quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Alfabetizados e Inutilizados

Nas terras tupiniquins ocorre um fenômeno ímpar, pitoresco até: à medida que os números da educação avançam a demanda por mão de obra qualificada também. Parece que a relação entre profissionais qualificados e pessoas diplomadas é inversamente proporcional. O noticiário enche os televisores com números cada vez mais otimista de cidadãos alfabetizados e diplomados, mas parece que isto não se reflete no mercado de trabalho.
Esta situação inusitada é resultado da agonia pela qual passa o sistema de educação do Brasil. A qualidade foi relegada a segundo plano diante da pressão política por números cada vez mais rechonchudos. Chegou-se ao cúmulo de não se permitir a reprovação do aluno a fim de preserva-lhe de um possível "choque psicológico". Se somarmos a isto a famigerada abordagem construtivista do ensino teremos como resultado uma legião de estudantes que não conhecem os obstáculos que a vida lhes impõem, pois sempre tiveram seus egos inchados com elogios rasgados às suas capacidades, mesmo quando não dispunham de nenhuma. O professor deixou de ser o depositário do conhecimento para ser apenas um facilitador, como se por mágica todos os alunos resolvem buscar a aprendizagem por conta própria. Adicionamos um pouco de intervenção estatal de ideologias revolucionárias e o caldo estará pronto: uma horda de estudantes que sabem tudo sobre sexo, questionam a autoridade de seus pais e são proibidos de se posicionarem contra o homossexualismo. Estes mesmos alunos, contudo, não sabem interpretar um texto, resolver uma equação matemática ou analisar fatos históricos. São apenas cabeças vazias com um diploma de graduação.
A escola passou progressivamente a entrar no campo da educação propriamente dita, e esta cabe aos pais. Estes, omissos por opção, convicção ou por já se tornarem parte da nova sociedade de acéfalos, não questionam as sucessivas intromissões estatais em assuntos que deveriam ser tratados entre pais e filhos. Assim, queda-se a autoridade paterna e, por afinidade, todas as outras, incluindo a dos professores que não mais possuem o respeito de seus discentes, ficando refém de seus egos mimados e programados a não aceitarem seus fracassos e derrotas. Temos, portanto, uma geração de cidadãos que não conhecem o significado de conceitos como disciplina e responsabilidade, saindo dos bancos escolares sem o conhecimento necessário para desempenharem as funções que a sociedade espera que exerçam. Foram sendo aprovados e congratulados sem que fizessem o esforço necessário para merecer a aprovação. Não é de se surpreender que mesmo profissionais com mestrados e doutorados sequer conseguem escrever decentemente ou interpretar um texto. Isto ocorre mesmo nas profissões que exigem justamente estas habilidades como professores e advogados.
A falência do ensino no Brasil está intimamente ligada, pois, à superproteção ao aluno, retirando-lhe noções de responsabilidades e comprometimento. O estudante além de não respeitar a autoridade de seu professor, não aceita o fracasso fruto de sua falta de interesse no aprendizado, o que acaba causando sua reprovação. Como resposta, o Estado incentiva a aprovação de incapacitados para "evitar traumas" e, principalmente, rechear suas estatísticas com números favoráveis às pretensões políticas do grupo que o domina, formando um contingente cada vez maior de alfabetizados, bacharéis, mestres e doutores que se tornam cada vez mais inúteis.

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