sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Lembrai-vos dos Injustiçados

Hoje comemoramos a independência do Brasil. As paradas cívico-militares espalhadas por todo o território nacional, enchem  o povo brasileiro de orgulho de pertencerem a esta nação. Os símbolos nacionais são reverenciados e quando passam os militares os aplausos são sempre ouvidos e sinceros. Não são homenagens protocolares as que recebem os integrantes das Forças Armadas que desfilam. As demonstrações de apoio a estes homens e mulheres são verdadeiras e espontâneas; a população sabe que estas pessoas estão comprometidas apenas com a Pátria, e nada mais, razão pela qual gozam de popularidade indiscutível, mesmo com campanhas destinadas à sua difamação.
Diz-se que antigamente as pessoas tinham um sentimento de patriotismo maior, e isto é verdade. Nos meus tempos de primário, cantava-se o Hino Nacional e hasteava-se a Bandeira uma vez por semana, cada turma por vez. Havia até uma "formatura" para se entrar na sala de aula, todos os dias. Semanalmente, ouvíamos o pronunciamento da diretora da escola. Pode parecer draconiano aos olhos dos modernos psicólogos e pedagogos. Cabe ressaltar que nenhuma criança deixava de brincar na hora do recreio. Bons tempos...
Com a acensão cultural dos comunistas (que se mantém até hoje em toda a sociedade), tais práticas foram consideradas "coisas de milico" e paulatinamente estes valores foram sendo capados das escolas. A supressão da disciplina de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil podem servir para ilustrar como valores pétreos foram sendo corroídos e relegados a um segundo plano. Hoje, só lembramos de cantar o Hino Nacional em jogos de futebol e, mesmo assim, fazemos de maneira desrespeitosa, sendo os ignóbeis gaúchos os mais alienados ao substituírem o hino pátrio pelo hino estadual, mesmo quando aquele é que está sendo executado.
Mas como isso se relaciona com a data de hoje? Bem. Juntamente com a progressiva decadência dos currículos escolares (que hoje ensinam como se usa a camisinha mas não a fórmula de Báskara) veio a desmoralização de personagens históricos sem os quais nosso país simplesmente não existiria: os monarcas brasileiros. Não bastasse a difamação patrocinada pelos vitoriosos republicanos (como se a república fosse melhor do que a monarquia) a nova intelectualidade gramciana tratou de reforçar esteriótipos e criar outros tantos, dando a impressão de que a Casa de Bragança somente gerou figuras imbecis, caricatas e idiotas. Nada mais falso.
Não fosse pelas realizações do rei D João VI, talvez seríamos hoje um imenso Portugal. Este monarca, tão injustamente retratado, foi o responsável pela construção do Estado Brasileiro, dando-lhe as instituições necessárias para que este pudesse funcionar. Ademais, não fosse por sua decisão de manter seu filho como príncipe regente do Brasil, o país voltaria à condição de colônia portuguesa. Detalhe: D. João VI fez isto com forte oposição portuguesa, resquícios da Revolução do Porto. Não fosse pela determinação do rei, o país teria tomado um rumo diferente. Pode-se inferir que a invasão napoleônica a Portugal contribuiu para este acontecimento, o que é verdade. Mas não se pode negar que, se desejasse, D João VI poderia simplesmente colocar o Brasil à sua condição anterior de colônia. Deixando seu filho como regente, evitava-se o retorno da condição submissa do país à Portugal.
Foi seu filho D Pedro I, contudo, o proclamador da independência. Sobre ele, e toda a corte imperial, recaem críticas e difamações que são difíceis de serem extirpada do imaginário popular. Afinal, desde a famigerada Proclamação da República, têm-se tornado padrão a deturpação da história do Brasil Império. Assim como seu pai, D Pedro I mostrou-se um homem de grande coragem e valor moral, primeiramente ao não mais acatar as decisões emanadas pelo reino de Portugal (decreto do cumpra-se) e por esmagar todas as revoltas contrárias à independência. Ademais, sua Constituição de 1824 era tão ou mais liberal que a própria carta dos Estados Unidos, fazendo-nos um país soberano e ao mesmo tempo garantidor das liberdades individuais, muito diferente do que se ensina na escola. Seu filho, D Pedro II, saiu-se vitorioso de todas as campanhas militares externas que participou e combateu todas as tentativas de ruptura da integridade nacional. Aliás, uma análise honesta do império fará o estudante concluir que este período foi muito mais republicano do que a própria república.
Estranho é, pois, que as personagens mais significativas do processo de independência do país caiam no esquecimento por simples manipulação de fatos históricos. Com todos os defeitos que estes homens tiveram e mesmo que escândalos tivessem ocorrido na Corte Imperial, é inegável que se tratavam de pessoas dotadas de coragem e de um sentimento de brasilidade que não mais vemos em nossos atuais governantes. Eram homens cultos, inteligentes e que zelaram pela manutenção da independência e pelo bem-estar do Império mercê de todas as dificuldades encontradas. Alijá-los das homenagens pela nossa independência é injusto e desonesto.
Não é porque nos tornamos uma república que devemos simplesmente esquecer os homens e mulheres que forjaram o Brasil e garantiram sua soberania. Por fim: quem foi que disse que estamos melhor como republicanos do que como imperiais??




Nenhum comentário:

Postar um comentário