quinta-feira, 17 de junho de 2010

Gaúchos: Os Falsos Reacionários

Povo que não tem virtude acaba por ser escravo diz o hino rio-grandense. E hoje somos escravos de modismos. Quem dera fossemos reacionários.

Sócrates, o jogador de futebol, afirmou que o gaúcho é um povo reacionário, e que seria este um motivo para o pragmatismo da seleção brasileira de Dunga. Imediatamente, ao sul do Brasil, surgiu uma polêmica sobre o assunto. Argumentos de lá e de cá dizendo que, ora o gaúcho é reacionário, ora não. A discussão gera paixões de ambos os lados.
Eu, como gaúcho que sou, tenho consciência de que o povo gaúcho não é reacionário de maneira alguma, e isto me deixa bastante frustrado. Aliás, aceitamos incríveis mudanças de nossos valores, costumes e tradição ao mesmo tempo que ficamos indignados com coisas que trariam reais benefícios, como o projeto de revitalização da orla de Porto Alegre, da venda de terras no Morro Santa Tereza ou de um antigo projeto de reformulação de nosso litoral aos moldes catarinense.
Mas já fomos reacionários. Já fizemos uma guerra reformadora (e não uma revolução como muitos pretendem classificá-la) no século XIX. Já lutamos contra a deteriorização progressiva de nossas intituições, pela manutenção de nossos valores. E hoje, o que o gaúcho é? Ele é revolucionário. E ser revolucionário não é algo positivo e maravilhoso como tentam nos fazer acreditar. Na verdade, é algo extremamente negativo, pois a esta gente interesa a destruição completa de toda uma sociedade em todos os seus setores para a edificação de uma nova ordem completamente avessa à anterior, com resultados ruins.
Em contrapartida, o reacionário não é alguém que quer a implosão de um sistema, mas seu aperfeiçoamento através de mudanças que se fazem necessárias, sem contudo destruir os alicerces nos quais se assentam toda a edificação de uma sociedade, de uma cultura. Os reacionários fazem reformas. Os revolucionários fazem revoluções. E muito embora exista a tendência de confusão entre ambas, sendo mesmo reformas chamadas de revoluções e vice-versa, são coisas totalmente distintas.
Como exemplo, podemos tomar duas "revoluções" européias que tiveram resultados diferentes: a Revolução Gloriosa, inglesa, e a queridinha de todos, a Revolução Francesa. A primeira foi uma reforma. Aperfeiçoou o sistema vigente de maneira a possibilitar melhorias em sua estrutura. Entretanto, a essência, o cerne, permaneceu o mesmo. A classe trabalhadora continuou trabalhadora, a burguesa continuou burguesa e a aristocracia continuou aristocracia, com a diferença de que foram realizados os ajustes necessários para que continuassem em harmonia pelo bem de todo o reino. O resultado: a Inglaterra reformou seus alicerces e transformou-se na potência européia que conhecemos, formando um império onde, mesmo no alvorecer do século XX, o sol jamais se punha. É verdade que o império ruiu, mas a Inglaterra continuou despontando como potência. Já a segunda, a francesa, decidiu-se pelo caminho efetivamente revolucionário: acabou com toda a estrutura da civilização francesa e construiu sobre seus destroços, uma outra. A aristocracia foi destruída, e os burgueses e proletários assumiram o poder. A intelectualidade foi corrompida e morta. Acabou-se a liberdade de pensamento individual. E qual foi o resultado: a França deixou de ser uma potência, a maior do mundo, para se tornar uma liderança de segunda classe. Deixa de ser o pólo econômico e militar europeu e passa de ator principal a coadjuvante.
É isto o que está acontecendo no estado gaúcho. Após a Guerra dos Farrapos, que não foi uma revolução mas uma tentaiva bem sucedida de reforma, o RS começou sua caminhada para tornar-se um dos membros da nação brasileira mais destacado, especialmente na área educacional e cultural (a proclamação republicana do general Netto não era prevista e não foi bem recebida pelo comando de guerra). Os objetivos daquela revolta (eminentemente econômicos) foram atingidos e o RS continuou parte integrante do império. 
Hoje, somos revolucionários. Somos contra tudo e todos. Não lutamos contra as mudanças que estão se procedendo em nossas tradições, nossa cultura e nossos valores. Pelo contrário, estamos apoiando esta transformação. A sociedade gaúcha está beirando o colapso. E todos batem palmas alegando que estamos nos modernizando quando de fato estamos sendo modificados a ponto de perdermos nossa identidade gaúcha. 
Povo que não tem virtude acaba por ser escravo diz o hino rio-grandense. E hoje somos escravos de modismos. Quem dera fossemos reacionários.


terça-feira, 15 de junho de 2010

Deuses da Vida

Calma, calma. Não estou diminuindo esta conquista, que é grande sim, apenas estou dizendo que não foi criada vida artificialmente como querem nos fazer acreditar.

Depois de dominarmos as técnicas agrícolas, os animais, decifrarmos a genética e até mesmo controlar o futuro climático do planeta, eis que o homem chega aparentemente ao ápice divino: criamos vida! Bom, pelo menos é o que esteve sendo noticiado aos quatro ventos durante as últimas semanas. Uma equipe de cientistas criou uma célula vivente através da inserção de um genoma artificial criado por um computador. E a célula funcionou. E a vida foi criada... É mas não é bem assim não.
Se deixarmos de lado a cobertura midiática que, numa análise superficial nos faz crer que realmente o homem criou vida, verificamos que o furo é mais embaixo. Não criamos vida artificialmente. Copiamos vida artificialmente. O que fizemos foi algo parecido como uma engenharia reversa do que vem a ser vida. Somos como que uma China divina, onde Deus cria a vida e nós a "pirateamos" conforme a potência comunista faz com a aparelhagem de alta tecnologia produzida especialmente pelos EUA.
A vida, de acordo com estudos esotéricos, místicos e religiosos pode ser criada a partir de qualquer coisa desde que esta coisa tenha três componentes básicos: matéria, alma e a vontade divina (por vezes chamada cósmica). Se qualquer um destes três elementos faltarem, não a vida. Do ponto de vista científico (que não sei porque cargas d'água insiste em se afastar do plano metafísico sem perceber que ambos se complementam), é preciso que um organismo, para ser considerado vivo, seja capaz de retirar energia do ambiente, multiplicar-se e por fim morrer, mesmo que dê origem a novos clones de si mesmo como acontece na reprodução assexuada. Me parece que nossos cientistas criaram vida a partir de algo... vivo, apenas modificando sua estrutura genética (ou melhor, criando a sua estrutura genética).
Calma, calma. Não estou diminuindo esta conquista, que é grande sim, apenas estou dizendo que não foi criada vida artificialmente como querem nos fazer acreditar. Aliás, acredito que esta descoberta trará inúmeros benefícios para a humanidade nos mais diversos campos, tanto das ciências médicas como nas econômicas e sociais (manipulação de órgãos para transplantes, melhoria das sementes de alimentos etc.). O avanço é inegável, mas estamos longe do feito divino de, a partir de um amontoado de átomos, arranjá-los e criar vida.
Efetivamente, esta pequena exposição tem como propósito responder a pergunta: afinal, o que é vida? Bom, aparentemente, nos dias atuais e para a nossa intelectualidade, a resposta é: depende.
Seria esta célula manipulada pelos cientistas realmente um ser vivo ou apenas uma máquina biológica? Poderia existir vida não biológica, como aqueles exemplos que vemos nos filmes de ficção científica? Novamente, a resposta é relativista. Se for para provar que Deus é uma invenção de nossas cabeças e que nós podemos fazer tudo o que Ele faz, bem, então uma mísera célula pode ser considerado um ser vivo, bem como um robô inteligente também poderia sê-lo. Agora, se for para afirmarmos o nosso poder para decidirmos o que é ou não vida, então mesmo um ser humano em gestação não pode ser considerado vivo, e por este motivo pode ser abortado. Vejam que situação paradoxal: uma célula com DNA de computador é considerada um ser vivo. Um embrião humano não. Intrigante não? São dois pesos e duas medidas. Os revolucionários defensores do aborto por considerarem um feto como não-vivo são os mesmo que querem nos fazer crer que uma célula tem mais requisitos para ser considerada viva do que aquele. Tudo isto porque querem nos afastar da religião, porque a religião é causa de todos os males da humanidade. Faça-me o favor!
O que parece que ninguém vê é que, para os detratores da ordem divina das coisas é dado tudo. Para seus defensores, nada. Não há diálogo sobre o assunto. O que existe é um monólogo repetitivo e massante. O monólogo revolucionário.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Distribuição de Renda

Jornais, revistas, artistas e intelectuais aplaudem de pé esta grande conquista nacional! Conseguimos humanizar o dinheiro!

A grande propaganda de nosso presidente é a distribuição de renda conseguida pelo governo federal durante os últimos oito anos. Os carros-chefe são programas assistencialistas como o "Fome Zero" e o “Bolsa Família", sendo este último o verdadeiro xodó do petismo nacional. Sem querer jogar água no chope dos nossos amigos vermelhinhos de plantão, lembro que esta bolsa nada mais é do que a compilação das diversas bolsinhas (umas até poderiam ser classificadas como niqueleiras) do governo FHC (um vermelhinho, digamos... mais enrustido). Lula nada mais fez do que juntar numa bolsa gigante as diversas bolsinhas de outrora e dar um novo nome. Plim! Surgia o Bolsa Família e a sua esteira milhares (ou seriam milhões) de brasileiros começaram a sair da pobreza absoluta bastando ter um filho na escola e não comprovar renda. E eis então o vil metal sendo distribuído como "nunca antes na história deste país".
Jornais, revistas, artistas e intelectuais aplaudem de pé esta grande conquista nacional! Conseguimos humanizar o dinheiro! E tudo isto graças a... O meu dinheiro, o seu dinheiro, o nosso dinheiro! Ou seja, o dinheiro de todos os manés que trabalham, ganham dinheiro (e são condenados por isto) e pagam seus exorbitantes impostos. É isto mesmo! Tirar dos ricos para dar aos pobres! (tradução: tirar dos que trabalham e dos que criam trabalho para dar às vacas eleitorais dos currais tupiniquins).  O resultado: inúmeros são os casos de pessoas que não querem emprego fixo porque caso o consigam, deixam de receber o benevolente benefício estatal. Vale mais a pena coçar o saco do que tentar conseguir emprego. E enquanto isto, nossos impostos financiam cada vez mais o ócio alheio.
É claro que sou favorável à distribuição de renda da maneira mais justa possível, ou seja, pelo mérito do trabalho das pessoas, e não através de esmolas eleitoreiras que nada fazem além de comprar votos, corações e mentes.
Mas este tipo de distribuição de renda não acontece somente nas classes mais pobres da população. O inchaço do aparelho estatal com a criação de infindáveis (e inúteis) ministérios e secretarias é outro exemplo. Afinal, onde o PT e Cia. iria arrumar uma boquinha para seus “copanhêros” que não no governo através do crescimento astronômico do funcionalismo público? E adivinhem quem paga a conta? Eu, você, nós todos! Através do que? Através dos infindáveis impostos que nos são cobrados!
Uma verdadeira distribuição de renda seria atingida se fossem aumentados os postos de trabalho. Para que isto aconteça, urge a revisão das leis trabalhistas, previdenciárias e tributárias, de maneira que permita aos empreendedores condições mais justas para que possam não só abrir novas vagas de trabalho, mas até mesmo aumentar o salário dos atuais empregados. Seguramente, muitas famílias iriam sair da linha da miséria de maneira muito mais rápida e digna.
Distribuir renda não é tirar dos mais ricos para os mais pobres. É possibilitar aos mais pobres as condições necessárias para que, através do suor de seu trabalho, sejam mais ricos. Condenar e emitir palavras de ordem contra "a burguesia detentora do dinheiro" é claramente um sinal doentio de inveja do sucesso alheio.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Cultura Dazelite

Lembro-me de quando o  filme Central do Brasil concorreu ao Oscar e perdeu para o italiano A Vida é Bela. Na época, eu ainda estava entrando na adolescência e fiquei indignado com a derrota do cinema nacional

Vejo respeitados comunicadores e intelectuais revoltados com a baixa demanda por filmes nacionais. Sinceramente, creio que a resposta seja uma só: nossa produção cultural é pífia. Aliás, nem sabemos mais o que é a nossa cultura, porque ela está tão deformada pelo politicamente correto que acaba transformando o espectador não em alguém que pensa, mas como um futuro militante que necessita ser desperto.
Lembro-me de quando o  filme Central do Brasil concorreu ao Oscar e perdeu para o italiano A Vida é Bela. Na época, eu ainda estava entrando na adolescência e fiquei indignado com a derrota do cinema nacional, achando que era uma sacanagem dos malditos ianques (bem coisa de adolescente alienado mesmo, isto que eu estudava no Colégio Militar de Porto Alegre! Imagine o que sobra para os outros). Pois bem, olhei o filme brasileiro e posteriormente o italiano, e a minha conclusão foi: o Brasil realmente não tinha qualquer chance de ganhar um prêmio concorrendo com o filme de Roberto Benigni. Simplesmente porque nosso representante era pífio.
E aí nossa elite intelectual quer nos empurrar goela abaixo estas películas de segunda só porque tem uma ou outra estrela no elenco. 
Uma receita para se produzir qualquer tipo de filme, peça teatral, romance, novela e mesmo música no Brasil (pelo menos "prazelite" cultural tupiniquim) é simples: basta ter em seu tema um tema social ou um herói proletário que enfrenta o (sempre) malvado burguês empresário. Mas se alguém quer sucesso mesmo, o negócio é investir na luta armada contra a malvada ditadura. Seguindo esta receita, o autor certamente figurará entre os queridinhos da intelectualidade, como se nossa produção cultural tivesse que ser resumida ao viés político e social desde que sempre favorece a esquerda. Infelizmente, para a maioria, não existe produção cultural que não seja militante da ideologia esquerdista.
Observamos isto no fenômeno da novela. Os roteiros são sempre os mesmos, não interessando o espaço temporal que ocupam: tem um casal de homossexuais que é sempre discriminado,um religioso (cristão e, especialmente, católico ou evangélico), que representa a cafonice e o atraso do sistema; um membro do proletariado que é sempre bonzinho que luta contra um patrão sempre malvado e aquele acaba sendo sempre o herói; um casal em crise onde ou o homem ou a mulher acabam sempre traindo um a outro como se fosse a coisa mais normal do mundo; um viciado em alguma coisa que é apenas uma "vítima da malvada sociedade"; uma menina que precisa dar para o maior número de homens possível para ser cool e, por fim, a maneira de consertar todos os problemas: uma radical e profunda revolução dos antigos costumes e valores familiares e religiosos.
Isto tudo pode funcionar muito bem em novelas, mas quando o assunto vai para a tela grande ou os palcos de teatro a coisa muda. Pois nestes dois ambientes só existem duas maneiras de se fazer sucesso: ou a obra é muito boa, ou a propaganda é muito boa. 
Muitos pensam que o financiamento público é a solução para que recuperemos nossa produção cultural, especialemte a cinematográfica, ou exigir das salas de projeção, quotas de exibição para a produção made in Brazil. Ou seja, o imposto que eu pago deve ser utilizado para financiar filmes ou peças teatrais de qualidade pífia que visam somente a doutrinação ideológica da população. Ledo engano. Mesmo com todo o tipo de apoio governamental, um filme somente é sucesso quando é bom. A prova disto foi o filme do Lula, que mesmo com financiamento público como nunca antes na história deste país, estrelas em seu elenco e exibições públicas, teve um desempenho pífio.
Em contrapartida, mais ao norte, temos o cinema americano. Não que todo o filme dos ianques seja bom, mas o financiamento público praticamente não existe. O incentivo governamental é dado através de uma política tributária justa (não só para a cultura, mas para todos os setores) e os únicos prejudicados pelas baixas bilheterias são aqueles que produziram e patrocinaram o filme, e não o contribuinte. Como resultado, muitos filmes, mesmo com histórias sem pé nem cabeça, se salvam pelo marketing ou pelo primor de seus efeitos especiais (que o capital privado permite). Prova disto é que os dois maiores sucessos de bilheteria da história (Avatar e Titanic) possuem histórias de média para fraca, mas se salvam em seus efeitos especiais que, por si só, valem a ida ao cinema. Para saber o que é melhor para a cultura (financiamento público ou investimento privado?) basta verificarmos o desempenho do cinema e do teatro nos EUA e comparar com o Brasil.
Mas nem tudo é lixo. Tropa de Elite e Cidade de Deus (ambos com algum viés esquerdista, notavelmente no segundo) possuem uma história interessante e boa qualidade plástica por exemplo. Ambos foram financiado pelo dinheiro público, mas se fossem oriundos da iniciativa privada certamente obteriam maior sucesso. Mas para isto, é preciso que o governo pare de abocanhar o dinheiro privado com impostos e passe a cuidar de seus afazeres essenciais.
A resposta das bilheterias é clara: de nada adianta críticos vermelhinhos nos dizerem que um ou outro filme é bom se o assunto é sempre o mesmo, apenas as caras mudam. A cultura nacional é muito mais do que luta de classes e revolução ideológica. Aos poucos o povo vai descobrindo, e a resposta está no desempenho de nossos filmes e espetáculos. Já está mais do que na hora de nossos críticos e intelectuais deixarem de ser militantes da esquerda e passarem a efetivamente apoiar e valorizar a cultura nacional, que é muito maior do que tudo isto. 
Sim, sei que é um sonho impossível este de vermos "azelite intelectual" desnuda de seu viés político. Mas, afinal, sonhar não custa nada não é mesmo?


terça-feira, 1 de junho de 2010

Azelite

O discurso continua o de sempre: a culpa é da elite.

Ser integrante de um grupo seleto sempre foi motivo de orgulho para qualquer ser humano. É assim no esporte, é assim no meio artístico, no meio cultural... Mas quando o assunto é econômico-social, parece que a coisa muda de figura: ser elite é ser, a priori, um sanguessuga malvado culpado de todas as mazelas que assolam a vida do país. Ser a classe mais abastada é pertencer a um grupo que deve ser condenado pelo fato de possuir uma riqueza maior do que a média da população, e isto acaba incomodando os indivíduos que pertencem à classe mais "favorecida". E os resultados são catastróficos.
O fato é que a condução dos destinos de qualquer sociedade, quer seja ela pertencente ao mundo animal ou humano, é feita por aqueles que a dominam, para o bem ou para o mal. Foi assim ao longo da história, onde os movimentos revolucionários sempre foram conduzido pela elite, nunca pelo povão, como querem apregoar os falsos historiadores e, principalmente, políticos. O caso brasileiro é semelhante. Enganam-se aqueles que pensam serem os críticos "dazelite" integrantes do povão. São eles próprios integrantes de uma elite cultural, política e econômica. E o objetivo destes revolucionários é destruir a antiga elite para substituí-la por uma nova. E este processo está praticamente concluído.
Não querendo perder seu lugar dentro da pirâmide social, a elite acaba por se corromper internamente. Seus valores culturais vão progressivamente minguando ao ponto de absorverem como seus, comportamentos e atitudes que os fazem atrofiar culturalmente. A música e a literatura que outrora faziam parte de seu cotidiano, por exemplo, hoje são deixadas de lado, ficando restritas a círculos cada vez menores e aos mais velhos. Sua popularização crescente a torna um alvo cada vez mais fácil para os predadores da esquerda que acabam fazendo dela, sua aliada. A situação chega ao ponto daqueles que possuem melhores condições financeiras ficarem com vergonha de possuí-la, como se o seu trabalho e os seus méritos, que os fizeram chegar ao patamar mais alto da sociedade, fosse algo maléfico, quiçá demoníaco.
Enquanto isto, criaturas como Luciana Genro e Maria do Rosário insistem em por a culpa de nossa falência na elite econômica e no capital, esquecendo-se que elas mesmos fazem parte na nova elite, assim como, culturalmente, seres como Caetano, Gilberto Gil, Quartim de Moraes, Jô Soares, Márcia Tiburci e tantos outros cabeças-de-vento são o exemplo pulsante "dazelite" brasileira. Estamos sendo cada vez mais nivelados por baixo, e os respingos deste estado de coisa acabam atingindo os bancos escolares e as salas de redações. O resultado? É este que vemos, tendo que aturar "rebolations" e "pancadões" como legítimos representantes de nossa produção cultural. E a elite vai caminhando a passos largos para se transformar "nazelite" que acaba, progressivamente, impondo sua nova ordem sem se dar conta que está se autodestruindo.