sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Fracasso da Marcha

A sociedade brasileira encontra-se em estágio terminal do processo de corrupção. E este conceito não pode ser simplificado com o simples ato de roubar ou desviar dinheiro público ou aceitar subornos. Estes são apenas sintomas, não a causa da doença. Encontrar a raiz deste fenômeno e arrancá-la é fundamental para que se possa efetivamente realizar um combate contra ela. O grave é que a rede radicular da corrupção está cada vez mais impregnada no tecido social, tornando comportamentos corrompidos aceitáveis ou que causem pouca reação.



Redes sociais foram utilizadas, em peso, em massa. Convocações foram feitas e muitos pareciam realmente indignados e dispostos a perder um dia de trabalho ou estudo para protestar contra a corrupção. E o que se viu? Manifestações vazias, com poucos integrantes e sem a presença de nenhum sindicato, conselho de classe ou da UNE. Sim, a marcha contra a corrupção foi um fracasso. E se a mesma fórmula for mantida, futuras manifestações semelhantes irão continuar irrelevantes.
Vários são os motivos que tornaram este evento inócuo. A falta de organização e expressão política do pensamento conservador brasileiro é uma. A falta de compreensão do que efetivamente seja a corrupção, é outra. O movimento que se desenhara como um possível suspiro de esperança mostrou-se um espasmo de derrota. Combater a corrupção desta maneira é como retirar ervas daninhas sem arrancar-lhes as raízes. O problema é que pouquíssimas pessoas conseguem entender qual é a verdadeira fonte que leva à desmoralização completa de uma determinada sociedade e que acaba sendo refletida na classe política.
A sociedade brasileira encontra-se em estágio terminal do processo de corrupção. E este conceito não pode ser simplificado com o simples ato de roubar ou desviar dinheiro público ou aceitar subornos. Estes são apenas sintomas, não a causa da doença. Encontrar a raiz deste fenômeno e arrancá-la é fundamental para que se possa efetivamente realizar um combate contra ela. O grave é que a rede radicular da corrupção está cada vez mais impregnada no tecido social, tornando comportamentos corrompidos aceitáveis ou que causem pouca reação.
Corromper significa alterar, decompor ou modificar algo. E é precisamente isto que vem ocorrendo em nossa sociedade. Décadas de infiltração cultural modificaram progressivamente parâmetros morais e éticos, fazendo com que valores tradicionais como probidade, honra, verdade e responsabilidade, dentre outros, fossem progressivamente sendo destruídos por intermédio de uma estratégia muito bem planejada pela esquerda: a revolução cultural.
Através deste movimento, inspirado em pensadores como Gramsci e na estratégia de subversão soviética, os agentes corruptores foram lentamente decompondo valores básicos de nossa sociedade, através de infiltração nas redações dos jornais, na mídia e nas universidades.Exemplos não são difíceis de serem encontrados. Basta olharmos a nossa volta para verificarmos a progressiva perda da autoridade dos pais sobre seus filhos, sendo esta substituída por agentes do Estado, o que permite a doutrinação e modificação de pensamentos à luz da nova cultura imposto, ao invés de se manter a longa tradição moral e ética que molda a sociedade ocidental a mais de dois milênios.
O mesmo ocorre em outros setores do organismo social brasileiro (e porque não mundial?). Professores são submetidos à todo tipo de desrespeito por parte de alunos indisciplinados e que possuem as costas protegidas por um intrincado sistema legal, cujo ápice é o ECA, que nada mais faz do que incentivar comportamentos delituosos e retirar a autoridade de pais e professores. Mas não é só a relação entre aluno-professor ou pais e filhos que foi modificada. O simples fato da educação sexual ter se transformado em imposição escolar quando deveria ser função dos pais demonstra o foco do sistema educacional: ensinem as crianças a utilizar camisinhas; matemática, ciências, línguas e humanidades não é necessário. O resultado são adolescentes que sabem tudo sobre sexo e nada sobre as operações mais básicas com números ou a conjugação de um verbo irregular.
No meio artístico, a situação não é diferente. Novelas com apologia ao relacionamento sexual desenfreado mesmo que este faça parte de um ato de traição de uma esposa a seu marido ou vice-versa, exemplificam a que estado de coisas chegamos. O empresário, o fazendeiro e a classe mais abastada é sempre mostrada como sendo algo nefasto a ser eliminado, composta de pessoas sem escrúpulos e que só pensam em humilhar o seu semelhante, como se ser uma pessoa de sucesso fosse algo pecaminoso, como se o esforço de cada indivíduo na busca pela riqueza de nada valha. Os heróis são sempre pobres e idealistas mocinhos, geralmente com características de líder sindical, que surgem para por um fim à dominação "porco-capitalista".
O caso mais grave, entretanto, é a destruição de algo que se constitui no pilar basilar de qualquer civilização: a religião. É ela que através dos tempos manteve povos inteiros em desenvolvimento por todas as partes do mundo. Todas as civilizações que perderam a sua religião caíram invariavelmente em declínio, desde os egípcios e os mesopotâmeos até os Maias e os Incas. É por este motivo que o grande objetivo da subversão de uma sociedade é a aniquilação de sua religião, substituindo-a por cultos desconexos e de valor questionável. É também por este motivo que a manutenção da religião é fator determinante para se evitar que uma sociedade seja corrompida. Afinal, é ela que fornece às populações um código de valores e ética que servirão de inspiração para a elaboração de leis, visto que estas descendem daqueles.
Quebrada a autoridade paterna e o culto religioso, fica extremamente fácil dominar completamente uma sociedade utilizando-se, inclusive, a própria religião, escola e família como fonte de irradiação de valores corrompidos que serão responsáveis, futuramente, pelos tão alardeados atos de corrupção. Antigos valores morais são progressivamente substituídos pelo relativismo moral, dando margem a interpretações errôneas e à modificação de costumes. O resultado é o surgimento de grupos minoritários que brigam por seus direitos, mesmo que estes direitos impliquem na destruição do direito de outrem, como o movimento gayzista, feminista (pró-aborto), sem-terras, etc. Aos agentes da corrupção não interessa atender a estes movimentos, mas apenas criar o atrito entre um setor minoritário da sociedade e ela própria. Poucos anos atrás, pessoas praticavam o homossexualismo, e ninguém dava a menor importância para isto. De uma hora para outra, eles querem ter direitos iguais aos casais heterossexuais, mesmo sendo, evidentemente, diferentes. O objetivo é, neste e tantos outros exemplos que não ficam restritos ao movimento gayzista, apenas a geração da crise. Assim, pode-se deteriorar a família e a Igreja, corrompendo-se, assim, a população.
No estágio atual brasileiro, toda a sociedade está completamente corrompida, desde a própria instituição família à alta cultura. Tudo está modificado e trabalhado para seguir a agenda da esquerda, de maneira que possa ser facilitado a adoção progressiva de um regime cada vez mais totalitário e socialista sem que as pessoas percebam o que está acontecendo.  A população já está tão desmoralizada, tão corrompida que atos de roubos, desvios ou peculatos causados pelo servidor público não causam indignação suficiente para levar multidões às ruas. Ademais, o monopólio das manifestações pertence aos sindicatos, UNE, e a Igreja, e todas estas entidades seguem a agenda da esquerda, motivo pelo qual não podem se unir contra aquilo que os inspira.
O parlamentar ou o chefe de executivo que frauda um painel de votação, uma licitação, que se utiliza de sua influência para auferir vantagens não chega a causar grandes paixões. Acontece uma comoção rápida, porém efêmera, pois cada brasileiro pensa que poderia estar no lugar deste indivíduo, praticando os mesmos atos. As noções que tinha de respeito ao indivíduo, à propriedade privada e ao bem público lhe foi retirada ainda nos bancos escolares, e tudo o que quer é "se dar bem". Triste é observar que crimes que envolvem dinheiro tenham repercussão muito maior do que os crimes contra a vida, fruto do trafico de drogas principalmente, cuja ligações com as FARCs estão mais que comprovadas (bem como destas com o partido governante, basta verificarmos as atas do Foro de São Paulo). São mais de 40 mil mortes por ano no país, mas ninguém parece se importar, desde que as exportações batam recordes, o salário mínimo aumente e o empresariado possa obter lucros. Isto sim é uma sociedade corrompida.
Combater a corrupção da maneira que está sendo realizada é simplesmente ineficiente. As sucessivas denúncias e comprovações de corrupção em todas as esferas da sociedade brasileira nada mais são do que o reflexo desta própria sociedade que há muito tempo deixou de cultuar valores que impediriam que atitudes como esta ocorressem. Complicado é, porém, identificar que esta infiltração esteja realmente acontecendo, em virtude do alcance temporal das modificações. O corruptor não planeja suas ações para o prazo de uma ou duas décadas mas para, no mínimo, uma geração inteira, motivo pelo qual não conseguimos nos dar conta da mudança, visto que esta se processará ao longo de nossa própria existência e muitas vezes não estaremos vivos para vermos o processo ser consolidado.
Não obstante, as pessoas que viveram a 60 ou 70 anos não conseguiram se dar conta de que a corrupção da sociedade brasileira já começara, dado a lentidão do processo e sua infiltração praticamente simultânea em todos os setores, da Igreja às redações dos jornais. Prova disto é o tom consonante das notícias que são disseminadas na esmagaora maioria dos veículos de informação e no progressivo apoio que padres e bispos católicos têm dado à agenda comunista, motivo inclusive pra sua excomunhão compulsória. Assim, perdemos completamente a memória do que era o povo brasileiro e de seus verdadeiros valores morais. A última fonte que ainda podemos consultar são as Forças Armadas, em virtude do fracasso, até agora, em corrompê-las moralmente.
Combater a corrupção é preciso sim, e é urgente. Mas para isto, é preciso que as forças conservadoras tenham representatividade política. Para terem representatividade política, é preciso que, no mínimo, estejam presentes de forma igualitária no meio artístico e da alta cultura brasileira. Como o pensamento conservador não só foi aniquilado da cultura nacional como demonizado pela esquerda dominante, é preciso que se processe a reconquista do espaço perdido, para se poder ter influência política e aí sim tentar combater a corrupção da maneira que as pessoas  a entendem, ou seja, como mero desvio de conduta moral de políticos.
Para que se chegue a este pronto é necessário que, imediatamente, uma nova geração seja redirecionada para a verdadeira sociedade brasileira, não esta coisa corrompida que conhecemos. Se isto começasse hoje, levaríamos uma geração inteira para termos os primeiros intelectuais e formadores de opinião conservadores, para a partir deste ponto tentar-se quebrar a hegemonia esquerdista e reestabelecer um equilíbrio de forças.
Como este movimento sequer começou, provavelmente não estarei mais neste mundo quando o Brasil voltar a ser o que era no Império, uma sociedade profundamente arraigada a seus valores morais e um Estado infinitamente mais republicano que a república. Isto se realmente conseguirmos nos livrar da verdadeira corrupção que nos atinge.





Um comentário:

  1. "o Brasil voltar a ser o que era no Império, uma sociedade profundamente arraigada a seus valores morais e um Estado infinitamente mais republicano que a república"
    Sacada brilhante!! Vivemos hoje uma república?? Onde está a oposição vigilante? e A representatividade popular? Morreu com a morte do pensamento liberal do Império.

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