quarta-feira, 27 de junho de 2012

De Honduras ao Paraguai

Em 2009, o presidente hondurenho Manuel Zelaya foi deposto de seu cargo presidencial por intermédio de um processo democrático e legítimo, apoiado pelas forças armadas daquele país. Imediatamente, a imprensa brasileira, na sua esmagadora maioria, taxou a atitude soberana de Honduras como sendo um golpe. Naquele momento, Zelaya infringira a Constituição hondurenha ao propor a reeleição para presidente. Nos termos daquela Carta Magna, qualquer alteração na Constituição é proibida, configurando crime. Zelaya, sendo aliado de Hugo Chávez e com o Foro de São Paulo como suporte, proporcionou um dos episódios mais vergonhosos da diplomacia de Pindorama, ao hospedar-se na embaixada brasileira. 
Aqui, no Reino dos Bananas, todos acusaram Michelleti de golpista. Mas ninguém (corrigindo, muito poucos) se deu ao trabalho de ler a Constituição de Honduras, ou mesmo de ouvir a outra versão da história. Naquela época, publiquei uma entrevista feita pela FOX NEWS com o presidente interino que, naturalmente, foi completamente ignorada por nossos jornalistas, analistas, estrategistas e outros "istas".
Passados cerca de três anos, o Paraguai, por intermédio de um processo que correu legalmente no seu Poder Legislativo, depõe Fernando Lugo e coloca Federico Franco na presidência. Imediatamente, a mídia em peso já sentenciou que o ex-presidente do país vizinho tinha sido vítima de um golpe, que tudo ocorrera fora da normalidade, etc. O MERCOSUL virtualmente expulsou o Paraguai do bloco; petições foram encaminhadas à OEA com o intuito de desqualificar a atitude tomada, alegando a quebra de princípios democráticos. 
Vejam a semelhança dos dois casos. Em ambos, dois presidentes foram depostos por processos legais e democráticos. Nos dois processos, a diplomacia nacional quebra o princípio da não intervenção em assuntos internos de países estrangeiros, tomando um posicionamento favorável aos legalmente depostos. Para arrematar com fitas áureas, os dois personagens são apoiados pela estrutura continental do Foro de São Paulo.
Surpresa para uns (normal para outros), é o silêncio sepulcral de nossa mídia, políticos e governos acerca das violações diárias à democracia praticadas em Cuba. Naquele cárcere caribenho não há qualquer noção de liberdade, e seus cidadãos são obrigados a permanecer eternamente enjaulados. Quando alguém faz greve de fome pela democracia, nosso ex-presidente e agora dotô Lula, pronunciava-se a respeito com um irônico "não podemos fazer nada, é assunto interno".
O mesmo caminho seguem seus seguidores, ou seja, toda a classe política, jornalística e acadêmica. Mas porque nossos mandatários não se indignam com as violações da democracia em Cuba? Ora, os Castro são sócios- fundadores do Foro de São Paulo. Sentiu o drama? Para essas pessoas, a democracia só deve ser respeitada se favorecer "a minha galera". Qualquer atitude tomada, por mais legal que seja, contra os governantes esquerdistas serão automaticamente classificadas como golpistas. Este é o pensamento doentio de virtualmente todos os formadores de opinião e dirigentes do país.
Para aqueles que estudam as relações de poder e a estrutura da esquerda latino-americana nada disto surpreende. Eles sabem que a mídia e a academia estão comprometidas com a causa, bem como conhecem muito bem a definição de democracia utilizada pela esquerda. Afinal, comprar o poder legislativo de um país de dimensões continentais e ainda conseguir a reeleição prova que o conceito de democracia há muito foi esquecido por estas bandas.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Lenta Agonia da Liberdade

O mundo ocidental passa por um processo cada vez mais patente de restrição das liberdades. Países da União Européia, e das Américas estão sendo cada vez mais dominados pela ditadura do politicamente correto que nada mais é do que um emaranhado de ideologias que, em nome de garantir as liberdades, cada vez mais calam e silenciam desde o cidadão comum até conglomerados da mídia. Nem mesmo os Estados Unidos estão imune a este mal. Lá, como cá, as pessoas estão cada vez mais direcionadas a pensar da maneira como se quer que elas pensem e não de acordo com suas experiências e formação familiar. 
Nas últimas quatro décadas pelo menos, idéias-força vêm sendo criadas com o objetivo de imprimir na mente da população, verdades universais que se tornam inquestionáveis e imunes a qualquer tipo de crítica ou questionamento. Exemplos não faltam. Para ilustrar, basta que alguém questione o aquecimento global antropogênico, seja contra a homossexualidade ou aos diversos tipos de cotas que imediatamente uma multidão de censores bradará contra seu posicionamento. Afinal, o homem é responsável pelo aquecimento global, a homossexualidade é linda e maravilhosa e as cotas são o supra-sumo da justiça. Qualquer opinião contrária a estes verdadeiros princípios fundamentais da humanidade deve ser censurada e criminalizada.
Sob os argumentos como "os gays precisam ser protegidos, o meio ambiente preservado, e os excluídos amparados", progressivamente são aprovadas leis que criminalizam toda a opinião divergente do determinado pelo politicamente correto. A lei anti-homofobia é o exemplo mais claro. Não obstante, toda a sorte de estudos científicos, estatísticos e históricos que questionem  estes e outros princípios (feminismo, sustentabilidade, etc) é imediatamente relegado às trevas. Para estes estudos, não há financiamento público nem incentivo estatal. Muito pelo contrário. A campanha é justamente a da falsidade peremptória, onde tudo aquilo que vá de encontro aos postulados determinados é automaticamente considerado falso, não interessando se os métodos de pesquisa e os dados estejam rigorosamente corretos.
Para aqueles que pensam estar na escola a solução para esta padronização de idéias, atenção. É justamente nela que elas são replicadas e difundidas nas cabeças de nossos estudantes. Com o Estado tendo o monopólio do currículo educacional, nossos futuros pensadores serão apenas difusores das idéias-força determinadas pela elite esquerdista já estabelecida em todos os setores da política, educação e meios de comunicação. 
O grande truque para o sucesso de tal lavagem cerebral é a difusão sistemática de que, para garantir a liberdade de todos é preciso proteger as assim chamadas minorias. Com este argumento romanticamente defendido e diabolicamente planejado, as pessoas começam a aceitar progressivas retaliações nas suas atitudes e opiniões. Não conseguem perceber que caminham lentamente para o controle estatal completo de seus pensamentos e atitudes em virtude se viverem iludidos em uma névoa de novas leis morais e comportamentais determinados pela "opinião pública" e "pela maioria", dois conceitos suficientemente abstratos para serem manipulados de forma a constituírem-se em expressão verdadeira da vontade geral, quando na verdade não passam de ferramentas utilizadas para a homogeneização do pensamento.
Com o controle dos mecanismos formadores de opinião e da educação fica extremamente fácil falsificar os dados: basta que se publiquem pesquisas de opinião em institutos "independentes" para que se transmutem na expressão inequívoca da verdade. Assim, a opinião publicada passa a ser a opinião pública, formadora e padronizadora de idéias. 
Nenhum exemplo é mais ilustrativo para compreendermos como funciona este mecanismo como a famigerada lei anti-homofobia. Nesta lei a opinião contrária à prática homossexual é criminalizada. Vejam bem, a opinião! A desculpa: para garantirmos a liberdade dos gays que vivem num malvado país homofóbico. A proibição do fumo em bares e restaurantes segue na mesma linha: o proprietário do estabelecimento não pode permitir o acesso de fumantes em seu estabelecimentos. A desculpa: para preservar a saúde dos demais frequentadores. Vejam que de uma só tacada foram retiradas três liberdades: a do dono do restaurante de permitir fumantes, a dos fumantes de ir a bares e restaurantes e a dos que não fumam de escolherem se querem frequentar um ambiente com ou sem fumantes. A lei da palmada, sob a justificativa de proteger as crianças, retiram dos pais a liberdade de educar seus filhos como eles próprios foram educados o que, na maioria das vezes, requer uma palmada ou outra, além de impedir que as crianças recebam uma formação familiar, moral e religiosa sólida.
Estes foram apenas alguns exemplos de inúmeras leis que retiram liberdades individuais com a promessa de preservar estas mesmas liberdades. Sem percebermos, estamos tendo cada vez mais tolhida a nossa autonomia para expressarmos nossos posicionamentos morais, religiosos e culturais. Não bastasse a morte lenta desta liberdade, criam-se pequenos grupos imunes a qualquer tipo de  crítica e dúvida, verdadeiros deuses da virtude. A desculpa para isto, é a mesma ladainha de sempre: preservar a liberdade.
Sob este argumento, a sociedade vai ficando cada vez mais segmentada e polarizada. Com a sucessiva concessão de privilégios legais às minorias e restrições à maioria, cria-se um ambiente de crise mais acentuado, propício ao surgimento de grupos radicais dos dois lados. Para contar os ânimos que vão se exaltando a sociedade como um todo passa a aceitar,  inclusive a incentivar, um poder estatal ainda mais forte, a fim de conter as animosidades e colocar "ordem na casa". E adivinhem quais as medidas que são adotadas? Cerceamento de liberdades. O partido, que criou o problema, passa a ser vista como sua solução.
É a lenta agonia da liberdade que passa a abrir espaço para um verdadeiro totalitarismo. Tudo sob os aplausos calorosos de nossos intelectuais e estudantes devidamente fardados com a face negra de Che Guevara.







sexta-feira, 8 de junho de 2012

Impostos Para Elefantes

Lasier Martins, conceituado jornalista da RBS TV, pediu aos telespectadores do Jornal do Almoço que enviassem sugestões (que não sejam aumento de tributos) para conter a sangria financeira que toma conta do Estado do Rio Grande do Sul há, pelo menos, duas décadas. Este pedido foi realizado após o anúncio do aumento das taxas do Detran pelo atual governo que, quando na oposição, considerava tal aumento inadmissível.  
O desequilíbrio fiscal que atinge a administração gaúcha não é privilégio exclusivo. Na verdade, trata-se de um fenômeno de escala mundial que coloca em crise tanto o continente europeu, notadamente a Zona Euro e, dentro dela, Grécia, Portugal e Espanha (Itália e França estão a caminho), quanto a nação tupiniquim. Sendo um fato comum a estes dois continentes, sua origem também é. E a causa primeira da insolvência dos Estados Europeus e dos Estados brasileiros é uma só: gigantismo estatal. Neste ponto, podemos nos orgulhar de sermos como a Europa, muito embora isto signifique uma viagem sem volta rumo ao precipício econômico.
Cada novo governo que assume o Palácio Piratini aumenta as despesas com o pagamento do funcionalismo público estadual. Secretarias, cargos e afins são criados desenfreadamente, de maneira que cada vez mais o déficit aumenta; e quando se trata de administração pública, só existe uma maneira de compensar este aumento de despesa: aumento de imposto.
Os motivos pelos quais ocorre este incremento de pessoal estão longe de serem técnicos. São meras conveniências políticas que tem como único objetivo promover a compensação econômica a aliados políticos às custas do ubre estatal que amamenta generosamente os aliados dos diversos governos. Basta uma rápida olhada no sítio oficial do governo para verificarmos a existência de secretarias e assessorias que simplesmente não possuem razão de existir ou que poderiam ser absorvidas por outras. Isto ocorre tanto no âmbito da União quanto nos Estados federados.
Analogamente, a Europa sofre do mesmo mal. O gigantismo estatal europeu aliado a uma política de distribuição de capital a quem nada produz por intermédio dos diversos tipos de ajudas e seguros faz com que somente o aumento tributário consiga tapar os buracos financeiros que são abertos. Quem acaba pagando o pato é aquela parcela da população que produz a riqueza por intermédio de impostos cada vez mais altos. 
O caminho para a recuperação da saúde financeira do Rio Grande do Sul, sem o aumento de tributos, é a mesma para se reverter o caso de crise da Europa: desestatização urgente da economia e redução drástica da estrutura administrativa e do funcionalismo público nos três poderes.
Difícil é encontrarmos algum governador ou presidente disposto a promover essa verdadeira revolução. Não encontraremos. Para eles, quanto maior o tamanho do Estado, maior é a possibilidade de barganha junto a aliados e adversários. Ninguém está interessado em desenvolver efetivamente o lugar aonde vivem. Querem apenas ficar sentados confortavelmente no elefante estatal que é sustentado pelos impostos pagos por aqueles que o carregam.




sexta-feira, 1 de junho de 2012

Tática e Estratégia


Em “A Arte da Guerra”, Sun Tzu escreve, entre outros ensinamentos, que quem conhece a seu inimigo e a si mesmo estará com uma vantagem decisiva na hora da batalha. Também afirma que “a suprema arte da guerra consiste em vencer seu inimigo sem lutar”. Combinados estes dois conselhos, o verdadeiro estrategista consegue visualizar a guerra como ela é, ou seja, uma extensão da política que vai além do simples confronto armado no campo de batalha. Os exército são, na maioria das vezes, peões em um jogo onde derrotar seu inimigo não significa necessariamente vencê-lo dentro do campo militar.
No século XX, dois exemplos servem para elucidar esta afirmação: a Contra-Revolução de 31 de Março de 1964 e a Guerra do Vietnã. Nestas duas situações, obteve-se a vitória militar, mas perdeu-se o conflito. No primeiro caso, o conflito cultural foi completamente ignorado pelos governos militares da época, o que culminou com a infiltração plena do pensamento da esquerda revolucionária dentro de toda a estrutura social, cultural, artística e política do Brasil. No segundo caso, a vitória militar dos EUA sobre os vietcongues não se configurou na vitória sobre o comunismo vietnamita de Ho Chi Min (regime que iria assassinar 10 vezes mais pessoas do que as perdas de combate). A derrota, neste caso, foi obra da influencia comunista dentro da política e da cultura norte-americana que resultou numa campanha pelo fim da guerra, com passeatas e manifestações sob o slogan revolucionário de paz e amor.
O caso brasileiro, entretanto, é bastante elucidativo por exemplificar como um pensamento verdadeiramente estratégico e o conhecimento de seu inimigo são fatores determinantes para o sucesso ou fracasso de um conflito. Afinal, após inúmeras tentativas da conquista do poder pelas armas, a esquerda visualizou que a estratégia da guerra cultural era muito mais eficiente, embora de longo prazo. Assim, por duas décadas, os militantes intelectuais atingiram objetivos estratégicos para a esquerda, enquanto os guerrilheiros urbanos e rurais atingiam alvos táticos, numa manobra que poderia ser classificada como uma finta, à qual os governos militares combateram ferozmente e liquidaram. Todavia, ao caírem nesta finta, deixaram de se preocupar com os aspectos estratégicos da guerra que não tinha, em última instância, a luta armada como objetivo, mas a conquista dos espaços formadores de opinião.
Decorridos quase cinquenta anos do movimento cívico – militar de 64, temos como desfecho o sucesso da estratégia adotada pela esquerda e, como Sun Tzu escrevera, e a esquerda derrotou seu inimigo sem precisar lutar e, quando o enfrentou com o movimento armado, foi derrotada. O mesmo aconteceu nas selvas do Vietnã. Militarmente, os EUA não perderam nenhuma batalha “mas isso não importa”, como diria um general vietcongue. Ao final, perderam a guerra.
Com o preenchimento de todo o espaço cultural, obtém-se a supremacia sobre virtualmente todos os aspectos da condução de determinada sociedade, o que explica o fato de, mesmo sendo o Exército Brasileiro a instituição com maior credibilidade da nação, não se vê nenhum movimento ou protesto que questione a instauração da “Comissão da (nossa) Verdade”. De posse dos meios de comunicação, das universidades e da produção artística, um grupo consegue eliminar o apoio popular a qualquer um de seus inimigos por um simples motivo: ele se torna a elite, e somente a elite é capaz de reagir a um estado de coisas estabelecido. Se toda a elite (99% dela), em todos os setores, compactua com determinada ideologia, não adianta o povo apoiar outro grupo se este não está estruturado e organizado como deveria. Explica-se, assim, o porquê de uma população conservadora como a brasileira ser dominada e obrigada a seguir a agenda “progressista e reformadora” da esquerda sem se dar conta disto.
Os poucos resistentes que tentam abrir os olhos, particularmente do setor militar, sobre o destino que se desenha a estes próprios e ao país em geral são desacreditados, pois geralmente esses estudiosos não dispõem da estrutura de imprensa ou do respaldo universitário que os integrantes da militância esquerdista possuem. Como resultado, o caminho fica virtualmente desempedido para que um grupo resolva, por exemplo, determinar o que é ou não a verdade de determinado período histórico, sendo esta atitude ovacionada justamente pelos setores que deveriam questioná-la, notadamente o acadêmico e o jornalístico.
Os nossos estrategistas precisam deixar de pensar na tática e entender que a verdadeira ameaça não é uma doença externa ao corpo, é um câncer; e o câncer está dentro do próprio organismo.