domingo, 26 de fevereiro de 2012

Liberdade à Moda Petista

Porque não deixar que o assinante opte pela aquisição ou não de um canal com conteúdo 100% nacional ao invés de impor que redes internacionais tenham em suas grades de programação a obrigatoriedade de exibir programa nacional? A resposta é simples: ninguém compraria.

No imaginário brasileiro, liberdade e democracia significam eleger nossos representantes através do voto, sendo este um direito universal. Pronto. Basta nosso direito ao voto direto para nos tornarmos imediatamente livres. Este é o alcance da noção de liberdade que temos, e não só as pessoas mais humildes, mas mesmo grandes intelectuais, analistas e tutti quanti.
Outro aspecto que orienta a ideologia governamental (à luz de nossa intelectualidade) é a condução da política econômica. Quando esta é conduzida com a mais mínima liberdade o governante é ovacionado como sendo um liberal, capitalista ou neoliberal. Não importa se o governo exerça um controle cerrado sobre a economia e tribute o empresariado com pesadas “contribuições”, taxas e impostos. Se não é o governo que detém toda a cadeia produtiva da economia, então vivemos na plena liberdade econômica.
Como resultado destes dois fatores, conclui-se que vivemos em um país que goza de grande liberdade e possui uma economia com iguais características, o que nos leva a concluir que somos o suprassumo da liberdade e da oportunidade. Nada mais errado.
Vivemos em um país onde o patrulhamento ideológico reina. O Estado intervém em virtualmente todos os setores da sociedade. Mesmo o futebol vai aos tribunais federais. Não podemos expressar nossas opiniões, a não ser que estas sejam concordantes com a ideologia governamental. Com a famigerada lei da homofobia, o Estado vai controlar o que nós ensinamos para nossos filhos a respeito da questão homossexual. As relações de trabalho também são controladas pelo governo que impõe ao empresário o ônus de pagar por horas não trabalhadas mais do que pelas trabalhadas (120% a mais de acordo com a revista Época, entre 13º, previdência, FGTS, férias, seguro desemprego, entre outros).
Agora, na surdina, uma lei ameaça cercear ainda mais a liberdade do prisioneiro (ops, cidadão) brasileiro. Trata-se da lei que regula a TV por assinatura e que impõe às operadoras a exibição de uma cota de canais nacionais e, como se não bastasse, aos canais também. Isto significa que o assinante estará pagando compulsoriamente por um serviço que ele não contratou. Afinal, nenhuma criatura em sã consciência assina um pacote deste tipo de serviço para ver conteúdo nacional, por um motivo muito simples: a produção artística e cultural brasileira é nada menos que medíocre.
O argumento que se utiliza é o de fomentar a produção nacional. Na verdade, o que vai acontecer é que produtores ligados ao partidão receberão fortunas em dinheiro para produzir uma programação ruim que obrigatoriamente será empurrada goela abaixo aos consumidores. Vejam que o cliente, neste caso, está sendo excluído do debate. O maior interessado é simplesmente ignorado. Afinal, é preciso dar aos companheiros de causa um empreguinho para que não morram de fome.
Existem inúmeras maneiras de fomentarmos a indústria cultural, como a redução de tributos ou mesmo a criação de canais exclusivos para sua divulgação. Porque não deixar que o assinante opte pela aquisição ou não de um canal com conteúdo 100% nacional ao invés de impor que redes internacionais tenham em suas grades de programação a obrigatoriedade de exibir programa nacional? A resposta é simples: ninguém compraria.
Alguns revoltadinhos, da laia de Manuela D’Ávila ou Maria do Carmo, dirão que esta lei vem para democratizar a TV. Nada mais falso.  A única coisa que esta afronta vai nos trazer é a intervenção Estatal nos lares de cada brasileiro. É o Estado cada vez mais presente na vida privada. Este tipo de pessoa não entende isto porque, para elas, não existe a vida privada, mas a vida do partido.
Quanto mais o tempo passa, somos iludidos de que vivemos em um lugar onde a liberdade impera, quando na verdade estamos sendo cada vez mais aprisionados. As minorias estão impondo cada vez mais suas decisões à maioria, que permanece calada, inerte e sem voz. Pouco a pouco, a patrulha petista destrói o último reduto de liberdade que um ser humano pode ter que é a livre escolha sobre o que pensar assistir ou opinar. Pouco a pouco as grades vão se fechando e nem sequer percebemos que estamos sendo cada vez mais recrutados e acuados, sem chance de reação.
A estratégia continua a mesma: dar direitos as minoria e retirar os da maioria sob a desculpa de se fazer a “justiça social”. O fato, entretanto, é que cada vez mais somos empurrados e conduzidos para a estagnação e isonomia socialista que é, nada mais nada menos, do que o conceito próprio de injustiça.

2 comentários:

  1. A macacada da república das bananas acha que liberdade é "votar para presidente", mesmo que não tenha tanta liberdade de andar na rua à hora que der na telha por medo de ser assaltado por um vagabundo que a presidenta eleita pelos idiotas vá chamar de "vítima do sistema". É uma gritante inversão de valores...

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    1. Brilhantíssimo!!!!!!!!

      Efetivamente brilhante.
      Neste blog as postagens possuem a originalidade das grandes mentes, indo certeiros ao cerne das questões sem se manter na rama "bonitinha" e até ordinária.
      Parabéns ao autor pelo brilhantismo e mente afiada no entendimento das questões.

      PARABÉNS!

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