sábado, 10 de novembro de 2012

Natural Anormalidade

O que pode haver de anormal em um simples julgamento de uma partida de futebol do campeonato brasileiro deste ano, disputada entre o Internacional e o Palmeiras? Houve um problema de arbitragem, ou no cumprimento das regras futebolísticas e, então, levou-se o caso para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Este foi apenas mais um dos inúmeros casos esportivos, majoritariamente relacionados ao futebol, que foi julgado por um Tribunal Federal, colocando um ponto final à disputa ocorrida entre aquelas duas equipes. Não foi o primeiro julgamento de uma partida de futebol, e tampouco foi o último. Por este motivo, não há nada de anormal no ocorrido. Tudo acabou sendo resolvido dentro da legalidade vigente no país.
Entretanto, existe uma anormalidade, aberração mesmo, no processo: a normalidade. Explico: quando achamos normal que uma disputa esportiva seja julgada por um dos poderes constituintes do governo, permitimos a intromissão estatal em algo que ele simplesmente não deveria dar o mínimo pitaco. Fere-se, assim, a liberdade de se organizar um torneio esportivo de acordo com suas regras, que devem ser julgadas não por juízes estatais, mas pela própria federação (entidade PRIVADA) que os organiza. Ou será que as regras de futebol viraram leis do Estado Brasileiro? Será que ninguém percebe a ameaça que isso representa? Nem mesmo numa simples partida de futebol conseguimos nos livrar da barra da saia do Estado? 
Estamos chegando em um estágio em que não conseguiremos fazer nada sem a permissão/tutela estatal. A cada dia que passa, abrimos mão de nossas liberdades em prol de um governo que nos controla e nos vigia cada vez mais. Estamos sendo transformados em crianças de colo, sem responsabilidade, liberdade ou opinião própria, que nada consegue fazer se não tiver "a bença" do governo. O Big Brother  se tornou a nossa própria consciência, a nossa própria opinião, e aqueles que discordarem dela serão submetidos aos rigores da lei. Só não vê quem não quer.
Já somos obrigados a aceitar o homossexualismo como algo natural, normal ou mesmo desejável. Não temos o mínimo direito de sermos contra tal prática. Os pais não podem mais educar seus filhos de outra maneira que não seja a que o Estado determina. Não se pode ter qualquer opinião diferente daquela que seja politicamente correta e ideologicamente permitida pelo partido dirigente. 
Por fim, como se não bastasse, nem mesmo uma simples partida de futebol deixa de ser controlada pelo governo, como se este fosse o inventor de suas regras e da aplicação da mesma. Neste ritmo, teremos julgamento de disputas de par ou ímpar, discordar ou do jogo de damas. E os doutos pensadores e intelectuais tupiniquins vêem com naturalidade tamanha anormalidade!
Estamos perdendo cada vez mais aquilo pelo qual tantos morreram e lutaram que é a liberdade. E tem gente que se surpreende com os rumos que este país vem tomando.

Um comentário:

  1. Se o mesmo empenho estatal direcionado a esse conflito fosse direcionado ao combate à criminalidade, o Brazil ainda teria alguma chance de se recuperar. Hoje o poder paralelo imposto pela criminalidade não recebe a mesma atenção que um fútil jogo de futebol de várzea.

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