segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Monteiro Lobato Racista?

Intrigante mesmo é o preconceito que se tem contra o pobre do macaquinho. Mas não é dito aos quatro ventos que descendemos destes inteligentes animais? (pelo menos de acordo com Darwin). Porque tantos ficam incomodados quando são feitas comparações com ele? Logo o macaco, nosso “primo”, que possui provavelmente o maior grau de inteligência entre os animais... 
O Conselho Nacional de Educação recuou, e o livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, foi liberado para ser estudado nas escolas. A proibição à obra literária foi proposta porque um professor da universidade de Brasília considerou o livro racista. Passagens que diziam que Tia Anastácia “tem carne negra” e outra em que afirma “que trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro”, seriam provas do racismo contido dentro do texto.
Particularmente, acredito que o racismo, ou o preconceito, estão dentro de cada pessoa, e não em um texto ou passagem literária. O escritor utiliza-se de inúmeras figuras de linguagem para poder passar ao leitor as suas idéias e contar sua história. Foi o que Monteiro Lobato utilizou, e não conteúdo racista. Percebo que o racista da história é esse professor e o próprio Conselho Nacional de Educação.
Curioso é que ninguém iria chiar se a personagem Tia Anastácia fosse branca e as passagens fossem “tem carne branca” e “que trepou que nem uma macaca albina pelo mastro”. Seria isto considerado uma passagem racista? Provavelmente não.
Intrigante mesmo é o preconceito que se tem contra o pobre do macaquinho. Mas  não é dito aos quatro ventos que descendemos destes inteligentes animais? (pelo menos de acordo com Darwin). Porque tantos ficam incomodados quando são feitas comparações com ele? Logo o macaco, nosso “primo”, que possui provavelmente o maior grau de inteligência entre os animais... Se Tia Anastácia tivesse trepado no mastro como uma gata de carvão, seria isto considerado racismo? Muito provavelmente não.
Décadas já se passaram desde a publicação de “Caçadas de Pedrinho”. Parece-me que jamais a obra foi acusada de ter conteúdo racista, ou de fomentar a rixa entre negros e brancos, que também não são raças diferentes. Somos seres humanos, e não cachorros, gatos ou cavalos para sermos classificados por raças. Mas é evidente que os vários ambientes habitados pelos humanos provocaram mudanças em algumas de nossas características, justamente para que pudéssemos sobreviver desde os causticantes desertos africanos até as geladas calotas polares. De maneira alguma, entretanto, essas mudanças foram suficientes para nos dividir em raças.
Isto é apenas uma pequena amostra de como o Estado está intervindo cada vez mais na vida do cidadão, e como ele procura moldar a cabeça de nossas crianças de acordo com os seus propósitos, assim como fez Stálin e Hitler. Utilizando-se de pretextos como este para justificar a censura deste ou daquele material, vai progressivamente anestesiando a opinião pública, fazendo-a acreditar que calar a liberdade de opinião é a maneira mais adequada de proteger-nos contra o racismo e o preconceito. 
Felizmente, desta vez não conseguiram. Mas o regime é paciente e perserverante. Cedo ou tarde, sentiremos a mão pesada do Estado calar nossas bocas e destruir nossas mentes.

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