quarta-feira, 11 de maio de 2011

Império Relativista

O relativismo não passa, efetivamente, de um processo de corrosão e corrupção de valores morais. Trata-se de uma modificação profunda no seio de conceitos milenares que nos trouxeram até aqui. Nas relações onde não há referencial externo, não há relatividade.

Paira sobre a nação brasileira, e ouso dizer no hemisfério ocidental como um todo, a ideia de que tudo é relativo. Segundo a maioria de nossos artistas, jornalistas, intelectuais e profissionais da (des) educação, o certo e o errado são meros pontos de vista. O que é certo para uns, não é certo para outros. Não existe maldade e nem bondade. Tudo é relativo. Assim, conceitos como família, moral, leis, direitos e deveres deixam de serem parâmetros e passam a ter uma flexibilidade tal que acaba por descaracterizá-los.
É baseado nessa ideia que muitas decisões estão sendo tomadas pelo viés relativista, desconsiderando completamente a opinião da maioria da população, como foi o caso da aprovação pelo STF de alguns direitos civis e o reconhecimento da legitimidade da união homossexual. 
O problema, entretanto, não é o reconhecimento de tal espécie de união, mas a equiparação desta com a entidade familiar. Garantir a homossexuais direitos como  pensão e herança não é errado. O errado é garantir a eles (e este é o próximo passo) conquistas que não podem almejar, justamente porque são pontos nos quais eles se desigualam do restante da população, como o casamento e a adoção. E o princípio da isonomia é justamente o de tratar desigualmente os desiguais conforme estes se desigualam. 
A continuar este viés, rapidamente teremos a equiparação de qualquer tipo de união com a entidade familiar. Em breve, a pedofilia, a zoofilia e a poligamia não serão mais "discriminadas”. Serão tratados com o mesmo status da família. Afinal, se o STF resolveu reinventar o conceito familiar, qualquer tipo de união poderá ser considerado como sendo um núcleo familiar. Lembra um episódio de "Os Simpsons," onde Homer, depois de ordenado pastor pela internet, abre uma igreja e realiza casamentos de "qualquer coisa com qualquer coisa".
Segundo a Constituição Federal de 1988, a família, o núcleo familiar, é constituído de um homem e uma mulher. Mas parece que todos os leitores da carta magna estão errados. Somente os ministros do STF conseguem enxergar algo diferente disto. E o fazem pela aplicação de conceitos relativistas, de que não existe o certo e o errado e, como manda  o politicamente correto, que "o mundo mudou e precisamos mudar com ele." Nada mais errado e ingênuo.
Ao declarar que todos os conceitos são relativos, os defensores de tal ideia não estão errados. Realmente, tudo é sim relativo. Mas o que eles negam, por ignorância, canalhice ou má fé, é que só podemos afirmar que existe alguma relatividade quando comparamos dois referenciais distintos. Para eles, não existe qualquer referencial, que não suas cabecinhas ocas. O problema de suas argumentações é que existe sim um referencial, e este é a civilização ocidental, cujas bases estão firmadas nos valores judaico-cristãos, e na família. Por exemplo: por mais que estejamos em movimento (em relação a um observador no espaço sideral, na lua ou no sol), é preciso levantar e andar para sair do quarto e ir ao banheiro, pois estamos parados em relação ao nosso referencial que é, unicamente, o planeta Terra. E o nosso "planeta Terra" nada mais é que nossa sociedade.
Sendo assim, todos os fatos que ocorrem dentro desta estrutura social estão submetidos a ela, pois todos os agentes estão inseridos dentro de um mesmo referencial. Se o homossexualismo, é tido como natural pelos nepaleses, não é por isto que o será para os brasileiros. Se o casamento entre meninas e homens adultos é comum nos povos indígenas, não pode, necessariamente, sê-lo dentro de nossa sociedade. Se um bebê nasce com algum defeito, os indígenas (e os espartanos) os matam. Deveríamos fazer o mesmo com os nossos? Afinal, não e tudo relativo?
O relativismo não passa, efetivamente, de um processo de corrosão e corrupção de valores morais. Trata-se de uma modificação profunda no seio de conceitos milenares que nos trouxeram até aqui. Nas relações onde não há referencial externo, não há relatividade. Fosse assim, não teríamos várias culturas, países, e civilizações distintas. Seríamos um único e grande bloco, o que seria uma grande utopia. Afinal os seres humanos são diferentes entre si por uma série de fatores, sejam eles históricos, culturais, geográficos ou religiosos.  .
Com a modificação de conceitos e valores, estamos efetivamente rolando o tambor de uma roleta russa e, em algum momento, o revólver irá disparar e desapareceremos como sociedade. Em nome do relativismo estaremos, de fato, fazendo o parto de um novo conceito de sociedade, da famigerada nova era. A verdade, então, deixará de ser relativa e passará a ser monopólio desses sociólogos, artistas, acadêmicos, educadores, políticos enfim, "intelectuais" em geral que, por alguma razão divina ou profana, são os únicos portadores da "vontade e desejo da maioria" mesmo quando esta mesma maioria não compartilha de suas ideias.
Estamos vivendo, pois, num verdadeiro império relativista.

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