terça-feira, 1 de junho de 2010

Azelite

O discurso continua o de sempre: a culpa é da elite.

Ser integrante de um grupo seleto sempre foi motivo de orgulho para qualquer ser humano. É assim no esporte, é assim no meio artístico, no meio cultural... Mas quando o assunto é econômico-social, parece que a coisa muda de figura: ser elite é ser, a priori, um sanguessuga malvado culpado de todas as mazelas que assolam a vida do país. Ser a classe mais abastada é pertencer a um grupo que deve ser condenado pelo fato de possuir uma riqueza maior do que a média da população, e isto acaba incomodando os indivíduos que pertencem à classe mais "favorecida". E os resultados são catastróficos.
O fato é que a condução dos destinos de qualquer sociedade, quer seja ela pertencente ao mundo animal ou humano, é feita por aqueles que a dominam, para o bem ou para o mal. Foi assim ao longo da história, onde os movimentos revolucionários sempre foram conduzido pela elite, nunca pelo povão, como querem apregoar os falsos historiadores e, principalmente, políticos. O caso brasileiro é semelhante. Enganam-se aqueles que pensam serem os críticos "dazelite" integrantes do povão. São eles próprios integrantes de uma elite cultural, política e econômica. E o objetivo destes revolucionários é destruir a antiga elite para substituí-la por uma nova. E este processo está praticamente concluído.
Não querendo perder seu lugar dentro da pirâmide social, a elite acaba por se corromper internamente. Seus valores culturais vão progressivamente minguando ao ponto de absorverem como seus, comportamentos e atitudes que os fazem atrofiar culturalmente. A música e a literatura que outrora faziam parte de seu cotidiano, por exemplo, hoje são deixadas de lado, ficando restritas a círculos cada vez menores e aos mais velhos. Sua popularização crescente a torna um alvo cada vez mais fácil para os predadores da esquerda que acabam fazendo dela, sua aliada. A situação chega ao ponto daqueles que possuem melhores condições financeiras ficarem com vergonha de possuí-la, como se o seu trabalho e os seus méritos, que os fizeram chegar ao patamar mais alto da sociedade, fosse algo maléfico, quiçá demoníaco.
Enquanto isto, criaturas como Luciana Genro e Maria do Rosário insistem em por a culpa de nossa falência na elite econômica e no capital, esquecendo-se que elas mesmos fazem parte na nova elite, assim como, culturalmente, seres como Caetano, Gilberto Gil, Quartim de Moraes, Jô Soares, Márcia Tiburci e tantos outros cabeças-de-vento são o exemplo pulsante "dazelite" brasileira. Estamos sendo cada vez mais nivelados por baixo, e os respingos deste estado de coisa acabam atingindo os bancos escolares e as salas de redações. O resultado? É este que vemos, tendo que aturar "rebolations" e "pancadões" como legítimos representantes de nossa produção cultural. E a elite vai caminhando a passos largos para se transformar "nazelite" que acaba, progressivamente, impondo sua nova ordem sem se dar conta que está se autodestruindo.




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