segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Falsos Politizados


Dizer que o povo do Rio Grande do Sul é o mais politizado do Brasil, como proclamam aos quatro ventos, é talvez o maior erro que se possa cometer. O gaúcho é tão ou mais influenciável quanto qualquer outro integrante do Brasil.

Gaúchos adoram aparentar o que não são. Dizem-se conservadores e amantes da tradição, mas não se importam em desvirtuar a música gaúcha para o sertanejo, nem com o casamento gay, nem com a destruição da família e da religião. Querem ser independentes e acham que cantar o Hino Rio - Grandense no lugar do Nacional é a última demonstração de uma mentalidade autônoma. Em contrapartida, consomem Sertanejo, Rio e São Paulo na cultura. Mas falar sobre isto demandaria um post exclusivo para o assunto e o foco, agora, não é este. É outra idiotice plantada no estado gaúcho dentre tantas outras (imortalidade do grêmio, Brizola democrata, Jango e Getúlio como os grandes presidentes da história da nação, etc.). Trata-se da politização da sociedade gaúcha.
Dizer que o povo do Rio Grande do Sul é o mais politizado do Brasil, como proclamam aos quatro ventos, é talvez o maior erro que se possa cometer. O gaúcho é tão ou mais influenciável quanto qualquer outro integrante do Brasil. Possui a memória curta, e é incapaz de ver a realidade que se desfralda a sua frente, deixando-se iludir por palavras de ordens, denúncias sem provas e por promessas impossíveis de serem cumpridas. A prova deste fato foi a eleição, em primeiro turno, de Tarso Genro. Esta ocorreu pelo fato da governadora Yeda ter tido a árdua tarefa de medicar o paciente enfermo. E o remédio foi amargo. A omissão da imprensa sobre a administração petista tanto no RS quanto em Porto Alegre também contribuiu para que a população continuasse desinformada e alienada de tudo o que ocorreu durante a administração petista tanto no Estado quando na prefeitura da capital. Ao invés disto, deu destaque notório às denúncias contra o governo que nunca foram provadas.
Quando o  governo Olívio deixou o Piratini, o estado do RS estava quebrado. O sistema de previdência estava em frangalhos e os investimentos foram embora do solo gaúcho. Promessas, como o aumento de 80% aos professores não foram cumpridas, mas o CEPERS não se incomodou com o fato. Indústrias deixaram o estado e os impostos aumentaram. Germano Rigotto começou a reestruturar o estado, começando pelo Instituto de Previdência do Estado, IPE. Coube a Yeda a árdua tarefa de equilibrar as finanças e recolocar o RS no caminho do desenvolvimento. Cumpriu a sua promessa de sanear as dívidas e trouxe as maiores taxas de crescimento. Não foi suficiente. Denúncias de corrupção em seu governo foram recorrentes. Nenhuma delas provadas. E a governadora incentivava àqueles que tinham suspeitas de irregularidades a apresentarem suas queixas junto ao judiciário que os fatos seriam apurados. Poucas foram as representações, e quando existiam culpados eles eram punidos e retirados do governo. Muito ao contrário do que ocorre no governo do PT (o mensalão é o caso mais notório).
O remédio para a reestruturação do estado foi amargo. Aumentos não puderam ser dados às categorias como aos professores, não por má vontade de Yeda, mas pela impossibilidade financeira. Enquanto os poderes legislativo e judiciário se auto concediam aumentos salariais, ficava muito pouco para o executivo. Aliás, esta é das falhas mais gritantes no sistema administrativo brasileiro: quem paga (executivo) não pode negar aumentos aprovados no legislativo e no judiciário. Em consequência, entidades de classes e a militância petista caíram em cima do governo. Acusações infundadas, nunca provadas, tomaram proporções de escândalos que, na verdade, nunca ocorreram. O corte do ponto dos grevistas e a valorização do mérito na carreira do funcionalismo público geraram revoltas por parte dos servidores. Mas não é justo cortar o ponto dos que não trabalham e promover e gratificar os que se destacam? Premia-se, desta maneira, os mais dedicados. Mas os militantes de plantão acham que se devem premiar igualitariamente tanto quem trabalha bem, quando quem trabalha mal. E o povo gaúcho foi com este discurso retórico e dialético erístico, literalmente enrolado na bandeira.
Se o povo gaúcho soubesse como o PT deixou a prefeitura de Porto Alegre em frangalhos, queimando e destruindo todos os registros de suas secretarias certamente jamais este partido teria conseguido sequer um segundo turno. Mas ao que consta, o livro de Políbio Braga, Herança Maldita, não foi difundido no âmbito do Estado, e nem a imprensa jamais resolveu fazer uma análise aprofundada sobre os governos PTs. E o povo mais politizado do Brasil se torna o povo mais alienado do Brasil. E sob a batuta dos sindicatos, elege um governo que sucateou Porto Alegre e mergulhou o RS numa crise profunda que teve de ser sanada pelos governos Rigotto e Yeda.
Com a falta de memória e a pseudo-erudição política do povo gaúcho, fica fácil explicar porque Yeda, que fez um governo exemplar cumprindo com sua promessa de sanear as finanças estaduais, não foi eleita. Olívio, no seu governo, quebrou o Estado ao ampliar o número de funcionários do governo e conceder aumentos além da realidade. Rigotto e Yeda tiveram que frear estes aumentos para reconstruir o RS. E agora, Tarso é eleito com o discurso de que Yeda não deu aumento ao funcionalismo público, que foram concedidos no governo Olívio. Pronto. A gauchada assim é ludibriada. Depois que Tarso quebrar o Estado, outro governador terá que consertar a bagunça. E o remédio será amargo. O Círculo vicioso de mentiras e omissões continuará, e o povo mais politizado do Brasil continuará sendo apenas mais uma amostra do que é o povo brasileiro: uma imensa massa de manobra nas mãos da intelectualidade e da imprensa marxista do Brasil.

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