quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Política e Futebol

Muitas pessoas aqui no Brasil tem uma verdadeira ojeriza pelo canal de notícias FoxNews, dos EUA. O motivo principal desse ranço é o fato de que este canal mantém uma vigilância constante do governo Obama, tornando-se uma virtual estrela solitária a fazer um contraponto diante das gigantes CNN, CBS, MSNBC, dentre outras. Por ser um governo alinhado com a esquerda, é de se esperar que os intelectualóides brasileiros tenham certo desprezo pelo canal da News Corp. O certo é que, mesmo com suas deficiências, os EUA ainda possuem dentro de sua imprensa, empresas capazes de serem a contrapartida à unanimidade midiática, fiscalizando e cobrando do seu governo os rumos que aquele país parece prosseguir, ou seja, cumprindo o seu dever jornalístico.
Cá no Brasil, acontece algo semelhante. Possuímos diversas empresas de comunicações que oferecem contrapontos e discussões acerca do caminho pelo qual está enveredando nosso país. Analistas competentes divergem e debatem sobre as estratégias para o futuro e de como podemos chegar aos objetivos traçados por nossos dirigentes. Todos os dias, inúmeros são os programas de rádio e televisão que reúnem em uma mesa redonda, renomados especialistas, e pessoas nem tão renomadas assim mas de vasto conhecimento, para que possamos, finalmente, alcançar (ou retornar?) à posição que tanto almejamos no cenário internacional. Como nos EUA, existem emissoras de televisão que são execradas pelo seu posicionamento, em favor de um lado ou outro. É claro que estou falando de futebol.
Seja na TV por assinatura, seja na TV aberta, as análises esportivas acerca dos rumos de nossa Seleção Nacional ou dos clubes futebolísticos são debatidas com afinco, propriedade e entusiasmo. Táticas são discutidas, sistemas de jogo e estratégias de longo prazo são analisadas, tudo para manter o país do futebol na sua condição de melhor do mundo. Empresas de rádio dedicam horas de sua grade diária para o assunto, o mesmo acontecendo com os jornais e a televisão. Nos canais fechados, programas semanais são dedicados justamente a fazer um resumo dos fatos acontecidos no mundo da bola, sempre contando com debatedores competentes e de visões antagônicas, fundamental para a ocorrência de qualquer debate produtivo.
Infelizmente, o mesmo não podemos dizer quando o assunto é a política do Brasil. Não temos na nossa imprensa (de todo tipo) a mesma cobertura dada ao evento futebol. Nossos canais televisivos, estações de rádio e empresas de jornais, limitam-se a análises superficiais com profissionais tendenciosos e que muitas vezes desconhecem os mais elementares fundamentos da investigação e das relações de causa e consequências advindas dos desdobramentos que se passam no planalto central. O que temos é um bando de papagaios que limitam-se a repetir o que impõem o politicamente correto, deixando de fazer aquilo que deveriam: informar.
Assim, questões como o kit gay, a "lei anti homofobia", a questão da palmada, as quotas raciais, o marco regulatório da imprensa, os desvios maciços de dinheiro e mesmo o caso do mensalão (isso para citar somente os mais recentes) não são propriamente levados à mesa redonda, onde debatedores podem, com suas visões e ideias divergentes, analisar a fundo os assuntos políticos da semana. O principal motivo para que isto ocorra é a total formatação pela qual o profissional de imprensa e da área das ciências sociais e humanas passa durante seu período acadêmico, onde é programado a responder aos estímulos externos sempre com a mesma opinião pró agenda ideológica que, nos últimos 40 anos, é majoritariamente (senão totalmente) de esquerda.
Injusto seria deixar de citar alguns programas do canal GloboNews que, mesmo que fracamente, tentam colocar em debate questões que afetam diretamente toda  a sociedade tal qual a conhecemos. Entretanto, não há comparação quando colocamos a quantidade de programas destinadas às analises esportivas em relação aos de análise política. 
Se tivéssemos em nossa imprensa a mesma gana e competência do futebol na política, teríamos certamente uma compreensão diferenciada acerca dos rumos que o país está tomando. Se tivéssemos uma análise diária de nossos governantes e candidatos a cargos eletivos como temos àqueles que disputam cargos de presidência em clubes de futebol, votaríamos com mais consciência e conhecimento. Se tivéssemos pessoas que questionassem efetivamente nossos governantes, que investigassem os planos de governos e o estatuto dos partidos políticos teríamos uma noção acurada sobre as consequências que certas políticas governamentais teriam sobre nossas vidas. Mas isto derrubaria muitos governos, muitos partidos e colocaria nossa imprensa nua diante de sua audiência. É por isto que o futebol é mais importante do que a política.

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