quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Presos e Sorridentes

Quanto mais avançamos no tempo, deixamos de caminhar com nossas próprias pernas. Nosso direito de livre escolher, de livre opinar e de livre errar não nos é mais permitido. Somos vítimas tolerantes de amarras totalitárias que cada vez mais nos prendem. O pior, entretanto, é que não reagimos contra as algemas que nos são impostas. Pelo contrário: aceitamos bovinamente ou aplaudimos hipnoticamente.
As cordas que cada vez mais nos prendem não surgiram nos dias atuais. A origem está na promessa de liberdade dada àqueles que acreditaram nas promessas utópicas vinda dos vitoriosos bolcheviques que espalharam sua ideologia e sua revolução pelo mundo. Em um paradoxo muito apropriado, a  garantia de que seríamos livres foi se mostrando cada vez mais a certeza do aprisionamento, a ponto de tirar-nos qualquer lembrança do significado real de sermos livres. Assim, mais e mais o Estado foi se infiltrando em nossas vidas privadas lentamente, controlando o que assistimos na televisão, como devemos educar nossos filhos e como devemos pensar. Tudo isso feito sob o manto de uma democratização falsa onde pequenos grupos ditam as regras em detrimento do pensamento da maioria.
Um dos exemplos mais fortes acerca de como nosso livre arbítrio nos foi roubado passa pelo processo sindical. Em um primeiro momento, essas organizações tiveram papel relevante ao questionar as péssimas condições pelas quais passavam os operários na aurora da revolução industrial. Entretanto, com o passar do tempo, os líderes dos sindicatos passaram a dominar as relações trabalhador-empregado a tal ponto que hoje o trabalhador não tem a liberdade de negociar a única coisa que lhe pertence: o valor de sua mão de obra. Ademais, as amarras trabalhistas perpetuadas na CLT, retiram por completo a opção de um operário de, por exemplo, não descontar FGTS ou a Previdência Estatal em troca de um aumento no seu provento. De fato, o Estado já lhe retirou uma grande fatia do dinheiro que pertence ao trabalhador sob o argumento de lhe garantir uma segurança futura. Vejam, sequer existe a possibilidade do empregado abrir mão destas contribuições em troca de melhoria salarial. Ele simplesmente é proibido não só de negociar seu trabalho, mas de administrar um recurso que, em última análise, é seu.
Um outro exemplo é a criação do termo homofobia, tornando qualquer pessoa que seja contrária à prática homossexual, um inimigo do Estado. Desta feita, o cidadão não pode expressar sua repulsa a este estilo de vida, ensinar que tal prática é errada a seus filhos e, como se não bastasse, ter que aturar uma legião de educadores (doutrinadores) impondo condutas morais estatais, muitas vezes contrárias a suas crenças individuais. O mesmo acontece com a educação sexual ensinada nos bancos escolares, retirando uma atribuição que cabe aos pais e transferindo para o doutrinador oficial. Como resultado, observamos a sexualização precoce das crianças concomitantemente à queda vertiginosa da qualidade do ensino, visto que a escola, erroneamente, substituiu o papel dos pais. Assim, novamente, temos nossa liberdade subtraída, ao sermos virtualmente proibidos de educarmos nossas crianças de acordo com nossos valores, valores esses que nos foram transmitidos por gerações.
Podemos citar, também, a bolsa distribuída a detentos, com o argumento bastante tocante de "garantir dignidade à família do meliante". Ora, este papel cabe aos chefes da família. Se este não teve a responsabilidade de bem conduzir os seus, não cabe a nós, pagadores de impostos e que conduzimos nossas famílias de maneira decente, fazê-lo. Este é a típica medida que premia a irresponsabilidade, dando a certeza de que "podemos fazer o que quiser, o Estado sempre estará aqui por nós". Tal pensamento é perigoso e externa a incapacidade crescente que temos de arcar com nossos atos e assumir a consequência de nossas escolhas, conceito próprio de responsabilidade.
A última do Estado foram as cotas para programas brasileiros na TV paga. Ora, qualquer cidadão que deseja adquirir um pacote de televisão por assinatura quer justamente fugir da porcaria nacional. A desculpa, como sempre, é a democratização de tal serviço. O que acontece de fato é que o assinante acaba pagando por uma programação que ele não escolheu, com conteúdo fraco e que acaba apenas ocupando espaço na grade de programação das emissoras "estrangeiras". Fosse a produção nacional o supra sumo da televisão, o Canal Brasil teria a maior audiência dentre todos. Não obstante, o alinhamento  ideológico dos programas produzidos somados a artistas apadrinhados pelo partido-Estado formam as justificativas que imbecis como  Maria do Rosário, impõem à população brasileira para legitimar as tais cotas. Engraçado é que os assinantes sequer foram ouvidos.
Mas não é somente o cidadão que é aprisionado. Com o financiamento governamental, por intermédio do BNDES, as empresas passam a investir com juros baixíssimos, visto que os recursos adquiridos junto a este e outras instituições bancárias governamentais possuem o suporte dos pagadores de impostos. Retiram, assim, o fator risco do investimento, fator este que é a própria essência do sistema capitalista. O resultado é que deixamos de ter empresas comprometidas em oferecer bons produtos a preços competitivos, pois sempre terão os bancos do governo para sanearem suas contas.
Muitos outros exemplos poderiam ser citados, como a proibição do fumo em local privado (não conheço bar ou restaurante que pertença ao governo... ainda), a proibição da venda de medicamentos em gôndolas de farmácias, as cotas de filmes nacionais para exibição em sala de cinema, enfim, leis e decretos que, sob o argumento de democratizar serviços e proteger os cidadãos acabam protegendo apadrinhados políticos e aprisionando-nos.
Como produto de tamanho mimo governamental, não conseguimos fazer nada que não tenha a garantia de proteção do governo. Passamos, pois, a sermos autômatos que possuem seus movimentos friamente controlados desde a cúpula estatal-partidária, limitados justamente pela rede de proteção estatal. Poucos se arriscam a se jogarem em áreas onde o Estado não estende suas mãos de aparência afável mas de essência totalitária; ou porque estas áreas virtualmente não existem, ou porque o Estado, e os formadores de opinião, acabam execrando os que o fazem.
Ficamos cada fez mais atados e amarrados à teia da estatização de nossas vidas privadas, presos em uma rede complexa e sinistra que nos retira a possibilidade de escolha nas coisas mais simples de nosso cotidiano. E como reagimos? Com um sorriso ignorante por pensarmos que o Estado está nos tratando com dignidade. Parece que estamos vendendo nossa liberdade por um preço cada vez mais baixo, e ninguém se importa com isso.

Um comentário:

  1. Prezado Lenilton.

    Eu te conheço há pouco, mas te admiro um monte. A tua lucidez e inteligência me causam inveja. Mal posso escrever um texto por pura ignorância dos assuntos políticos.
    Tu tens me orientado sobre a situação terrrível por que passa nosso pobre Brasil.
    Tu és jovem e sabido.
    Fala por nós, cara.

    MILA

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