quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A República Imperial das Bananas

Todos estes mandos e desmandos das entidades executivas, legislativas e judiciárias estão escritas na bíblia (conhecida pelo nome popular de Constituição Federal de 1988). E o livro sagrado da República Imperial das Bananas é seguido cegamente, desde que para beneficiar as divindades que, afinal, a escreveram.

A organização brasileira está longe de ser republicana ou federativa. Está mais para monárquica e teológica, como nas antigas civilizações Egípcia, Grega e Romana. Até o panteão de divindades o Brasil possui. Adiciona-se à sopa política uma pitada dos reinos europeus da Idade Média e voi-là! Eis que conseguimos saber como se organiza de fato nossa "República Imperial das Bananas"!
No Olimpo tupiniquim (conhecido como Poder Judiciário), estão os deuses. Intocáveis, detentores da verdade absoluta. A eles nenhuma lei atinge. Estão acima do bem e do mal, pois emanam mesmo a noção do que é cada um desses conceitos. São imunes a qualquer crítica ou aplicação as penas previstas, mesmo quando pegos em ato ilegal. Jamais são presos ou condenados, mesmo em flagrante delito. Seu poder divino é tamanho que basta um dedo em riste ou o som de suas palavras para lançar a fúria do Olimpo sobre os mortais. E esta nunca tarda.
Mas o Olimpo não pode ter contato com o povão assim diretamente. É preciso que alguém o represente sobre a terra. E esta pessoa é o Faraó, ou o Rei (aqui chamado Presidente da República). A ele é confiado a representatividade do poder das divindades. Ele está lá, do alto de seu trono, aplicando a lei divina sobre a plebe nacional. Como os deuses, é imune à criticas e a qualquer denúncia que possa atingir o seu caráter, mesmo quando não possui um. É o homem-deus. A encarnação das vontades celestiais sobre a Terra. Nunca sabe de nada, mas distribui pão e circo ao povo, garantindo o silêncio dos seus milhões de servos e a aprovação majoritária destes. Como homem-deus, também é ungido de características divinas, e a lei sobre ele não pode incidir.
Abaixo da escala teocrática, estão os semideuses (deputados e senadores). A eles resta apenas aprovar as vontades do panteão, representado pelo Faraó, utilizando o nome da "maioria". Como não são completamente divinos, a eles não é garantida a total imunidade diante da lei. Entretanto, raríssimos são os semideuses que respondem a ela. Os direitos, é claro, estão garantidos. Assim, quando os deuses querem mais, os semideuses querem também. Se as divindades querem mais sacrifícios humanos, os semideuses querem também. Se aqueles querem mais dinheiro, estes também irão se beneficiar. E assim, em nome do povo, votam leis em causa própria e jamais ousam afrontar o poder divino. Nos Estados e Municípios, a organização é similar, fazendo com que a República Imperial das Bananas tenha um "quê" de Império Romano (com "mesclas" dos feudos europeus), onde as províncias tinham sua organização política, mas eram vassalos de Roma.
Mas uma nação teocrática não pode viver sem o clero. Ele é responsável pela adoração particularmente do Rei-deus, dos deuses e em menor escala dos semideuses. E nas terras de Pindorama, o clero é composto pelos, religiosos, artistas, intelectuais, empresários, jornalistas, celebridades, altos oficiais militares, professores e universitários, sendo que os quatro últimos compõe o chamado baixo clero. O alto clero é responsável por criar o culto aos deuses e emanar a ideologia nacional, de acordo com a diretriz do Faraó. O baixo clero trata de disseminar esta ideologia, validá-la e fomentá-la. São os idiotas úteis.
Na base da estrutura social da República Imperial das Bananas está a plebe. Esta é composta dos médios e pequenos empresários, produtores rurais, trabalhadores dos três setores da economia e de alguns intelectuais que contestam o culto aos deuses. Todos eles compõem o povo, a plebe. A ela cabe trabalhar para sustentar o panteão de divindades e os caprichos do deus-imperador e dos semideuses. Fazem sacrifícios e pagam pesados impostos ao seu senhor feudal em troca de... Bom, deveria ser segurança, mas nem isto os deuses garante a seus servos. Mas os deuses são muito bons e generosos! Todos os anos, fazem inúmeras comemorações de carnaval e proporcionam horas de lazer com o futebol. E para que o imperador posso distribuir esmolas aos que não trabalham (e também às famílias dos presos), é necessário que a plebe pague por isto. E por cinco, quase seis meses, esta camada da população trabalha para seus senhores. Durante quase meio ano, nada de seu trabalho é revertido para o seu próprio bem-estar. Tudo é enviado diretamente para os cofres do faraó.
Mas existe uma classe de pessoas singulares na nação: os intocáveis. Esta é composta por gays, sem-terras, sindicatos, e toda sorte de minorias. São os únicos que ousam desafiar o poder dos deuses sem medo de represálias. Aliás, com o passar dos anos, vão se tornando verdadeiras eminências pardas do Olimpo, fazendo com que novas leis sejam produzidas e invocadas para a sua imunidade. Não podem sequer serem criticados. Em breve, tornar-se-ão os novos deuses. É questão de tempo.
Todos estes mandos e desmandos das entidades executivas, legislativas e judiciárias estão escritas na bíblia (conhecida pelo nome popular de Constituição Federal de 1988). E o livro sagrado da República Imperial das Bananas é seguido cegamente, desde que para beneficiar as divindades que, afinal, a escreveram.
É por este motivo que um aumento salarial da ordem de 60% para ministros, parlamentares e presidente é absolutamente constitucional. E as províncias, claro, seguirão o exemplo, num efeito cascata. Os deuses (juízes) quiseram aumento. O deus-rei também, assim como os semideuses. Tudo dentro da legalidade, mas absolutamente fora da moralidade claro. E de onde sairá o dinheiro para tudo isto? Para pagar 26,7 mil reais a cada parlamentar e ministro? Da plebe, do povão, dos otários como eu e você.

2 comentários:

  1. Lenilton, vi o endereço do seu blig no MSM.
    Creio que somos partidários dos mesmos ideais.
    Também sou militar e moro em Santa MAria-RS.
    Se quiser entrar em contato para trocarmos idéias e dicas de livros, entre em contato pelo e-mail:
    evraldo1968@gmail.com
    Um abraço.

    Everaldo

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