segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Natal e Capitalismo

Não é um sistema econômico que molda o comportamento de uma população. É sua formação familiar e espiritual que o faz. Não é o capitalismo que transforma uma festa religiosa, um momento de reflexão em família em apenas mais um feriado no calendário. É a progressiva corrupção da instituição família e religião a responsável por isto.

Muitos criticam a falta de espiritualidade nas comemorações do natal. E a principal vítima dos ataques é o capitalismo. Falam que nos tornarmos uma sociedade consumista, que pensa apenas nos presentes, na ceia, e nas festas natalinas espalhadas em pontos turísticos ao redor do mundo. Perdeu-se o valor religioso que tal cerimônia representa, o significado do nascimento do menino Jesus para a humanidade, ou para os cristãos pelo menos. O engraçado é que justamente os opositores do capitalismo e da sociedade de livre mercado (a esquerda) é que são os verdadeiros responsáveis pela transformação de um momento de reflexão e reverência em mera data comercial.
Graças aos estratagemas de socialistas e comunistas, a religiosidade foi progressivamente sendo minada. A cristandade, especialmente a católica, foi progressivamente sendo atacada e corroída. E a esquerda soube muito bem executar o plano de extermínio do catolicismo. Atacou simultaneamente de fora e de dentro da estrutura eclesiástica. Infiltrou sacerdotes comunistas causando uma reviravolta nas estruturas clericais brasileiras. Ao mesmo tempo, atacou a Igreja de fora, através da produção "artística" e "cultural", bem como na produção falsificada de textos históricos onde o catolicismo sempre aparecia como sendo o grande mal do mundo. Utilizando-se de sofismas e de um discursos retóricos, historiadores vermelhos reescreveram a história. Ocupando virtualmente todos os setores formadores de opinião, a esquerda implodiu a religiosidade e, de arrasto, a própria instituição familiar. Faltava criar um bode expiatório para arrematar a estratégia. E a culpa caiu nos ombros do capitalismo e dos ideais liberais.
Mas são justamente esses ideais que conseguem sustentar um pouco do que resta do esfarrapado espírito de natal. Não fosse pelo capitalismo, não se comprariam presentes. E o ato de dar presentes nada mais é do que a representação do que fizeram os Reis Magos ao ofertarem ouro, incenso e mirra ao bebê Jesus. O Papai Noel nada mais é do que a representação de São Nicolau, homem que presenteava as crianças mais necessitadas. E é pela compra de presentes que os funcionários dos mais diversos ramos conseguem seu emprego para poderem ganhar o seu dinheiro para, também, comemorarem o natal.
A ceia de natal não representa apenas comer e beber em vão. É um ato de sacrifício, onde o Peru comprado no supermercado representa o sacrifício feito pelo homem em honra a Deus, e em agradecimento pelo ano que passou. Ao fazer um esforço para comprar a ave especial, sela-se o simbolismo do sacrifício. É como se fosse uma ação de graças pelas coisas conquistadas e pela força dada por Nosso Senhor para enfrentarmos os obstáculos. As luzes, os pinheiros decorados, guirlandas, são representações de alegria pelo nascimento do Messias, e a lembrança de nossa origem europeia. Sim porque, se tem-se orgulho de nossa origem negra, há que se der de nosso sangue europeu porque não. Mas acima de tudo, o capitalismo condensa algo que muito incomoda a esquerda: o fruto do trabalho. Ele mostra que não é por favorecimentos políticos, esmolas governamentais ou pena que se conquista a dignidade. É pelo suor do trabalho de cada dia, quando o operário, o comerciante, o artesão, o empresário, o pequeno, médio e grande agricultor se reúnem à mesa para celebrar em família o espírito natalino, mesmo quando um governo faz de tudo para demonizar a figura daqueles que geram emprego, renda, dignidade.
Não é um sistema econômico que molda o comportamento de uma população. É sua formação familiar e espiritual que o faz. Não é o capitalismo que transforma uma festa religiosa, um momento de reflexão em família em apenas mais um feriado no calendário. É a progressiva corrupção da instituição família e religião a responsável por isto. Afinal, desde a Revolução Francesa, uma das primeiras ações é destruir a Igreja. Robespierre fez assim, Lênin e Stálin fizeram assim, Mao fez assim, Fidel fez assim. Destruíram e corromperam a família e a Igreja, jogando a culpa no capitalismo. Implodiram os alicerces morais e religiosos que sustentavam a base da sociedade para sobre seus escombros construir o famigerado "novo mundo possível", a custa de mais de 100 milhões de vidas humanas.
O capitalismo não é o vilão consumista. O vilão está em cada um de nós. Se ao darmos um presente de natal a nossos entes queridos, lembrarmos que estamos repetindo um gesto de mais de 2 mil anos em honra de um menino nascido para salvar a humanidade, não estaremos sendo consumistas. Se lembrarmos que é graças à nossa compra que o empresário pode dar emprego a outras pessoas e também tirar o seu sustento, saberemos que estamos, naquele momento, ajudando outras pessoas a fazerem a sua ceia de natal, a darem os seus presentes, por mais simples que sejam. Que estas pessoas podem, assim como nós, repetir gestos milenares que são muito mais do que apenas gestos. São representações das nossas próprias origens. Não porque recebem esmolas, mas porque conseguiram, pelo valor de seu trabalho, um pouco mais de dignidade. Apesar da fome estatal por suas almas.

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