sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Wall-E e a Europa

O problema é que os europeus não querem acordar de seu sono profundo. Não querem ter o trabalho de economizar seu dinheiro para pagar pelos serviços. Ora, o governo dá tudo gratuitamente! Se o trabalhador quer uma aposentadoria mais digna, porque não pagar um plano de previdência privada? Se quer um atendimento de saúde de alta qualidade, porque não ter um plano de saúde?



Não sou crítico de cinema, nem sei se seria bom nesta atividade. Também sei que o filme nem está em cartaz nas salas de exibições. Mas olhando a programação da TV por assinatura, resolvi assistir novamente ao filme Wall-E. Não, não tenho filhos, nem crianças convivem rotineiramente comigo. Apenas gosto de rever filmes bons, e este é o caso.
Wall-E é uma daquelas animações que vão muito além de um simples entretenimento para as crianças. A história aparentemente inocente de um robozinho solitário que encontra uma amiga robótica super avançada que o leva a aventurar-se no espaço é apenas um pano de fundo para uma trama de grande profundidade. A libertação da humanidade de uma escravidão intelectual e tecnológica.
Com referências que vão do clássico "2001 - Uma Odisséia no Espaço" ao revolucionário "Matrix", Wall-E retrata de maneira muito eficaz a escravidão a que estamos submetidos. Ao encontrar os humanos que há muito tempo se evadiram da Terra, percebe que estes estão presos a uma vida de conforto, alheios a qualquer tipo de responsabilidade, evitando outro tipo de contato que não seja o virtual. As pessoas têm tudo a mão. Não precisam fazer qualquer tipo de esforço para nada. Suas necessidades são plenamente atendidas, e absolutamente ninguém percebe o mundo a seu redor. Vivem em uma imensa espaçonave que lhes dá tudo o que precisam, enquanto preparam-se para retornar ao planeta. O sistema todo é controlado por um computador que faz o papel do Big Brother, que tudo sabe e tudo coordena. Enquanto vivem presos a cadeiras automatizadas, os homens perdem completamente a sua liberdade. Não questionam nada. Apenas aproveitam os benefícios de uma civilização sem responsabilidades e preocupações. E é aí que entra Wall-E, acordando a humanidade do hipnótico efeito da despreocupação impune, e os desperta para serem livres novamente.
Traçando um  paralelo, é o que acontece hoje na sociedade européia. A doutrina do Estado de Bem-Estar Social, que retira da população suas noções de responsabilidades, está fazendo com que os países deste continente comecem a ruir. Tal qual a espaçonave e o computador do filme controlavam os humanos, os governos europeus fazem o mesmo, e estão caminhando para uma inevitável quebra. Ao tomarem as rédeas da vida da população, dando-lhes de graça saúde, educação, previdência e em alguns casos, transporte e seguro-desemprego o Estado retira dos cidadãos o hábito sadio da poupança individual, que lhes possibilitaria pagar à iniciativa privada por todos estes serviços, desonerando a máquina estatal. Esta, estaria mais livre para investir o dinheiro recolhido nos impostos na melhoria dos dois setores onde a presença do Estado é realmente necessária: segurança e infra-estrutura.
O problema é que os europeus não querem acordar de seu sono profundo. Não querem ter o trabalho de economizar seu dinheiro para pagar pelos serviços. Ora, o governo dá tudo gratuitamente! Se o trabalhador quer uma aposentadoria mais digna, porque não pagar um plano de previdência privada? Se quer um atendimento de saúde de alta qualidade, porque não ter um plano de saúde? Afinal, todos sabemos que, na previdência estatal por exemplo, o dinheiro arrecadado é utilizado para o custeio de toda uma rede de assistencialismo e na melhoria das duas áreas essenciais. Como consequência, o déficit cresce e o governo se vê numa encruzilhada: ou aumenta impostos ou diminui benefícios. E ambos geram muitos protestos e manifestações. Desestatizar a Europa é condição fundamental para salvá-la da completa falência, pois a empresa privada é mais eficiente, produtiva e lucrativa que a estatal. Assim,  poderiam diminuir impostos e aplicar os recursos em áreas que são realmente de sua competência. Com menos órgãos e funcionários, certamente as finanças seriam equilibradas. E com menos impostos, a população teria recursos suficientes para pagar pelos serviços da iniciativa privada.
Mas para que isto aconteça, é necessário que se faça a reeducação do povo europeu, para que este retome o controle de sua vida. É preciso que retornem às suas raízes de responsabilidade e trabalho como forma de fazer uma nação crescer. Caso contrário, a bomba fiscal irá estourar, e a Europa afundará como um grande Titanic. Para que isto não ocorra, basta que os europeus levantem-se de suas confortáveis cadeiras automatizadas e busquem a sua liberdade, destruindo o Big Brother que retira sua liberdade em troca de uma falsa sensação de segurança.
Mesmo que não tenhamos, entre nós, Wall-E

Um comentário:

  1. Já faz tempo que a Europa vem chocando alguns ovos de serpente, fruto dessa política assistencialista esquerdopata.

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