terça-feira, 27 de novembro de 2012

Os Inúteis Royalties

Descoberto petróleo e a discussão da divisão dos royalties vem à tona. Como mendigos, as províncias do império se debatem sobre o assunto, exigindo que a União resolva distribuir os recursos gerados com a exploração do ouro afrodescendente (vá que que me acusem de racismo), de maneira que todos os integrantes do Estado Brasileiro possam ser beneficiados com um aporte maior de recursos que resultaria em maiores investimentos em áreas como a saúde, a educação e a infra-estrutura. Assim, prefeitos se mobilizam para pressionar a imperatriz a fim de que se reveja a política em relação à exploração petrolífera e dê às demais cidades, os lucros gerados por sua exploração em solo tupiniquim. Sobre tal demanda, duas observações:
Primeiro. Caso os recursos dos royalties sejam divididos com todos os estados e municípios que compõem a federação, não teríamos melhorias em praticamente nenhum aspecto na grande maioria das municipalidades. A experiência mostra que a folha de pagamento da administração pública aumenta de forma proporcional aos recursos disponíveis. Cargos são criados ao bel prazer das necessidades políticas, nunca em favor das demandas administrativas. Assim, não  importa a quantidade de recursos disponíveis, o governo sempre buscará apadrinhar seus conchavos e inflar a máquina pública, além de aumentar os próprios salários. A falta de dinheiro para investimentos reside fundamentalmente na incapacidade consciente que os governantes têm em não conter o seu déficit. Não obstante, nas cidades que recebem os famigerados royalties, não se vê uma diferença tão significativa em relação aos demais municípios brasileiros no que tange aos problema enfrentados.
Segundo. A marcha ou manifestação dos prefeitos, aos se dirigir à questão dos royalties, dispende tempo, energia e recursos que poderiam ser utilizados em uma questão que realmente precisa ser revista que é a questão tributária. O  modelo de recolhimento de impostos do Brasil faz com que virtualmente toda a riqueza produzida pelos Estados e Municípios sejam tragadas para a União. A concentração de recursos financeiro na mão da Corte torna os demais entes da federação, reféns de seus investimentos. O resultado é que obras que poderiam ser feitas pela administração municipal passam a ser privativas da presidência da república. Tal situação amarra as mãos de prefeitos e governadores que em tudo dependem da União e acaba tornando o administradores municipais meros mendigos passando o chapéu por recursos federais que, em última análise, são deles próprios. Com tamanha quantidade de dinheiro disponível aquela passa a criar cargos e mais cargos para apadrinhados e aliados políticos transformando a imensa quantidade de riqueza produzida em salários para funcionários ineficientes e altamente corruptíveis, deixando mísera quantidade de recursos para investimento.
O tempo gasto pelos prefeitos ou mesmo por comentaristas de TV na discussão dos royalties do petróleo deveria ser revertido para se debater a diminuição do tamanho da máquina pública e a concentração dos tributos nas mãos da união. Caso contrário, recursos como o dos royalties continuarão sendo úteis apenas para pagar salários e para a criação de novos cargos inúteis para apadrinhados do governo. 
Se oficialmente somos uma República Federativa, na prática estamos mais para um Império.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Política e Futebol

Muitas pessoas aqui no Brasil tem uma verdadeira ojeriza pelo canal de notícias FoxNews, dos EUA. O motivo principal desse ranço é o fato de que este canal mantém uma vigilância constante do governo Obama, tornando-se uma virtual estrela solitária a fazer um contraponto diante das gigantes CNN, CBS, MSNBC, dentre outras. Por ser um governo alinhado com a esquerda, é de se esperar que os intelectualóides brasileiros tenham certo desprezo pelo canal da News Corp. O certo é que, mesmo com suas deficiências, os EUA ainda possuem dentro de sua imprensa, empresas capazes de serem a contrapartida à unanimidade midiática, fiscalizando e cobrando do seu governo os rumos que aquele país parece prosseguir, ou seja, cumprindo o seu dever jornalístico.
Cá no Brasil, acontece algo semelhante. Possuímos diversas empresas de comunicações que oferecem contrapontos e discussões acerca do caminho pelo qual está enveredando nosso país. Analistas competentes divergem e debatem sobre as estratégias para o futuro e de como podemos chegar aos objetivos traçados por nossos dirigentes. Todos os dias, inúmeros são os programas de rádio e televisão que reúnem em uma mesa redonda, renomados especialistas, e pessoas nem tão renomadas assim mas de vasto conhecimento, para que possamos, finalmente, alcançar (ou retornar?) à posição que tanto almejamos no cenário internacional. Como nos EUA, existem emissoras de televisão que são execradas pelo seu posicionamento, em favor de um lado ou outro. É claro que estou falando de futebol.
Seja na TV por assinatura, seja na TV aberta, as análises esportivas acerca dos rumos de nossa Seleção Nacional ou dos clubes futebolísticos são debatidas com afinco, propriedade e entusiasmo. Táticas são discutidas, sistemas de jogo e estratégias de longo prazo são analisadas, tudo para manter o país do futebol na sua condição de melhor do mundo. Empresas de rádio dedicam horas de sua grade diária para o assunto, o mesmo acontecendo com os jornais e a televisão. Nos canais fechados, programas semanais são dedicados justamente a fazer um resumo dos fatos acontecidos no mundo da bola, sempre contando com debatedores competentes e de visões antagônicas, fundamental para a ocorrência de qualquer debate produtivo.
Infelizmente, o mesmo não podemos dizer quando o assunto é a política do Brasil. Não temos na nossa imprensa (de todo tipo) a mesma cobertura dada ao evento futebol. Nossos canais televisivos, estações de rádio e empresas de jornais, limitam-se a análises superficiais com profissionais tendenciosos e que muitas vezes desconhecem os mais elementares fundamentos da investigação e das relações de causa e consequências advindas dos desdobramentos que se passam no planalto central. O que temos é um bando de papagaios que limitam-se a repetir o que impõem o politicamente correto, deixando de fazer aquilo que deveriam: informar.
Assim, questões como o kit gay, a "lei anti homofobia", a questão da palmada, as quotas raciais, o marco regulatório da imprensa, os desvios maciços de dinheiro e mesmo o caso do mensalão (isso para citar somente os mais recentes) não são propriamente levados à mesa redonda, onde debatedores podem, com suas visões e ideias divergentes, analisar a fundo os assuntos políticos da semana. O principal motivo para que isto ocorra é a total formatação pela qual o profissional de imprensa e da área das ciências sociais e humanas passa durante seu período acadêmico, onde é programado a responder aos estímulos externos sempre com a mesma opinião pró agenda ideológica que, nos últimos 40 anos, é majoritariamente (senão totalmente) de esquerda.
Injusto seria deixar de citar alguns programas do canal GloboNews que, mesmo que fracamente, tentam colocar em debate questões que afetam diretamente toda  a sociedade tal qual a conhecemos. Entretanto, não há comparação quando colocamos a quantidade de programas destinadas às analises esportivas em relação aos de análise política. 
Se tivéssemos em nossa imprensa a mesma gana e competência do futebol na política, teríamos certamente uma compreensão diferenciada acerca dos rumos que o país está tomando. Se tivéssemos uma análise diária de nossos governantes e candidatos a cargos eletivos como temos àqueles que disputam cargos de presidência em clubes de futebol, votaríamos com mais consciência e conhecimento. Se tivéssemos pessoas que questionassem efetivamente nossos governantes, que investigassem os planos de governos e o estatuto dos partidos políticos teríamos uma noção acurada sobre as consequências que certas políticas governamentais teriam sobre nossas vidas. Mas isto derrubaria muitos governos, muitos partidos e colocaria nossa imprensa nua diante de sua audiência. É por isto que o futebol é mais importante do que a política.

domingo, 11 de novembro de 2012

A Verdade Incomoda... Mesmo

No jornal Zero Horal deste domingo, editorial e um artigo de opinião chamaram a atenção. O primeiro, trata da liberdade de expressão e informação, utilizando como exemplo o caso da guria de Florianópolis que escreve sobre a sua escola. O segundo trata de uma exaltação a Obama, lugar-comum na imprensa brasileira. Entretanto, ambos os textos servem para mostrar que este veículo de informação (?) sofre do mesmo mal que acomete a massa da imprensa brasileira: parcialidade crônica mantida por um propósito às vezes inconsciente de se ocultar a verdade.
O caso mais recente que confirma a total falta de profissionalismo jornalístico da imprensa nacional foi o processo eleitoral dos EUA. De fato, o pleito foi apenas o ápice de uma cobertura parcial, emotiva e antiprofissional acerca do que acontecia em solo norte-americano. As tentativas do presidente americano reeleito de socializar a economia não foram debatidas ou analisadas no Brasil, mas apenas ovacionadas como sendo extremamente necessárias e benéficas para promover a inclusão social nas terras do Tio Sam. Curiosa foi a maneira com que se chegou a esta conclusão: mentalidade brasileira para entender um problema americano.  E viva o relativismo!
Outros exemplos podem ser citados, como a rotulação infundada do movimento Tea Party como sendo republicano e "ultraconservador", passando pela total inércia acerca das investigações sobre os documentos falsificados utilizados por Obama para que pudesse concorrer à Casa Branca, como sua Certidão de Nascimento e Certificado de Alistamento militar, fatos canalhamente ignorados tanto pela mídia tupiniquim quanto pela própria mídia dos EUA. Parece que, por ser negro, Obama possui uma espécie de salvo-conduto para se manter presidente. Se os documentos são ou não verdadeiros é uma questão que gera dúvidas. O problema foi a ocultação covarde feita por TODA a imprensa brasileira, à exceção de sites conservadores e de jornalismo realmente informativo, como o Mídia Sem Máscara.
No artigo que apóia o democrata, o autor, entre outras bobagens, indigna-se com a oposição da "direita", contra o "SUS" de Obama como ele mesmo chama, e imigrantes em geral. Nada de mais quanto a isso. Afinal, todos nós temos direito de expressar nossas opiniões. O problema é que o jornal não deu e não dá o mínimo espaço para um contraponto, para uma pessoa que pelo menos tenha lido um livro sobre a História dos EUA e sua formação como nação que pudesse explicar o porquê desta oposição. Analisar qualquer país sob a ótica da experiência tupiniquim é nada menos que uma canalhice, má-fé jornalística. Outrora, ZH tinha Olavo de Carvalho (demitido por revelar a ligação FARC-PT). Hoje tem o não menos brilhante Percival Puccina, solitária andorinha que faz a "oposição ideológica" à massa formatada dos demais integrantes do grupo RBS. Lamentável. E este periódico quer nos fazer crer que trabalha com imparcialidade?
Foi exatamente isto que o jornal quis transparecer em seu editorial deste domingo:
(...)
Para merecer a atenção e o respeito de seus públicos, os meios de comunicação têm o dever de apresentar todas as versões dos fatos, de contemplar a pluralidade de opiniões e de colocar o interesse coletivo acima de seus próprios interesses. (...)
Apresentar todas as versões dos fatos? Contemplar pluralidade de opiniões? Onde isto ocorre na imprensa brasileira? Onde isto ocorre na pomposa ZH? Ou será que os editores deste veículo de informação acham que colocar um articulista com pensamento diferente dos outros "cinquenta" é promover a pluralidade de opiniões? Ou taxar o movimento Tea Party de ultraconservador e elevar o presidente democrata a uma condição de santidade sem analisar o estrago que sua administração fez aos EUA é ter todas as versões dos fatos? Ainda, não escrever uma mísera linha acerca da virtual impossibilidade de Lula ser inocente do mensalão é colocar o interesse coletivo acima de seus próprios? Só se por "interesse coletivo" se ler "interesse partidário". 
Claro que se este tipo de jornalismo fosse feito, se as diversas versões dos fatos fossem mostradas e se realmente tivéssemos analistas com um conhecimento mínimo do que falam, teríamos uma compreensão diferente dos fatos que se passam no Brasil e no mundo. Entretanto, a repressão governamental e da patrulha ideológica seria ferrenha... É o preço que se paga por tentar mostrar a verdade. 
A verdade incomoda meus senhores, mesmo. A FoxNews que o diga...



sábado, 10 de novembro de 2012

Natural Anormalidade

O que pode haver de anormal em um simples julgamento de uma partida de futebol do campeonato brasileiro deste ano, disputada entre o Internacional e o Palmeiras? Houve um problema de arbitragem, ou no cumprimento das regras futebolísticas e, então, levou-se o caso para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Este foi apenas mais um dos inúmeros casos esportivos, majoritariamente relacionados ao futebol, que foi julgado por um Tribunal Federal, colocando um ponto final à disputa ocorrida entre aquelas duas equipes. Não foi o primeiro julgamento de uma partida de futebol, e tampouco foi o último. Por este motivo, não há nada de anormal no ocorrido. Tudo acabou sendo resolvido dentro da legalidade vigente no país.
Entretanto, existe uma anormalidade, aberração mesmo, no processo: a normalidade. Explico: quando achamos normal que uma disputa esportiva seja julgada por um dos poderes constituintes do governo, permitimos a intromissão estatal em algo que ele simplesmente não deveria dar o mínimo pitaco. Fere-se, assim, a liberdade de se organizar um torneio esportivo de acordo com suas regras, que devem ser julgadas não por juízes estatais, mas pela própria federação (entidade PRIVADA) que os organiza. Ou será que as regras de futebol viraram leis do Estado Brasileiro? Será que ninguém percebe a ameaça que isso representa? Nem mesmo numa simples partida de futebol conseguimos nos livrar da barra da saia do Estado? 
Estamos chegando em um estágio em que não conseguiremos fazer nada sem a permissão/tutela estatal. A cada dia que passa, abrimos mão de nossas liberdades em prol de um governo que nos controla e nos vigia cada vez mais. Estamos sendo transformados em crianças de colo, sem responsabilidade, liberdade ou opinião própria, que nada consegue fazer se não tiver "a bença" do governo. O Big Brother  se tornou a nossa própria consciência, a nossa própria opinião, e aqueles que discordarem dela serão submetidos aos rigores da lei. Só não vê quem não quer.
Já somos obrigados a aceitar o homossexualismo como algo natural, normal ou mesmo desejável. Não temos o mínimo direito de sermos contra tal prática. Os pais não podem mais educar seus filhos de outra maneira que não seja a que o Estado determina. Não se pode ter qualquer opinião diferente daquela que seja politicamente correta e ideologicamente permitida pelo partido dirigente. 
Por fim, como se não bastasse, nem mesmo uma simples partida de futebol deixa de ser controlada pelo governo, como se este fosse o inventor de suas regras e da aplicação da mesma. Neste ritmo, teremos julgamento de disputas de par ou ímpar, discordar ou do jogo de damas. E os doutos pensadores e intelectuais tupiniquins vêem com naturalidade tamanha anormalidade!
Estamos perdendo cada vez mais aquilo pelo qual tantos morreram e lutaram que é a liberdade. E tem gente que se surpreende com os rumos que este país vem tomando.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Preocupações Nacionais

Enquanto o STF julgava os destinos dos réus do esquema do mensalão, a população brasileira, incentivada diuturnamente por nossa vigilante mídia, estava inteiramente dedicada à análise, estudo e debate dos destinos da... Carminha! Um dos momentos mais importantes da Nova República estava acontecendo e a preocupação nacional era com os rumos de nossa principal novela televisiva. Não se viu um jornalista ou analista colocar em debate o porquê de Lula ter sido excluído do caso. Sequer deixaram claro as causas da leniência do Ministro Lewandowski, ou mesmo foram a fundo nas credenciais dos próprios integrantes da Corte, para ao menos dar à população ferramentas para melhor entender os rumos do julgamento. Nada disso. O importante era saber o desfecho de Avenida Brasil.
Na esteira do julgamento-show, deu-se o pleito municipal. As cidades brasileiras estavam prestes a escolher seus novos governantes. Não bastasse a fraca análise dos reais problemas de nossos municípios, especialmente aqueles de grande população, perdeu-se a oportunidade de se aprofundar a questão federativa brasileira, que basicamente transforma a União numa imperatriz maléfica que suga os recursos produzidos nos Estados e Municípios para que possa controlar o próprio rumo da eleição, através do famigerado "apoio do governo federal" para a realização de melhorias nas cidades. Ninguém questionou, ninguém discutiu. O que se viu foram análises fracas que não informavam ao eleitor o que ele precisava saber: as propostas dos candidatos. Muito diferente foi a abordagem dada às eleições... dos clubes de futebol, como se viu aqui no RS através de uma aprofundada reportagem acerca das eleições de Grêmio e Internacional.
Agora, a Câmara dos Deputados está para aprovar o projeto de lei "contra a homofobia". Novamente, ninguém da grande mídia, estudiosos ou jornalistas se preocupara em ler e analisar tal aberração que, resumindo, proibirá o cidadão de ter uma opinião contrária à homossexualidade. Porém, a unanimidade aqui é perfeitamente entendida. Afinal, o sistema de doutrinação ideológica educação do país já formata seus estudantes, futuros integrantes da "elite pensante", a pensarem conforme os ditames, no caso, da agenda gay (também tem a feminista, ambientalista, e tutti quantti). Estranho é que ninguém aparece para questionar esta estranha, porém não surpreendente, igualdade de pensamento. O debate cultural e filosófico no Brasil é inexistente. Aqui, só se tem a tese.
Não há hoje no país qualquer possibilidade de se entender e se planejar um futuro de médio e longo prazo. Não há qualquer possibilidade do surgimento de uma força que se contraponha à imposição do politicamente correto. Todos ficamos enebriados pelas benesses do Big Brother e hipnotizados pelas bobagens midiáticas que tratam a fundo somente temas supérfluos como escândalos de celebridades ou tramas de folhetins, enquanto questões que atingem nossa liberdade e nosso futuro são relegadas a um terceiro ou quarto plano. Não são preocupações nacionais.