terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Repuxo da Marolinha

A recuperação econômica dos EUA assinalada pelo crescimento de seu PIB atrai novamente o capital que havia migrado. E quando um investidor compara o Brasil com os EUA na hora de investir, ele não tem dúvida em preferir o segundo.

O presidente Lula declarou que a crise de 2008, cuja origem é creditada ao mercado imobiliário dos EUA, não iria atingir o Brasil. Nas terras tupiniquins, o tsunami financeiro chegou como uma marolinha, de acordo com o  nosso ex-presidente. O investidor estrangeiro correu para os mercados emergentes, dentre os quais o Brasil, em busca de maior rentabilidade financeira escorada pela nossa exorbitante taxa de juros. A Bolsa de Valores recuperou parte dos prejuízos de 2008, e saímos da crise antes da maioria dos outros países.
Nos oito anos do governo Lula, a despeito de oscilações pontuais, o cenário econômico foi extremamente favorável. A inflação permaneceu controlada, foram cumpridas as metas do FMI relativas ao afamado superavit primário e o país conquistou o grau de investimento. Numa ilusória onda de otimismo, muitos acharam que o Brasil estava se desenvolvendo a passos largos para se tornar uma potência emergente. Afinal, se o investidor estava migrando seus recursos para cá, era sinal de que o país estava preparado e estruturado para, finalmente, dar um salto de desenvolvimento. E assim foi propagandeado, alardeado e comemorado aos quatro ventos: O governo Lula fez do tsunami uma marolinha, utilizando-se da política econômica do PSDB de FHC, tão criticada pelo PT. Não poderiam estar mais errados.
O Brasil, nestes oito anos que se passaram, aproveitou a onda de otimismo não para  realizar as reformas no sistema tributário, político e na legislação trabalhista tão necessárias para o efetivo desenvolvimento. O governo preocupou-se em aumentar a si mesmo, multiplicando seu poder econômico e aprovando leis que cada vez mais propiciaram a intervenção estatal nas mais diversas faces da vida cotidiana. Concursos foram feitos às dezenas (ou centenas), e a fome fiscal do leviatã bateu sucessivos recordes de arrecadação em cada novo ano que se iniciava na "era Lula".
O tsunami passou, o mundo se recupera lentamente. A marolinha do presidente Lula agora é um repuxo que começa a levar embora o investidor estrangeiro. A recuperação econômica dos EUA assinalada pelo crescimento de seu PIB atrai novamente o capital que havia migrado. E quando um investidor compara o Brasil com os EUA na hora de investir, ele não tem dúvida em preferir o segundo. Olhando para o Brasil ele verá um país onde a iniciativa privada é extremamente criticada e desprezada, e onde o governo controla grandes empresas como a Vale e a Petrobrás. Verá um país onde o Estado é extremamente inchado e cheio de verdadeiras sanguessugas que ocupam os cargos de chefia e direção de suas estatais não por competência, mas de acordo com  as alianças políticas pré acordadas. Um país com uma legislação trabalhista que pune o gerador de emprego, e onde os gastos com pessoal aumentam cada vez mais e mais.
Com o aumento contínuo da dívida pública e o constante inchaço da administração, o governo precisa imprimir cada vez mais dinheiro. Aí a inflação volta. Os juros aumentam, o consumo diminui e a ilusão do crescimento brasileiro, por fim, é desfeita.
O Brasil teve um excelente período para poder fazer as reformas que tanto precisa. Mas com um partido marxista no poder, a economia favorável só serve para aumentar mais e mais os tentáculos da administração pública. Um cargo de presidência aqui, uma diretoria ali... E os companheiros vão sendo acolhidos pelo serviço público, tanto na esfera administrativa quanto nas empresas públicas estatais que permanecem ineficientes, partidárias e sugadoras dos recursos públicos. Ou alguém aí viu vantagem em termos "autosuficiência em petróleo"?

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