segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Real Natal

Uma multidão de compradores tomou conta das ruas nestas últimas semanas. Nas grandes cidades, lojas lotadas, centros comerciais fervilhantes, promoções para aumentar ainda mais as vendas. Pelas ruas, faixas e luzes completam o clima natalino. Lista na mão, presentes comprados... Tudo pronto. Na televisão, assistimos  às comemorações dos famosos, seja pela troca de presentes ou em ceias cuidadosamente preparadas por renomados chefs de cuisine. Ao final, uma mensagem de dias melhores e de "boas festas" encerra as  comemorações do natal e o povo brasileiro, enebriado pelas ondas de TV, enche-se do espirito natalino.
Mas algo não está certo. Presentes, ceias, brindes com espumantes e decorações são partes importantes da festa; mas não sua essência. Na verdade, são apenas coadjuvantes. Se trocamos presentes, desejamos paz, comemos uma ceia e decoramos nossa árvore não fazemos por uma data qualquer, por uma razão qualquer. Fazemos para comemorar o nascimento de um menino que mudou o curso da história. Um menino que cresceu e tornou-se o Homem cujos ensinamentos são os alicerces onde se apóia toda a nossa civilização. O Messias, o Filho de Deus: Jesus.
A Ele é que neste 25 de dezembro rendemos nossas homenagens, e a ninguém mais. A Ele devemos a existência desta comemoração. A Ele devemos as palavras de amor, fé e esperança que atravessam mais de dois mil anos e ainda se mantém vivas e atuais. Não importa o quanto queiram desvirtuar o real significado deste dia. Não importa o quanto desejem alijar o aniversariante da sua própria celebração. O Natal é, e sempre foi, a comemoração cristã pelo nascimento de seu Salvador.
Percebemos, porém, que existe uma tentativa clara de tornar a data apenas um motivo para compras e reuniões familiares. Na maior emissora do país, por exemplo, as palavras e despedida e de "feliz natal" no programa "Fantástico", de ontem, sequer citaram o nome de Jesus. Não fizeram uma mínima menção a Seu nome, ficando as comemorações do Natal restritas a uma ceia com famosos. Cada vez mais estamos tirando Deus de nossas vidas.
Em um comentário certeiro, Mike Huckabee, jornalista da FoxNews, nos mostra como estamos tirando Deus de nossas vidas, e as consequências desta atitude. Huckabee fala da situação nos EUA. Entretanto, o que se passa nas terras do Tio Sam, ocorre também nas terras Tupiniquins. Aqui, como lá, uma horda de entendidos vem sistematicamente retirando Deus de nossas vidas. Nas repartições públicas e nas escolas, mencionar Seu nome ou qualquer símbolo que O represente, tornaram-se atitudes condenáveis e transformaram Seus seguidores em criaturas caricatas que precisam ser anulados e ridicularizados. Parecem não notar que à medida que nos afastamos de Deus, a violência aumenta e as relações humanas se deterioram.
Ao nos afastarmos da religião, estamos nos aproximando de nossa própria destruição como civilização. A história já nos provou que, as civilizações entram em colapso quando perdem sua religião. Egípcios, Maias, Incas e os Babilônicos são apenas alguns exemplos de povos que simplesmente sumiram no momento em que deixaram de lado sua religião. Mesmo com as invasões estrangeiras, a essência da civilização pode ser mantida, razão pela qual os Egípcios se mantiveram como civilização mesmo após as invasões hititas, romanas e gregas, pois mantiveram-se fiéis à sua religião (diferente do que ocorreu com os povos pré-colombianos, que deixaram sua religião de lado). Quando a abandonaram, deixaram de ser o povo que eram, tornando-se o Egito moderno que conhecemos hoje. 
O Natal é, pois, o momento que nos reunimos em família, trocamos presentes, comermos a ceia... Sim. Mas principalmente, é o dia no qual recordamos o nascimento de Jesus, Seus ensinamentos, Seu significado. O Natal é a hora que olhamos aos mais necessitados, e buscamos que eles tenham também o seu Natal, não regado a esmolas estatais, mas fruto do suor do seu trabalho. É a hora em que reafirmamos e lembramos de antigas leis que, por si só, seriam suficientes para que possamos viver em harmonia: os dez mandamentos. É quando buscamos nas palavras do Cristo, as respostas para nossas angústias e nossas dificuldades. É, sobretudo, um momento de fé.
Cabe a cada um de nós resistir ao bombardeio de mensagens e atitudes que querem transformar uma data magna do cristianismo em um mero festival comercial e de significado tolo. Não podemos ser enganados pelos formadores de opiniões que querem nos fazer acreditar que nossa fé, que nossa religião e nossas crenças estão ultrapassadas ou que já não se presta a fazer parte de um mundo cada vez mais moderno e científico. 
Nós temos o poder e a obrigação de trazer nossa sociedade de volta à religião e isto não é difícil de ser feito: basta lembrarmos das antigas comemorações natalinas de nossos pais e principalmente de nossos avós para que tenhamos o significado real do Natal: o nascimento do Cristo.
Um Feliz Natal a todos. Que as bênçãos do Pai sejam derramadas em cada um de nós como combustível para manter acesa a chama infinda de nossa Fé, nos trazendo a força e a coragem para defendê-la.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Armas Proibidas, Vidas Perdidas

Os EUA choram as vítimas inocentes do massacre ocorrido em uma escola de Newtown, Connecticut, que vitimou 28 pessoas, sendo 20 delas crianças inocentes. Imediatamente, o presidente Barack Hussein Obama estuda medidas governamentais para conter ações deste tipo em território americano. E adivinhem qual á a proposta? Política de desarmamento!
Virou lugar-comum. Mal secam as lágrimas daqueles que perderam seus entes queridos em tragédias deste tipo (Realengo, Oslo, EUA), e a esquerda toda se volta à obsessão infinda de desarmar a população. Os argumentos, sempre tentadores e retóricos, dão conta de que uma legislação forte e restritiva em relação à compra e ao porte de armas seria a solução para evitar a ocorrência deste tipo de crime. A mídia, especialmente a tupiniquim, limita-se a justificar, aprovar e ratificar tais políticas, sem realmente analisar e estudar a situação. Nossos especialistas e jornalistas são, pois, meros papagaios a repetir prontamente o discurso ideologicamente engajado e de resultado inócuo que tornou-se o politicamente correto.
Desarmar a população não é a solução para evitar tais acontecimentos ou, como gostam os esquerdistas, "evitar que mais pessoas inocentes percam sua vida". Fosse assim, o Brasil teria os menores índices de mortes por armas de fogo do mundo, visto que a nossa população é virtualmente desarmada, se não legalmente, praticamente. Afinal, comprar uma simples pistola calibre .22 no Brasil requer além de um trâmite burocrático infindo, recursos financeiros igualmente exorbitantes, fazendo com que aqueles que possuam armas sejam uma parcela ínfima da população. O resultado deste desarmamento não é acompanhado da esperada redução no índice de homicídios e da criminalidade em geral, muito antes pelo contrário. A mídia e os doutos entendidos se calam acerca deste fato.
Igualmente, os jornais, cientistas e estudiosos também se calam a respeito do fato de que países onde virtualmente todos possuem armas têm índices de violência notadamente pequenos, como Israel ou Suíça. O contra-argumento seria de que, com 300 milhões de armas nas mãos da população, os EUA enfrentam frequentemente massacres do tipo que ocorreu na escola de Connecticut. Numa análise primária, a afirmação reveste-se de forte credibilidade. Porém, o que o noticiário esconde são algumas semelhanças que ocorrem entre os diversos ataques, notadamente na questão dos locais em que este tipo de ação acontecem: são áreas livres de armas. Ora, um psicopata pode ser um maluco, mas não é burro. Se é para atacar um local cheio de pessoas, que seja onde ele tenha o privilégio de ser o único a portar uma arma!
Como aconteceu em Realengo, como aconteceu numa seção de cinema, também nos EUA, e como neste caso recente, bastava que um cidadão comum estivesse portanto uma arma para que o agressor fosse contido. Certamente o número de vítimas seria muito menor, senão zero. Assim, uma legislação que deveria proteger os cidadãos das armas torna-os vulneráveis a elas, justamente por restringirem seu porte.
Felizmente, nas terras do Tio Sam, ainda não impera a padronização de opiniões fazendo com que jornalistas e analistas realmente sérios em seus trabalhos possam jogar uma luz mais coerente à questão, como o artigo de Ann Coulter "We know how to stop school shootings"
O desarmamento da população é, definitivamente, a pior das soluções. Dificultar a venda de armas, idem. Um cidadão armado poderia ter evitado esta e tantas outras tragédias. O Estado, porém, retirou-lhe este direito ao vetar o porte de armas de fogo em escolas, mesmo para funcionários e professores, deixando-os completamente indefesos diante da ameaça, como cordeiros diante de um lobo faminto.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Presos e Sorridentes

Quanto mais avançamos no tempo, deixamos de caminhar com nossas próprias pernas. Nosso direito de livre escolher, de livre opinar e de livre errar não nos é mais permitido. Somos vítimas tolerantes de amarras totalitárias que cada vez mais nos prendem. O pior, entretanto, é que não reagimos contra as algemas que nos são impostas. Pelo contrário: aceitamos bovinamente ou aplaudimos hipnoticamente.
As cordas que cada vez mais nos prendem não surgiram nos dias atuais. A origem está na promessa de liberdade dada àqueles que acreditaram nas promessas utópicas vinda dos vitoriosos bolcheviques que espalharam sua ideologia e sua revolução pelo mundo. Em um paradoxo muito apropriado, a  garantia de que seríamos livres foi se mostrando cada vez mais a certeza do aprisionamento, a ponto de tirar-nos qualquer lembrança do significado real de sermos livres. Assim, mais e mais o Estado foi se infiltrando em nossas vidas privadas lentamente, controlando o que assistimos na televisão, como devemos educar nossos filhos e como devemos pensar. Tudo isso feito sob o manto de uma democratização falsa onde pequenos grupos ditam as regras em detrimento do pensamento da maioria.
Um dos exemplos mais fortes acerca de como nosso livre arbítrio nos foi roubado passa pelo processo sindical. Em um primeiro momento, essas organizações tiveram papel relevante ao questionar as péssimas condições pelas quais passavam os operários na aurora da revolução industrial. Entretanto, com o passar do tempo, os líderes dos sindicatos passaram a dominar as relações trabalhador-empregado a tal ponto que hoje o trabalhador não tem a liberdade de negociar a única coisa que lhe pertence: o valor de sua mão de obra. Ademais, as amarras trabalhistas perpetuadas na CLT, retiram por completo a opção de um operário de, por exemplo, não descontar FGTS ou a Previdência Estatal em troca de um aumento no seu provento. De fato, o Estado já lhe retirou uma grande fatia do dinheiro que pertence ao trabalhador sob o argumento de lhe garantir uma segurança futura. Vejam, sequer existe a possibilidade do empregado abrir mão destas contribuições em troca de melhoria salarial. Ele simplesmente é proibido não só de negociar seu trabalho, mas de administrar um recurso que, em última análise, é seu.
Um outro exemplo é a criação do termo homofobia, tornando qualquer pessoa que seja contrária à prática homossexual, um inimigo do Estado. Desta feita, o cidadão não pode expressar sua repulsa a este estilo de vida, ensinar que tal prática é errada a seus filhos e, como se não bastasse, ter que aturar uma legião de educadores (doutrinadores) impondo condutas morais estatais, muitas vezes contrárias a suas crenças individuais. O mesmo acontece com a educação sexual ensinada nos bancos escolares, retirando uma atribuição que cabe aos pais e transferindo para o doutrinador oficial. Como resultado, observamos a sexualização precoce das crianças concomitantemente à queda vertiginosa da qualidade do ensino, visto que a escola, erroneamente, substituiu o papel dos pais. Assim, novamente, temos nossa liberdade subtraída, ao sermos virtualmente proibidos de educarmos nossas crianças de acordo com nossos valores, valores esses que nos foram transmitidos por gerações.
Podemos citar, também, a bolsa distribuída a detentos, com o argumento bastante tocante de "garantir dignidade à família do meliante". Ora, este papel cabe aos chefes da família. Se este não teve a responsabilidade de bem conduzir os seus, não cabe a nós, pagadores de impostos e que conduzimos nossas famílias de maneira decente, fazê-lo. Este é a típica medida que premia a irresponsabilidade, dando a certeza de que "podemos fazer o que quiser, o Estado sempre estará aqui por nós". Tal pensamento é perigoso e externa a incapacidade crescente que temos de arcar com nossos atos e assumir a consequência de nossas escolhas, conceito próprio de responsabilidade.
A última do Estado foram as cotas para programas brasileiros na TV paga. Ora, qualquer cidadão que deseja adquirir um pacote de televisão por assinatura quer justamente fugir da porcaria nacional. A desculpa, como sempre, é a democratização de tal serviço. O que acontece de fato é que o assinante acaba pagando por uma programação que ele não escolheu, com conteúdo fraco e que acaba apenas ocupando espaço na grade de programação das emissoras "estrangeiras". Fosse a produção nacional o supra sumo da televisão, o Canal Brasil teria a maior audiência dentre todos. Não obstante, o alinhamento  ideológico dos programas produzidos somados a artistas apadrinhados pelo partido-Estado formam as justificativas que imbecis como  Maria do Rosário, impõem à população brasileira para legitimar as tais cotas. Engraçado é que os assinantes sequer foram ouvidos.
Mas não é somente o cidadão que é aprisionado. Com o financiamento governamental, por intermédio do BNDES, as empresas passam a investir com juros baixíssimos, visto que os recursos adquiridos junto a este e outras instituições bancárias governamentais possuem o suporte dos pagadores de impostos. Retiram, assim, o fator risco do investimento, fator este que é a própria essência do sistema capitalista. O resultado é que deixamos de ter empresas comprometidas em oferecer bons produtos a preços competitivos, pois sempre terão os bancos do governo para sanearem suas contas.
Muitos outros exemplos poderiam ser citados, como a proibição do fumo em local privado (não conheço bar ou restaurante que pertença ao governo... ainda), a proibição da venda de medicamentos em gôndolas de farmácias, as cotas de filmes nacionais para exibição em sala de cinema, enfim, leis e decretos que, sob o argumento de democratizar serviços e proteger os cidadãos acabam protegendo apadrinhados políticos e aprisionando-nos.
Como produto de tamanho mimo governamental, não conseguimos fazer nada que não tenha a garantia de proteção do governo. Passamos, pois, a sermos autômatos que possuem seus movimentos friamente controlados desde a cúpula estatal-partidária, limitados justamente pela rede de proteção estatal. Poucos se arriscam a se jogarem em áreas onde o Estado não estende suas mãos de aparência afável mas de essência totalitária; ou porque estas áreas virtualmente não existem, ou porque o Estado, e os formadores de opinião, acabam execrando os que o fazem.
Ficamos cada fez mais atados e amarrados à teia da estatização de nossas vidas privadas, presos em uma rede complexa e sinistra que nos retira a possibilidade de escolha nas coisas mais simples de nosso cotidiano. E como reagimos? Com um sorriso ignorante por pensarmos que o Estado está nos tratando com dignidade. Parece que estamos vendendo nossa liberdade por um preço cada vez mais baixo, e ninguém se importa com isso.

domingo, 9 de dezembro de 2012

O Ungido

Virou rotina: A cada semana, somos brindados com um escândalo envolvendo o partido do governo. Entretanto, por mais que sejam julgados e condenados, os envolvidos continuam obtendo o respeito de seus companheiros, que os têm como "os injustiçados". O caso do mensalão é o mais eloquente. As figuras condenadas já receberam o indulto partidário daquele que, um dia, autodenominou-se como sento o "guardião da moralidade política brasileira". Pudera! Os integrantes julgados são mais que meros quadros da agremiação: são ídolos, fontes de inspiração para as futuras gerações de políticos do partidão; eles são a essência do que é o partido e por isso precisam ser preservados a todo custo. 
Contudo, mesmo blindados, esses elementos não escaparam das cobranças de uns poucos jornalistas e da população em geral, tanto que o ministro Joaquim Barbosa foi alavancado à condição de novo herói nacional por punir os chamados mensaleiros. Esta cobrança, no entanto, só foi possível devido à extensão da podridão que foi revelada com o caso do mensalão (muito embora esta seja apenas a ponta do iceberg). Porém, de todos os envolvidos no esquema (e em muitos outros) apenas um prossegue imune a qualquer questionamento acerca de sua idoneidade: O Ungido.
O Ungido tornou-se um símbolo, uma divindade de uma religião tão forte quanto perigosa: o lulismo. Nela, o ídolo não pode ser nunca manchado, nunca questionado, jamais investigado. Sua sabedoria emana de palavras de fé e de esperança como "eu não sabia de nada" ou "fui apunhalado pelas costas". Com este discurso, ele segue alijado de toda a culpa e de toda a responsabilidade como ex mandatário do Brasil. As pessoas acreditam na sua palavra, na sua índole e na sua honra. Afinal, ele foi santificado pelas graças do partido.
Engana-se, porém, aqueles que acham que a canonização do ídolo deu-se após sua subida à rampa do Planalto. Já na campanha eleitoral de 2002, tivemos uma amostra da sua canonização. O jornalista Boris Casoy ousou arguí-lo sobre as suas relações com o Foro de São Paulo. Acabou demitido. O semblante de reprovação e ódio do então candidato serviu de imediato para constranger o jornalista, algo que não pode acontecer com um profissional dedicado à informação. Via-se, já naquele momento, o poder que o Ungido carregava, capaz de calar a voz de jornalistas e ser idolatrado pelo meio artístico e cultural.
Com sua ascensão à Presidência da República, seu caráter divino agigantou-se. Sua sapiência atravessou fronteiras, servindo como referência a governantes dos Estados Unidos e da Europa. Com seu discurso demagogo, conquistou o meio artístico e cultural, mesmo sem saber o que significam estas palavras. Por ser divinal, foi sumariamente inimputável de todo e qualquer escândalo que envolvesse o seu nome, e não foram poucos. O enriquecimento estranho de seu filho, as relações com as FARCs (via Foro de São Paulo), o próprio mensalão, enfim, todos os fatos que pudessem levantar qualquer suspeita sobre sua pessoa ou sobre o seu desempenho como governante foram sumariamente ignorados pela imprensa e esquecidos pela população. Como ele mesmo disse "já fui julgado pelo povo quando elegeu minha sucessora". Precisa mais?
Recentemente, temos o escândalo com uma ex secretária da Presidência da República, que envolve 25 milhões de Euros e o Ungido. E, novamente, ninguém parece querer questioná-lo.
O problema, porém, não é ele, mas seus seguidores. Seus adoradores é que fazem a maior parte do estrago, senão todo. Afinal, seus seguidores localizam-se nas grandes redações dos jornais, na produção cultural e nas cátedras das universidades. A magnitude de seu culto é tão grande que até os que se dizem de oposição o idolatram. São essas pessoas que perpetuam a santidade do Ungido e o tratam como intocável, detentor de todas as respostas e depositário das mais altas qualidades morais. Sendo assim, não existe no meio político ou em nossos meios de comunicação, um único indivíduo sequer que questione as atitudes do ídolo, mesmo quando este estava governando a nação.
Os escândalos se acumulam, as ligações da santidade com esquemas obscuros e corruptos se aprofundam, mas nada parece atingi-lo. A ignorância do povo e a conivência dos formadores de opinião cada vez mais fortalecem a imagem daquele que comandou o maior esquema de corrupção da história do Brasil. Nenhum questionamento, nenhuma análise, nada, absolutamente nada se fala acerca de seu possível envolvimento com esses sem número de escândalo. Realmente, deixaram o homem trabalhar... E ele fez o trabalho direitinho.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Democracia Brasileira (ou Como Fazer a Revolução)

Quando se diz que estamos em um regime democrático, pressupõe-se que a vontade da maioria deva prevalecer. Afinal, mesmo que democracia seja traduzida por "governo do povo" (embora seja o governo dos Demos, unidade política fundamental ateniense formada pelos cidadãos, sendo aqueles uma subdivisão da Ática) é preciso que a maioria "do povo" decida ou apóie as decisões emanadas pelo governo que foi eleito pelo voto. Democracia é, pois, a vontade da maioria da população representada nas ações de seus representantes que foram eleitos para tal.
O sistema democrático não pode (ou pelo menos não deveria) priorizar ações propostas por minorias, especialmente quando se sabem que essas ações localizam-se no espectro oposto ao das opiniões e expectativas da parcela majoritária da população. Caso ocorra uma situação onde uma pequena parcela dos cidadãos ganha privilégios quase divinos em relação à maioria, decreta-se o fim da democracia de fato e passamos a viver uma democracia de fachada. E é precisamente isto que está ocorrendo no Brasil.
Para que possamos ilustrar o fato, basta que nos voltemos a algumas leis e projetos de leis que, ou estão aprovadas ou serão aprovadas, a fórceps que seja. As cotas para as universidades, o casamento homossexual, a lei anti-homofobia, lei pró aborto, a adoção para gays, a proibição da palmada como forma de educar nossas crianças e mesmo a lei que proíbe o tabagismo em bares e restaurantes, enfim, a lista é grande. Vejam que nenhum desses assuntos foi levado a questionamento por parte da população. Pior! Pesquisas de opinião apontam que a maioria da população é contra essas leis (menos a do tabagismo porque aqui não sabe o significado da palavra liberdade).
O brasileiro não acha certo que gays adotem filhos, que pessoas matem crianças ainda no ventre materno e acreditam que os pais devem decidir como educar seus filhos. Entretanto, leis e mais leis vão sendo empurradas goela abaixo, sem que se questione se é realmente isso o que quer a maioria. Ademais, opinião pública acerca desses assuntos é muito diferente da opinião pública que é publicada em nossa imprensa. Chegamos, então, a outro problema da nossa "democracia".
O cerne da questão é: Quem tem o poder de tomar decisões, fazer uma lei ou de propor uma mudança de comportamento da população (a ponto de chamarem de homofóbico assassino qualquer pessoa que ache que ser gay é errado)? A resposta a este questionamento é simples: os detentores deste poder são ONGs, intelectuais, donos te empresas de jornal, rádio e televisão, jornalistas, atletas e artistas famosos, os chamados formadores de opinião. E o que eles têm em comum? Ora, nenhuma, absolutamente nenhuma dessas pessoas foi eleita para representar a opinião e os desejos da população. No entanto elas  nos representam.
Como resultado, cada vez mais uma parcela minoritária dos cidadãos vai angariando direitos que são inimagináveis para os meros mortais, como o direito de não serem criticados ou questionados. E quem lhes deu ( e está lhes dando) estes direitos e imunidades? Aquelas pessoas, eleitas por ninguém, mas que fazem um barulho enorme para terem suas demandas atendidas... E conseguem.
Por trás deste aparente conflito, encontra-se a estratégia de conquista de poder por parte do partido e, para fazê-lo, é necessária a desconstrução total do sistema e a reconstrução da nova e maravilhosa ordem revolucionária (os cadáveres da URSS, China, Cuba, Camboja, Laos, Vietnã e Coréia do Norte que o digam). O objetivo final, pois, não é garantir às minorias melhores condições de vida. O foco é a criação de tensões, desconforto e criar forças opostas que entrem em colapso, justificando que um governo cada vez mais centralizador e autoritário ascenda ao poder para poder colocar "ordem na casa". Claro que este governo já está previamente escolhido. Mas como chegamos nesta fase da revolução?
O processo já vem de longa data, ainda na década de 1970 com a infiltração e aparelhamento das universidades, da igreja e da imprensa de pessoas simpáticas à causa e disposta a educarem (doutrinarem) uma nova leva de profissionais que, trinta anos depois, atingiriam o poder. E foi o que aconteceu. A guerra cultural gerou como rebento um organismo auto-renovável e replicante que é capaz de se perpetuar nos setores citados e continuar a fazer a cabeça dos futuros líderes de ONG, jornalistas et caetera, que irão abraçar a causa das minorias, repetindo o ciclo. Para agravar a situação, na grande maioria dos casos essas pessoas realmente acham que estão fazendo o bem, mas não estão.
Muitas outras leis poderiam ser citadas, mas de forma inversa: prisão perpétua, fim dos privilégios para os advogados quanto ao acesso à clientes presos, redução da maioridade penal. Todas elas têm o apoio popular, mas não conseguem sequer serem colocadas à discussão. Por quê? Simples: não há "não eleitos"  com interesse na defesa dessas causas, tornando a demanda popular inútil. O quadro, portanto é o seguinte: pessoas que não foram eleitas fazem leis contrárias ao interesse da população e impedem aquelas que a maioria deseja. Interessante não.
Como se não bastasse, qualquer pessoa que se opõem às tentativas de deificação das minorias é acusada de ser preconceituosa, racista ou fascista (pior ainda, conservadora). Aqueles que lutam pela defesa da vontade da maioria são os mais duramente criticados e mesmo criminalizados. São rotulados de... Antidemocráticos. 
A situação é grave e muito preocupante. Infelizmente, poucas pessoas conseguem prestar atenção nos pequenos, porém fundamentais, detalhes do processo.

* Um exemplo primordial da democracia brasileira: agora a TV fechada tem cotas para programação nacional em seus canais, com o objetivo de ... democratizar o produto. Só faltou o governo (que não deveria se meter no setor de entretenimento de forma alguma) consultar aqueles que pagam pela programação, o assinante que não foi ouvido jamais acerca do assunto. 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Resposta Errada

A Educação Precisa de Respostas. Esta é a campanha que a RBS TV, afilhada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, encampou neste ano de 2012. Os motivos para tal mobilização são os sucessivos fracassos educacionais que o Brasil, e em especial o estado gaúcho, têm colecionado nos últimos anos. 
Muitos são os problemas que atingem o sistema educacional no Brasil e, embora a evasão escolar seja um dos principais, a incapacidade dos estudantes do ensino secundário (e mesmo universitário) em realizar operações matemáticas elementares ou de interpretar um texto simples são problemas muito mais importantes e que precisam ser debatidos e abordados. Resumindo: nossos alunos chegam às séries avançadas sem terem aprendido o esperado. Assim, o grupo RBS fez a pergunta: a educação precisa de resposta. Desde então, uma série de programas e reportagens tenta responder à indagação, mostrando ao público algumas iniciativas adotadas pelas escolas que, ora são boas, ora nem tanto.
Em uma dessas reportagens uma escola foi citada como exemplo por promover uma atividade interativa com os alunos. Esta atividade, constituía-se de uma espécie de "rádio" comandada pelos alunos onde diversas questões eram debatidas e abordadas. De acordo com os estudantes, questões como homossexualidade, iniciação sexual e afetividade faziam parte da "programação" ocupando virtualmente todo o tempo destinado à tal rádio escolar. Ao final da matéria, o repórter pergunta para a apresentadora do telejornal algo como "e aí, esta iniciativa ajuda ou não a melhorar a educação?". E a apresentadora responde que sim... Resposta errada.
Iniciativas como esta não contribuem em absolutamente nada para a melhoria da educação. São assuntos que devem ser abordados não pela escola e seus professores, mas pelos pais. A eles cabe decidir quando abordarão estas questões e de que maneira irão fazê-lo. Para a escola e seus educadores, cabe apenas exercer a sua função: passar o conhecimento; ensinar nossas crianças a ler e fazer contas. Este é o papel da escola e do professor. O restante é atribuição da família. Parece que nossos "gênios" da educação esqueceram-se dessas premissas.
O que ocorre é que a decadência do ensino no Brasil relaciona-se de forma direta com a inclusão nos currículos escolares de "matérias" que se preocupam com questões relativas à formação moral e religiosa dos estudantes, enquanto a matemática, o português e demais áreas do conhecimento são relegadas a um segundo plano. Como produto deste monstrinho, nossos estudantes são craques em falar sobre homossexualidade, direitos da criança e em colocar a camisinha. Em contrapartida, quando são submetidas a testes que medem o conhecimento que realmente interessa, não passam de medíocres. 
O caminho para que possamos reverter este quadro é muito simples: dê à escola o que é da escola e à família o que é da família. O sistema educacional deve se esmerar em transmitir o conhecimento. Deixe que os conceitos morais, os pais transmitem, de acordo com suas crenças. Esta é a resposta para a educação.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Os Inúteis Royalties

Descoberto petróleo e a discussão da divisão dos royalties vem à tona. Como mendigos, as províncias do império se debatem sobre o assunto, exigindo que a União resolva distribuir os recursos gerados com a exploração do ouro afrodescendente (vá que que me acusem de racismo), de maneira que todos os integrantes do Estado Brasileiro possam ser beneficiados com um aporte maior de recursos que resultaria em maiores investimentos em áreas como a saúde, a educação e a infra-estrutura. Assim, prefeitos se mobilizam para pressionar a imperatriz a fim de que se reveja a política em relação à exploração petrolífera e dê às demais cidades, os lucros gerados por sua exploração em solo tupiniquim. Sobre tal demanda, duas observações:
Primeiro. Caso os recursos dos royalties sejam divididos com todos os estados e municípios que compõem a federação, não teríamos melhorias em praticamente nenhum aspecto na grande maioria das municipalidades. A experiência mostra que a folha de pagamento da administração pública aumenta de forma proporcional aos recursos disponíveis. Cargos são criados ao bel prazer das necessidades políticas, nunca em favor das demandas administrativas. Assim, não  importa a quantidade de recursos disponíveis, o governo sempre buscará apadrinhar seus conchavos e inflar a máquina pública, além de aumentar os próprios salários. A falta de dinheiro para investimentos reside fundamentalmente na incapacidade consciente que os governantes têm em não conter o seu déficit. Não obstante, nas cidades que recebem os famigerados royalties, não se vê uma diferença tão significativa em relação aos demais municípios brasileiros no que tange aos problema enfrentados.
Segundo. A marcha ou manifestação dos prefeitos, aos se dirigir à questão dos royalties, dispende tempo, energia e recursos que poderiam ser utilizados em uma questão que realmente precisa ser revista que é a questão tributária. O  modelo de recolhimento de impostos do Brasil faz com que virtualmente toda a riqueza produzida pelos Estados e Municípios sejam tragadas para a União. A concentração de recursos financeiro na mão da Corte torna os demais entes da federação, reféns de seus investimentos. O resultado é que obras que poderiam ser feitas pela administração municipal passam a ser privativas da presidência da república. Tal situação amarra as mãos de prefeitos e governadores que em tudo dependem da União e acaba tornando o administradores municipais meros mendigos passando o chapéu por recursos federais que, em última análise, são deles próprios. Com tamanha quantidade de dinheiro disponível aquela passa a criar cargos e mais cargos para apadrinhados e aliados políticos transformando a imensa quantidade de riqueza produzida em salários para funcionários ineficientes e altamente corruptíveis, deixando mísera quantidade de recursos para investimento.
O tempo gasto pelos prefeitos ou mesmo por comentaristas de TV na discussão dos royalties do petróleo deveria ser revertido para se debater a diminuição do tamanho da máquina pública e a concentração dos tributos nas mãos da união. Caso contrário, recursos como o dos royalties continuarão sendo úteis apenas para pagar salários e para a criação de novos cargos inúteis para apadrinhados do governo. 
Se oficialmente somos uma República Federativa, na prática estamos mais para um Império.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Política e Futebol

Muitas pessoas aqui no Brasil tem uma verdadeira ojeriza pelo canal de notícias FoxNews, dos EUA. O motivo principal desse ranço é o fato de que este canal mantém uma vigilância constante do governo Obama, tornando-se uma virtual estrela solitária a fazer um contraponto diante das gigantes CNN, CBS, MSNBC, dentre outras. Por ser um governo alinhado com a esquerda, é de se esperar que os intelectualóides brasileiros tenham certo desprezo pelo canal da News Corp. O certo é que, mesmo com suas deficiências, os EUA ainda possuem dentro de sua imprensa, empresas capazes de serem a contrapartida à unanimidade midiática, fiscalizando e cobrando do seu governo os rumos que aquele país parece prosseguir, ou seja, cumprindo o seu dever jornalístico.
Cá no Brasil, acontece algo semelhante. Possuímos diversas empresas de comunicações que oferecem contrapontos e discussões acerca do caminho pelo qual está enveredando nosso país. Analistas competentes divergem e debatem sobre as estratégias para o futuro e de como podemos chegar aos objetivos traçados por nossos dirigentes. Todos os dias, inúmeros são os programas de rádio e televisão que reúnem em uma mesa redonda, renomados especialistas, e pessoas nem tão renomadas assim mas de vasto conhecimento, para que possamos, finalmente, alcançar (ou retornar?) à posição que tanto almejamos no cenário internacional. Como nos EUA, existem emissoras de televisão que são execradas pelo seu posicionamento, em favor de um lado ou outro. É claro que estou falando de futebol.
Seja na TV por assinatura, seja na TV aberta, as análises esportivas acerca dos rumos de nossa Seleção Nacional ou dos clubes futebolísticos são debatidas com afinco, propriedade e entusiasmo. Táticas são discutidas, sistemas de jogo e estratégias de longo prazo são analisadas, tudo para manter o país do futebol na sua condição de melhor do mundo. Empresas de rádio dedicam horas de sua grade diária para o assunto, o mesmo acontecendo com os jornais e a televisão. Nos canais fechados, programas semanais são dedicados justamente a fazer um resumo dos fatos acontecidos no mundo da bola, sempre contando com debatedores competentes e de visões antagônicas, fundamental para a ocorrência de qualquer debate produtivo.
Infelizmente, o mesmo não podemos dizer quando o assunto é a política do Brasil. Não temos na nossa imprensa (de todo tipo) a mesma cobertura dada ao evento futebol. Nossos canais televisivos, estações de rádio e empresas de jornais, limitam-se a análises superficiais com profissionais tendenciosos e que muitas vezes desconhecem os mais elementares fundamentos da investigação e das relações de causa e consequências advindas dos desdobramentos que se passam no planalto central. O que temos é um bando de papagaios que limitam-se a repetir o que impõem o politicamente correto, deixando de fazer aquilo que deveriam: informar.
Assim, questões como o kit gay, a "lei anti homofobia", a questão da palmada, as quotas raciais, o marco regulatório da imprensa, os desvios maciços de dinheiro e mesmo o caso do mensalão (isso para citar somente os mais recentes) não são propriamente levados à mesa redonda, onde debatedores podem, com suas visões e ideias divergentes, analisar a fundo os assuntos políticos da semana. O principal motivo para que isto ocorra é a total formatação pela qual o profissional de imprensa e da área das ciências sociais e humanas passa durante seu período acadêmico, onde é programado a responder aos estímulos externos sempre com a mesma opinião pró agenda ideológica que, nos últimos 40 anos, é majoritariamente (senão totalmente) de esquerda.
Injusto seria deixar de citar alguns programas do canal GloboNews que, mesmo que fracamente, tentam colocar em debate questões que afetam diretamente toda  a sociedade tal qual a conhecemos. Entretanto, não há comparação quando colocamos a quantidade de programas destinadas às analises esportivas em relação aos de análise política. 
Se tivéssemos em nossa imprensa a mesma gana e competência do futebol na política, teríamos certamente uma compreensão diferenciada acerca dos rumos que o país está tomando. Se tivéssemos uma análise diária de nossos governantes e candidatos a cargos eletivos como temos àqueles que disputam cargos de presidência em clubes de futebol, votaríamos com mais consciência e conhecimento. Se tivéssemos pessoas que questionassem efetivamente nossos governantes, que investigassem os planos de governos e o estatuto dos partidos políticos teríamos uma noção acurada sobre as consequências que certas políticas governamentais teriam sobre nossas vidas. Mas isto derrubaria muitos governos, muitos partidos e colocaria nossa imprensa nua diante de sua audiência. É por isto que o futebol é mais importante do que a política.

domingo, 11 de novembro de 2012

A Verdade Incomoda... Mesmo

No jornal Zero Horal deste domingo, editorial e um artigo de opinião chamaram a atenção. O primeiro, trata da liberdade de expressão e informação, utilizando como exemplo o caso da guria de Florianópolis que escreve sobre a sua escola. O segundo trata de uma exaltação a Obama, lugar-comum na imprensa brasileira. Entretanto, ambos os textos servem para mostrar que este veículo de informação (?) sofre do mesmo mal que acomete a massa da imprensa brasileira: parcialidade crônica mantida por um propósito às vezes inconsciente de se ocultar a verdade.
O caso mais recente que confirma a total falta de profissionalismo jornalístico da imprensa nacional foi o processo eleitoral dos EUA. De fato, o pleito foi apenas o ápice de uma cobertura parcial, emotiva e antiprofissional acerca do que acontecia em solo norte-americano. As tentativas do presidente americano reeleito de socializar a economia não foram debatidas ou analisadas no Brasil, mas apenas ovacionadas como sendo extremamente necessárias e benéficas para promover a inclusão social nas terras do Tio Sam. Curiosa foi a maneira com que se chegou a esta conclusão: mentalidade brasileira para entender um problema americano.  E viva o relativismo!
Outros exemplos podem ser citados, como a rotulação infundada do movimento Tea Party como sendo republicano e "ultraconservador", passando pela total inércia acerca das investigações sobre os documentos falsificados utilizados por Obama para que pudesse concorrer à Casa Branca, como sua Certidão de Nascimento e Certificado de Alistamento militar, fatos canalhamente ignorados tanto pela mídia tupiniquim quanto pela própria mídia dos EUA. Parece que, por ser negro, Obama possui uma espécie de salvo-conduto para se manter presidente. Se os documentos são ou não verdadeiros é uma questão que gera dúvidas. O problema foi a ocultação covarde feita por TODA a imprensa brasileira, à exceção de sites conservadores e de jornalismo realmente informativo, como o Mídia Sem Máscara.
No artigo que apóia o democrata, o autor, entre outras bobagens, indigna-se com a oposição da "direita", contra o "SUS" de Obama como ele mesmo chama, e imigrantes em geral. Nada de mais quanto a isso. Afinal, todos nós temos direito de expressar nossas opiniões. O problema é que o jornal não deu e não dá o mínimo espaço para um contraponto, para uma pessoa que pelo menos tenha lido um livro sobre a História dos EUA e sua formação como nação que pudesse explicar o porquê desta oposição. Analisar qualquer país sob a ótica da experiência tupiniquim é nada menos que uma canalhice, má-fé jornalística. Outrora, ZH tinha Olavo de Carvalho (demitido por revelar a ligação FARC-PT). Hoje tem o não menos brilhante Percival Puccina, solitária andorinha que faz a "oposição ideológica" à massa formatada dos demais integrantes do grupo RBS. Lamentável. E este periódico quer nos fazer crer que trabalha com imparcialidade?
Foi exatamente isto que o jornal quis transparecer em seu editorial deste domingo:
(...)
Para merecer a atenção e o respeito de seus públicos, os meios de comunicação têm o dever de apresentar todas as versões dos fatos, de contemplar a pluralidade de opiniões e de colocar o interesse coletivo acima de seus próprios interesses. (...)
Apresentar todas as versões dos fatos? Contemplar pluralidade de opiniões? Onde isto ocorre na imprensa brasileira? Onde isto ocorre na pomposa ZH? Ou será que os editores deste veículo de informação acham que colocar um articulista com pensamento diferente dos outros "cinquenta" é promover a pluralidade de opiniões? Ou taxar o movimento Tea Party de ultraconservador e elevar o presidente democrata a uma condição de santidade sem analisar o estrago que sua administração fez aos EUA é ter todas as versões dos fatos? Ainda, não escrever uma mísera linha acerca da virtual impossibilidade de Lula ser inocente do mensalão é colocar o interesse coletivo acima de seus próprios? Só se por "interesse coletivo" se ler "interesse partidário". 
Claro que se este tipo de jornalismo fosse feito, se as diversas versões dos fatos fossem mostradas e se realmente tivéssemos analistas com um conhecimento mínimo do que falam, teríamos uma compreensão diferente dos fatos que se passam no Brasil e no mundo. Entretanto, a repressão governamental e da patrulha ideológica seria ferrenha... É o preço que se paga por tentar mostrar a verdade. 
A verdade incomoda meus senhores, mesmo. A FoxNews que o diga...



sábado, 10 de novembro de 2012

Natural Anormalidade

O que pode haver de anormal em um simples julgamento de uma partida de futebol do campeonato brasileiro deste ano, disputada entre o Internacional e o Palmeiras? Houve um problema de arbitragem, ou no cumprimento das regras futebolísticas e, então, levou-se o caso para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Este foi apenas mais um dos inúmeros casos esportivos, majoritariamente relacionados ao futebol, que foi julgado por um Tribunal Federal, colocando um ponto final à disputa ocorrida entre aquelas duas equipes. Não foi o primeiro julgamento de uma partida de futebol, e tampouco foi o último. Por este motivo, não há nada de anormal no ocorrido. Tudo acabou sendo resolvido dentro da legalidade vigente no país.
Entretanto, existe uma anormalidade, aberração mesmo, no processo: a normalidade. Explico: quando achamos normal que uma disputa esportiva seja julgada por um dos poderes constituintes do governo, permitimos a intromissão estatal em algo que ele simplesmente não deveria dar o mínimo pitaco. Fere-se, assim, a liberdade de se organizar um torneio esportivo de acordo com suas regras, que devem ser julgadas não por juízes estatais, mas pela própria federação (entidade PRIVADA) que os organiza. Ou será que as regras de futebol viraram leis do Estado Brasileiro? Será que ninguém percebe a ameaça que isso representa? Nem mesmo numa simples partida de futebol conseguimos nos livrar da barra da saia do Estado? 
Estamos chegando em um estágio em que não conseguiremos fazer nada sem a permissão/tutela estatal. A cada dia que passa, abrimos mão de nossas liberdades em prol de um governo que nos controla e nos vigia cada vez mais. Estamos sendo transformados em crianças de colo, sem responsabilidade, liberdade ou opinião própria, que nada consegue fazer se não tiver "a bença" do governo. O Big Brother  se tornou a nossa própria consciência, a nossa própria opinião, e aqueles que discordarem dela serão submetidos aos rigores da lei. Só não vê quem não quer.
Já somos obrigados a aceitar o homossexualismo como algo natural, normal ou mesmo desejável. Não temos o mínimo direito de sermos contra tal prática. Os pais não podem mais educar seus filhos de outra maneira que não seja a que o Estado determina. Não se pode ter qualquer opinião diferente daquela que seja politicamente correta e ideologicamente permitida pelo partido dirigente. 
Por fim, como se não bastasse, nem mesmo uma simples partida de futebol deixa de ser controlada pelo governo, como se este fosse o inventor de suas regras e da aplicação da mesma. Neste ritmo, teremos julgamento de disputas de par ou ímpar, discordar ou do jogo de damas. E os doutos pensadores e intelectuais tupiniquins vêem com naturalidade tamanha anormalidade!
Estamos perdendo cada vez mais aquilo pelo qual tantos morreram e lutaram que é a liberdade. E tem gente que se surpreende com os rumos que este país vem tomando.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Preocupações Nacionais

Enquanto o STF julgava os destinos dos réus do esquema do mensalão, a população brasileira, incentivada diuturnamente por nossa vigilante mídia, estava inteiramente dedicada à análise, estudo e debate dos destinos da... Carminha! Um dos momentos mais importantes da Nova República estava acontecendo e a preocupação nacional era com os rumos de nossa principal novela televisiva. Não se viu um jornalista ou analista colocar em debate o porquê de Lula ter sido excluído do caso. Sequer deixaram claro as causas da leniência do Ministro Lewandowski, ou mesmo foram a fundo nas credenciais dos próprios integrantes da Corte, para ao menos dar à população ferramentas para melhor entender os rumos do julgamento. Nada disso. O importante era saber o desfecho de Avenida Brasil.
Na esteira do julgamento-show, deu-se o pleito municipal. As cidades brasileiras estavam prestes a escolher seus novos governantes. Não bastasse a fraca análise dos reais problemas de nossos municípios, especialmente aqueles de grande população, perdeu-se a oportunidade de se aprofundar a questão federativa brasileira, que basicamente transforma a União numa imperatriz maléfica que suga os recursos produzidos nos Estados e Municípios para que possa controlar o próprio rumo da eleição, através do famigerado "apoio do governo federal" para a realização de melhorias nas cidades. Ninguém questionou, ninguém discutiu. O que se viu foram análises fracas que não informavam ao eleitor o que ele precisava saber: as propostas dos candidatos. Muito diferente foi a abordagem dada às eleições... dos clubes de futebol, como se viu aqui no RS através de uma aprofundada reportagem acerca das eleições de Grêmio e Internacional.
Agora, a Câmara dos Deputados está para aprovar o projeto de lei "contra a homofobia". Novamente, ninguém da grande mídia, estudiosos ou jornalistas se preocupara em ler e analisar tal aberração que, resumindo, proibirá o cidadão de ter uma opinião contrária à homossexualidade. Porém, a unanimidade aqui é perfeitamente entendida. Afinal, o sistema de doutrinação ideológica educação do país já formata seus estudantes, futuros integrantes da "elite pensante", a pensarem conforme os ditames, no caso, da agenda gay (também tem a feminista, ambientalista, e tutti quantti). Estranho é que ninguém aparece para questionar esta estranha, porém não surpreendente, igualdade de pensamento. O debate cultural e filosófico no Brasil é inexistente. Aqui, só se tem a tese.
Não há hoje no país qualquer possibilidade de se entender e se planejar um futuro de médio e longo prazo. Não há qualquer possibilidade do surgimento de uma força que se contraponha à imposição do politicamente correto. Todos ficamos enebriados pelas benesses do Big Brother e hipnotizados pelas bobagens midiáticas que tratam a fundo somente temas supérfluos como escândalos de celebridades ou tramas de folhetins, enquanto questões que atingem nossa liberdade e nosso futuro são relegadas a um terceiro ou quarto plano. Não são preocupações nacionais.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Não Há Heróis no STF

O mensalão está sendo julgado, políticos estão sendo condenados. Em êxtase, vibramos com o fato do Supremo Tribunal Federal estar... Cumprindo o seu dever, nada mais. Na terra onde a corrupção é endêmica desde a Proclamação da República, nos acostumamos a esperar de nosso aparato estatal nada menos do que conchavos, corrupção e desvios morais. Estamos completamente desacostumados a que instituições cumpram com suas atribuições. Quando o fazem, rasgamos elogios e transformamos em heróis, ilustres figuras que nada fazem além do seu papel.
Entre réus outrora intocáveis, como José Dirceu, a sociedade em gozo aplaude nossos magistrados, talvez excetuando-se um certo membro, o revisor do caso, que não por acaso é petista. O que poucos percebem é que o grande vitorioso deste julgamento é um só: o Partido dos Trabalhadores. Afinal, a mensagem que é passada é de que, doa a quem doer, o partido se auto-depura, não poupando nem o seu membro mais proeminente: Dirceu. Assim, mantém sua mística de baluarte da moralidade e de paladino da justiça, cortando sua própria carne se necessário for.
Alguns achariam um absurdo o partido abandonar assim seus membros. Ora, qualquer um que tenha um conhecimento mínimo da ideologia petista sabe que a força motriz da agremiação é a ideologia, a causa. Não há nada mais importante que a causa, e por ela os mais altos sacrifícios serão feitos, não importa quem servirá como bode expiatório ou atirado aos leões. Apenas um membro fica impune, blindado de tudo: o mentor, o chefe deste e de tantos outros esquema, o molusco-mor da depravação moral e da corrupção política: Lula.
Embora o ex-Presidente tenha sido o cabeça do esquema, não houve qualquer partido com colhões para denunciá-lo e exigir o seu impedimento à época. O maior esquema de compra de votos da história do país mantém seu mentor vitorioso, assistindo de camarote ao julgamento do mensalão, aproveitando sua gorda aposentadoria (será que ele doa alguma coisa para os necessitados? caridade com dinheiro dos outros é mole né!). Aliás, Lula disse que já foi julgado ao sair com "87% de aprovação e ter eleito sua sucessora", conforme disse em entrevista ao jornal "O Globo" em Buenos Aires. E não tem um infeliz de um jornalista, comentarista ou analista político para condenar tamanho absurdo!
Pior ainda é que nos contentamos apenas com esse processo, esquecendo de muitos outros como o caso Celso Daniel, o filho de Lula e a Telemar, os dólares na cueca e tantos outros; ainda, quando se julga uma das falcatruas petista, coloca-se um Ministro do STF que era advogado do PT no meio do colegiado. Condenar os integrantes do esquema do mensalão sem processar o verdadeiro articulador é o mesmo que tentar matar a Hidra de Lerna sem decepar a cabeça do meio. Por mais que se cortem as demais, duas outras surgem em seu lugar. Ademais, não temos nenhum Iolau, e nem nosso "herói de capa preta" se comprara a Hércules.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Além da "Polícia versus Camelôs".

As ações policiais que ocorreram na semana passada no "Centro de Comércio Popular", nome politicamente correto para camelódromo, em Porto Alegre, suscitaram algumas indagações acerca da atitude da polícia e dos agentes de fiscalização do governo e da situação de sonegação fiscal e outras irregularidades cometidas pelos próprios camelôs. Para alguns, foi abuso de poder policial. Para outros foi uma ação válida para inibir o comércio de produtos contrabandeados ou ilegais.
Particularmente, faço parte do segundo grupo. Entretanto, numa análise mais apurada, chego à conclusão de que naquela situação (e em tantas outras parecidas), todos são vítimas. O que me fez refletir mais atentamente sobre o assunto foi um comentário do blog Porto Imagem, página que visito diariamente a fim de interar-me dos assuntos relativos à cidade de Porto Alegre. No post que tratava justamente da ação policial, entre comentários que ora aprovavam a atuação do Estado, ora criticavam, chamou-me especial atenção as palavras de um filho de camelô que, entre outras coisas, disse que o mesmo rigor não é observado para com as grandes lojas, ficando para os pequenos os rigores da Lei. Disse ele, ainda, que muitos que estão no comércio informal são pessoas de bem que nada querem além de levar o pão para sua casa, pois não tem outra perspectiva de vida.
Nota-se, portanto, que temos aqui dois argumentos distintos: que os camelôs não pagam impostos e por isso devem ser punidos; que os camelôs só estão querendo sobreviver através do seu trabalho. O resultado é que temos um racha na concepção do que seja certo ou errado. Afinal: qual dos argumentos é o mais contundente? Resposta: os dois! Mas como pode ser isso? Como podem duas idéias antagônicas estarem corretas? Ora, isso é possível porque por trás da aparente coincidência, existe um planejamento estratégico de longo prazo cujo objetivo é o de desestabilizar as relações entre as forças legais e a população em geral, gerando um ambiente de insegurança cujo objetivo final é o fortalecimento infinito do Estado. Vejamos.
No atual momento, existe uma disputa entre as grandes lojas e os camelôs, sendo aqueles os "intocáveis" pela fiscalização e estes os fraudadores que precisam ser eliminados. O surgimento dessas duas classes distintas só é possível devido à inacreditável carga tributária que pesa sobre os ombros do empresariado em geral. Não bastasse as questões tributárias, existe uma séria de direitos trabalhistas que o empregador precisa garantir a seus funcionários, fazendo com que de cada 100 reais que se paga para um empregado trabalhar, paga-se 120 para ele não trabalhar (13º, FGTS, Previdência, Férias, descanso semanal remunerado, dentre outros). O simples ato de se abrir uma loja passa a ser uma concessão estatal em virtude de tamanha burocracia e carga de tributos e obrigações que o futuro comerciante irá enfrentar. O resultado é que poucas pessoas se arriscam a serem empresários, fazendo com que o caminho para a informalidade aumente.
Por outro lado, temos os camelôs. Essas pessoas em sua maioria são mesmo trabalhadores que querem apenas garantir o sustento da sua família. Muitas vezes não possuem condições de arcar com o custo Brasil para legalizarem seu negócio, e acabam indo para a informalidade. Análogamente, encontram dificuldades para serem empregados nas empresas legalizadas, fruto do pesado custo que cada funcionário a mais representa para o empresário. No meio de tudo está o consumidor, que muitas vezes prefere comprar produtos contrabandeados ou pirateados, resultado do alto custo que se tem no Brasil para se comercializar qualquer coisa. Os ambulantes, então, tomam as praças e passeios públicos como locais de seu próprio negócio. Formam-se assim, os dois pólos anteriormente explanados. Na tentativa de se organizar o espaço público, surgem os Centros de Comércio Popular, ou camelódromos, que, em uma última análise, tentam legalizar os ilegais.
A solução aparentemente válida apenas adia o inevitável procedimento de fiscalização que fatalmente um dia irá cair sobre eles. Isto decorre muito por pressão daqueles que exercem suas atividades empresariais pagando seus tributos em dia, o que ocasiona o surgimento de uma concorrência desleal diante da presença de camelôs. Este pólo exige que os camelódromos sejam fiscalizados a fim de que sejam recolhidos os impostos devidos. O outro pólo reclama que os grandes lojistas não são fiscalizados, ou que o poder público faz "vista grossa". Ora, é lógico que em um camelódromo os produtos continuariam a serem contrabandeados e pirateados. O que houve foi apenas uma mudança de espaço físico por intermédio da centralização das atividades. Cedo ou tarde a fiscalização bateria à porta. E foi o que aconteceu.
A força policial utilizada, bem como os fiscais tributários, enfrentaram resistência por parte dos camelôs que viam suas mercadorias sendo apreendidas e confiscadas devido à falta do pagamento de impostos e/ou produtos que colocariam em risco a segurança especialmente das crianças. Os policiais, que apenas estavam cumprindo ordens, foram hostilizados e agredidos de várias maneiras. Ficaram expostos não apenas fisicamente, mas como instituição em si, pois acabaram sendo taxados de terem usado excessivamente a violência. Por cumprirem a lei, são sistematicamente criticados. O problema, porém, está na lei e não naqueles que a fazem cumprir.
Juntando todas as peças do quebra-cabeças, é possível montar o cenário completo do porquê das coisas estarem acontecendo como estão: primeiro o governo impõe aos cidadãos uma quantidade de taxas, tributos, impostos e obrigações que virtualmente inviabiliza a abertura de uma empresa formalmente constituída pela grande maioria da população. Segundo. Na tentativa de solucionar o problema da informalidade (diretamente relacionada com o primeiro ponto), o governo cria áreas de comércio popular, fazendo com que surja uma concorrência desleal para o restante dos comerciantes. Terceiro. A fim de manter o cumprimento da lei, fiscais são enviados aos locais de comércio popular para realizar a apreensão de mercadoria contrabandeada e pirateada, causando revolta tanto nos camelôs quanto em parte da população, catalisando o surgimento de um verdadeiro "racha" na população.
Vejam que o governo criou um problema (custo de produção absurdo) cujo próprio governo é a solução. Porém, esta responsabilidade é dirigida aos grandes empresários que se tornam bodes expiatórios das ações do Estado pois "sufocam o pequeno comerciante devido ao seu poder monetário". Ao cumprir a lei, a força policial é taxada de "truculenta e violenta, que só prende pobre", transformando um problema tributário em um problema social. Para solucionar este problema, o Estado acena com a necessidade de se construir novos camelódromos e criar políticas de redistribuição de renda. Acontece que para isso acontecer, é necessário recursos para pagar pessoal e material, recursos que só podem vir da arrecadação tributária que precisa ser mantida ou aumentada. Assim, voltamos ao início do ciclo, e cada vez mais a opressão estatal pesa sobre os ombros da população.
O ato final seria a concentração cada vez maior de poder na mão do Estado com a finalidade de poder atuar frente a essas ameaças (que ele mesmo criou), justificando a adoção de governos cada vez mais totalitários.
Para alguns, isso tudo não passa de divagações ou teoria da conspiração. Para aqueles que estudam o processo soviético de dominação comunista do poder por intermédio da corrupção moral, tais fatos é apenas a ponta do iceberg. Vem muito mais por aí! E, para finalizar, quem acha que, pelo processo ser soviético ele não pode existir no Brasil, receio que está redondamente enganado. Afinal, a característica principal do comunismo soviético é seu caráter internacionalista. Só não vê quem não quer. A cada dia que passa, mais e mais o Estado influencia nossas vidas privadas. E a desestabilização das relações econômicas do comércio, como no caso dos camelôs apresentado aqui apresentado, é apenas uma das frentes de atuação do movimento, como já ensinara Yuri Bezmenov.

domingo, 30 de setembro de 2012

Amarras da Federação Brasileira

Aproximam-se as eleições municipais de 2012. Nos debates entre os candidatos das mais variadas siglas partidárias, um discurso é comum: a busca por recursos federais. Promessas de obras de infra-estrutura e recursos para o financiamento de áreas como saúde, educação e segurança fazem parte do discurso de praticamente todos eles. Entretanto, todos eles acabam afirmando, de um jeito ou de outro, que seus projetos sairão do papel porque buscarão o financiamento da União. Neste cenário, a legenda (e seus aliados) que governa o executivo federal saem em vantagem pois, em tese, teriam maior facilidade para conseguir o dinheiro necessário para por em prática o que foi prometido em campanha.
Aos olhos do eleitor comum, nada melhor do que ter em sua prefeitura alguém bem articulado com as demais esferas do executivo, especialmente com o governo federal. O mesmo acontece quando do pleito estadual. Em alguns casos, candidatos falam que possuem melhores condições que seus oponentes por estarem " em uma situação política privilegiada" que em uma tradução livre significaria "somos amigos do governo federal". Evidentemente que um alinhamento político-partidário entre os executivos é desejável. O problema é que, no Brasil, ele se torna praticamente obrigatório, e isto advém da própria formação do Estado Brasileiro.
Por ser herdeiro de uma tradição centralizadora do poder que vem desde os tempos do descobrimento, o país não soube lidar com a forma federativa que diz ter como forma de Estado. Assim, mesmo que oficialmente sejamos uma república federativa, muito pouco temos de diferente daquela centralização administrativa de tempos remotos. Nossos patriarcas republicanos inspiraram-se no exemplo dos EUA, mas esqueceram-se que lá as diversas colônias já gozavam de significativa autonomia, ao passo que aqui o governo sempre foi centralizador. O resultado é este que vemos: uma grande centralização em torno da União, deixando aos estados membros uma autonomia anêmica, quase nula. Esta excessiva concentração de poder político, administrativo e econômico faz com que os entes federativos e, por extensão, os municípios, fiquem refém da boa vontade da corte de Brasília.
Curioso é que ao garantir recursos federais para um município e ganhar apoio por isso, o candidato está expondo à população uma grave situação da qual poucos se dão conta: a riqueza gerada pela cidade é drenada na sua quase totalidade para Brasília e de lá é redistribuída ao sabor da vontade da presidência. Assim, ao prefeito resta gerir recursos escassos e exercitar sua capacidade de mendicância para tentar ter da União aquilo que o município produziu. A situação é tão bizarra que uma simples ponte sobre um rio, um metrô, aeromóvel ou áreas de lazer só conseguem se tornar realidade quando vemos a placa escrita "uma obra do governo federal". Ora, uma cidade como Porto Alegre precisar de recursos federais para construir uma segunda ponte sobre o rio Guaíba é ridículo! Claro que o centralismo vai muito além do econômico, pois a União concentra em suas mãos toda a sorte de recursos naturais e territoriais que muito bem poderiam estar a cargo dos municípios.
O problema acontece não só nas grandes cidades, mas principalmente nas pequenas que, se não tivessem seus recursos sugados, poderiam fazer muito mais do que atualmente fazem. Quando um candidato a prefeito promete construir uma área de lazer, um parque, e diz que o fará porque consegue ter "fácil acesso ao gabinete da presidência" não deveríamos comemorar, mas lamentar o fato de que dependemos de Brasília para tudo. 
Entretanto, parece não haver qualquer vontade da classe política em redefinir o famigerado pacto federativo, e um dos fatores é que, na atual configuração da república, as chances de termos um mesmo partido governando cidade, estado e país é bem maior se comparado a uma situação na qual municípios e estados dependessem minimamente das decisões federais. Na atual organização de nossa estrutura administrativa, é mais fácil de se obter um voto por afinidade partidária entre as três esferas da federação. Tal situação facilita a hegemonia de um único grupo político e dificulta aos prefeitos de hoje e de amanhã a porem em prática seus programas de governo, ficando estes atrelados aos ventos que sopram no Planalto Central
Urge que a população acorde e force seus representantes a darem aos estados e municípios uma autonomia mais contundente. No atual panoramas estamos muito mais para um império, com suas províncias e áreas de influência, do que para uma república federativa. Precisamos nos libertar das amarras positivistas que possuíram o Estado Brasileiro. Mas para isso, nossa população terá que parar de se interessar em novelas, carnaval e futebol, parando para pensar no que realmente está acontecendo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Alfabetizados e Inutilizados

Nas terras tupiniquins ocorre um fenômeno ímpar, pitoresco até: à medida que os números da educação avançam a demanda por mão de obra qualificada também. Parece que a relação entre profissionais qualificados e pessoas diplomadas é inversamente proporcional. O noticiário enche os televisores com números cada vez mais otimista de cidadãos alfabetizados e diplomados, mas parece que isto não se reflete no mercado de trabalho.
Esta situação inusitada é resultado da agonia pela qual passa o sistema de educação do Brasil. A qualidade foi relegada a segundo plano diante da pressão política por números cada vez mais rechonchudos. Chegou-se ao cúmulo de não se permitir a reprovação do aluno a fim de preserva-lhe de um possível "choque psicológico". Se somarmos a isto a famigerada abordagem construtivista do ensino teremos como resultado uma legião de estudantes que não conhecem os obstáculos que a vida lhes impõem, pois sempre tiveram seus egos inchados com elogios rasgados às suas capacidades, mesmo quando não dispunham de nenhuma. O professor deixou de ser o depositário do conhecimento para ser apenas um facilitador, como se por mágica todos os alunos resolvem buscar a aprendizagem por conta própria. Adicionamos um pouco de intervenção estatal de ideologias revolucionárias e o caldo estará pronto: uma horda de estudantes que sabem tudo sobre sexo, questionam a autoridade de seus pais e são proibidos de se posicionarem contra o homossexualismo. Estes mesmos alunos, contudo, não sabem interpretar um texto, resolver uma equação matemática ou analisar fatos históricos. São apenas cabeças vazias com um diploma de graduação.
A escola passou progressivamente a entrar no campo da educação propriamente dita, e esta cabe aos pais. Estes, omissos por opção, convicção ou por já se tornarem parte da nova sociedade de acéfalos, não questionam as sucessivas intromissões estatais em assuntos que deveriam ser tratados entre pais e filhos. Assim, queda-se a autoridade paterna e, por afinidade, todas as outras, incluindo a dos professores que não mais possuem o respeito de seus discentes, ficando refém de seus egos mimados e programados a não aceitarem seus fracassos e derrotas. Temos, portanto, uma geração de cidadãos que não conhecem o significado de conceitos como disciplina e responsabilidade, saindo dos bancos escolares sem o conhecimento necessário para desempenharem as funções que a sociedade espera que exerçam. Foram sendo aprovados e congratulados sem que fizessem o esforço necessário para merecer a aprovação. Não é de se surpreender que mesmo profissionais com mestrados e doutorados sequer conseguem escrever decentemente ou interpretar um texto. Isto ocorre mesmo nas profissões que exigem justamente estas habilidades como professores e advogados.
A falência do ensino no Brasil está intimamente ligada, pois, à superproteção ao aluno, retirando-lhe noções de responsabilidades e comprometimento. O estudante além de não respeitar a autoridade de seu professor, não aceita o fracasso fruto de sua falta de interesse no aprendizado, o que acaba causando sua reprovação. Como resposta, o Estado incentiva a aprovação de incapacitados para "evitar traumas" e, principalmente, rechear suas estatísticas com números favoráveis às pretensões políticas do grupo que o domina, formando um contingente cada vez maior de alfabetizados, bacharéis, mestres e doutores que se tornam cada vez mais inúteis.

sábado, 22 de setembro de 2012

Comemorações Farroupilhas

No dia 20 de Setembro foi comemorado o dia do gaúcho, data magna do calendário do Estado do Rio Grande do Sul. Entre acampamentos, desfiles e CTGs, foram celebradas as  tradições, cultura e folclore do estado mais meridional do país. Comemorou-se com orgulho ímpar a história daqueles que nasceram na terra onde o minuano sopra mais forte, onde o inverno pinta campos de branco e onde o pampa se perde no horizonte. Entretanto, na marcha incessante do tempo, perdeu-se no horizonte da história o real significado do 20 de setembro, o que realmente ele significa e, pasmem, não é o tradicionalismo gaudério o principal mote da data inicial da Guerra dos Farrapos.
Então o que representa o 20 de setembro? Apesar das divergências entre historiadores acerca das razões ideológicas que levaram à eclosão da guerra, uma coisa é certa: lutou-se contra a opressão do Império do Brasil sobre a província gaúcha e pelo aumento de sua autonomia. Quer seja pela sobretaxação do charque ou pela liberdade de se escolher seu presidente, o povo gaúcho se uniu e pode desafiar as tropas imperiais no conturbado período da regência. De todas as revoltas daquele período esta foi a única que, mesmo militarmente derrotada, atingiu seus objetivos. Mas como?
Dentre os motivos que levaram os farroupilhas a obterem do Império o que almejavam está a liderança de sua elite latifundiária. Ao contrário do que muitos querem nos fazer acreditar, não foi o povo que se rebelou contra o opressor, mas sim a camada mais esclarecida da sociedade (produtores de charque) que eram bastante prejudicados com a política fiscal imperial. Não obstante, as demais revoltas do período não tiveram êxito por terem sido seus líderes pessoas comuns, do povo, sem qualquer liderança que pudesse aglutinar suas forças. No Rio Grande do Sul, ao contrário, a elite do charque possibilitou não só a união em torno de um objetivo comum, mas também o financiamento adequado para a campanha de guerra.
O sucesso da revolta se deu devido ao ideal maior de liberdade de seus líderes, o que não significa necessariamente um desejo de independência. A autonomia da província é que era efetivamente o motivo real da guerra. O desejo da separação política foi muito mais um arrroubo emocional do general Netto do que um objetivo a ser alcançado. Separar-se do Império de nada adiantaria se as taxas de charque continuassem abusivas, visto que era o Brasil o maior consumidor dos produtos produzidos na província. Assim, ser independente não ajudaria muito a melhorar a situação da recém criada república. Ao final da revolta, militarmente derrotados, os farroupilhas conseguiram o perdão do Império e menores taxas para o charque, além de poderem escolher o presidente provincial. Uma vitória, sem sombra de dúvida.
Assim, notamos que o culto à tradição gaúcha não significa celebrar o que realmente motivou a luta na Guerra dos Farrapos. Dever-se-ia cultuar a coragem da elite gaúcha em questionar as arbitrariedades imperiais e lutar por sua liberdade e autonomia. Este é o verdadeiro espírito farrapo: a luta pela liberdade e não um acampamento tradicional, cujo maior deles é montado na cidade que nunca caiu em mãos rebeldes, mantendo-se fiel ao Império. O gauchismo, as demonstrações da lida campeira tem muito pouco em comum com o real significado do 20 de Setembro. Se honrássemos a memória daqueles que tombaram em solo gaúcho na defesa de sua autonomia, deveríamos questionar o porquê da União reter em suas mãos um poder político, tributário e econômico infinitamente superior ao que detivera o Império do Brasil, a ponto de manter os estados membros da federação em um verdadeiro cativeiro político, econômico e fiscal. 
Hoje a autonomia do Rio Grande do Sul e, por extensão, de todos os demais estados é meramente simbólica. Os recursos são todos centralizados em Brasília que os redistribui seguindo critérios obscuros e políticos, retirando dos entes federados aquilo pelo qual lutaram os farroupilhas: a autonomia. Assim, para mantermos viva a chama que impulsionou os farrapos, não é preciso dias e mais dias de acampamentos  crioulos. O que poderíamos fazer é questionar o excessivo centralismo da União e combatê-lo, como fizeram nossos antepassados. 
Perpetuar e cultuar as tradições, a cultura e as "coisas" do Rio Grande é algo essencial e sempre muito bem vindo. Mas atribuir aos farrapos a razão pela qual devemos fazê-lo não só é equivocado como também denota que estamos perdendo ano a ano a real memória daquela que foi a maior das revoltas internas do Brasil.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Lembrai-vos dos Injustiçados

Hoje comemoramos a independência do Brasil. As paradas cívico-militares espalhadas por todo o território nacional, enchem  o povo brasileiro de orgulho de pertencerem a esta nação. Os símbolos nacionais são reverenciados e quando passam os militares os aplausos são sempre ouvidos e sinceros. Não são homenagens protocolares as que recebem os integrantes das Forças Armadas que desfilam. As demonstrações de apoio a estes homens e mulheres são verdadeiras e espontâneas; a população sabe que estas pessoas estão comprometidas apenas com a Pátria, e nada mais, razão pela qual gozam de popularidade indiscutível, mesmo com campanhas destinadas à sua difamação.
Diz-se que antigamente as pessoas tinham um sentimento de patriotismo maior, e isto é verdade. Nos meus tempos de primário, cantava-se o Hino Nacional e hasteava-se a Bandeira uma vez por semana, cada turma por vez. Havia até uma "formatura" para se entrar na sala de aula, todos os dias. Semanalmente, ouvíamos o pronunciamento da diretora da escola. Pode parecer draconiano aos olhos dos modernos psicólogos e pedagogos. Cabe ressaltar que nenhuma criança deixava de brincar na hora do recreio. Bons tempos...
Com a acensão cultural dos comunistas (que se mantém até hoje em toda a sociedade), tais práticas foram consideradas "coisas de milico" e paulatinamente estes valores foram sendo capados das escolas. A supressão da disciplina de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil podem servir para ilustrar como valores pétreos foram sendo corroídos e relegados a um segundo plano. Hoje, só lembramos de cantar o Hino Nacional em jogos de futebol e, mesmo assim, fazemos de maneira desrespeitosa, sendo os ignóbeis gaúchos os mais alienados ao substituírem o hino pátrio pelo hino estadual, mesmo quando aquele é que está sendo executado.
Mas como isso se relaciona com a data de hoje? Bem. Juntamente com a progressiva decadência dos currículos escolares (que hoje ensinam como se usa a camisinha mas não a fórmula de Báskara) veio a desmoralização de personagens históricos sem os quais nosso país simplesmente não existiria: os monarcas brasileiros. Não bastasse a difamação patrocinada pelos vitoriosos republicanos (como se a república fosse melhor do que a monarquia) a nova intelectualidade gramciana tratou de reforçar esteriótipos e criar outros tantos, dando a impressão de que a Casa de Bragança somente gerou figuras imbecis, caricatas e idiotas. Nada mais falso.
Não fosse pelas realizações do rei D João VI, talvez seríamos hoje um imenso Portugal. Este monarca, tão injustamente retratado, foi o responsável pela construção do Estado Brasileiro, dando-lhe as instituições necessárias para que este pudesse funcionar. Ademais, não fosse por sua decisão de manter seu filho como príncipe regente do Brasil, o país voltaria à condição de colônia portuguesa. Detalhe: D. João VI fez isto com forte oposição portuguesa, resquícios da Revolução do Porto. Não fosse pela determinação do rei, o país teria tomado um rumo diferente. Pode-se inferir que a invasão napoleônica a Portugal contribuiu para este acontecimento, o que é verdade. Mas não se pode negar que, se desejasse, D João VI poderia simplesmente colocar o Brasil à sua condição anterior de colônia. Deixando seu filho como regente, evitava-se o retorno da condição submissa do país à Portugal.
Foi seu filho D Pedro I, contudo, o proclamador da independência. Sobre ele, e toda a corte imperial, recaem críticas e difamações que são difíceis de serem extirpada do imaginário popular. Afinal, desde a famigerada Proclamação da República, têm-se tornado padrão a deturpação da história do Brasil Império. Assim como seu pai, D Pedro I mostrou-se um homem de grande coragem e valor moral, primeiramente ao não mais acatar as decisões emanadas pelo reino de Portugal (decreto do cumpra-se) e por esmagar todas as revoltas contrárias à independência. Ademais, sua Constituição de 1824 era tão ou mais liberal que a própria carta dos Estados Unidos, fazendo-nos um país soberano e ao mesmo tempo garantidor das liberdades individuais, muito diferente do que se ensina na escola. Seu filho, D Pedro II, saiu-se vitorioso de todas as campanhas militares externas que participou e combateu todas as tentativas de ruptura da integridade nacional. Aliás, uma análise honesta do império fará o estudante concluir que este período foi muito mais republicano do que a própria república.
Estranho é, pois, que as personagens mais significativas do processo de independência do país caiam no esquecimento por simples manipulação de fatos históricos. Com todos os defeitos que estes homens tiveram e mesmo que escândalos tivessem ocorrido na Corte Imperial, é inegável que se tratavam de pessoas dotadas de coragem e de um sentimento de brasilidade que não mais vemos em nossos atuais governantes. Eram homens cultos, inteligentes e que zelaram pela manutenção da independência e pelo bem-estar do Império mercê de todas as dificuldades encontradas. Alijá-los das homenagens pela nossa independência é injusto e desonesto.
Não é porque nos tornamos uma república que devemos simplesmente esquecer os homens e mulheres que forjaram o Brasil e garantiram sua soberania. Por fim: quem foi que disse que estamos melhor como republicanos do que como imperiais??




sábado, 25 de agosto de 2012

O Soldado

Hoje, 25 de agosto, comemoramos o Dia do Soldado. A data é alusiva ao nascimento do Duque de Caxias,  patrono do Exército Brasileiro e o pacificador que manteve unido o império. A ele são prestadas as homenagens. A ele são creditadas as maiores glórias de nosso exército e, por extensão, ao soldado. Por estes motivos, não pretendo falar de Caxias e de sua trajetória gloriosa e vitoriosa permeada de acertos, mas de erros também. Não podemos no iludir de que o Duque tenha sido perfeito. Não o foi. Mas foi o exemplo d atuação do soldado na defesa da pátria.
Por ser Caxias tão homenageado e exaltado neste dia, com toda a justiça do mundo diga-se de passagem, não falarei do Patrono, aliás, único Duque que este país teve. Prefiro ater-me ao soldado, aquele ser anônimo que, como Caxias, mantém viva a integridade territorial e a segurança do país. Reportarei-me aos anônimos e famosos que com sua bravura e coragem mantém viva a chama do patriotismo tão esquecida nos meios alheios ao militar, como se ser patriota e externar este sentimento fosse algo ruim, careta, ou cafona... Não é. O patriotismo, mantido vivo por cada soldado, fardado ou não, é o que move todo o país e assegura a esperança de dias melhores nestes tempos sombrios. Mas quem é o soldado?
O soldado é o herói anônimo. É aquele que está de vigília quando todos estão dormindo, o homem que garante aos cidadãos suas liberdades, e sua segurança. Historicamente, é a razão de ser do próprio Estado, organizado com o propósito único de garantir a segurança de seus integrantes diante de ameaças externas e internas. Nenhum povo, império ou civilização existiu sem ter se apoiado sobre a lança e o escudo de seus homens-em-armas, responsáveis por garantir que os indivíduos possam viver suas liberdades e suas crenças sem medo, na certeza de que alguém está permanentemente guardando sua segurança.
O soldado é um altruísta. É o homem que estará isolado nos rincões mais distantes do país zelando pela manutenção de suas fronteiras, distante das facilidades da vida urbana, enfrentando as dificuldades mais elementares como o fornecimento de energia elétrica e o atendimento médico precário, muitas vezes distante mais de mil quilômetros de grandes centros, onde só se chega por barco ou avião. É o representante solitário do Estado, onde ninguém mais ousa ficar, onde as dificuldades só podem ser encaradas e superadas por aqueles desprovidos de ambições maiores que não seja o simples servir à pátria, mesmo quando aqueles que a governo insistem em lhe dar as costas. É o prefeito, o pároco, médico, dentista, conselheiro, juiz e advogado em locais onde a única lembrança de que ali também é Brasil repousa na bandeira estampada na manga esquerda de sua farda e no toque solitário do clarim ou da cornete ao cumprir o sagrado e diário ritual do hastear a Bandeira Nacional.
O soldado é também desbravador. Afinal, não foram com médicos, professores, burocratas ou cientistas que as fronteiras brasileiras foram determinadas. Homens como Pedro Teixeira, Lobo D'Almada ou o Marechal Rondon foram soldados que pisaram nos sertões brasileiros onde ninguém mais ousara ter ido. Levaram a nacionalidade a regiões inexploradas onde contactaram indígenas, fortificaram postos avançados de vigilância, conquistaram territórios inexplorados. Garantiram, enfim, a posse territorial da Amazônia para o Brasil e consolidaram as fronteiras ao sul do país, quer seja nas guerras guaraníticas, quer seja nos combates e nas guerras contra os espanhóis. E o que os movia? Glória? Pompa? Reconhecimento? Não. O sentimento que movia aqueles soldados de séculos atrás era simplesmente o desejo de conquistar territórios e expandir os domínios portugueses que, posteriormente, seriam os domínios brasileiros. Hoje, não fosse a historiografia militar, pouco ou quase nada restaria destes destemidos soldados que arriscaram suas vidas com o objetivo único de engrandecer a pátria a qual pertenciam. São heróis, todos eles, mesmo que nos bancos escolares mesmo que muitas vezes seus nomes não sejam sequer mencionados.
O soldado é, também, um incompreendido. Por muitas vezes, precisa utilizar-se das forças das armas para impor a legitimidade da pátria que defende. Foi assim que Caxias apaziguou e uniu o território nacional, sempre buscando atender o interesse dos revoltosos durante o conturbado período da Regência. Foi assim que Osório, Sampaio, Mallet, Cabrita e tantos outros lutaram contra a tirania de Solano López quando este ousou violar o sagrado território pátrio. Foi assim quando o Marechal Mascarenhas de Moraes e os integrantes da FEB lutaram contra o fascismo que ameaçava a liberdade do ocidente, derramando sangue brasileiro em solo italiano, até hoje grato pela libertação levada pelos soldados de Caxias. Foi assim durante a história brasileira e seus diversos períodos de turbulência, desde a questão republicana até a contra-revolução de 1964 que garantiu inclusive àqueles que ela combateu, a liberdade para que hoje continuem professando seus ideais.
O soldado é, enfim, um servo da nação. Não pode sucumbir às ideologias passageira de governos. Não pode fazer greve por melhores condições de trabalho ou remunerações, pois a ele cabe ser o último argumento do Estado diante de qualquer problema que possa colocar em risco a existência ou a sobrevivência de sua pátria. Não é uma profissão, não é trabalho, não é emprego, e nem mesmo sacerdócio. É honra e vocação. É ser incompreensível e invisível, ao mesmo tempo que é a fundação mais profunda de qualquer civilização. Não é uma classe; é a própria representação da nacionalidade brasileira. Não é diferente do soldado de ontem como querem fazer acreditar os civis que hoje ocupam cargos de chefia das Forças Armadas sem nunca sequer terem dividido uma marmita ou o quarto de hora em gélidas manhãs de um julho no Rio Grande do Sul ou em sufocantes tardes de calor implacável nas selvas e na savana roraimense. O soldado de hoje é o mesmo soldado que expulsou o  exército mais poderoso do mundo em Guararapes, que lutou contra o ditador López no Paraguai, que enfrentou as gélidas montanhas italianas na segunda grande guerra, e que impediu que nosso país caísse nas mãos de uma ideologia que matou mais de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo. 
Por mais que os meios acadêmicos, jornalísticos e governamentais insistam em tripudiar, falsificar e mentir sobre a história das Forças Armadas do Brasil e da atuação de seus soldados, uma verdade permanece: são os homens e mulheres fardados que garantem a segurança e a proteção de nossas fronteiras. São estas pessoas que são chamadas quando greves e paralisações atingem órgãos policiais, de saúde e de fiscalização. Sem cobrarem diárias adiantadas e muitas vezes tendo que tirar do próprio bolso para cumprir a missão que lhes foi dada, lá vão os soldados anônimos acudir a pátria em desespero e apoiar o povo em calamidade. Uns dizem que são uns "otários" por partirem para sua missão sem condições ideais e sem a compensação remuneratória merecida. Enganam-se, porém, aqueles que acham que não há indignação no seio de cada soldado por serem cada vez mais alijados das prioridades governamentais. Entretanto. o soldado não é um funcionário, não é um empregado e tampouco um operário sindicalizado. Não. O soldado é a própria pátria, o próprio Estado. Antes de qualquer reivindicação, o soldado coloca a sua honra acima de tudo, e é por ter jurado lutar pela pátria e pôr a sua vida à disposição dela que ele cumpre seus deveres, sem esperar reconhecimento, medalhas ou gordos salários. É por isso que nossas Forças Armadas, em particular o Exército Brasileiro, possuem o mais alto grau de credibilidade dentre todas as instituições do país. 
A população sabe que, quando tudo falhar, quando mesmo o governo falhar, lá estarão os seus soldados, herdeiros de tradições imemoriais que têm como única motivação o servir à pátria e a seus filhos. Não esperam  reconhecimento, nem compreensão. A eles, a maior de todas as recompensas é poder dormir a noite como sentimento do dever cumprido e com a serenidade de que a população confia em seus homens fardados, pois tem consciência de que a eles nada mais importa que não seja o país  que servem. Podem tripudiar, detratar, falsificar e tentar separar nossos soldados entre os "de ontem" e os "de hoje". Não conseguirão. Pois no peito de cada soldado brasileiro bate o sentimento único de servir, sem qualquer pretensão partidária ou governamental. Afinal, não há maior recompensa para qualquer entidade do que o reconhecimento de mais de 80% a população na sua capacidade, mesmo quando os formadores de opinião insistem em vilipendiá-la. 
A cada soldado, de ontem e de hoje, parabéns pelo nosso dia. Que saibamos prosseguir na nossa missão altruísta de lutar e defender nossa nação contra toda e qualquer ameaça. Não somos diferentes dos combatentes de Guararapes, da Guerra do Paraguai ou da Contra-Revolução de 1964. Somos iguais em espírito e em atitudes, mesmo que incompreendidos por nossos contemporâneos. Únicos e indivisíveis, assim somos e, se preciso for, interviremos novamente, como sempre fizemos quando a pátria chamou. O Exército de hoje é o mesmo de ontem e assim permanecerá, mesmo quando os semeadores da discórdia insistirem em nos diferenciar dos heróis do passado.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Sobre Eleições e Escândalos

O certame municipal se aproxima e, como nos últimos 10 anos, novamente terei minha falta à votação justificada. Alguns ficam raivosos com uma atitude destas; dizem que estou abrindo mão da cidadania e do direito de votar... Não é este o caso. Trata-se apenas de uma forma silenciosa de protesto por transformarem em dever algo que deveria ser um direito, além do fato de que absolutamente nenhum candidato para cargo algum reflete as aspirações deste eleitor (ou seria não-eleitor) que vos escreve. Simples assim, sem maiores delongas. Voto no Brasil é pérola atirada a uma vara de suínos que se apoderam de cargos públicos para aplicarem a mesma estratégia de poder, sem distinção de sexo, raça, cor, religião e partido. Literalmente, são todos farinha do mesmo saco.
Não tratam estas humildes linhas da questão do voto em si, mas da cobrança dos eleitores após a posse de seus eleitos. Promessas são descumpridas antes mesmo da assunção do mandato. Posições opositoras são agora abandonadas e, caso seja a situação reeleita, inexistentes. Quem não lembra do atual governo  estadual alegando ser um absurdo o aumento do IPVA no RS nos tempos de Yeda? Poucos, especialmente o próprio que tratou de reajustar as tarifas tributárias sem pestanejar. Afinal, a retórica do palanque agora torna-se dispensada e com a população tudo pode ser feito, pois tudo será esquecido. Eles, os governantes, sabem da memória amébica do povo que esquece tudo por uma esmolinha qualquer. Não é de se espantar que o pessoal que planejou e executou o mensalão ganhou mais quatro anos de mandato junto à cadeira imperial de presidente da federação mais fajuta do planeta.
Sobre o esquema do partidão, aliás, mister se faz a leitura de um interessantíssimo artigo escrito por um procurador da república sobre o incrível não julgamento do Big Molusco Brasil no caso do mensalão. O site original da postagem  foi deletado por forças obscuras do petismo está passando por problemas técnicos. Nela, verifica-se que os acusados têm chances enormes de não serem condenados pois as provas incriminam o Lula-lá, e não o Dirceu lá no STF. E olha que nem é bom mencionar as decisões equilibradas e imparciais da Suprema boba da Corte tupiniquim como foram os casos Battisti e Raposa - Serra do Sol. Ademais, a oposição (oposição.... sei) deveria ter exigido o impedimento do Presidente da República à época, e não deixar o caso esfriar para transforma-se num mero espetáculo virtualmente circense, onde os "bois de piranha" já estão escolhidos para serem crucificados no processo, deixando ao povo a ideia de que o partido "apurou, puniu e prendeu".
Mas não só de mensalões vivem os homens do congresso, mas de toda a riqueza que roubam do povo de Deus. O mensalão é apenas o mais pop deles. Superfaturamento de obras públicas, verbas de gabinetes, funcionários fantasmas, recebimento de propinas, a lista é praticamente infinita. E entra governo, sai governo e a corrupção apenas se aprofunda com todos querendo mamar nas fartas tetas governamentais, seja diretamente seja indiretamente pelo favorecimento de seus apadrinhados. Sobre isso, nada de protestos... Afinal, quando o governo detém o monopólio do protesto (UNE, ONGs, MST, Universidades, Estudantes, Jornalistas e Professores a serviço "da causa"), é muito difícil que eles ocorram. 
Quanto às eleições, nada de bom nos aguarda. Mentirosos continuarão sendo eleitos e corruptos seguirão sugando como vampiros o sangue de cada trabalhador brasileiro. Promessas serão feitas, quase todas serão descumpridas. Crimes de responsabilidade serão cometidos, enriquecimentos ilícitos acontecerão, apadrinhamento políticos em bem remunerados cargos públicos não cessarão.
 E o povo? Bom, o povo vai continuar na ilusão de  que as coisas estão andando. Tem obra para todo lado, cotas para meio mundo e empréstimo fácil não é mesmo? No final das contas ainda vai reeleger a corja que hoje acusa de ser corrupta e parasita. Faz parte. É o preço que se paga pela falta de memória e pela politização de todos os meios formadores de opinião. 
O maior protesto que o brasileiro é capaz de fazer se resume a piadas em programas humorísticos ou a charges de jornais sobre o atual estado de coisas porque passa a nação. Tudo é motivo de gozação, desde a violência física até a corrosão da moral de nossos governantes. Não se veem passeatas, panelaços, nem pressão da população sobre seus governantes, apenas risadas produzidas pela sua própria desgraça. E rir de sua própria ruína é, no mínimo, uma piada sem graça.

sábado, 11 de agosto de 2012

Mensalão: O Menor dos Problemas

A nação parece ter parado diante do mais novo sucesso da televisão: o julgamento do mensalão. Finalmente os atores do maior escândalo de corrupção "da história desse país" são reunidos para que se possa apurar os crimes que cometeram. Em êxtase midiático, a população parece lavar a alma, na certeza inocente de que a justiça será feita e os culpados serão condenados. Entretanto, há um quê de anormal neste processo... Onde estão os caras pintadas que lotaram as ruas exigindo o impedimento de Collor? Nada se vê, nada se ouve. Nenhuma pressão, nenhum manifesto, nada. O silêncio retumbante da classe estudantil apenas confirma o óbvio: nossos estudantes são meros fantoches na mão do partido. Parece mesmo que a nação parou mesmo pelos Jogos Olímpicos, e não para exigir que a lei seja cumprida no julgamento que acontece.
A verdade é que o tempo passou por demais. A hora do julgamento é tardia e o veredicto será estritamente ideológico. Os opositores nada fizeram à época, quando deveriam ter extirpado do poder o molusco-mor da corrupção tupiniquim juntamente com seus comparsas. Preferiu-se o silêncio à verdade ou seria o silêncio revelador da verdade, que mostrou cabalmente que não possuímos neste país qualquer ideologia partidária diferente da que nos governa? A estranha atitude da "oposição" dos tucanos, democratas, etc, em não exigir em tempo a saída de Lula da presidência, corrobora para a certeza plena de que são todos laranjas podres de uma colheita maldita semeada pelo socialismo e seus diversos matizes. Votar, no Brasil, é mera formalidade. A ideologia das diversas agremiações partidárias integrantes do pleito eleitoral é de uma homogeneidade desoladora.
Ademais, qual tipo de credibilidade merece o Supremo Tribunal Federal? Nossa Corte Suprema concedeu asilo político a um terrorista italiano, o caso Battisti, contrariando diretamente leis e tratados internacionais dos quais o país é signatário só para satisfazer os interesses da turma do 13! Como acreditar em um tribunal que ignora completamente o próprio processo legislativo, criando jurisprudências que se transformam em leis, fagocitando para si as atribuições do Legislativo? E que espécie de julgamento foi a questão da reserva indígena Raposa-Serra do Sol, onde não foram ouvidos os militares, conhecedor EFETIVOS daquela área, que os meritíssimos semi-deuses sequer sabem onde fica? Que dizer do caso do aborto e das demandas por superdireitos dos homossexuais, onde o matiz religioso é ignorado como se fôssemos um país ateu, como se cristãos não fizessem parte da sociedade brasileira? Ora, uma corte como essa não possui qualquer respingo de credibilidade e imparcialidade para julgar um caso como este do mensalão. E mesmo assim, tem gente que acredita... Vai entender...
Curioso é que o mensalão é uma das realizações mais chinfrim cometidos pelo partidão. Outras são muito piores. Nos últimos dez anos, mergulhamos em um poço fétido da lama revolucionária socialista, impiedosamente empurrada pelo gramscismo impregnado em todo o tecido social. Nunca antes um processo de corrosão de valores foi tão acentuado como agora. Perdemos cada vez mais a nossa liberdade de portar uma arma, de criticar condutas que consideramos nefastas, enfim, de pensarmos diferente da cúpula do partido. Somos assaltados com aviltantes impostos que deveriam garantir serviços básicos como segurança, saúde e educação e invariavelmente somos obrigados a recorrer à iniciativa privada para termos o que o Estado brasileiro deveria proporcionar, não porque seja sua obrigação, mas para justificar uma das cargas tributárias mais altas do mundo.
Os valores morais, familiares e religiosos estão sendo riscados do mapa, varridos como folhas de outono em uma rajada de vento, e ninguém se importa. A liberdade de imprensa permanece em constante risco, mercê das tentativas de se impor a ela um marco regulatório. Campanhas pela legalização do aborto e das drogas são outros indícios de que o verdadeiro mal que vem sendo feito no país (ainda no governo FHC), não é o mensalão ou a corrupção sistêmica de nossas instituições. O verdadeiro mal é a destruição dos valores éticos e morais basilares de nossa sociedade que são promovidos diariamente pelos infindáveis ministérios e secretarias, criados para os apadrinhados políticos e programados para impor a vontade do partidão. E isto sem falar na partidarização da justiça e da unificação dos conceitos de Estado e Governo.
O mensalão não será julgado como deveria e isto já deveria ser uma preocupação alarmante para a população e, principalmente, para os ditos formadores de opinião, e isto é desconcertante. Muito mais desconcertante, porém, é saber que, perto das outras "conquistas", o mensalão é o menor dos nossos problemas..