quarta-feira, 2 de junho de 2010

Cultura Dazelite

Lembro-me de quando o  filme Central do Brasil concorreu ao Oscar e perdeu para o italiano A Vida é Bela. Na época, eu ainda estava entrando na adolescência e fiquei indignado com a derrota do cinema nacional

Vejo respeitados comunicadores e intelectuais revoltados com a baixa demanda por filmes nacionais. Sinceramente, creio que a resposta seja uma só: nossa produção cultural é pífia. Aliás, nem sabemos mais o que é a nossa cultura, porque ela está tão deformada pelo politicamente correto que acaba transformando o espectador não em alguém que pensa, mas como um futuro militante que necessita ser desperto.
Lembro-me de quando o  filme Central do Brasil concorreu ao Oscar e perdeu para o italiano A Vida é Bela. Na época, eu ainda estava entrando na adolescência e fiquei indignado com a derrota do cinema nacional, achando que era uma sacanagem dos malditos ianques (bem coisa de adolescente alienado mesmo, isto que eu estudava no Colégio Militar de Porto Alegre! Imagine o que sobra para os outros). Pois bem, olhei o filme brasileiro e posteriormente o italiano, e a minha conclusão foi: o Brasil realmente não tinha qualquer chance de ganhar um prêmio concorrendo com o filme de Roberto Benigni. Simplesmente porque nosso representante era pífio.
E aí nossa elite intelectual quer nos empurrar goela abaixo estas películas de segunda só porque tem uma ou outra estrela no elenco. 
Uma receita para se produzir qualquer tipo de filme, peça teatral, romance, novela e mesmo música no Brasil (pelo menos "prazelite" cultural tupiniquim) é simples: basta ter em seu tema um tema social ou um herói proletário que enfrenta o (sempre) malvado burguês empresário. Mas se alguém quer sucesso mesmo, o negócio é investir na luta armada contra a malvada ditadura. Seguindo esta receita, o autor certamente figurará entre os queridinhos da intelectualidade, como se nossa produção cultural tivesse que ser resumida ao viés político e social desde que sempre favorece a esquerda. Infelizmente, para a maioria, não existe produção cultural que não seja militante da ideologia esquerdista.
Observamos isto no fenômeno da novela. Os roteiros são sempre os mesmos, não interessando o espaço temporal que ocupam: tem um casal de homossexuais que é sempre discriminado,um religioso (cristão e, especialmente, católico ou evangélico), que representa a cafonice e o atraso do sistema; um membro do proletariado que é sempre bonzinho que luta contra um patrão sempre malvado e aquele acaba sendo sempre o herói; um casal em crise onde ou o homem ou a mulher acabam sempre traindo um a outro como se fosse a coisa mais normal do mundo; um viciado em alguma coisa que é apenas uma "vítima da malvada sociedade"; uma menina que precisa dar para o maior número de homens possível para ser cool e, por fim, a maneira de consertar todos os problemas: uma radical e profunda revolução dos antigos costumes e valores familiares e religiosos.
Isto tudo pode funcionar muito bem em novelas, mas quando o assunto vai para a tela grande ou os palcos de teatro a coisa muda. Pois nestes dois ambientes só existem duas maneiras de se fazer sucesso: ou a obra é muito boa, ou a propaganda é muito boa. 
Muitos pensam que o financiamento público é a solução para que recuperemos nossa produção cultural, especialemte a cinematográfica, ou exigir das salas de projeção, quotas de exibição para a produção made in Brazil. Ou seja, o imposto que eu pago deve ser utilizado para financiar filmes ou peças teatrais de qualidade pífia que visam somente a doutrinação ideológica da população. Ledo engano. Mesmo com todo o tipo de apoio governamental, um filme somente é sucesso quando é bom. A prova disto foi o filme do Lula, que mesmo com financiamento público como nunca antes na história deste país, estrelas em seu elenco e exibições públicas, teve um desempenho pífio.
Em contrapartida, mais ao norte, temos o cinema americano. Não que todo o filme dos ianques seja bom, mas o financiamento público praticamente não existe. O incentivo governamental é dado através de uma política tributária justa (não só para a cultura, mas para todos os setores) e os únicos prejudicados pelas baixas bilheterias são aqueles que produziram e patrocinaram o filme, e não o contribuinte. Como resultado, muitos filmes, mesmo com histórias sem pé nem cabeça, se salvam pelo marketing ou pelo primor de seus efeitos especiais (que o capital privado permite). Prova disto é que os dois maiores sucessos de bilheteria da história (Avatar e Titanic) possuem histórias de média para fraca, mas se salvam em seus efeitos especiais que, por si só, valem a ida ao cinema. Para saber o que é melhor para a cultura (financiamento público ou investimento privado?) basta verificarmos o desempenho do cinema e do teatro nos EUA e comparar com o Brasil.
Mas nem tudo é lixo. Tropa de Elite e Cidade de Deus (ambos com algum viés esquerdista, notavelmente no segundo) possuem uma história interessante e boa qualidade plástica por exemplo. Ambos foram financiado pelo dinheiro público, mas se fossem oriundos da iniciativa privada certamente obteriam maior sucesso. Mas para isto, é preciso que o governo pare de abocanhar o dinheiro privado com impostos e passe a cuidar de seus afazeres essenciais.
A resposta das bilheterias é clara: de nada adianta críticos vermelhinhos nos dizerem que um ou outro filme é bom se o assunto é sempre o mesmo, apenas as caras mudam. A cultura nacional é muito mais do que luta de classes e revolução ideológica. Aos poucos o povo vai descobrindo, e a resposta está no desempenho de nossos filmes e espetáculos. Já está mais do que na hora de nossos críticos e intelectuais deixarem de ser militantes da esquerda e passarem a efetivamente apoiar e valorizar a cultura nacional, que é muito maior do que tudo isto. 
Sim, sei que é um sonho impossível este de vermos "azelite intelectual" desnuda de seu viés político. Mas, afinal, sonhar não custa nada não é mesmo?


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