sábado, 25 de agosto de 2012

O Soldado

Hoje, 25 de agosto, comemoramos o Dia do Soldado. A data é alusiva ao nascimento do Duque de Caxias,  patrono do Exército Brasileiro e o pacificador que manteve unido o império. A ele são prestadas as homenagens. A ele são creditadas as maiores glórias de nosso exército e, por extensão, ao soldado. Por estes motivos, não pretendo falar de Caxias e de sua trajetória gloriosa e vitoriosa permeada de acertos, mas de erros também. Não podemos no iludir de que o Duque tenha sido perfeito. Não o foi. Mas foi o exemplo d atuação do soldado na defesa da pátria.
Por ser Caxias tão homenageado e exaltado neste dia, com toda a justiça do mundo diga-se de passagem, não falarei do Patrono, aliás, único Duque que este país teve. Prefiro ater-me ao soldado, aquele ser anônimo que, como Caxias, mantém viva a integridade territorial e a segurança do país. Reportarei-me aos anônimos e famosos que com sua bravura e coragem mantém viva a chama do patriotismo tão esquecida nos meios alheios ao militar, como se ser patriota e externar este sentimento fosse algo ruim, careta, ou cafona... Não é. O patriotismo, mantido vivo por cada soldado, fardado ou não, é o que move todo o país e assegura a esperança de dias melhores nestes tempos sombrios. Mas quem é o soldado?
O soldado é o herói anônimo. É aquele que está de vigília quando todos estão dormindo, o homem que garante aos cidadãos suas liberdades, e sua segurança. Historicamente, é a razão de ser do próprio Estado, organizado com o propósito único de garantir a segurança de seus integrantes diante de ameaças externas e internas. Nenhum povo, império ou civilização existiu sem ter se apoiado sobre a lança e o escudo de seus homens-em-armas, responsáveis por garantir que os indivíduos possam viver suas liberdades e suas crenças sem medo, na certeza de que alguém está permanentemente guardando sua segurança.
O soldado é um altruísta. É o homem que estará isolado nos rincões mais distantes do país zelando pela manutenção de suas fronteiras, distante das facilidades da vida urbana, enfrentando as dificuldades mais elementares como o fornecimento de energia elétrica e o atendimento médico precário, muitas vezes distante mais de mil quilômetros de grandes centros, onde só se chega por barco ou avião. É o representante solitário do Estado, onde ninguém mais ousa ficar, onde as dificuldades só podem ser encaradas e superadas por aqueles desprovidos de ambições maiores que não seja o simples servir à pátria, mesmo quando aqueles que a governo insistem em lhe dar as costas. É o prefeito, o pároco, médico, dentista, conselheiro, juiz e advogado em locais onde a única lembrança de que ali também é Brasil repousa na bandeira estampada na manga esquerda de sua farda e no toque solitário do clarim ou da cornete ao cumprir o sagrado e diário ritual do hastear a Bandeira Nacional.
O soldado é também desbravador. Afinal, não foram com médicos, professores, burocratas ou cientistas que as fronteiras brasileiras foram determinadas. Homens como Pedro Teixeira, Lobo D'Almada ou o Marechal Rondon foram soldados que pisaram nos sertões brasileiros onde ninguém mais ousara ter ido. Levaram a nacionalidade a regiões inexploradas onde contactaram indígenas, fortificaram postos avançados de vigilância, conquistaram territórios inexplorados. Garantiram, enfim, a posse territorial da Amazônia para o Brasil e consolidaram as fronteiras ao sul do país, quer seja nas guerras guaraníticas, quer seja nos combates e nas guerras contra os espanhóis. E o que os movia? Glória? Pompa? Reconhecimento? Não. O sentimento que movia aqueles soldados de séculos atrás era simplesmente o desejo de conquistar territórios e expandir os domínios portugueses que, posteriormente, seriam os domínios brasileiros. Hoje, não fosse a historiografia militar, pouco ou quase nada restaria destes destemidos soldados que arriscaram suas vidas com o objetivo único de engrandecer a pátria a qual pertenciam. São heróis, todos eles, mesmo que nos bancos escolares mesmo que muitas vezes seus nomes não sejam sequer mencionados.
O soldado é, também, um incompreendido. Por muitas vezes, precisa utilizar-se das forças das armas para impor a legitimidade da pátria que defende. Foi assim que Caxias apaziguou e uniu o território nacional, sempre buscando atender o interesse dos revoltosos durante o conturbado período da Regência. Foi assim que Osório, Sampaio, Mallet, Cabrita e tantos outros lutaram contra a tirania de Solano López quando este ousou violar o sagrado território pátrio. Foi assim quando o Marechal Mascarenhas de Moraes e os integrantes da FEB lutaram contra o fascismo que ameaçava a liberdade do ocidente, derramando sangue brasileiro em solo italiano, até hoje grato pela libertação levada pelos soldados de Caxias. Foi assim durante a história brasileira e seus diversos períodos de turbulência, desde a questão republicana até a contra-revolução de 1964 que garantiu inclusive àqueles que ela combateu, a liberdade para que hoje continuem professando seus ideais.
O soldado é, enfim, um servo da nação. Não pode sucumbir às ideologias passageira de governos. Não pode fazer greve por melhores condições de trabalho ou remunerações, pois a ele cabe ser o último argumento do Estado diante de qualquer problema que possa colocar em risco a existência ou a sobrevivência de sua pátria. Não é uma profissão, não é trabalho, não é emprego, e nem mesmo sacerdócio. É honra e vocação. É ser incompreensível e invisível, ao mesmo tempo que é a fundação mais profunda de qualquer civilização. Não é uma classe; é a própria representação da nacionalidade brasileira. Não é diferente do soldado de ontem como querem fazer acreditar os civis que hoje ocupam cargos de chefia das Forças Armadas sem nunca sequer terem dividido uma marmita ou o quarto de hora em gélidas manhãs de um julho no Rio Grande do Sul ou em sufocantes tardes de calor implacável nas selvas e na savana roraimense. O soldado de hoje é o mesmo soldado que expulsou o  exército mais poderoso do mundo em Guararapes, que lutou contra o ditador López no Paraguai, que enfrentou as gélidas montanhas italianas na segunda grande guerra, e que impediu que nosso país caísse nas mãos de uma ideologia que matou mais de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo. 
Por mais que os meios acadêmicos, jornalísticos e governamentais insistam em tripudiar, falsificar e mentir sobre a história das Forças Armadas do Brasil e da atuação de seus soldados, uma verdade permanece: são os homens e mulheres fardados que garantem a segurança e a proteção de nossas fronteiras. São estas pessoas que são chamadas quando greves e paralisações atingem órgãos policiais, de saúde e de fiscalização. Sem cobrarem diárias adiantadas e muitas vezes tendo que tirar do próprio bolso para cumprir a missão que lhes foi dada, lá vão os soldados anônimos acudir a pátria em desespero e apoiar o povo em calamidade. Uns dizem que são uns "otários" por partirem para sua missão sem condições ideais e sem a compensação remuneratória merecida. Enganam-se, porém, aqueles que acham que não há indignação no seio de cada soldado por serem cada vez mais alijados das prioridades governamentais. Entretanto. o soldado não é um funcionário, não é um empregado e tampouco um operário sindicalizado. Não. O soldado é a própria pátria, o próprio Estado. Antes de qualquer reivindicação, o soldado coloca a sua honra acima de tudo, e é por ter jurado lutar pela pátria e pôr a sua vida à disposição dela que ele cumpre seus deveres, sem esperar reconhecimento, medalhas ou gordos salários. É por isso que nossas Forças Armadas, em particular o Exército Brasileiro, possuem o mais alto grau de credibilidade dentre todas as instituições do país. 
A população sabe que, quando tudo falhar, quando mesmo o governo falhar, lá estarão os seus soldados, herdeiros de tradições imemoriais que têm como única motivação o servir à pátria e a seus filhos. Não esperam  reconhecimento, nem compreensão. A eles, a maior de todas as recompensas é poder dormir a noite como sentimento do dever cumprido e com a serenidade de que a população confia em seus homens fardados, pois tem consciência de que a eles nada mais importa que não seja o país  que servem. Podem tripudiar, detratar, falsificar e tentar separar nossos soldados entre os "de ontem" e os "de hoje". Não conseguirão. Pois no peito de cada soldado brasileiro bate o sentimento único de servir, sem qualquer pretensão partidária ou governamental. Afinal, não há maior recompensa para qualquer entidade do que o reconhecimento de mais de 80% a população na sua capacidade, mesmo quando os formadores de opinião insistem em vilipendiá-la. 
A cada soldado, de ontem e de hoje, parabéns pelo nosso dia. Que saibamos prosseguir na nossa missão altruísta de lutar e defender nossa nação contra toda e qualquer ameaça. Não somos diferentes dos combatentes de Guararapes, da Guerra do Paraguai ou da Contra-Revolução de 1964. Somos iguais em espírito e em atitudes, mesmo que incompreendidos por nossos contemporâneos. Únicos e indivisíveis, assim somos e, se preciso for, interviremos novamente, como sempre fizemos quando a pátria chamou. O Exército de hoje é o mesmo de ontem e assim permanecerá, mesmo quando os semeadores da discórdia insistirem em nos diferenciar dos heróis do passado.


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