quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Sobre Eleições e Escândalos

O certame municipal se aproxima e, como nos últimos 10 anos, novamente terei minha falta à votação justificada. Alguns ficam raivosos com uma atitude destas; dizem que estou abrindo mão da cidadania e do direito de votar... Não é este o caso. Trata-se apenas de uma forma silenciosa de protesto por transformarem em dever algo que deveria ser um direito, além do fato de que absolutamente nenhum candidato para cargo algum reflete as aspirações deste eleitor (ou seria não-eleitor) que vos escreve. Simples assim, sem maiores delongas. Voto no Brasil é pérola atirada a uma vara de suínos que se apoderam de cargos públicos para aplicarem a mesma estratégia de poder, sem distinção de sexo, raça, cor, religião e partido. Literalmente, são todos farinha do mesmo saco.
Não tratam estas humildes linhas da questão do voto em si, mas da cobrança dos eleitores após a posse de seus eleitos. Promessas são descumpridas antes mesmo da assunção do mandato. Posições opositoras são agora abandonadas e, caso seja a situação reeleita, inexistentes. Quem não lembra do atual governo  estadual alegando ser um absurdo o aumento do IPVA no RS nos tempos de Yeda? Poucos, especialmente o próprio que tratou de reajustar as tarifas tributárias sem pestanejar. Afinal, a retórica do palanque agora torna-se dispensada e com a população tudo pode ser feito, pois tudo será esquecido. Eles, os governantes, sabem da memória amébica do povo que esquece tudo por uma esmolinha qualquer. Não é de se espantar que o pessoal que planejou e executou o mensalão ganhou mais quatro anos de mandato junto à cadeira imperial de presidente da federação mais fajuta do planeta.
Sobre o esquema do partidão, aliás, mister se faz a leitura de um interessantíssimo artigo escrito por um procurador da república sobre o incrível não julgamento do Big Molusco Brasil no caso do mensalão. O site original da postagem  foi deletado por forças obscuras do petismo está passando por problemas técnicos. Nela, verifica-se que os acusados têm chances enormes de não serem condenados pois as provas incriminam o Lula-lá, e não o Dirceu lá no STF. E olha que nem é bom mencionar as decisões equilibradas e imparciais da Suprema boba da Corte tupiniquim como foram os casos Battisti e Raposa - Serra do Sol. Ademais, a oposição (oposição.... sei) deveria ter exigido o impedimento do Presidente da República à época, e não deixar o caso esfriar para transforma-se num mero espetáculo virtualmente circense, onde os "bois de piranha" já estão escolhidos para serem crucificados no processo, deixando ao povo a ideia de que o partido "apurou, puniu e prendeu".
Mas não só de mensalões vivem os homens do congresso, mas de toda a riqueza que roubam do povo de Deus. O mensalão é apenas o mais pop deles. Superfaturamento de obras públicas, verbas de gabinetes, funcionários fantasmas, recebimento de propinas, a lista é praticamente infinita. E entra governo, sai governo e a corrupção apenas se aprofunda com todos querendo mamar nas fartas tetas governamentais, seja diretamente seja indiretamente pelo favorecimento de seus apadrinhados. Sobre isso, nada de protestos... Afinal, quando o governo detém o monopólio do protesto (UNE, ONGs, MST, Universidades, Estudantes, Jornalistas e Professores a serviço "da causa"), é muito difícil que eles ocorram. 
Quanto às eleições, nada de bom nos aguarda. Mentirosos continuarão sendo eleitos e corruptos seguirão sugando como vampiros o sangue de cada trabalhador brasileiro. Promessas serão feitas, quase todas serão descumpridas. Crimes de responsabilidade serão cometidos, enriquecimentos ilícitos acontecerão, apadrinhamento políticos em bem remunerados cargos públicos não cessarão.
 E o povo? Bom, o povo vai continuar na ilusão de  que as coisas estão andando. Tem obra para todo lado, cotas para meio mundo e empréstimo fácil não é mesmo? No final das contas ainda vai reeleger a corja que hoje acusa de ser corrupta e parasita. Faz parte. É o preço que se paga pela falta de memória e pela politização de todos os meios formadores de opinião. 
O maior protesto que o brasileiro é capaz de fazer se resume a piadas em programas humorísticos ou a charges de jornais sobre o atual estado de coisas porque passa a nação. Tudo é motivo de gozação, desde a violência física até a corrosão da moral de nossos governantes. Não se veem passeatas, panelaços, nem pressão da população sobre seus governantes, apenas risadas produzidas pela sua própria desgraça. E rir de sua própria ruína é, no mínimo, uma piada sem graça.

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