domingo, 26 de junho de 2011

25 Anos de Inércia

Houveram erros sim mas, querendo ou não, o país que temos hoje devemos aos governos militares.
 
Uma vez, em uma faculdade de História, me perguntaram qual era a principal diferença que, segundo a minha opinião, existia entre o período dos governos militares e os atuais. Minha resposta foi pronta: planejamento estratégico. 
Durante aquele período, o país tinha um plano que foi aplicado com um alcance não de 5, 10 anos, mas para 20 ou 30 anos. Prova disto é que a infra-estrutura do Brasil foi erguida durante aqueles anos. Rodovias rasgaram o país, usinas de eletricidade foram construídas e foi realizado o projeto econômico de maior sucesso ambiental que o mundo tem notícia: a Zona Franca de Manaus.
Os metrôs de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, além da criação de 4 portos e reformas de outros 20, expansão da malha asfaltada de rodovias (15 vezes), criação de institutos de pesquisas científicas e o aumento de 1000% da produção da Petrobrás e ainda a criação de um sistema amplo de telecomunicações foram fundamentais para o nosso desenvolvimento. 
Obras como a ponte Rio-Niterói, as usinas de Itaipu e Tucuruí, a Dutra e mesmo a Transamazônica (cujo projeto, se fosse continuado, traria integração àquela parte esquecida do território brasileiro),  foram chamadas de "faraônicas", e hoje poucas pessoas se imaginam vivendo sem elas.
Pois foi sobre os ombros dessa estrutura que passamos os últimos 25 anos. Foi assentado nestes sólidos alicerces que podemos, hoje, caminhar para a industrialização. O problema é que, nas duas últimas décadas, absolutamente nada foi investido na infra-estrutura do país. E o resultado é este que estamos vendo: apagão aéreo, elétrico, rodoviário, educacional e caos na segurança pública. Os presidentes que sucederam aos militares apenas aumentaram o número de ministérios, cargos públicos e a distribuição de esmolas à população. Nossa base estrutural está saturada e continuamos, ainda, sem um planejamento de longo prazo. O que fazemos é "apagar incêndios" como está sendo o caso das obras para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas, que agora caminham em sigilo (e certamente vai enriquecer muita gente).
Claro que erros foram cometidos, como a censura e o excesso de estatização da economia e a centralização do poder econômico na União por exemplo. Mas àquela época podia-se sair nas ruas das grandes cidades sem a temeridade dos dias de hoje. Infelizmente, os presidentes militares também destruíram as forças conservadoras do país, representadas por Carlos Lacerda, e se perpetuaram por demais no poder. Mas nenhum deles saiu milionário ou rico, muito diferente do que acontece nos dias atuais. Houveram erros sim mas, querendo ou não, o país que temos hoje devemos aos governos militares.
Os maiores críticos falam do endividamento que tal projeto custou ao país. Mas esquecem da relação custo-benefício. Esquecem que o importante não é o tamanho da dívida, mas a capacidade que um país tem de pagá-la. Se a estratégia continuasse sendo aplicada, provavelmente não seríamos hoje um país produtor e exportador de matéria-prima. Poderíamos estar produzindo bens de alto valor agregado e o mais importante, não precisaríamos correr tanto para tentar fazer dois eventos esportivos que, na minha opinião, serão medíocres do ponto de vista da infra-estrutura e segurança. 
Aliás, se seguíssemos o plano de desenvolvimento que estava sendo aplicado, não precisaríamos de uma Copa ou de Jogos Olímpicos como motivo para melhorarmos as condições de nossas cidades. Muito provavelmente precisaríamos apenas de alguns ajustes para adequar-nos às exigências da FIFA e não de uma completa remodelação de nossas cidades-sedes (e isto faltando menos de 4 anos!).
O problema é que planejamento de longo prazo não dá retorno garantido nas urnas, e um povo com cultura superior tende a ser mais seletivo na hora de escolher seus representantes. Assim, seguimos carecendo de uma visão de futuro de longo alcance entre os nossos governantes. Existem pessoas capazes de fazer tal reformulação, de planejar um Brasil desenvolvido enxergando 30 ou 50 anos à frente. Mas estas pessoas, infelizmente, jamais serão eleitas pelo povo pois, além deste ser ignorante e mal instruído, o remédio para a cura de nossa enferma infra-estrutra é amargo e difícil de ser aceito pelos atuais donos do poder que vivem de currais eleitorais e de bolsas papa-votos. 
Passamos 25 anos parados no tempo. E o resultado está aí. Quando será que voltaremos a enxergar além das viseiras opacas da ignorância ideológica?




2 comentários:

  1. Grande Cap Morato!
    Fico feliz em saber que um jovem oficial da Academia e da ativa tem a coragem de se expor e divulgar seus pensamentos, que sei que ainda é da maioria, provando que muita coisa que divulgam por aí não é verdade.
    É disso que a gente está precisando, dobrar o sistema...que é phoda! E entrar de cabeça na guerra da comunicação.

    "Até mesmo a menor das chamas pode quebrar a escuridão".

    Parabéns!!!

    Mario T. Silva

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  2. Quero te convidar a fazer parte da comunidade "Debates sobre o Regime Militar", do orkut, onde discutimos essas e outras questões.
    O link é http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=35675534&tid=5629977689204250998&na=2&scroll=-1

    Abração.

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