segunda-feira, 23 de julho de 2012

Os Dois Gumes da Faca

Não entendo a surpresa com que a imprensa e parte da população tratam o aumento da delinquência juvenil. Uma análise das transformações ocorridas na sociedade, especialmente nas últimas três ou quatro décadas, é suficiente para se estabelecer uma relação de causa e efeito que, infelizmente, não foi observada a seu tempo. A falha na visualização das consequências a longo prazo de transformações impostas foi determinante para que, hoje, tenhamos o atual quadro: total falta de responsabilidade de nossos adolescentes e completa falta de princípios de respeito e autoridade, fundamentais na organização de qualquer tipo de grupo humano.

Os estudiosos de outrora, que alertaram acerca dos malefícios da chamada "evolução da sociedade", não foram ouvidos e, quando ouvidos, não foram levados a sério. Isto deve-se ao fato de que no mundo dos analistas e estrategistas brasileiros, raríssimos são aqueles que conseguem enxergar além de dois ou três anos de seu tempo. Os que o fazem, são rotulados de teóricos da conspiração, antiquados ou conservadores (que no Brasil, é o pior dos xingamentos). Como produto desta falta de observâncias dos fenômenos históricos e sociais em marcha, temos o que vemos agora: crianças e adolescentes sem qualquer noção de hierarquia social ou responsabilidades, o que resulta em indivíduos fisicamente adultos e mentalmente infantis.
A coisa toda começa ainda nos bancos escolares onde, por influência terrível do famigerado método construtivista, a autoridade do professor deixa de ser observada. O mestre de outrora passa a ser mais um "amigo" que "sabe tanto quanto o restante da turma". Ele deixa de ser o irradiador de conhecimentos para  ser um mero aprendiz; as consequências deste posicionamento são previsíveis: perda de autoridade. Com a turma de estudantes fora do controle do professor, fica impossível para este a punição àqueles e, quando o faz, ele próprio acaba sendo punido. Isto fica ainda mais evidente quando pais de alunos veem tirar satisfações de uma ou outra atitude dos professores quando estes impõem a sua autoridade sobre seus alunos. Em tempos passados, uma chamada de atenção de um educador era algo extremamente instrutivo ao aluno que era colocado na sua posição de estudante, isto sem contar na bronca que se tomaria em casa.
Entretanto, com sucessivas gerações sendo ensinadas a não respeitarem a autoridade de seus professores e pais, novas acabam surgindo e sendo educadas por pais que já cresceram em um ambiente "moderno e descontraído". Resultado: crise de autoridade. Esta característica irá acompanhar o indivíduo na sua idade adulta, pois ele sabe que não será repreendido por suas atitudes que serão encaradas com extrema complacência daqueles que deveriam enquadrá-lo. Não é culpa do adolescente em si, mas da estrutura social que o rodeia e o programou para um mundo onde seus atos inconsequentes não serão interrompidos ou punidos. Fatos que comprovem esta situação não faltam, sendo que o mais flagrante foi o do adolescente que pichou a parede de uma escola e foi punido por sua professora a limpar a parede, o que acabou acarretando a demissão da docente. Não é surpresa, pois, que adolescentes além de cometerem crimes nas ruas passem a atuar dentro das salas escolares, desrespeitando totalmente seus instrutores. 
Mas como chegamos a este ponto? Ora, a progressiva corrosão dos valores religiosos e familiares levada a cabo nas últimas três ou quatro décadas é a causa primordial dos efeitos que hoje observamos. Conceitos como o direito das crianças e dos adolescentes se vestem de algo aparentemente benéfico e positivo, mas trazem em seu interior leis e regulamentos que irão deteriorar os princípios de religião e família, seja pela retirada da autoridade dos pais sobre seus filhos, seja pelo incentivo a que filhos se revoltem contra eles. O Estado acaba assumindo o papel de educador, transformando crianças em difusores de seus ideais, o que é especialmente grave em casos como o Brasil, onde Estado, Governo e Partido se fundiram em uma coisa só.
A deterioração dos valores sociais fundamentais que se verifica no país não é um fenômeno isolado e tampouco obra do acaso. Trata-se de uma estratégia bastante planejada e de alcance mundial, que se iniciou na década de sessenta com o movimento hippie, o feminismo e o ambientalismo. Estes movimentos não foram obras da indignação de um ou outro grupo, mas o resultado da atuação da propaganda soviética no seio da sociedade ocidental. Como disse Yuri Bezmenov, oitenta a noventa por cento da energia utilizada pela KGB não se concentrava na área de espionagem ou militar, mas na propaganda. E qual o objetivo disto tudo? Desestruturar a sociedade para que ela veja nos partidos progressistas (socialistas s comunistas), a solução para os seus problemas que, na verdade, foram estes partidos que criaram.
Seria ingenuidade, porém, acreditar que tal campanha de corrupção social seja feita a olhos vistos, nos discursos de palanques eleitorais. Esta campanha ocorre ainda nos centros irradiadores de opinião, especialmente no meio universitário, jornalístico e midiático. Querem um exemplo recente? No programa Fantástico de domingo último foi feita uma reportagem sobre as condições de higiene e segurança a que são submetidos os menores infratores. A reportagem encerra-se com a constatação de que o principal responsável pela existência cada vez maior de menores delinquentes e a desestruturação da família. E quem promove sua desestruturação? A própria mídia e a indústria cultural.
Nossos políticos, jornalistas e artistas são como facas de dois gumes: causam o problema e dizem ter soluções para o mal que eles próprio causaram. Nossos professores, iludidos por falsas promessas, endossam e disseminam tais práticas, respaldados por hordas de pedagogos, psicólogos e educadores que teorizam sobre coisas que não entendem e potencializam cada vez mais a progressiva destruição de nossa sociedade. O resultado? É esse que se vê.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Porque Pagamos Impostos

Cinco meses e meio é o tempo estimado que um brasileiro trabalha para pagar impostos. Resta pouco mais de meio ano para que possamos efetivamente usufruir dos frutos de nosso trabalho. E não é só o operário que paga uma carga tributária absurda; os empresários são aqueles que mais são sugados pelo vampirismo estatal. Os impostos brasileiros são desenhados para punir aqueles que conseguem comprar bens de alto valor agregado e que ganham salários mais elevados. Ou seja, quanto mais a criatura se esforça para tentar aumentar sua renda, mais o Estado o pune com sua gana por impostos, como se ganhar muito dinheiro fosse algo asqueroso, nojento mesmo. Entretanto, apesar das diferenças que existem na quota a ser subtraída de cada um de nós, uma coisa é certa: todos saem prejudicados.
Os defensores de tal tributação hão de argumentar que para prover os serviços ao cidadão, é necessária a tributação da população. Afinal, sem recursos financeiros a máquina para. Para essas pessoas, este é o motivo pelo qual pagamos impostos: promover o bem-estar coletivo, seja pela prestação de serviços sob  tutela do Grande Irmão, seja pela distribuição de bolsas financeiras para os mais necessitados. Justificar-se-ia, assim, a irreal realidade tributária do país.
Mas este não é o motivo pelo qual pagamos impostos. Por este raciocínio, deveríamos ter serviços públicos de alta qualidade, uma infraestrutura invejável, educação e saúde decente, etc. Não é isto o que acontece, nem tampouco o que observamos nos noticiários ou in loco. Muito pelo contrário. Todos os setores que são administrados pelo poder público têm uma característica em comum: ineficiência. A prova é que se o cidadão quer ter um serviço satisfatório invariavelmente vai procurar a iniciativa privada, inclusive para a área da segurança, único motivo pelo qual o Estado foi concebido. Desta maneira, aqueles seis meses nos quais deveríamos trabalhar para nossa cultura, lazer e alimentação acabam revertidos para a educação, saúde, segurança e infraestrutura. O resultado é que trabalhamos para pagar impostos que deveriam financiar serviços que não precisaríamos pagar. E isto não acontece, e detalhe: sobre estes serviços incidem impostos, os quais pagamos novamente; um verdadeiro duplo assalto.
Verifica-se, pois, que não pagamos impostos para termos serviços estatais de qualidade. Então, para quê os pagamos? A resposta é simples: para o aparelhamento do Estado. Os tributos que são cobrados sobre nossos ganhos, sobre os produtos que compramos ou bens que possuímos servem apenas para garantir polpudas remunerações para agentes estatais e funcionários públicos que tocam a administração.
O problema é que na maioria das vezes estes funcionários são incapazes, incompetentes e corruptos, e o pior; o alto escalão é composto por pessoas sem qualquer habilitação para ocupar cargos de direção e chefia. O critério utilizado não é o mérito, mas a orientação partidária. Não obstante, ao atingir a estabilidade, o servidor literalmente se joga nas cordas e espera o tempo passar. Afinal, para quer trabalhar bem se o emprego está garantido não é mesmo?
Não obstante, a criação desenfreadas de secretarias, ministérios e afins em todas as esferas do poder público onera significativamente o Estado, além de torná-lo cada vez mais burocrático. Alianças partidárias definem quem ocupará que cargo e quais outros serão criados. Reajustes e aumentos desenfreados na remuneração de servidores públicos, políticos e magistrados torna a conta pesada demais para ser paga sem uma asfixiante cobrança tributária. O produto desta multiplicação é um país lento, corrupto e caro. Por conta disto tudo, carreiras como a dos docentes, médicos, policiais e militares não são valorizadas, trazendo consequências praticamente irreversíveis para a estrutura da sociedade. E adivinhem qual é a solução proposta para melhorar a situação? Criação de mais Ministérios, Secretarias e etc. E a espiral segue ascendendo.
Outrora, pagava-se tributos pesados para manter-se o Rei e a nobreza vivendo em meio ao luxo e a ostentação, sem que eles próprios precisassem trabalhar. Hoje pagamos tributos para mantermos governantes, juízes e infindáveis Secretários e Ministros vivendo no luxo e na ostentação às custas da população. A diferença é que, séculos atrás, as pessoas reagiram.


domingo, 1 de julho de 2012

Votando "Na Pessoa"

Começam as eleições. Campanhas são realizadas pelas cidades, pessoas se envolvem em acalorados debates, discutindo em quem votar, qual o melhor candidato, qual a melhor proposta, etc. Fatalmente, na roda de eleitores, sempre surge uma afirmação que se torna um mantra repetido pela grande maioria daqueles que irão votar, neste caso, para prefeito: O voto na pessoa.
A coisa começa assim. Durante a conversa, alguém diz que não gosta deste ou daquele partido, por isto não dará seu voto ao candidato que represente aquela agremiação. Subitamente, um iluminado grita: "por mim não tem problema. Eu voto na pessoa, não no partido". E assim, vomitando uma pretensa sapiência política, o indivíduo sai do debate como sendo a grande mente que trouxe à questão o indivíduo, e não a estrutura do partido. Ele, assim como milhões de outros eleitores, caiu na armadilha do salvador, daquele que fará as mudanças necessárias sem se importar com a orientação da coligação que o elegeu. Erro primário e fatal.
Nunca se vota "na pessoa". Sempre se vota em um partido e em suas ideias. Ora, se determinada pessoa escolheu determinada sigla para se candidatar, não foi à toa. Ela se identifica com seus projetos, sua ideologia e suas determinações. Paralelamente, um partido não colocará como candidato alguém que não esteja comprometido com suas diretrizes e consoante com sua ideologia. Ademais, alguém que é militante em determinada agremiação defende seus valores e se compromete com eles. 
Ao votar em um candidato, nenhum eleitor estará elegendo uma pessoa isoladamente. Ele estará elegendo todo um projeto que está no cerne do partido do candidato, nas atas de suas convenções, e no seu estatuto. Alçar alguém à condição de prefeito, presidente ou deputado significa colocar a sigla que ele representa no poder, e não o indivíduo em si.
O grande problema é que raríssimos são os eleitores que se preocupam em estudar a fundo a ideologia defendida por seus candidatos. Isto, porém, não é privilégio das pessoas comuns. Jornalistas, acadêmicos, e cientistas políticos também ignoram por completo quais são os reais propósitos das infinitas combinações de letras que formam a sopa partidária do país. Com uma população desinformada, e que não recebe a informação dos órgãos de mídia, especialmente a imprensa, fica fácil entender porque tantas pessoas "se arrependem" por ter votado "naquela pessoa tão boa"... Se estudassem sobre a bandeira que defendiam, não haveria surpresas.
Como resultado desta ignorância, temos uma infinidade de pseudo-salvadores espalhados no país. Aqui no Rio Grande, o exemplo mais marcante é de uma certa Manuela D'Ávila que conquista seus eleitores com inegável carisma e um discurso aparentemente apaziguador com seu famoso bordão "e aí, beleza?". Individualmente, é uma candidata que inspira confiança. Ninguém resolve, porém, estudar o partido que ela representa, o P C do B. Caso o fizessem, saberiam que esta agremiação é de ideologia comunista na sua vertente maoísta. E o que significa isto? Bom, Mao Zedong foi o líder da revolução chinesa, pedófilo e estuprador. Sua ideologia levou mais de 60 milhões de chineses à morte pela fome, e outros tantos ao canibalismo para sobreviver. E ainda sobrou tempo para aniquilar a cultura milenar chinesa com sua revolução cultural. E é nisto que a candidata Manuela acredita. Ou porque estaria defendendo as cores do P C do B?
Este foi apenas um exemplo. Se observarmos os demais partidos que concorrem às eleições deste ano, muito saberíamos do que nos aguarda. É por este motivo que as atitudes dos últimos Presidentes da República não foram surpreendentes para as pessoas que estudam suas raízes ideológicas. Aliás, estas chegaram mesmo a alertarem sobre o que iria acontecer. Na época, foram chamados de teóricos da conspiração. Viu no que deu?
Quando forem às urnas (vocês, porque eu sempre justifico), não pensem que estarão elegendo a pessoa, o indivíduo para prefeito. Pesquisem a ideologia dos partidos que ele representa na campanha eleitoral. São estas ideologias e diretrizes nas quais estarão votando, independentemente do que diga o seu candidato queridinho. São elas que os governarão pelos próximos quatro anos.