainda mais a situação e gera serviços de qualidade e eficiência questionável (lá é como cá!). Quem trabalha, efetivamente, financia o ócio dos que não trabalham. E o déficit público tende somente a aumentar. O cidadão deixou de ter a poupança pessoal e a liberdade econômica como meios de garantir a sobrevivência de seu país. Através de anos e anos de progressivo ataque aos seus valores familiares e religiosos essas idéias, e a noção de que é pelo trabalho que se obtém a riqueza, foram deixados em segundo plano. Em seu lugar, foi instituído que cabe ao Estado, este ente benevolente e carinhoso, decidir os rumos da vida do cidadão, e não ele próprio.
Para fazer isto, é necessário que tenhamos um Estado-Elefante: inchado, lento e pesado, mas difícil de confrontar e praticamente impossível de ser derrubado por agentes externos. E a maneira que se tem para criar este paquiderme governamental é o aumento de tributos, e do funcionalismo público. Para manter seu poderio, ele distribui generosos benefícios sociais para manter a população sob controle, numa escravidão de luxo que confina a todos sem que percebam.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Inveja do Walter Hupsel

Não posso dizer que invejo os hermanos do Prata. Quem eu invejo mesmo é o senhor Walter Hupsel.

Navegando pela internet, deparei-me com uma coluna no mínimo curiosa no sítio do Yahoo. Seu título: Inveja dos Hermanos. Atendendo ao apelo inconsciente da rivalidade continental, não pude me furtar a conferir o teor do link que, ao acessá-lo, soube tratar-se de uma coluna de Walter Hupsel. Eis como começa sua coluna:

"Tenho inveja dos argentinos. Invejo a capital, com calçadas largas e de fácil circulação. Invejo a parrilla, os vinhos, o doce de leite. Invejo as livrarias e sebos, onde encontramos títulos preciosos que sequer existem em português. Até a semana passada isso era tudo que me vinha à cabeça num comparativo entre estes países irmãos tão diferentes. Agora os nossos magistrados me ofertaram mais um motivo para olhar para o sul com inveja: o modo como se encara a história. Lá eles não tem vergonha de escancarar suas feridas, abri-las para medicá-las".

Imediatamente, ao ler as primeiras linhas de sua coluna, tive que concordar com o autor. Entretanto, à medida que minha leitura avançava constatei que o colunista era apenas mais um integrante de um sítio de notícias e formador de opinião que sofre da mesma lavagem cerebral que tantos outros aqui do Brasil sofrem: a total alienação pelos fatos históricos aliado a um profundo sentimento de solidariedade com os terroristas e criminosos que atuaram durante o governo presidido por militares. E segue:

"Aqui, numa “cordialidade” espúria, fazemos questão de esquecer nosso passado, de pôr panos quentes, de fingir que nada aconteceu, nada que manche nossa reputação ilibada, nossa alegria inata. Nossa sociedade civil quer ser harmoniosa, pacífica e passar ao largo dos conflitos, quer ser cordata e conciliadora."

Neste ponto, sou obrigado a concordar. Realmente muitos panos quentes foram colocados. A prova maior está no fato de que milhões de reais em indenizações estão sendo distribuídos a "perseguidos políticos" que mataram, estupraram e torturaram em nome do comunismo no Brasil. O silêncio catacúmbico dos militares, entretanto, prova que são eles e não a sociedade civil que quer ser harmoniosa, pacífica e passar ao largo dos conflitos, quer ser cordata e conciliadora.

"No dia 29 de abril, uma quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal, órgão máximo do judiciário e responsável, em última instância, pela palavra final sobre o conteúdo e validade de uma lei, julgou, por imensa maioria (7 x 2), improcedente um pedido da OAB para que se revisse a Lei de Anistia e desse um parecer sobre a sua extensão. No entender dos meritíssimos, a Lei da Anistia têm vigência e validade, e nos impede de processar aqueles suspeitos de, em nome do Estado ditatorial militar, torturar, estuprar, matar."

E a recíprocra é verdadeira senhor Walter. A diferença é que as vítimas da chamada "direita" não recebem um mísero tostão, e quando muito um salário mínimo. Como é relativo o valor da vida humana para gente como o senhor, não?

"Com isso, garantimos a impunidade, a intocabilidade de pessoas que cometeram crimes durante a ditadura militar (1964-1985). De alguma maneira entenderam ser legal e legítima a lei de 1979. Como bem ressaltou Raphael Neves no seu blog, o STF agiu como tribunal político, sem Direito."

Ora, ora! Se o STF agisse como tribunal político (embora efetivamente o seja) a lei da anistia seria revista, e não referendada. É muito fácil julgar um dispositivo legal retirando-o do seu momento histórico. Intocáveis, impunes e inimputáveis são os que hoje estão no governo e cometeram atos de tortura, e violência durante a chamada "ditadura" e como pena, foram perdoados e anistiados.

"Na minha opinião, o STF é justamente isso, e sempre será. É a ultima ratio do ordenamento jurídico, que, por isso mesmo, não pode ser pura e simplesmente direito, tem que estar além dele. Longe de resolver a questão envolvendo a Lei da Anistia, a agrava."

Esta foi ridícula! E quem seria a última instância do ordenamento jurídico que não a Suprema Corte? A cúpula do PT e do Foro de São Paulo?

"Nós, defensores da revisão da Lei de Anistia, temos de admitir a derrota. E admitamos que foi uma derrota política. Vinte e cinco anos após o fim da ditadura militar, a maioria dos ministros acredita que todos os arbítrios, todos os crimes, sejam comuns, políticos ou de lesa-humanidade, devem ser enterrados numa vala comum, no esquecimento jurídico."

E é graças a esta anistia que hoje o senhor Walter pode votar em mais de um partido e ainda escolher a Dilma como presidente. Se a lei fosse revista, ela era uma que seria presa, esqueceu?

"Por quê? Por que nossos excelentíssimos ministros julgaram a ação improcedente? Por que países que tiveram suas ditaduras, suas leis de anistia, conseguiram revê-las e nós não?"

É verdade. Basta citarmos a URSS, o Camboja, o Vietnã, a China, Cuba... Opa, desculpe. Lá os opositores não eram presos não é seu Walter? Eram sumariamente fuzilados pelo tribunal revolucionário.

"Não podemos achar essa explicação em 1979, quando da promulgação da lei. Estávamos num regime de exceção, com boa parte da sociedade civil amordaçada, com um Congresso tutelado, embora livre. A relação era completamente assimétrica e a negociação foi o meio encontrado para começarmos a andar pra frente. Era, então, a única saída possível, era uma não-opção. O compromisso de então surgia como uma migalha ao famélico, como uma pessoa que “livremente” troca seu trabalho por comida, por mera subsistência."

Esta é engraçada. A boa parte da sociedade civil amordaçada, de fato, significa aqueles "estudantes" ou "artistas e jornalistas" não é mesmo? Mas o que faziam nas horas vagas hein seu Walter? Matavam, estupravam, sequestravam e roubavam. E o que acontecia com eles? Eram presos. Justo não é? E o que fez a malvada ditadura? Criou esta maldita lei da anistia que perdoou estes assassinos e terroristas. Me parece que está sendo ingrato não? Ou fazer um ser humano comer o próprio escroto antes de ser morto, sequestrar um embaixador, assaltar bancos e lojas são atos justificáveis porque são "contra a ditadura"?

"Quando o direito não nos protege de cláusulas draconianas, ao mais fraco resta conformar-se com o menor dano possível. Foi o que, taticamente, foi feito. Para tirar a mordaça aceitaram que a Oban, os monstros do DOI-CODi, aqueles que se compraziam tendo um corpo como objeto, fossem objetos da Lei da Anistia. Pergunto: Havia, naquele momento, outra opção?"

Havia outra opção sim: Os militares poderiam ter simplesmente fuzilado todo mundo, igualzinho Fidel Castro faz lá em Cuba.

"Não se trata de retroagir uma lei, isso seria realmente impensável, seria dotar o nosso Estado de ainda mais poder. Caberia ao STF agora entender as circunstâncias, compreender a abrangência da Lei de Anistia e o momento e contexto nos quais foi criada. Entender que o sadismo dos agentes de Estado, quando davam choques nos testículos dos presos, não pode ser coberto por um falso perdão. Entender que, sob a mira de um revolver, entregamos a carteira por prudência, mas podemos pedir que nos devolvam os documentos. Entender, enfim, que a força cria o arbítrio, mas não o direito."

Ou seja, o senhor deseja que a lei seja revogada. Eu adoraria! José Dirceu, Dilma Roussef, Genoíno, o falecido Leonel Brizola, Flávio Tavares dentre outros iriam apodrecer na cadeia e os familiares de gente como Lamarca deixariam de receber milionárias indenizações.

"O compromisso político de então deveria ser politicamente julgado. E foi. Perdemos a oportunidade histórica. Sinalizamos que o Estado brasileiro pode tudo. Sinalizamos que os agentes do Estado podem “suicidar” uma pessoa, sem risco algum. Quem, agora, podemos culpar pelo fracasso?"

Quer dizer que, se o Estado brasileiro pode tudo, estamos vivendo, neste preciso momento, uma ditadura correto? É... não está tão errado não.

"Em primeiro lugar, o próprio STF que entendeu (?) que tortura e assassinato são crimes conexos, estando, portanto, previstos na Anistia. Que, fazendo julgamento político, jurídico e moral (não há como dissociar os três substantivos) achou legítima as ações dos porões da ditadura."

Tanto quanto achou legítima as ações nos porões dos "aparelhos" onde o simples fato de desertar de uma facção política era motivo para punir com pena de morte o desertor, isto sem falar do que ocorria no interior dos mais longínquos rincões do país.

"Em segundo lugar, a OAB, que, num erro tático, imaginou que o STF com esses ministros, alguns dos quais sofreram com a ditadura, seria progressista o suficiente para julgar a legitimidade do perdão aos torturadores. Julgada improcedente, não há mais possibilidade de uma nova ação neste termos. Teremos que nos conformar com isso.
Por último, e não menos importante, a nós mesmos. Nós que evitamos o confronto, o “ir às ruas”, a pressão política. Nós que queremos que as coisas permaneçam iguais para que fiquem iguais. Que nos conformamos e esperamos, sempre, pelo maná descer dos céus."

E é esta atitude passiva do povo brasileiro e principalmente das Forças Armadas que permite a pessoas como o senhor falar estes tipo de asneiras, sem qualquer conhecimento histórico. Uma eterna repetição do mantra ideológico implantado na cabeça dos nossos "pensadores".

"Tenho inveja, muita inveja, dos hermanos que foram à luta para punir seus torturadores, para investigar aqueles que deram vazão aos seus desejos mais sádicos, aqueles que, por puro prazer, fizeram coisas inomináveis.
Lá eles prendem seus torturadores, comem uma belíssima carne, bebem bons vinhos, e ainda passeiam por uma cidade amistosa, convidativa. Lá, onde eles não tem acarajé e realmente acreditam que há jogador melhor que Pelé. Tudo bem, os argentinos não são perfeitos"

Não posso dizer que invejo os hermanos do Prata. Quem eu invejo mesmo é o senhor Walter Hupsel. Como é bom viver na ignorância de um mundo ilusório! Como é bom poder ler as notícias de jornais ou nossos livros de história sem fazer qualquer tipo de questionamento, apenas dizendo amém às falsas verdades ali postas. Como é bom poder escrever em um sítio de abrangência nacional com milhares de leitores diários que apenas engolem tudo o que é escrito, sem questionar, e ainda achando tudo lindo e maravilhoso.
 Mas, infelizmente, não cursei uma faculdade de História ou de qualquer Ciência Humana e não tenho o título de Bacharel reconhecido pelo MEC  emitido por qualquer instituição de nível superior do meio civil, é claro. Tive a idéia imbecil de buscar na leitura de livros e na pesquisa de fatos históricos as respostas para estas e tantas outras questões. Como resultado, fico me indignando com gente como o senhor, pelo simples fato de ter o conhecimento que, embora tão raso como uma poça d´água, é suficiente para desmentir completamente um artigo de um Colunista de Opinião do Yahoo.

A Copa do Mundo é Nossa

Décadas de descaso com a infra-estrutura de todos os setores da sociedade estão agora sendo tardiamente notados.

Parece que a euforia pela conquista brasileira em sediar os dois maiores eventos esportivos do mundo, a Copa do Mundo e os jogos Olímpicos, ainda não passou. Muitas promessas, muitos projetos, e tudo no papel. Efetivamente, nada ainda foi feito para viabilizar cidades e estádios para que possam sediar eventos desta monta. Enganam-se aqueles que acreditam que, num passe de mágica, tudo será resolvido. Aliás, talvez seja isto o que está se passando na cabeça de nossos políticos. Uma "situação de emergência" e pronto, é tudo o que nossos mandatários precisam para aprovar obras sem licitações e superfaturadas, e consequentemente, encher seus já estufados bolsos de dinheiro público.
Não é por acaso que a FIFA está preocupada com o andamento das obras para a Copa. O poder público, na sua mobilidade paquidérmica característica, parece acreditar que este evento é como um carnaval, que basta um grandioso espetáculo de abertura e está tudo resolvido. Mas não é. E todos sabem que quando o Estado assume qualquer coisa, necessariamente ocorrem irregularidades, lentidão, e ineficiência. Afinal, como não visa lucro, a atividade estatal, qualquer que seja, é incompetente quando comparada à atividade privada. E mesmo quando o privado assume contratos a pedido do governo, fatalmente ocorrem irregularidades e superfaturamentos são inevitáveis, sem falar de tantas outras infrações. Isto porque nosso empresariado tornou-se um escravo permanente da política nacional, e está fadado a incorrer em atos de corrupção, desvios e atrasos nos diversos cronogramas.
Além destes aspectos, nosso querido e prestimoso governo insiste em punir as iniciativas privadas que poderiam tornar a construção e reformas de nossos estádios bem mais eficientes e baratos. Como exemplo, basta citarmos os estádios do Morumbi, a Arena da Baixada e o Beira - Rio, estádios escolhidos pela FIFA como sedes para jogos da copa do mundo. Lógico que o poder público não deve colocar dinheiro nestas estruturas, mas porque não conceder a isenção fiscal para as empresas que operarem nestes locais? Porque punir clubes como o Internacional, o São Paulo e o Atlético Paranaense pelo fato de disporem de estádios próprios?
Este fato simples revela a cultura que impera no pensamento nacional. Aqueles que lutam para terem seu próprio negócio, que geram renda e emprego são sempre vistos como inimigos gerais da nação são a elite que precisa ser combatida. E estes clubes, que dispõe de estrutura própria, estão sendo punidos por terem conseguido tais conquistas. Em contrapartida, estádios proliferam em cidades que jamais receberão o público de espectadores em suas novas arenas após o fim do mundial. E milhões de reais que saem do meu e do seu bolso estão sendo destinados para a construção ou reforma de estádios em cidades como Brasília, Cuiabá, Manaus, Natal, dentre outras, que fatalmente se transformarão em enormes elefantes brancos que nada irão trazer a não ser os custos pela sua manutenção. Não passam apenas de manobras políticas que buscam votos através da velha estratégia de pão e circo.
Mas o problema dos estádios de futebol é mínimo quando pensamos na infra-estrutura das cidades sedes para o evento. Obras que há muito deveriam ter sido feitas somente agora com o advento deste evento esportivo trazem a tona a sua real importância. Infelizmente, não passarão de obras com viés político. Neste país, não há comprometimento em longo prazo, mas apenas com a promoção pessoal.
Um exemplo que podemos citar é o caso da cidade de Porto Alegre e sua terceira perimetral. Esta grandiosa artéria rodoviária tinha como objetivo desafogar o congestionado trânsito da capital, além de ser promessa antiga da então administração petista. Após inúmeros processos e longa espera, a famigerada obra enfim foi concluída (às pressas, para não deixar o crédito pelo empreendimento à nova administração). E o que se viu? Uma grande avenida que rasga a cidade e é pontilhada de semáforos que tornam a expressão "via expressa" uma verdadeira piada para designá-la. Milhões de reais gastos para colocar escadas rolantes e elevadores para os pedestres em contraste com a manutenção dos cruzamentos desta avenida com as movimentadas Ipiranga e Bento Gonçalves, resultando, talvez, nos dois mais confusos cruzamentos viários que se tem notícia! Bastava uma  ou duas elevadas (viadutos) e pronto, o trânsito fluiria conforme o planejado (embora a diminuição de outros cruzamentos e da sinalização semafórica seja urgente).
Mas não. Em virtude de pressões eminentemente políticas a obra foi apressada e o que se viu foi que a via destinada a desafogar o trânsito da capital dos gaúchos tornou-se ela mesma fonte de congestionamentos! É o resultado obtido quando o interesse partidário supera o público, fato este que é notório e recorrente em todo o território nacional. Nota-se que este é apenas um exemplo de uma das cidades. Se sem pressão para realização de um evento mundial foi realizada uma obra impensada e mal planejada, imaginem quantas mais irão se multiplicar pelas cidades? Afinal, nenhum partido irá querer perder a alcunha de ter sido "aquele que possibilitou a realização da Copa do Mundo"!
Décadas de descaso com a infra-estrutura de todos os setores da sociedade estão agora sendo tardiamente notados. Isto se deve ao fato de que o Estado tem se preocupado em fagocitar áreas econômicas que poderiam ser muito bem absorvidas pela atividade privada, ou pelo menos com uma concorrência mais ampla, como a saúde, a educação (especialmente a superior), previdência, energia, correios e tantos outros setores que, sob administração pública ou sob o manto do monopólio (caso da Petrobrás) sofrem de crônica falta de eficiência e controlam preços de maneira acintosa.
Além disto, a proliferação de cargos públicos suga centenas de milhões de reais a cada ano que poderiam ser melhores empregados nos setores ditos essenciais, que são a segurança e a infra-estrutura, além da educação básica e da saúde. Mas parece que nossos governos estão muito mais preocupados em gastar 700 milhões de reais para ampliar e reformar o estádio Mané Garrincha em Brasília do que investir na estrutura das cidades sede! Porque não somente isentar de imposto as obras da Copa  previstas no famoso PAC e estendê-las aos clubes que possuem estrutura própria para sediar um evento esportivo desta monta como forma de premiar as iniciativas empreendedoras destes clubes?
Claro que o assunto é complexo e extenso, e a questão tributária deveria ser colocada em questão, pois vivemos numa falsa federação, onde a união arrasta para seus domínios toda a riqueza produzida por seus estados-membros, e depois a redistribui de acordo com os interesses do partido que está no poder, e não de acordo com o arrecadado por cada estado, numa clara demonstração de injustiça fiscal.
O resultado é a construção de moderníssimas arenas e estádios em lugares que jamais aproveitarão as suas estruturas no pós-copa. A lavagem de dinheiro e o desvio de verbas serão inevitáveis, e muitos políticos certamente sairão milionários com estas verdadeiras obras faraônicas.
Sediar um evento desta monta é sem sombra de dúvida um grande incentivo para a modernização de nossas estruturas urbanas e esportivas. O que não pode ocorrer é que, sob o pretexto da Copa do Mundo, ilícitos administrativos sejam encarados como necessários e inevitáveis para que possamos sediar este evento revestido de profundo teor emocional no imaginário brasileiro, sob pena de termos no pós-copa obras inúteis, desnecessárias e de alto dispêndio econômico para os futuros governantes.