quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Isenta Comissão da Verdade

Foi escolhida a famigerada comissão da verdade. Como não poderia deixar de ser, o processo investigativo a que se presta tal comissariado não será, nos dizer do instituidor, movida pelo "revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu". Ainda, seus integrantes foram escolhidos "não por critérios pessoais ou por avaliações subjetivas" e é "um grupo plural de cidadãos de reconhecida competência, sensatos e ponderados". Alguns dizem que o próprio governo não irá influenciar na condução dos trabalhos... Tudo isso é verdade. Não haverá revanchismo, reescrituração da história e tampouco intervenção partidária nos assuntos da comissão. 
Os leitores mais assíduos deste humilde espaço devem estar pensando que eu enlouqueci, passei para o outro lado, ou que assumi minha condição de melancia (verde por fora, vermelho por dentro). Calma. Não é por aí o caminho. Se não vejamos:
Os integrantes da comissão da verdade são cidadãos de reconhecida competência, escolhidos especificamente para este fim. Estas pessoas com certeza são oriundas do "acima de qualquer suspeita" sistema de ensino superior brasileiro. Nossas universidades já estão completamente corrompidas pela infiltração sistemática gramscista que, aliado ao método soviético de corrupção moral, coloca os cérebros de nossos estudantes em um liquidificador, liquefaz sua capacidade de raciocínio e devolve apenas o suco revolucionário resultante. O resultado são gerações de novos intelectuais, sociólogos e especialistas de "reconhecida competência, sensatos e ponderados".
O governo (na verdade o partido pois, hoje, Estado, Governo e Partido estão fundidos em um ente só), não irá influenciar nas conclusões desta comissão porque na verdade ele já o fez, anos atrás. A infiltração da ideologia socialista já conquistou e corrompeu a mente e o coração de todos os setores da sociedade e uma pessoa que passou pelo processo completo de corrupção moral não pensa, não raciocina. Ela apenas responde a estímulos pré programados, como um cão bem adestrado. Uma mente corrompida é insensível à realidade dos fatos, pois desde a mais tenra infância ela é bombardeada por uma ideologia que vai se arraigando não apenas de forma consciente, como também dentro do inconsciente. 
Estas informações plantadas passam a ser verdades inatas. Assim, os integrantes da comissão não estarão sendo revanchistas e nem trabalharão com ódio. Estão mais para esquizofrênicos que foram projetados a ignorar toda e qualquer informação produzida que denigra a imagem do ideal comunista. Ou seja, a farta documentação produzida pelos órgãos de Estado produzida durante os governos militares que narram as atividades terroristas levadas a cabo pelas organizações de esquerda que mataram e torturaram inocentes serão desconsideradas como "documentos produzidos pela ditadura para ocultar a verdade".
Como síntese de tudo isso, temos no meio acadêmico e nos setores formadores de opinião um consenso de que os anos dos governos militares foram anos de chumbos, onde malvados militares perseguiam, matavam e torturavam os pobres revoltosos que queriam a maravilhosa igualdade comunista. Este é o ambiente no qual se darão os trabalhos do comissariado do povo para a verdade. A conclusão será, muito provavelmente, de que os militares são mesmo malvados e desumanos e merecem ser investigados por isto, (leiam O Expurgo da Caserna).
Em um ambiente tendencioso, conclusões tendenciosas se transformam em expressão da normalidade e da isenção. É neste sentido que a famigerada comissão será uma comissão isenta. 
Chegou a hora da cobrança, com juros, dos seus sofrimentos...

O Resto é Detalhe

Tem gente chata neste mundo! Ora, vivemos nos últimos 12 anos uma transformação extraordinária no país que estará sendo coroada em 2014, com a Copa no Brasil. Ultrapassamos a França como economia! Temos uma mulher presidente! Quer conquista mais importante que esta? (Só se a futura presidente for mulher, negra, homossexual, analfabeta, indígena e tenha realizado uns dois ou três abortos). Temos sim que comemorar, e muito! E ainda encontramos pessoas que reclamam da situação do país. Francamente...
Com tantas conquistas sociais e econômicas, especialmente na última década, tem gente reclamando que nosso Brasil possui Forças Armadas mal equipadas e mal pagas, que não expressam o posicionamento geopolítico que assumimos! (ou pensamos que assumimos). Ou então, os chatos que insistem que nossa indústria está parada, sucateada, em franco declínio! E aqueles que reclamam que nosso Congresso Nacional é corrupto e que o poder Judiciário está criando leis ao invés de interpretá-las e aplicá-las? Haja paciência!
Ora! Tudo isto é para que possamos nos desenvolver cada vez mais. Este negócio de processo legislativo, por exemplo, leva muito tempo! Se o Executivo quer fazer algo, publica uma Medida Provisória e pronto! Se a nossa Constituição diz que algo que está sendo feito é ilegal, manda pro Judiciário que eles interpretam de maneira diferente do que está escrito na nossa Carta Magna e está resolvido! Quanta complicação, quanto ranço por coisas banais... Afinal, o que é o processo democrático diante do vislumbre de um... Digamos... Aumento do PIB? Um mero detalhe ora.
Pior ainda é ter que ouvir gente reclamando da questão abortista ou dos (super) direitos dos homossexuais! Quem melhor do que nossos médicos e juristas para decidirem, por exemplo, quando começa a vida? E este negócio de religião é coisa démodé! E daí que cerca de 80% da população brasileira seja cristã? Eles que vivam seus ritos atrasados! Certos estão os intelectuais, cientistas e artistas. A eles devemos ouvir quando o assunto é aborto e homossexualidade.
E os críticos do estatismo? Esses são os mais ignorantes! Onde já se viu dizerem que as empresas estatais são deficientes, que o Estado deve deixar a economia para a iniciativa privada? Como ousam falar que 40 e poucos ministérios e secretarias ministeriais são excessivos? Ora! Mal sabem eles que quanto mais o Estado tiver o poder econômico, mais pessoas ele pode empregar e mais ainda sairão da condição de miséria. Claro que os impostos irão aumentar, mas isto é... Um mero detalhe diante das maravilhas de uma economia amarrada pela burocracia estatal. Observem nosso sistema de saúde e educação! Vejam como estradas, ferrovias e hidrovias cortam nosso território de Sul a Norte e de Leste a Oeste! E a nossa segurança? Com que tranquilidade podemos andar pelas ruas noturnas das capitais brasileiras sem medo de sermos submetidos à violência. E tudo isto graças aos impostos que pagamos. Não tem como reclamar. Mas tem gente que reclama! Só porque um ou outro morre na fila de um hospital, de uma bala perdida ou em uma e outra estrada mal conservada... Exagerados.
Por fim, tem aquelas aves de mal agouro que insistem em dizer que a Copa de 2014 vai desandar. Por acaso estas pessoas já viram a quantidade de projetos de mobilidade urbana e de inclusão social que estão previstos para atender às demandas deste evento? Viram o PAC da Copa? Poxa! O Ronaldo e o Pelé já disseram que vai ser um sucesso! Tem até banco dizendo para pararmos com tudo para "ir jogar bola"! Não tem como dar errado. A Copa no Brasil vai ser o evento mais espetacular já ocorrido desde a descoberta do fogo! Será o coroamento de um país que deixou 502 anos de total obscuridade e atraso para, nos últimos 10, se tornar o Impávido Colosso da América.
Entre estampidos de fogos de artifício e rolhas de Champagne que pipocam por todos os cantos, a nação comemora extasiada o sucesso alcançado: somos a 6ª economia do mundo. Pouco importa se continuamos a ser um mero exportador agrícola. Não interessa se nossos juros são os maiores do mundo, nem que paguemos os impostos mais extorsivos que existem na face da terra (e temo a arriscar que na Via Láctea inteira). Pouco importa se as nossas liberdades estão sendo progressivamente eliminadas para beneficiar grupos minoritários que impõem suas vontades contra a maioria. 
Que se dane o fato de nossa suprema corte ter se transmutado na própria Santíssima Trindade decidindo quando a vida começa. Não nos interessa se a TV por assinatura está se tornando a TV da Nomenklatura, paga pelo dinheiro do cliente que foge do lixo nacional da programação aberta ou que a imprensa é conduzida e silenciada pelo poder econômico das verbas publicitarias governamentais... Nada disto importa! Nada pode ofuscar a pujança e exuberância de Pindorama. O PIB está crescendo! O resto é apenas detalhe.


sábado, 5 de maio de 2012

A Crise Socialista do Capitalismo

A crise econômica que se aprofunda na Europa é como música para os ouvidos da esquerda. Posso ouvi-los extasiados, gritando de prazer aos quatro ventos que o sistema capitalista está morrendo e que os bancos são os grandes culpados pela recessão da Zona Euro. A Espanha agora é a bola da vez. Mergulhada em desemprego, insolvência e déficit tornou-se mais um símbolo de como o injusto sistema capitalista leva nações à ruína. Aos que sentem prazer em ver os países Europeus caindo, uma boa notícia: Itália e França são as próximas. Nem a Inglaterra deve escapar. Parece que o modelo econômico capitalista está fadado ao insucesso, provando que este sistema, além de injusto, leva países e continentes inteiros à falência certo? Sim. Mas somente quando práticas socialistas são aplicadas à economia de mercado, liberal ou capitalista.
Como assim cara-pálida? Como pode existir práticas socialistas numa economia capitalista? Não seriam estes dois conceitos, opostos? Hum... E agora... Vejamos...
A primeira coisa que convém ser esclarecida é que (como já foi dito várias vezes neste espaço), o capitalismo é um sistema econômico, enquanto o socialismo é um sistema de poder. Sendo assim, a possibilidade da existência de um "social-capitalismo" não só é real como está ocorrendo neste exato momento, e não somente na China, mas em virtualmente toda a Zona Euro. A intervenção do Estado na economia é o exemplo mais marcante do capitalismo socialista que se vive hoje naqueles países (e no Brasil também). A receita é bem simples aliás: altos impostos para financiar um número cada vez maior de entes estatais, além da famigerada distribuição de renda, que consiste em tirar das pessoas que trabalham e dar para aquelas que não trabalham. Quando um país está em expansão demográfica o efeito não é sentido. Porém, quando esta expansão tende à estagnação ou mesmo à retração, os efeitos são mais que notórios.
As políticas socialistas aplicadas a economia fazem com que se torne mais rentável não trabalhar e receber os diversos seguros e bolsas do que ser ativo no mercado de trabalho. Somamos a isto uma pesada carga tributária sobre a iniciativa privada, além de inúmeras regulações tarifárias. O resultado é o encarecimento da mão de obra e dos produtos manufaturados.
Como se não bastasse, temos a situação de uma previdência deficitária. A expectativa de vida aumenta, mas os anos trabalhados não. Isto, somado a um Estado cada vez mais inchado, faz com que as contas fiquem permanentemente no vermelho, obrigado o governo a emitir mais moeda e como consequência temos o aumento da inflação. A população não é incentivada a continuar ativa no mercado de trabalho, mas a se aposentar assim que possível. Sem o crescimento demográfico adequado o resultado é uma inevitável quebra em todos os setores da economia.
Para se reverter o processo, o remédio é amargo por demais. Consiste em sanar as contas públicas, e isto significa corte de benefícios, demissões e redução de aposentadorias. Iludidos pelo discurso socialista, onde os direitos vem antes dos deveres, as pessoas se voltam contra as medidas de austeridade necessárias para a manutenção da saúde financeira do Estado. Infelizmente, os doutos entendidos não percebem que precisam deixar de influir no sistema econômico. Não cabe ao Estado controlar o mercado. A ele cabe garantir o cumprimento de regras que devem ser seguidas por todos, sob pena de se perder a credibilidade daquele país. Preços, câmbio e salários se ajustam de acordo com a demanda natural da sociedade e não pela vontade onipotente do ser estatal.
Os países que deixaram o mercado andar com suas próprias pernas alcançaram grande desenvolvimento em todos os campos da economia, ciência e tecnologia, que se estendeu à todos os setores da sociedade, dos mais ricos aos mais miseráveis. Basta nos voltarmos à Inglaterra de Margaret Thatcher ou aos EUA de Regan.
Quando o Estado entra na história, o fracasso é inevitável e o que se vê são crises espalhadas ao redor do mundo por intermédio de práticas socialistas dentro da economia capitalista. É a prática, como já disse, de distribuir a riqueza de quem a produz àqueles que nada produzem. Nada mais injusto.
A crise que vivemos, ao contrário do que muita gente imagina não é uma crise do sistema capitalista. Pelo contrário; é uma crise do sistema socialista.