sexta-feira, 1 de junho de 2012

Tática e Estratégia


Em “A Arte da Guerra”, Sun Tzu escreve, entre outros ensinamentos, que quem conhece a seu inimigo e a si mesmo estará com uma vantagem decisiva na hora da batalha. Também afirma que “a suprema arte da guerra consiste em vencer seu inimigo sem lutar”. Combinados estes dois conselhos, o verdadeiro estrategista consegue visualizar a guerra como ela é, ou seja, uma extensão da política que vai além do simples confronto armado no campo de batalha. Os exército são, na maioria das vezes, peões em um jogo onde derrotar seu inimigo não significa necessariamente vencê-lo dentro do campo militar.
No século XX, dois exemplos servem para elucidar esta afirmação: a Contra-Revolução de 31 de Março de 1964 e a Guerra do Vietnã. Nestas duas situações, obteve-se a vitória militar, mas perdeu-se o conflito. No primeiro caso, o conflito cultural foi completamente ignorado pelos governos militares da época, o que culminou com a infiltração plena do pensamento da esquerda revolucionária dentro de toda a estrutura social, cultural, artística e política do Brasil. No segundo caso, a vitória militar dos EUA sobre os vietcongues não se configurou na vitória sobre o comunismo vietnamita de Ho Chi Min (regime que iria assassinar 10 vezes mais pessoas do que as perdas de combate). A derrota, neste caso, foi obra da influencia comunista dentro da política e da cultura norte-americana que resultou numa campanha pelo fim da guerra, com passeatas e manifestações sob o slogan revolucionário de paz e amor.
O caso brasileiro, entretanto, é bastante elucidativo por exemplificar como um pensamento verdadeiramente estratégico e o conhecimento de seu inimigo são fatores determinantes para o sucesso ou fracasso de um conflito. Afinal, após inúmeras tentativas da conquista do poder pelas armas, a esquerda visualizou que a estratégia da guerra cultural era muito mais eficiente, embora de longo prazo. Assim, por duas décadas, os militantes intelectuais atingiram objetivos estratégicos para a esquerda, enquanto os guerrilheiros urbanos e rurais atingiam alvos táticos, numa manobra que poderia ser classificada como uma finta, à qual os governos militares combateram ferozmente e liquidaram. Todavia, ao caírem nesta finta, deixaram de se preocupar com os aspectos estratégicos da guerra que não tinha, em última instância, a luta armada como objetivo, mas a conquista dos espaços formadores de opinião.
Decorridos quase cinquenta anos do movimento cívico – militar de 64, temos como desfecho o sucesso da estratégia adotada pela esquerda e, como Sun Tzu escrevera, e a esquerda derrotou seu inimigo sem precisar lutar e, quando o enfrentou com o movimento armado, foi derrotada. O mesmo aconteceu nas selvas do Vietnã. Militarmente, os EUA não perderam nenhuma batalha “mas isso não importa”, como diria um general vietcongue. Ao final, perderam a guerra.
Com o preenchimento de todo o espaço cultural, obtém-se a supremacia sobre virtualmente todos os aspectos da condução de determinada sociedade, o que explica o fato de, mesmo sendo o Exército Brasileiro a instituição com maior credibilidade da nação, não se vê nenhum movimento ou protesto que questione a instauração da “Comissão da (nossa) Verdade”. De posse dos meios de comunicação, das universidades e da produção artística, um grupo consegue eliminar o apoio popular a qualquer um de seus inimigos por um simples motivo: ele se torna a elite, e somente a elite é capaz de reagir a um estado de coisas estabelecido. Se toda a elite (99% dela), em todos os setores, compactua com determinada ideologia, não adianta o povo apoiar outro grupo se este não está estruturado e organizado como deveria. Explica-se, assim, o porquê de uma população conservadora como a brasileira ser dominada e obrigada a seguir a agenda “progressista e reformadora” da esquerda sem se dar conta disto.
Os poucos resistentes que tentam abrir os olhos, particularmente do setor militar, sobre o destino que se desenha a estes próprios e ao país em geral são desacreditados, pois geralmente esses estudiosos não dispõem da estrutura de imprensa ou do respaldo universitário que os integrantes da militância esquerdista possuem. Como resultado, o caminho fica virtualmente desempedido para que um grupo resolva, por exemplo, determinar o que é ou não a verdade de determinado período histórico, sendo esta atitude ovacionada justamente pelos setores que deveriam questioná-la, notadamente o acadêmico e o jornalístico.
Os nossos estrategistas precisam deixar de pensar na tática e entender que a verdadeira ameaça não é uma doença externa ao corpo, é um câncer; e o câncer está dentro do próprio organismo.

2 comentários:

  1. Parabéns Morato, você descreveu brilhantemente o que esta acontecendo hj no Brasil. O Gramscismo venceu... Só nos resta sobreviver.
    "Eles venceram e o sinal está fechado para nós que somos jovens"
    RSRS

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  2. é, por hora está perdida essa batalha, mas uma coisa é inacreditável, as forças armadas abdicaram de participar das decisões que determinam os destinos da nação, os comandantes das forças, bem como praticamente todo o oficialato de alta patente parecem só estar preocupados com suas carreiras e não com sua missão de soldado que é zelar pelo progresso da nação, e não me venham com a ladainha da "disciplina" que essa não cola mais. As FA tem responsabilidade pela bandalheira que se encontra o país, omissão, vista grossa e covardia, observe o Cmt do EB, a simples visão daquela figura encoraja até a bolívia a reinvindicar o acre, é mole!!!

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