quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Prisão Invisível

Mas, se o ser humano, o senhor de todas as criaturas da Terra, expoente intelectual da vida terrestre escolhe a gaiola, porque pensar que o passarinho não a escolheria?

O que faria um passarinho deixar-se prender em uma gaiola? Loucura? Não. Existem vantagens para o papagaio, o canarinho ou o rouxinol em ficarem presos dentro de uma gaiola. Dentro dela, evidentemente que eles não poderão voar. Dentro dela, talvez não consigam sequer procriar. Entretanto cantam aparentemente felizes, para deleite dos donos. Ambientalistas e ativistas de todo o tipo afirmam que cantam de tristeza por terem sua liberdade tolhida. Mas, como mencionado, existem vantagens em ficar preso dentro de uma gaiola ou de um viveiro.
Comida não faltará, pois os seus donos não deixam faltar suas sementes favoritas. Água terão em abundância. Se ficarem doentes... Bem, veterinários estão aí para isto não é mesmo? Se está muito frio, o dono aquece a gaiola. Se está muito quente, tenta refrescá-la. E para fechar com chave de ouro, o passarinho estará a salvo de seus predadores. Imaginem então se, por um momento, um passarinho pudesse escolher entre a vida dentro da gaiola e a vida fora dela. Será que ele escolheria a liberdade? Ou preferiria a segurança da prisão, com uma vida possivelmente longa às aventuras perigosas da vida livre? Difícil não? A proposta do engaiolamento é sedutora, é tentadora. Tanto que a maioria dos passarinhos, a meu juízo, escolheria a gaiola.
Loucura de minha parte? Só porque o passarinho é um ser dito irracional? Mas, se o ser humano, o senhor de todas as criaturas da Terra, expoente intelectual da vida terrestre escolhe a gaiola, porque pensar que o passarinho não a escolheria? Explico.
No final do século XIX, a Alemanha começou a implementar o famoso Estado do Bem-Estar social, que basicamente troca a liberdade do indivíduo pela segurança de uma prisão com barras invisíveis, onde a pessoa deixa de ter o controle sobre sua vida, que passa a ser conduzida e monitorada pelo Big Brother que tudo sabe, vê e controla.
E é precisamente isto o que acontece em nosso país. Cada vez mais as prisões estatais estão sufocando nossa liberdade. Não somos livres para educar nossos filhos, pois o governo é quem dita sua educação. Não podemos escolher ir a um bar com fumantes, porque o governo já tirou-nos a liberdade em escolher um local com cigarros de outro sem ao proibir o fumo nesses estabelecimentos. Não podemos sequer escolher se queremos ou não votar, pois somos obrigados a isto. Um direito que, na verdade, é uma obrigação compulsória.
Saúde, previdência, educação, finanças, voto, poupança, não temos opção em obtermos estes serviços e recursos a não ser pela via administrativa governamental. A carga de imposto que recai sobre o cidadão que trabalha torna impeditiva a busca de opções na iniciativa privada. E assim o Estado fica cada vez mais pesado e inchado, com suas centenas de secretarias, agências e ministério que nada mais são do que cabides de emprego para partidários da agremiação governante.
Leis que cada vez mais regulam a vida privada são recebidas como o supra-sumo dos direitos humanos, quando na verdade apenas servem para que nossas vidas sejam controladas cada vez mais de perto pelo benevolente ente Estatal. Nossa liberdade de escolha está cada vez mais restrita. Nossa liberdade praticamente não existe. O pior é que a única coisa que tornaria plausível trocar nossa liberdade é a que o governo menos garante que é a segurança física, aquela que garante que o indivíduo sairá de casa e voltará vivo. Tudo isto a custa da maior carga tributária do mundo.
E assim, com um sorriso estampado no rosto, vamos vendendo nossas liberdades de escolhas, de educar nossos filhos, em troca da seguridade social e física que o Estado deveria nos proporcionar. Como resultado, vivemos numa grande gaiola invisível, que trancafia a alma e que faz com que tenhamos a falsa ilusão de que estamos seguros. Não vendemos a alma ao diabo, mas ao Leviatã que a cada dia se torna mais forte e cada vez mais invencível.
Agora com licença: está na hora do meu alpiste.




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