sábado, 5 de março de 2011

Esperanças em Ignorantes.

O Aspirante-a-Oficial é capaz de resolver problemas complexos do dia a dia da caserna e mesmo do combate real, mas é incapaz de identificar a ameaça ideológica que põe em risco aquilo que ele jurou defender.


As mudanças profundas que ocorreram na estrutura social, especialmente nos últimos 20, 30 anos, faz com que lentamente se alevante uma nova ordem, um Leviatã há muito tempo alimentado, preparado para despertar na hora certa. Sem qualquer noção do que está acontecendo, hordas de idiotas úteis de toda a sorte (do militante do MST até o ministro do STF) foram conduzidas tal qual gado a aceitarem como verdades absolutas novos parâmetros morais que, paradoxalmente, surgiram da crença do relativismo. Findo a imposição do "é tudo relativo" e surge uma nova estrutura nos escombros da antiga, que agora passa a ser a verdade absoluta.
Não há no país qualquer força ideológica, religiosa ou filosófica capaz de se contrapor a este movimento, mesmo quando toda a população é contrária a esta imposição de novos costumes. O ápice da inversão natural se dá quando é dito que "os tempos mudaram e os pais precisam se modernizar", com se o velho rejuvenescesse, e não o contrário. Como consequência, os pais, parte fundamental da formação familiar, vêm-se envoltos num estratagema filosófico e cultural que os tornam proclamadores da nova ordem ao invés de guardiões da sabedoria milenar de nossa sociedade. Jovens revoltos existem desde que o mundo é mundo. Mas, invariavelmente, pouco a pouco eles compreendiam o seu lugar dentro da civilização e encontravam resposta na sabedoria de seus pais, respaldada em valores religiosos e morais que veem de tempos imemoriáveis. Hoje, são os filhos que dizem o que é certo ou errado aos seus pais.
Diante deste estado de coisas, alguns bravos conservadores têm nos militares o último fiapo de esperança de conter a onda revolucionária. Afinal, são eles que prezam pelos valores mais caros da pátria. Em caso de luta, são eles que estarão de peito aberto em defesa do país. É de se supor, pois, que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica pudessem ser o contraponto a esta situação, não como força política somente, mas como difusores destes valores morais dentro de cada pelotão ou esquadrão. Seria legado a eles o papel que os pais não conseguem cumprir hoje: guardiões dos valores básicos nos quais se assentam a nossa sociedade. Engano.
A vocação patriótica do militar de nada vale se este não estiver devidamente embasado para entender o mundo que o cerca. Sem compreender as forças ideológicas que se movimentam, os cidadãos fardados podem ser levados a abraçar ideias erradas como certas. E é isto que está acontecendo. E o porquê é bem simples de se explicar.
Dentro do Exército particularmente, existem várias instituições de excelência dentre as quais se destaca a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Nela, 0 jovem de 16, 17 anos é testado por 4 anos e obtém o conhecimento técnico-profissional para exercer suas funções como comandante de pelotão e esquadrão. O jovem oficial sai desta escola com os atributos essenciais para liderar homens ao cumprimento do dever. Através das disciplinas acadêmicas, desenvolve o raciocínio lógico e características inerentes à profissão das armas. Mas a AMAN peca gravemente em um aspecto: a formação da liderança nacional.
O Aspirante-a-Oficial é capaz de resolver problemas complexos do dia a dia da caserna e mesmo do combate real, mas é incapaz de identificar a ameaça ideológica que põe em risco aquilo que ele jurou defender. Não existe um currículo de História Geral e do Brasil que não a militar. Isto faz com que o jovem cadete permaneça como um alienado do segundo grau achando que Che Guevara foi um herói e sem entender direito o que foi o 31 de março de 64. O embasamento filosófico limita-se à decoreba de conceitos ao invés de preocupar-se com o essencial da filosofia: a busca do conhecimento. O comandante de pelotão deixa de ser um dissipador dos ideais e valores que moldaram nosso país e passa a ser apenas mais um formador de guerreiros que sabem por quem lutam, mas ignoram pelo quê lutam.
É claro que o comando pensa que o Aspirante não deve saber do desenlace ideológico que deteriora nossos valores. Afinal, a ESG e o CPEAEx estão aí para isto. O problema é que, ao entrar nestas escolas, ou mesmo a Escola de Comando e Estado-Maior, o oficial ainda carrega o conhecimento adquirido no segundo grau, ideológico e doutrinatório. Poucos conseguem enxergar o que realmente se passa. Como exemplo, basta citar que, numa sala com 45 capitães da Escoa de Aperfeiçoamento de Oficiais, candidatos ao mestrado profissional, apenas 2 tinham ouvido falar de Gramsci. Por esta amostra, verifica-se que aqueles que depositam suas esperanças nas forças armadas para resistir à revolução cultural e religiosa que vivemos no Brasil estão redondamente enganados. Não há reação dentro dos quartéis, pois desde a base, os Oficiais são programados a defender um governo institucional, seja ele qual for, e não defender tudo aquilo que faz parte de nossa verdadeira cultura.
O esquema é tão bem arquitetado que não se pode colocar a culpa nos militares por não reagirem a isto, pois eles simplesmente ignoram tal situação. Não conseguem visualizar que estamos em guerra. Uma guerra sem armas, tiros ou mortes. Uma guerra cultural que atinge o coração do ocidente tirando-lhe qualquer possibilidade de perceber que o colapso é virtualmente inevitável. Uma guerra cruel e desleal, que atinge a honra da pátria, justamente a primeira coisa que os militares juram defender em solene formatura perante a Bandeira Nacional.
São ignorantes, não no sentido pejorativo da palavra, mas por não conhecerem o que os cerca? E porque? Ora, tudo para que os cursos do Exército sejam "reconhecidos pelo MEC".

9 comentários:

  1. Hoje, a parte da população que é contra o relativismo e seus malefícios, não tem força pq não há unidade entre eles mesmos. Enquanto a minoria se junta e decide o futuro do país pq são estratégicos, maquinadores e maquiavélicos.

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  2. O texto acima "Esperanças em Ignorantes" levou-me a lembrar do "Silêncio dos Inocentes", não sei porque. Inserido no Grupo Guararapes, li e considerei de tanta importância que copiei e inseri no Portal Militar. E reconheço estar estupefato por NINGUÉM ainda ter se dado conta da informação vítal contida nele e se debruçado a não só a comentar, mas analisa-lo em profundidade.

    Considero que o mais importante é a informação de que o currículum da AMAM foi alterado -claro, para pior-, que faz surgir duas perguntas: Porque e por quem? Também se deveria perguntar: Quando?

    Quem o alterou, sugiro que é o grupo daqueles oficiais que hoje apóiam a candidatura do gal. Helleno, e a pouco apóiaram José Serra na pretensão presidencial. O porque é evidente, é a busca do enfraquecimento do pensamento dos oficiais, transformar o conhecimento num mingau.

    E pior se ajuntado ao fato de que um membro da ESG é ou era conselheiro de Hugo Chavéz. Então agora montem o quebra cabeças, que as peças lhes dei. a. GRIFAO

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  3. Nomes, senhor Lenilton Morato, nomes! Dê os nomes daqueles que alteraram os currículos da AMAN. Exponha tais pessoas, que certamente o senhor ganhará força e nosso respeito, nós brasileiros que vemos a Nação afundar dia a dia.

    a. GRIFAO

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  4. Não há nomes a serem citados. O programa acadêmico da AMAN não foi alterado. Ele simplesmente não prevê a disciplina de História, a não ser a militar, e a Filosofia não dá ao cadete o entendimento de como as diversas escolas de pensamento atuam na modificação das ideias. Claro, não é uma escola de filosofia, mas este entendimento é necessário não só ao cadete, mas a todo cidadão.

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  5. Alguma coisa está errada nessa história, pois o senhor afirma que o curriculo não foi alterado, mas também afirma "Ora, tudo para que os cursos do Exército sejam "reconhecidos pelo MEC".", mas quando os currículos foram criados, não existia MEC. Ou estou errado? Pergunto, e a resposta não é difícil: como se poderia criar um currículo para ser reconhecido pelo MEC, se o MEC não existia quando os currículos foram criados.

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  6. E pior, como os militares tiveram a presciência, a sabedoria de agirem em 64 e não estão tendo agora?


    Como os militares tiveram conhecimento histórico naquela época e hoje não contam com isso?


    Em 64 com os currículos existentes os militares tiveram uma noção exata da realidade, e com os mesmos currículos hoje não a tem? Será que o problema é de currículo?


    Não sei não, penso que o problema é que não temos um gal. Mourão, mas só um gal. 'estaca', o gal. Helleno, um gal. 'está, fica'.

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  7. Leia o próximo post onde tratarei da educação. Suas dúvidas serão sanadas.
    Abraço

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  8. Falando de educação friso a sua cortesia em responder, importante, esperando que não fique como eu aborrecido quando alguém diverge. Mas 'com educação ou sem' sou um velho cheio de dúvidas provocadas pelo choque de incertezas e conflitos. Mas não posso deixar de anotar que seu raciocínio tem o dom de levar alguns a descaminhos, tal como ocorreu comigo.


    Discutamos a suposta 'ignorância' dos oficiais formados na AMAN observando a boa lógica que diz que quando numa afirmação, parte é falsa, toda ela é falsa. Valhamo-nos da boa Química, considerando duas reações com os mesmos componentes e condições, que afirma que o produto final deverá ser o mesmo, oras, se o currículo de hoje da AMAN é idêntico ao que era quando da formação dos generais que participaram do movimento de 64, porque os agora generais apresentam um comportamento diferente daqueles?


    Sugiro senhor Lenilton que existiu naquela época, 64, um componente diferente, um fator 'X' que fez com que a reação naquela época fosse diferente da reação que encontramos nos dias de hoje, e que esse fator 'X' tem um nome: gal. Mourão. Aliás, desprezado esse nome até por aqueles que tiveram atuação e nomes em destaque durante o movimento de 64; ao que pergunto, porque ele foi desprezado? E surge mais uma pergunta, porque toda aquela indecisão e conflitos para apoiarem o ato do gal. Mourão? Será em virtude da influência da Nova Ordem Mundial, da PDue então?

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  9. Olá
    O fator X, o componente que existiu em 64 era que a sociedade brasileira era bem informada e foi ela que não suportou mais as atrocidades cometida pelos comunistas e buscou nos militares a solução para o rumo que o país estava tomando.
    Não sei se o currículo era diferente ou não. Apenas falo de como é o atual e das falhas que ele possui, de acordo com o meu humilde ponto de vista.
    Não temos nenhuma escola que estude a sério e com imparcialidade a história e a filosofia, pois todas as instituições civis tem o único propósito de formar militantes. Existe influência sim da Nova Ordem Mundial, bem como do gramscismo que dita como através da conquista de escolas e de órgãos formadores de opinião que levarão à desmoralização social e à convulsão das instituições, precisamente o que ocorre no Brasil hoje.
    É evidente que na AMAN não existe este processo de formação de novos militantes O que ocorre é que lá a história do Brasil e Geral simplesmente não é ensinada,e a filosofia não dá ao formando as ferramentas para que ele possa identificar um discurso revolucionário e desconstrua a falsa verdade contida nele.
    Temos, por exemplo, o Centro de Estudos Marxistas na UNICAMP. em contrapartida, não existe um centro de estudos para o liberalismo de Adam Smith, ou o coservadorismo de Edmund Burke por exemplo. Se existissem, seriam institutos secundários ou programados para difamá-los. Caso levassem a sério, não obteriam o famigerado certificado do MEC.

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