sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Povo Que Não Tem Virtude...

Acaba por ser escravo!
Semana passada estive em Porto Alegre para a formatura de minha querida irmã. Nesta mesma semana, começaram as obras no estádio do glorioso Internacional para a realização da Copa de 2014, que se dará no Brasil e terá jogos na capital gaúcha. Naqueles dias, o nosso querido Imperador, digo, Presidente, se fez presente anunciando a liberação de verbas federais para as obras de infra-estrutura que precisam ser feitas na cidade. E todo mundo aplaudiu a benevolência imperial.
Foi aí que me lembrei da Revolução Farroupilha e do fato da gauchada, alienada como sempre, não cantar o Hino Nacional Brasileiro em detrimento ao Hino provinciano. Durante os jogos de Inter e Grêmio, em cumprimento à lei municipal, são executados os hinos dos dois entes (pseudo) federativos. E a reação gaudéria é prevista. Ufanismo ao hino estadual, desprezo ao nacional. Como se este desprezo significasse alguma coisa. É isto que os gaúchos acham que é ser "do contra": cantar o hino rio-grandense quando se está executando o hino nacional. Ao mesmo tempo, o império, digo, a república, continua extorquindo não só o Rio Grande do Sul, mas todas as demais províncias. E quanto a isto, os gaúchos revolucionários nada fazem. Pelo contrário, aplaudem a benevolência imperial ao destinar recursos da Corte aqui para o Feudo.
E é neste ponto que a gauchada perde a memória. Afinal a Revolução Farroupilha foi separatista por um acidente, e não por vocação. Sua verdadeira vocação foi conter os desmandos do império sobre a província de São Pedro, coisas sobre taxação do charque gaúcho, que se tornava mais caro que o produto platino. Foi isto que motivou a revolução, e não um movimento separatista. Tanto que, terminado o conflito, os objetivos foram alcançados, o charque deixou de ser taxado e o produto do Rio Grande do Sul pode ser comercializado de maneira mais justa.
Acontece que hoje, nesta falsa federação, a União recolhe todos os impostos produzidos pelos Municípios e Estados e os redistribui para os entes mais necessitados. Ou seja, repete-se no âmbito político o que acontece no âmbito social: os que trabalham financiam a vida dos que nada produzem. Sendo assim, os municípios mais ricos são penalizados por... Serem mais ricos. E a riqueza produzida nas cidades não é aproveitada por elas, porque todos os tributos e recursos gerados vão direto para os cofres imperiais.
O resultado é que toda a obra que exige maior vulto de investimento tem que ser financiada pelo governo federal, quando na verdade poderia ser muito bem realizada na esfera estadual e mesmo municipal. Mas não. Toda riqueza ao imperador.
O curioso é que a gauchada, metida a revolucionária e rebelde nada faz a respeito. Aplaude com entusiasmo a benevolência da corte sem perceber que os recursos que estão sendo disponibilizados são, de fato, os que foram gerados dentro do município beneficiado. E assim, cegos pelo assistencialismo, esquecem de questionar o porquê da produção e da riqueza do Sul ou do Sudeste ter que financiar o Nordeste e o Norte, pois estes deveriam produzir a sua própria riqueza. Infelizmente, quem produz riqueza no Brasil é tratado como "porco capitalista explorador". E o povo gaúcho, que poderia questionar esta situação, limita-se a ignorar o Hino Nacional e a posar de independente, quando na verdade não percebe que, por razões semelhantes, seus antepassados fizeram uma revolta.
Perdem a virtude e acabam por serem escravos do Império de Brasília, financiando com o suor do seu trabalho as obras populistas e eleitoreiras da corte.

Um comentário:

  1. A administração federal distribui recursos para os entes "mais necessitados" pelo simples fato do assistencialismo render mais votos que proporcionar condições de se alavancar um verdadeiro desenvolvimento econômico e, consequentemente, social nas áreas mais carentes. Realmente, se não fosse por essa aberração governamental, Porto Alegre já teria até metrô.

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