domingo, 11 de julho de 2010

Bobagens ao Norte do Brasil.

Folhando as páginas do jornal roraimense Folha de Boa Vista em busca dos classificados, deparei-me com uma frase do artigo escrito pelo defensor público Jaime Brasil Filho que chamou minha atenção: O capitalismo está perdido. Curioso, comecei a lê-lo na íntegra, na esperança de satisfazer minha curiosidade. Ledo engano. À medida que a leitura avançava, ficava claro que ali estava mais um exemplo de texto extraído do forno ideológico nacional, ou seja, um monte de bobagens.
Não seria viável colocar todo o artigo neste espaço, mas basta acessar este link para verificá-lo na sua totalidade, e o leitor pode, então, tirar suas próprias conclusões. A seguir, os trechos principais do escrito:

Jaime Brasil Filho *

O capitalismo está perdido. (...)

Após décadas de domínio ideológico e prático dos conceitos econômicos liberais, em que o Estado tinha que ser aprisionado e a iniciativa privada livre para fazer o que bem entendesse, os países do mundo se vêem em um grave dilema, pois as necessidades sistêmicas não se adaptam à lógica predatória dos “donos do mundo”.

Neste primeiro parágrafo, a primeira contradição. Nas últimas décadas, desde Getúlio Vargas, é a iniciativa privada, e não o Estado que está aprisionada. Ou a carga de impostos e tributos somados à legislação trabalhista draconianas não colocam o capitalismo de joelhos, como o próprio Hitler descreveu o capitalismo de Estado.

Quando Lênin escreveu o “Imperialismo: fase superior do capitalismo”, no começo do século passado, já reconhecia que a livre concorrência no capitalismo, se existiu, durou pouco tempo, que já no século XIX as empresas maiores tratavam de dominar e subjugar cada vez mais as menores, criando-se monopólios que se tornariam cada vez mais amplos e globais. Lênin previu o que hoje chamamos de globalização.
Viu-se que Lênin estava certo, e que esses oligopólios globais tomaram de assalto as estruturas estatais da maioria dos países. São as grandes empresas e os grandes interesses financeiros aqueles que elegem os governos da maioria dos países, e, por conseguinte, dizem o que eles devem ou não fazer. O povo nem chega a fazer diferença na hora da tomada das decisões mais importantes.

Aqui fica difícil reconhecer se o discurso é de um acadêmico ou de um sindicalista. Ou o autor esqueceu-se que o maior exemplo de monopólio que temos hoje em nosso país é a Petrobrás, uma empresa... Estatal. Ora, o Estado tem e precisa ter mecanismos que salvaguardem a livre concorrência, mas não precisa ser dono de empresas para fazê-lo. Afinal, o simples fato de uma empresa estatal não visar lucro já torna a concorrência automaticamente desleal. A propósito, Lênin edificou o seu comunismo com a base capitalista estatal e monopolista mais desastrosa da história.

Com os países asiáticos praticamente escravizando os seus trabalhadores, (...) os demais países que ainda quisessem manter algum tipo de indústria tinham que “baixar os seus custos”, leia-se, escravizar os seus trabalhadores também, eis que somente assim teriam como fazer competir os seus produtos no mercado mundial. A outra alternativa seria criar barreiras fiscais (...)

Escravizar trabalhadores? Foi o que fez a URSS do seu ídolo Lênin lembra? Para baixar o custo de produção de um país a conta é simples: enxugue o Estado, o deixe apenas com os serviços essenciais. Consequentemente, os custos da máquina diminuem. Os impostos diminuem, e os preços diminuem. E não me venha com esta história de que os malvados capitalistas não repassariam os lucros para os seus empregados através de aumento de salários Sr Jaime: tudo o que um capitalista quer é compradores, e se os trabalhadores não forem remunerados tão bem quanto possível, não haverá compradores, OK?

A mão invisível do mercado (...). Aqui no Brasil as grandes corporações “pagaram”, se somarmos tudo, míseros bilhões por patrimônios que valiam centena de vezes mais. A mão invisível do mercado fez também com que países devedores como o Brasil adotassem normas para alcançar o que eles chamam de “responsabilidade fiscal”, que nada mais é do que o dinheiro do povo que deixa de ser gasto em saúde, educação, em infra-estrutura e que vai direto para as mãos dos especuladores financeiros, (...), que também são os mesmos que escravizam os trabalhadores no mundo inteiro e que levaram todo o sistema à falência em 2008. A mão invisível do mercado causou grandes estragos ambientais no mundo inteiro, inclusive com a expansão do agronegócio e o aumento da produção e a exportação de comoditties (matérias-primas). A mão invisível do mercado elegeu presidentes mundo afora fomentando guerras, a exemplo do Iraque, onde o único interesse sempre foi o petróleo. A mão invisível do mercado praticamente recebeu de graça a Embratel, empresa criada e desenvolvida com o suor do povo brasileiro. Hoje, essa mesma mão nos saqueia com as tarifas telefônicas mais caras do mundo e com péssimos serviços.

Responsabilidade fiscal é simplesmente não gastar mais do que se arrecada. Mas com tantos copanhêros querendo mamar nas tetas da nação, fica complicado né? Aliás, é o seu, o meu, o nosso dinheiro que pagam esta corja. A falência de 2008 ocorreu justamente pela farta distribuição de crédito a pessoas que não poderiam pagar por ele. Quanto à desestatização, embora tímida, foi decisiva para que o país se modernizasse e os serviços fossem finalmente democratizados. Mais uma vez, não é a ganância dos empresários que nos saqueiam: É o Big Brother vermelho o buraco negro fiscal. Cascatas de impostos e leis trabalhistas escravizam aqueles que geram empregos e os que pagam pelos serviços prestados. Quanto à militância ambiental, sem comentários. Ah, só uma informação: as reservas de petróleo dos EUA são maiores que as brasileiras e árabes somadas... Mas os democratas (a esquerda americana) não as querem exploradas.

A mão invisível do mercado se apoderou da riqueza e do patrimônio do povo, se apoderou das estruturas governamentais para destruir o Estado e terminar de saqueá-lo, (...). Enquanto isso o povo não recebe ajuda alguma, ao contrário, vê o Estado gastando menos dinheiro com a população mais pobre para garantir a saúde financeira dos bancos, companhia de seguros e empresas que justamente foram as responsáveis pela crise.

What? Pirou? E as bolsas-esmolas? E a transferência de riqueza dos que trabalham para os que não trabalham? Não conta? Mercado se apoderando da estrutura governamental? Faça-me o favor! O que acontece é justamente o contrário, é o Estado que cada vez mais se apodera das estruturas do mercado! (e da religião, da cultura, da educação, da família...)

(...)

(...) Por ter sido mais “atrasado” em adotar mais profundamente as regras liberais, quando explodiu a crise o Brasil se viu mais protegido. Um bom exemplo são as regras de proteção ao trabalhador, as garantias de assistência social, e outras normas combatidas pelos liberais que aumentavam os custos de produção no Brasil. Justamente essas garantias foram um fator de proteção da economia, de circulação do capital e de possibilidade de manutenção dos níveis de consumo. Sarkozi que foi eleito na França para liberalizar a economia francesa, hoje agradece à sorte por não ter tido tempo de fazê-lo, ele nem fala mais em mudar as leis trabalhistas, sendo que a França “atrasada”, como o Brasil, na adoção completa do modelo liberal sofre, hoje, bem menos que a Inglaterra, essa sim “liberalíssima” e que agora está no fundo do poço.

O que salvou o Brasil não foram as políticas protecionistas, mas as mais altas taxas de juros do mundo. Garantia de assistência social? Só se for virtual, porque a seguridade social brasileira está falida. E a França, está em colapso fiscal, bem como toda a Europa não só por fatores demográficos, mas pelo famigerado Estado de bem-estar social, que onera sobremaneira o país que o sistema simplesmente entra em colapso. A Inglaterra está “no fundo do poço” justamente porque aderiu à onda esquerdista de que o coletivo se sobrepõe ao indivíduo. Basta verificarmos que, tanto na terra da rainha quanto na do Tio Sam, seu maior ciclo de desenvolvimento foi na década de 80, justamente quando a economia estava realmente conduzida pela mão invisível e pelo Estado mínimo.

(...) Nosso país insiste em ser o grande exportador de matérias-primas e isso traz grandes problemas. (...) exportar matéria-prima nunca foi estrategicamente bom para país nenhum, pois além do custo ambiental e social, exportar produtos sem agregar valor tecnológico faz com que, no final de tudo, tenhamos que importar produtos bem mais caros e sofisticados feitos, aliás, com as nossas matérias-primas. (...) o Brasil fica dependente da retomada do crescimento dos mercados consumidores de produtos que usam as nossas matérias-primas, o que nos coloca numa posição de total fragilidade, já que, como dito antes, o velho e descontrolado modelo liberal se espatifou e o mundo ainda não conseguiu adotar um outro sistema para controlar a mão invisível.

O que se espatifou, foi a demasiada intromissão estatal. Enquanto tivermos 43 ministérios e secretarias com seus status, não conseguiremos reduzir nossa carga tributária e, consequentemente, não conseguiremos atrais tecnologia, pois não geramos conhecimento e segurança. O Estado brasileiro falha justamente nas áreas em que o Estado deve existir: segurança e infra-estrutura. Fosse ele diminuído, e a conseqüente redução do custo - Brasil, não precisaríamos de mercado externo: a própria demanda interna daria conta de fomentar o crescimento econômico.
(...) Será que uma mão invisível nos salvará agora? Ou arregaçaremos as mangas e usaremos as nossas próprias mãos para a construção de um outro mundo?

Infelizmente, caro Defensor Público, a mão não é invisível, e tampouco irá nos salvar: A mão é grande e pesada. É a mão do Estado que esmagará nossos corpos como baratas, bem a seu gosto por sinal.

* Defensor Público

Um comentário:

  1. Mais um idiota (ou seria perverso?) útil na imprensa. A América do Sul não está pior por conta de Uribe e do Exército Hondurenho. É triste ver um povo dominado por perversos e idiotas.

    ResponderExcluir