sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Metrô de Porto Alegre

Para uma grande obra como um metrô, ou mesmo outras menores como uma ponte sobre o Guaíba, praticamente é impositiva a utilização de recursos federais. Por quê? Ora, porque na terra onde uma república federativa mais parece um império, a União é desunida. Ela abocanha toda a riqueza produzida nos municípios, como um imperador ou um reizinho tirânico que cobra das províncias o tributo pela sua proteção.

Há muito tempo fala-se na necessidade de um transporte subterrâneo ferroviário para melhoria da mobilidade na cidade de Porto Alegre. Confesso que, num primeiro momento, achei que fosse uma bobagem, algo desnecessário. Mas ao passar alguns dias na cidade de Paris, verifiquei que o assim chamado metrô é a melhor solução para o transporte coletivo. Naquela cidade, por exemplo, consegue-se ir a virtualmente qualquer lugar por intermédio deste meio de transporte, o qual utilizei exaustivamente. Convenci-me, pois, que toda a cidade merece ter um metrô.
Não sei se foi o governo federal francês que construiu o sistema parisiense. Mas sei que as cidades européias e dos EUA os possuem. Particularmente neste país, a construção da infra-estrutura municipal é executada pelo... Prefeito. Aqui no Brasil, as coisas não são bem assim. Para uma grande obra como um metrô, ou mesmo outras menores como uma ponte sobre o Guaíba, praticamente é impositiva a utilização de recursos federais. Por quê? Ora, porque na terra onde uma república federativa mais parece um império, a União é desunida. Ela abocanha toda a riqueza produzida nos municípios, como um imperador ou um reizinho tirânico que cobra das províncias o tributo pela sua proteção. 
Não bastasse a pesada carga tributária paga, o contribuinte pergunta-se porque não tem retorno do seu dinheiro pago ao governo para, por exemplo, ter um metrô na sua cidade. A resposta é que além de pagarmos caro por uma administração estatal cada vez mais inchada e cada vez mais ineficiente, cerca de 70% dos impostos e tributos recolhidos vão diretamente para a União. Sobram para os Estados, 25% e os municípios ficam com os outros 5%. Sobra muito pouco para que os municípios possam investir. Se os tributos permanecessem nas cidades e nos estados, certamente obras como a nova ponte do Guaíba, o metrô de Porto Alegre, ou a recuperação da balneabilidade das praias porto-alegrenses já estariam há muito realizadas. Mas não. É preciso que os geradores de riquezas, tal qual mendigos, tenham que implorar para que a toda-poderosa União devolva aquilo que virtualmente rouba das cidades todos os dias. E por quê? Ora, porque o presidente precisa mostrar obras do governo com o slogan "Brasil, um País de todos"*, para dar a ilusão de que o prefeito e o governador não estão preocupados com o povo, mas o presidente sim. Como se fosse esta a obrigação da União.
Muito tem se falado das reformas tão necessárias para o desenvolvimento do país, como a previdenciária, trabalhista, a própria reforma tributária e a revisão do chamado pacto federativo. De todas, esta última é a mais importante. É preciso que os Estados membros desta pseudo-federação enxerguem que não passam de províncias nas mãos de um poderoso império. Precisam enxergar que a iniciativa privada deve prevalecer diante da estatal. Só assim poderão ser reduzidos gastos com folha de pagamentos, impostos e tributos e investir as receitas arrecadadas em infra-estrutura e segurança, basicamente as razões de existir de um Estado. Caso contrário, a novela continuará sendo essa. As cidades produzindo riqueza, a União tomando-lhes esta riqueza e, por fim, as cidades ficando reféns do governo federal para tocarem obras que estariam prontas caso o império não tivesse literalmente extorquido a riqueza produzida.
Vejam, meus caros porto-alegrenses. Vocês não se acham provincianos. Vocês são provincianos. Mas não deveriam ter orgulho disto. Por isto o tão esperado e necessário metrô vai se arrastando a anos, esperando a benevolência federal, ou o alinhamento político entre União, Estado e Município. Afinal, uma província nada mais é do que um escravo de um império.

* Só para curiosidade. Na Venezuela, encontram-se cartazes de Hugo Chavez com os dizeres: Venezuela, ahora és de todos. Coincidência?

Um comentário:

  1. E mesmo roubando dos municípios, o governo federal não consegue enxugar suas contas... em 2010 poupou somente 6,8 bi dos mais de 21 bi que eram planejados....e desses 6,8 bi, 5 bi são lucros do petróleo do pré-sal, que continua lá, quietinho...enterrado... sabem muito bem como tapar o sol com a peneira!

    Mas o país bananeiro não tem solução não, e o slogan deveria ser : "Brasil, um país de tolos"

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