terça-feira, 13 de setembro de 2011

Censura Invertida


Enquanto leis flagrantemente totalitárias como esta estão sendo aprovadas à revelia de qualquer discussão (nenhum assinante de TV a cabo foi consultado) todos seguem dizendo aos quatro ventos que vivemos em uma democracia... 


Dentre as diversas peculiaridades do período em que o Brasil foi governado por Presidentes Militares, a censura é bastante lembrada e criticada. Tal atitude foi tomada pelo governo com o intuito de tornar inócua o sistema de propaganda soviético (comunista em geral) e a infiltração da ideologia socialista no país. O resultado, parece, não foi muito produtivo. Afinal, hoje vivemos em um país onde o aparelhamento partidário do Estado pela esquerda é mais do que consolidado. A censura pode ser algo bom, ruim, ou mesmo necessário. 
No Brasil, ficou estabelecido que ela é sempre algo ruim, maléfico e odiável. As pessoas que compartilham deste pensamento não entendem absolutamente nada de guerra cultural, subversão moral, e revolução cultural. Mas o post não é sobre isto; é sobre a incoerência acerca do tratamento dado à censura. É o mesmo dado aos assassinatos, roubos, sequestros e estupros quando cometidos por integrantes de movimentos de esquerda, ou seja, deixam de ser crimes comuns e passam a ser crimes políticos. E o que a censura tem a ver com isso? Veremos.
De maneira completamente sorrateira e dissimulada, a Presidente da República aprovou o marco regulatório da TV por assinatura, previamente endossado pelo Congresso Nacional e que realiza uma verdadeira censura invertida: não há proibição na veiculação de qualquer programa, mas a obrigatoriedade de as emissoras de televisão transmitirem três horas e meia de programação nacional em horário nobre, sendo que metade deste tempo deve ser oriunda de produtores independentes. 
Por intermédio desta obrigatoriedade está uma evidente censura praticada, porém, de maneira inversa: não proibimos conteúdo, mas os impomos. Ganha um doce quem conseguir adivinhar quem será responsável por censurar fiscalizar esta determinação... Se disseste ANCINE, meus parabéns! E do que esta agência é composta? De pessoas comprometidas com a causa do partido, mero aparelhamento da produção cinematográfica (e agora de TV a cabo também).
Foi dado algum destaque na grande mídia? Não. A imprensa fez algum manifesto? Não. Afinal, esta modalidade de censura foi realizada pela esquerda e, tal como nos crimes citados anteriormente, deixa de ser um ato maléfico e passa a ser algo para "incentivar a produção cultural nacional". Entenderam a gravidade do problema ou querem que eu desenhe?
Brincadeiras a parte, a coisa é séria. Significa basicamente o fim da fuga que tínhamos do lixo nacional jogado todos os dias nas ondas eletromagnéticas dos canais abertos. E qual a justificativa? Estimular a produção nacional. Ora, se a produção nacional fosse realmente boa não era necessário a criação de uma lei que  nos a empurre goela abaixo. Isto meus amigos é a busca da hegemonia. É estar de posse de todos os setores da sociedade, de maneira que nada escape do patrulhamento ideológico. Nem pagando por uma programação diferenciada temos o direito a tê-la.
Não bastasse a lavagem cerebral, serão os assinantes que efetivamente pagarão pelas porcarias que serão produzidas. É a democratização e valorização da cultura e da produção nacional, na novalíngua petista. Traduzindo: Os assinantes irão pagar por programas que não querem, feito por produtores independentes (TVs comunitárias com a programação alinhada com o partido, claro) que não teriam as mínimas condições de serem produzidos não fosse pelo financiamento compulsório dos otários assinantes.Quem ganha com isso? Ora, os profetas do "mudo perfeito onde todos são iguais" e os produtores de porcarias midiáticas, certamente pró socialista, que não poderiam sobreviver de outro modo que não do assalto ao bolso de um consumidor que está sendo obrigado a pagar por algo que ele não quer. Ou alguém está disposto a pagar por um produto que é ruim?
Enquanto leis flagrantemente totalitárias como esta estão sendo aprovadas à revelia de qualquer discussão (nenhum assinante de TV a cabo foi consultado) todos seguem dizendo aos quatro ventos que vivemos em uma democracia e que o Brasil está se desenvolvendo (como se distribuir dinheiro dos verdadeiros trabalhadores a pessoas que não trabalham fosse desenvolvimento). É muita ignorância, é muita vontade de querer se enganar. Os acadêmicos e especialistas de plantão parecem querer resumir tudo à economia para justificar nosso "pujante capitalismo". Cada vez mais vamos perdendo nossa liberdade individual, por intermédio de leis totalitárias como esta, sob a justificativa de que estas leis garante-nos cada vez mais a liberdade que elas tiram. 
E assim, vamos seguindo numa espiral sem fim caminhando a passos cada vez mais acelerados para dentro de uma cela na qual não conseguimos enxergar as grades.







2 comentários:

  1. Ainda resta uma esperança com a possibilidade de assistir conteúdo on demand na internet e esquecer a televisão, pena que a gleba já vai estar contaminada!

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  2. É o primeiro dos seus artigos do qual concordarei plenamente com você, sem mais.

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