quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A Ilusão da Igualdade

Todos querem igualdade. Bem, pelo menos a maioria das pessoas. Em busca dela, atitudes políticas, culturais e artísticas são aplicadas a fim de que possam tornar cada ser humano igual ao outro. E é precisamente aí que reside o erro. Queiramos ou não, aceitemos ou não, a regra da natureza não é a igualdade entre os indivíduos, mas a diferença entre eles. Por este motivo, qualquer ação que vise estabelecer um padrão igualitário entre as pessoas (ou qualquer ser individual) estará automaticamente gerando injustiças e alterando a ordem natural das coisas. Fôssemos iguais, seríamos meros organismos unicelulares (se olharmos pelo prisma da Teoria da Evolução) ou então o mundo teria seis bilhões de Einsteins, Pelés, Shakspeares ou a mesma quantidade de imbecis, pernas-de-pau ou bobos da corte.
Não é por acaso que todos, repito, todos os movimentos que pregaram a imposição da igualdade geraram à sua esteira apenas morte, injustiça e desigualdade. Foi e é assim desde a Revolução Francesa que, em nome da igualdade, gerou terror, morte e destruição e, de lambuja, transformou a outrora superpotência representada pelo “Reino da França” em um mero coadjuvante republicano da história contemporânea que, não fossem os “fucking americans” estaria hoje comendo chucrute e salsicha bock. (aliás, depois da revolução, a França só tomou pancada dos alemães).
O negócio, porém, não para por aí. De lá para cá, pipocaram novos regimes, inspirados nos filósofos revolucionários, que fundaram sistemas que não tiveram melhor sorte. Da Rússia à Coréia do Norte, passando por Cuba, Camboja, China, Vietnã, Laos, América Latina ou a África Subsaariana, mais de cem milhões de pessoas pagaram com suas vidas o preço da ilusão da igualdade. Não obstante, nesses regimes, formaram-se duas classes dominantes: os proletários pagadores de tributos e os membros do partido, sugadores do trabalho alheio. O resultado: uma elite altamente enriquecida e uma população altamente miserável.
A busca pela igualdade ilusória, que nos é imposta como justa e decisiva para a realização da chamada “justiça social”, é efetivada por diversas determinações, leis e MP que instituem cotas para acesso à educação superior ou serviço público. A equiparação de homossexuais com heterossexuais para todos os fins (mesmo que existam flagrante diferenças entre os grupos) também é um sinal claro da imposição da norma igualitária que permeia a mente de nossos fazedores de leis, intelectuais e artistas. Em ambos os casos, vai-se de encontro ao ordenamento natural e busca-se tornar iguais indivíduos que são diferentes.
As cotas estabelecidas pelo governo para concursos públicos ou vestibulares alteram justamente aquilo que é igual para todos: as exigências do concurso. Retira-se o mérito do indivíduo e passa-se a valorizar a cor da sua pele, o sistema de ensino de onde eles provêm ou sua opção sexual.  Ao mesmo tempo, carimbam o negro, o pobre e o homossexual como seres incapazes, burros e ignorantes, que não possuem condições de competir com os demais cidadãos. Como arremate da obra, assume a incompetência com a qual trata o ensino público que é incapaz de dar condições a seus alunos de competir por uma vaga na universidade ou no serviço estatal.
Situação semelhante ocorre com a distribuição de bolsas. Neste caso, além do caráter ideológico da coisa, há a formação de um permanente curral eleitoral que irá garantir a eleição permanente do governo que fornece dinheiro gratuitamente aos ditos “mais necessitados”, ao mesmo tempo em que pune a força produtiva do país com pesados impostos e uma legislação tão draconiana que torna virtualmente impeditiva a criação de novos empregos, e o ciclo se fecha. O governo distribui bolsas para os pobres e desempregados, cobra impostos e tributos absurdos dos empregadores que não conseguem gerar mais empregos, que geram pessoas desempregadas (que passam à situação de pobreza), que passam a receber o benefício do governo. Tudo para garantir mais votos no suspeitíssimo sistema eleitoral tupiniquim. Novamente, alteram-se as regras de algo que é igual para todos (mercado de trabalho) ao distribuir-se dinheiro. Afinal, muitos simplesmente acharão mais confortável ficar recebendo a mesada estatal do que arregaçar as mangas e procurar um emprego. E os que trabalham são taxados para sustentar os que não trabalham. E chamam a isso, igualdade.
Muitos outros exemplos poderiam ser citados para exemplificar esta verdadeira esquizofrenia que se tornou a busca pela igualdade. Quando obras populares como o funk ou as novelas globais ganham espaço e importância maior que a de nomes como Villa-Lobos, Tom Jobim, Machado de Assis ou Mário Quintana, fica claro e evidente a distorção que temos sobre igualdade.
O que tem que se buscar é a manutenção da igualdade das condições apresentadas, e não igualar os valores individuais, visto que cada pessoa possui um grau de ambição, determinação, responsabilidade e paciência diferentes e isto é o que irá nortear suas decisões e o resultado de suas escolhas. Se o ensino público é fraco, que ele seja melhorado, e não alvo de cotas. Quanto aos negros e aos homossexuais, tenho que eles possuem plenas condições de competir em igualdade de condições com todos. Reservar cotas para estes grupos além de discriminatório é chamá-los de incapazes.
A continuarmos neste ritmo, em breve a política de cotas irá alcançar situações bizarras. Já imaginaram cotas para obesos nas competições de atletismo? Cotas para negros na natação e para brancos nos 100m rasos ou na maratona? Pode parecer um exagero, mas do jeito que a coisa anda, em breve poderemos ter essas aberrações. Imaginem a situação “na prova dos 100m rasos, Usain Bolt deverá correr 120m, a fim de garantir a igualdade com os seus competidores”. Absurdo e ridículo.

Precisamos aceitar que somos diferentes, somos únicos e somos responsáveis por nossas escolhas. É preciso lutar para que o Estado ou o governo pare de interferir em nossas vidas e deixe de atrapalhar as conquistas do indivíduo e passe a garantir condições de igualdade através de regras claras, pouca tributação e ensino despolitizado e de qualidade. A continuar impondo esta ilusão da igualdade estaremos fadados a seguir pelo mesmo caminho que a história já nos mostrou: injustiça, desequilíbrio e desigualdade.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Instrumentos de Poder

Qual é a relação do ENEM com o leilão do campo de Libra (ou melhor, com o monopólio do petróleo)? Aparentemente nenhuma. Exceto, talvez, pelo sucesso alcançado por ambos. O ENEM, exame já consolidado como método de entrada para o ensino universitário, vem ganhando cada vez mais a adesão das universidades, sendo que, futuramente, poderá vir a ser o único método de ingresso em uma universidade pública. E o leilão de Libra? Também obteve sucesso oras! Por mais que tenha havido apenas uma proposta, o consórcio vencedor terá que pagar cerca de 40% do óleo retirado à estatal Petrobrás. Mais importante, porém, que a ladainha de "proporcionar aos estudantes do ensino público o ingresso ao ensino superior" do primeiro e "garantir a auto-suficiência do Brasil em petróleo" do segundo, está no que efetivamente significam o ENEM e a Petrobrás (e por extensão, empresas do porte dos Correios, Banco do Brasil, e Caixa Econômica Federal) o motivo de seus sucessos: são instrumentos de poder.
O Exame Nacional do Ensino Médio garante a padronização da educação vigente, fazendo com que o governo se assegure de que ingressarão nas universidades estudantes comprometidos e corrompidos com e pelo pensamento marxista. Uma análise, por superficial que seja, das questões do tal exame é suficiente para que identifiquemos, sem maiores dificuldades, que ali são postas perguntas cujas respostas inevitavelmente direcionam-se à agenda socialista. Com efeito, o estudante que presta o ENEM precisa apenas estar suficientemente doutrinado no ideal socialista para obter sucesso, especialmente nas questões de ciências humanas. 
O resultado é que se aprofunda ainda mais o controle governamental acerca de um dos principais instrumentos de poder: a educação. Garante-se, pois, a simpatia ideológica de futuros intelectuais, professores e formadores de opinião com a causa; sedimenta-se o papel doutrinador e centralizador do MEC que, com suas diretrizes pedagógicas para o ensino em todos os níveis, garante a conclusão do processo de desconstrução dos valores religiosos e familiares sobre o quais se assenta nossa população, abrindo espaço para "novas idéias para um mundo em transformação" que possibilitará a completa transição da superioridade socialista na qual vivemos para a sua supremacia o que, em suma, irá escancarar o totalitarismo no qual vivemos, com constante patrulhamento jornalístico, cultural e artístico.
No que tange ao leilão de Libra, também se observa que o negócio foi um sucesso. Não, não do ponto de vista econômico, mas no ponto de vista da manutenção do controle estatal. Aliás, qualquer que fosse o resultado da hasta, o sucesso estaria garantido. Em qualquer cenário, lá estaria o todo-poderoso Estado pronto a abocanhar generosa fatia da produção petroleira e, conseqüentemente, os petrodólares gerados. E a manutenção do petróleo nas mãos da Petrobrás é extremamente importante! Afinal, o petróleo é nosso e sua riqueza poderá ser utilizada para o bem da nação... Só que não! Ou será que deixamos de ser o país cujo preço da gasolina está entre os mais altos do mundo? 
A importância da Petrobrás, e das demais grandes empresas estatais, reside na manutenção de dois importantes instrumentos de poder nas mãos do governo: o poder econômico e o poder político. Detendo empresas estatais que atuam em setores ditos estratégicos da economia é de fundamental importância para que o poder econômico gerado por elas seja utilizado no financiamento da imprensa e da produção artístico-cultural tupiniquim. Não obstante, os maiores anunciantes da mídia são justamente as empresas estatais como o Banco do Brasil, os Correios, a Caixa Econômica Federal e a própria Petrobrás. Isto gera certo grau de dependência nos veículos de entretenimento e informação, que acabam ficando reféns das gordas verbas publicitárias estatais, adotando posturas e discursos consoantes com o partido governante. Semelhante situação acontece com a produção cultural, especialmente a cinematográfica, que depende de patrocínio para que um projeto efetivamente "saia do papel". 

Não fosse suficiente o domínio econômico, as empresas estatais servem como instrumentos políticos de poder. Através delas o partido governante, seja ele qual for, pode trocar cargos por alianças partidárias de acordo com sua conveniência. O resultado é que o governo pode virtualmente escolher seus aliados e adversários, fazendo com que o jogo político fique extremamente desequilibrado por conta da compra de consciência e votos das bancadas parlamentares. E não precisa ser de forma ilegal, com mensalões ou dólares na cueca: basta um assento nos Correios, uns carguinhos no Banco do Brasil ou a diretoria de uma das famigeradas agências reguladoras e voilà! Aliados e adversários escolhidos! Tudo pago, claro, com nosso suado dinheiro, roubado na forma de impostos.






quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Um Astrólogo Inconveniente

Imaginem a seguinte situação: um intelectual, completamente fora da grande mídia, desdenhado por grandes jornais como "O Globo" e "Zero Hora"; descartado por revistas do porte de "Época", achincalhado pela elite pensante nacional; eleito como inimigo número um da esquerda. Visualizaram? Teria esta pessoa qualquer chance de ser levada a sério? Teria esta pessoa algum tipo de credibilidade para que seus livros se tornassem "best sellers? A resposta mais óbvia seria um sonoro "NÃO". 
Ocorre, entretanto, que existe um cidadão que se encaixa no quadro pintado acima, mas que (contrariando tudo o que se entende neste país como "ser um intelectual"), goza de grande credibilidade e popularidade, a ponto de seu último livro figurar entre os mais vendidos do país há mais de dois meses. Detalhe: sem qualquer tipo de financiamento estatal, ação de marketing, patrocínio ou entrevistas à Marília Gabriela ou Jô Soares. Apenas com a colaboração de pessoas dedicadas e, neste caso, especialmente do talentoso Felipe Moura Brasil, "O Mínimo que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota" é um sucesso editorial. Mais um na conta do filósofo Olavo de Carvalho.
Este post não irá tratar do livro (ainda não o li), mas do porquê de seu autor ser a vítima preferida da patrulha esquerdista brasileira. Justamente ele, que hoje possui voz apenas no Diário do Comércio e em sites eletrônicos mantidos por ele próprio e colaboradores e que deveria ser, pois, apenas "mais um direitista querendo aparecer" para a elite da intelectualidade brasileira. Até poderia ser. Mas com Olavo o furo é mais embaixo. Aliás, bem mais embaixo.
O que o diferencia dos demais "formadores de opinião" (que coalham as redações de nossos jornais e revistas) são basicamente duas coisas: liberdade para pensar e busca constante pela verdade, o que podemos traduzir como honestidade intelectual. Quando Olavo se propõe a investigar determinado assunto, o faz com rara profundidade e com uma diferença que o torna exceção: a pesquisa junto às chamadas fontes primárias de ambos os lados, analisando, criticando e ponderando todos os aspectos que fazem parte de seu objeto de estudo, até que possa formular a síntese de seu pensamento, expô-lo e submetê-lo ao julgamento de seu público, não se omitindo de esclarecer pontos controversos e mesmo modificá-los à luz de novos fatos.
Apesar destas qualidades, raras entre os pesquisadores em geral, o que torna Olavo o inimigo número um da esquerda é a sua humildade em expor ao público as fontes de suas informações, trazendo para o brasileiro comum (como este que vos escreve) o acesso a autores que estão alijados da academia não por serem ruins, mas por contrariarem a pregação ideológica que impera em nossa universidade. Suas indicações de leitura abrem o leque de investigação do estudante e colocam em cheque  aquele professor de história que sempre disse maravilhas sobre o comunismo, o feminismo e o movimento gay por exemplo. (e que vive dissociando nazismo de comunismo)
Diante de artigos certeiros, afirmações vastamente embasadas e análises arrebatadores que o filósofo costuma fazer, nada resta a seus detratores, a não ser partir para o ataque pessoal ou desdenhar de sua condição de filósofo. Aliás, até hoje, jamais vi um artigo de quem quer que seja questionando e derrubando suas idéias. O mais comum aos seus inimigos (impossibilitados de confrontá-lo no campo do conhecimento) é classificá-lo como astrólogo (como se isto fosse algo pejorativo), em virtude de estudo que ele realizou nesta área. Soma-se a isto, o fato de Olavo não ter curso superior de Filosofia o que, segundo os "intindido", não o qualifica a ser chamado de filósofo (como se todo o escritor, para sê-lo, tivesse que ser graduado em letras). Sua obra, entretanto, fala por si só (especialmente a obra-prima "O Jardim das Aflições). 
Aliás, se Olavo de Carvalho fosse um astrólogo, seria dos bons. Ele alertou sobre o movimento do PT para tomar o partido, aparelhar o Estado e acabar com as liberdades individuais ainda na década de 90 (quando alertou-nos sobre o Foro de São Paulo e seu objetivos), o que custou-lhe o emprego n'O Globo, Zero Hora e revista Época (acusar Lula de estar envolvido com as FARCs, mesmo que com provas irrefutáveis, é crime segundo a mídia esquerdopata). Afirmou que George W. Bush ganharia as eleições presidenciais dos EUA, quando toda a mídia tupiniquim afirmava que seria Al Gore. Explicou como o lobby gay retirou o homossexualismo do rol das chamadas desordens mentais, alertando que a pedofilia não tardaria a seguir o mesmo caminho; e, infelizmente, deve acertar novamente.
Diante de um, este sim, intelectual que consegue efetivamente compreender a dinâmica dos acontecimentos históricos de sua época, destrinchá-los, explicar suas possíveis consequências, expor ao público e compartilhar as fontes de sua informação, as verdadeiras pessoas que querem um contraponto à verdade absoluta,  imposta pelo governo via MEC, começaram a ler e estudar a obra filósofo e desmistificar o rótulo de "ultraconservador malvadão" que a esquerda lhe conferiu. Parece que não, mas o resultado está surgindo e cada vez mais pessoas se libertam da doutrinação ideológica da qual foram vítimas e passam a buscar a verdade dos fatos, não a verdade dos que contam os fatos. E começam a compartilhar suas descobertas.
Olavo, o inimigo número um da esquerda, ainda conta com uma vantagem decisiva: estudou, estuda e conhece profundamente a mentalidade revolucionária (comunista, ambientalista, gayzista, abortista, feminista e tutti quanti). Assim, pode desmontar argumentos, expor o adversário ao ridículo (pois este geralmente desconhece a própria tese que defende) e retirar o véu da mentira patente para desnudar a verdade. 
A seus adversários, resta o expediente de partir para o ataque pessoal, sem contrapor suas idéias, como tentar ridicularizar sua posição de filósofo classificando-o como astrológo. Mas um astrólogo inconveniente, diga-se de passagem.

domingo, 20 de outubro de 2013

Arapongagem Justificada

Fomos espionados pelos EUA. Nossa! Que grande descoberta: países espionam uns aos outros. Pois é. Aposto que ninguém sabia disso. Onde já se viu uma coisa assim? E a nossa soberania? E a nossa segurança? E a nossa liberdade? Isso é uma afronta! Acho até que deveríamos declarar guerra aos americanos-porcos-capitalistas-arapongas. Como podem querer espionar justamente a nós, o país do samba, do futebol, das mulheres fáceis e bundas convulsionantes? Não somos ameaça a ninguém... Ou somos?
A bem da verdade, não importa se somos ou não uma ameaça os EUA, ao Canadá ou à União Européia. O que realmente interessa é que nosso governo, em uma ingenuidade franciscana, deixou ao largo a questão da segurança das informações, vitais para a sobrevivência de qualquer país. O fato é o seguinte: não possuímos um sistema de inteligência que possa salvaguardar os interesses nacionais. "Ah, mas e a ABIN?" Ora. Uma agência que se destina a realizar atividades de inteligência cujos integrantes são selecionados por concurso público simplesmente não pode ser levada a sério. Ainda, a atividade de um organismo desta natureza não se resume apenas a obtenção de informações (espionagem), mas à proteção das mesmas e da interpretação dos informes recebidos, dentre outras. E o Brasil não tem nada disso. Não minimamente satisfatório.
Outra grande ilusão é pensar que apenas os EUA e Canadá nos espionam porque qualquer país que se preocupe a proteger seus interesses realiza espionagem contra o Brasil, seja por encarar nosso atual governo como amigo (caso de Cuba, Venezuela, China, Irã, Coréia do Norte, Rússia) ou inimigo (EUA e União Européia, esta última em menor escala). É mais do que evidente, pois, que somos vítimas de outras agências de inteligência. Acreditem: a espionagem vai muito além (muito além mesmo) da CIA (a KGB atual que o diga). O Brasil deixou, há muito tempo, de ser aquele "país legal, gente boa de paz e amor" para se tornar protagonista político na América Latina, ou mesmo no mundo. Este novo posicionamento, por si só, já justifica a condição brasileira de alvo.
Voltando para a questão da espionagem norte-americana, a meu ver, ela é mais do que justificável. Aliás, deveria haver uma espionagem interna realizada pela imprensa brasileira em seu próprio governo. Explico. Nos últimos 11 anos fomos governados por um partido abertamente socialista, cujo objetivo único é chegar e se manter no poder para erguer a utopia comunista sobre os escombros de uma sociedade esfacelada pelo próprio partido. E eles estão fazendo isso de maneira não menos que brilhante ao destruírem progressivamente a religião, a família e, ultimamente, as forças de segurança através de militantes infiltrados nos movimentos reivindicatórios que causam violência, ocasionam forte reação policial e esta a reação de desaprovação da imprensa (que alheia ao desejo da população, insiste em pintar policiais como truculentos e manifestantes como pobres anjinhos defendendo a democracia). Apenas por estes motivos, nosso governo deveria ser espionado (e isto que não falei no caso Celso Daniel e nem da quebra do sigilo bancário daquele caseiro pelo Palocci). Mas não é só isso!
Concomitante à avacalhação interna, cujo objetivo é justificar a centralização do poder, este mesmo partido, na figura do ex-Presidente, fundou o Foro de São Paulo (aquele órgão que o Olavo de Carvalho denuncia há vinte anos, ninguém deu bola e agora foram surpreendidos pela sua existência), organização cujo objetivo é impor o terror socialista à América Latina. Assim, o Brasil afastou-se dos EUA, da União Européia e estreitou laços com a Venezuela, com a ilha-prisão dos Castro, com o Irã e até a Bolívia (mesmo que ela tenha roubado as refinarias brasileiras). 
Este organismo, ao qual o PT é sócio-fundador, possui em seus quadros o MIR, o ELN e as FARC, sendo que estas últimas estão para serem reconhecidas como Força Beligerante (se é que já não foram) e não como organização guerrilheira e terrorista que é. A idéia? Made in PT. E mais. O presidente molusco ainda deu uma ajudinha para eles, dizendo que a guerrilha poderia chegar ao poder pela via política (exatamente como os terroristas brasileiros fizeram, com estrondoso sucesso).
Por fim, sejamos francos: um país que se associa, por intermédio de seus governantes, a organismos terroristas, países francamente anti-americanos, a uma nação que quer varrer Israel do mapa, a uma prisão caribenha comunista, a um boliviano ladrão de refinarias e que vem sistematicamente acabando com a ordem, a família, a religião e a liberdade individual de seus cidadãos realmente acha que não deve ser alvo de espionagem? Ora, vão lamber sabão! 
A única coisa que me deixa chateado com os espiões estrangeiros é que eles guardam as informações somente para si. Adoraria ver e ler as correspondências petistas para seus amiguinhos.



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O Sucesso do Governo

Como se mede o sucesso de um governo? Bem, depende de quem faz a pergunta: se ela vem do lado do partido ao qual pertence, certamente a resposta virá de acordo com os objetivos traçados pelo partido e se foram ou não alcançados. Em contrapartida, se a interrogação origina-se da população governada o sucesso de uma administração será medido conforme as aspirações desta, ou seja, se suas expectativas foram satisfeitas.
Ao voltarmos nossos olhos para os últimos onze anos, pode-se concluir que o sucesso da atual administração quando da perspectiva de seu partido é relevante, se não total. Afinal, basta uma leitura mais cuidadosa de seu Estatuto e convenções para se notar que os objetivos traçados por ele foram ou estão sendo atingidos. Cada vez mais se fundem as noções de governo e Estado (e estas ao partido), realizando, pois, o que prega a cartilha leninista. A desconstrução da estrutura social e familiar que vem sendo executada também é mais uma prova do sucesso que a atual administração obteve na conquista dos objetivos estratégicos partidários.
Ok. Mas e quanto ao ponto de vista da população? Existe o mesmo sucesso? Ora, a julgar pela maioria dos chamados especialistas, o governo atual tem sido muito bom. O argumento mais utilizado é o de que "milhões de brasileiros saíram da pobreza" ou que "o governo está diminuindo a desigualdade através de seus programas sociais", e por aí vai. Aliás, não só os especialistas. Muitos conhecidos e amigos já me vieram com esta: "é, a coisa não está tão boa, mas o governo atual tem feito muito mais que os outros". Aquela velha conversa de sempre... Compreensível que nós, pessoas comuns, sejamos levados a acreditar que tudo não está assim tão mal como alguns "direitistas-reacionários-conservadores" querem nos fazer acreditar. Quando se tem toda a estrutura da mídia, do sistema educacional e econômico trabalhando para manter "o bom nome" do partido governante, não se pode esperar muito mais que isso.
Acontece que nós fomos bombardeados sistematicamente com a idéia de que o sucesso de um governo se mede pelo sucesso alcançado pela economia durante a sua administração. O bom administrador público é aquele que controla a inflação, promove distribuição de renda e deixa a bolsa de valores operando no azul. Foi assim que aprendemos a avaliar. É assim que somos levados a resumir se aquele governante foi bom ou ruim; e é assim que os colunistas e articulistas dos jornais defendem seu amado partido. 
Não obstante as inúmeras falhas de nossa economia (que nos faz ser o país mais caro do mundo, com os maiores impostos e a maior burocracia), façamos um exercício de imaginação. Por um momento, vamos acreditar que nos últimos vinte anos a economia funcionou. Vamos crer que nosso país cresceu como uma China neste período; que centenas de milhares de pessoas deixaram de ser pobres não porque receberam esmolas do governo, mas porque conseguiram um emprego digno. Apenas deixemos o resto como está... Seriam os últimos dez vinte anos, um sucesso? Para os especialistas, com certeza... 
Acontece que existem outros aspectos a serem considerados além da economia. Ao avaliar o desempenho de uma administração pública, é necessário que sejam consideradas áreas como segurança, educação, infra-estrutura e saúde. E nestes aspectos é flagrante nosso atraso. Todos eles, sem exceção, estagnaram na melhor das hipóteses. Continuamos a ser o que sempre fomos: um país violento, burro, esburacado e doente! E qual é a solução apresentada??? PAC (1,2 e 3) até hoje em vias de serem concluídos. 
Além destes aspectos, entretanto, existe outro (sutil e muitas vezes desconsiderado): liberdade. Quão livres somos hoje? Qual é o grau de escolha que temos acerca dos diversos aspectos que permeiam nossas vidas? Podemos nos considerar livres? Para tentar responder a esta questão, proponho o seguinte: vamos checar o que mudou nos últimos vinte anos que possa ter restringido nossa liberdade (e o que ainda está por vir).
Bem. Outrora podíamos decidir se gostaríamos de ir a um bar ou restaurante que aceitasse ou não fumantes. O governo nos tirou esta escolha. Podíamos educar nossos filhos conforme nossos pais e avós o fizeram, corrigindo comportamentos mesmo com uma palmada. O governo nos tirou esta escolha. Podíamos comprar uma arma para nos defender de um assaltante, um homicida ou um estuprador. O governo nos tirou esta possibilidade. Podíamos sair de carro com nossa família, nossos amigos, tomar um chope e voltar para casa. O governo nos tirou esta responsabilidade. Podíamos ensinar a nossos filhos que a família tradicional, constituída de um pai, uma mãe e seus filhos, era algo normal. O governo tornou isto homofobia. Podíamos podar as árvores em nossas casas. O governo tornou isto crime ambiental. Podíamos ir a uma partida de futebol e tomar uma cervejinha para assistir o jogo. O governo diz que não somos capazes de saber quando já bebemos demais.
Estes foram apenas alguns exemplos de como estamos perdendo nossa liberdade sem nos darmos conta. Poderíamos, ainda, citar o marco regulatório da imprensa, a obrigatoriedade de programas nacionais na TV por assinatura, os critérios partidários para a liberação de financiamentos para obras audiovisuais, a pregação ideológica nas escolas, a centralização absurda de poder nas mãos da União enfim, um sem número de ações que estão sendo tomadas que nada fazem além de retirar a liberdade individual, de imprensa e de pensamento.
Nas últimas duas décadas, estamos perdendo aquilo que temos como nosso bem mais precioso. E ainda batemos palmas.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

35 e 32.

Muitas foram as revoltas, insurreições, guerras e rebeliões que marcaram a história do Brasil. Dentre elas, entretanto, duas destacam-se, a meu ver, pelas características semelhantes que as motivaram mesmo que um século as separem. Refiro-me à Guerra dos Farrapos, iniciada durante o Período Regencial em 1835 e a Revolução Constitucionalista de 1932.
Em um primeiro momento pode parecer que os dois movimentos sejam completamente distintos em virtude do hiato temporal que as colocam mesmo em formas diferente de governo. Os Farrapos estavam inseridos na Monarquia (volta, por favor!) enquanto os Paulistas já se inserem no contexto republicano. Porém, as duas revoltas são mais semelhantes do que aparentam, a começar pelo seu resultado prático: ambas militarmente derrotadas, ambas politicamente vitoriosas.
Em que pese os motivos alegados para a eclosão dos conflitos (a taxação imperial do charque gaúcho e o governo sem constituição de Vargas) serem aparentemente desconexos, o cerne não o é: a centralização do poder central. Se no Império as províncias se rebelaram por maior liberdade, na República ocorrerá o mesmo. A grande diferença é que a Monarquia Brasileira entendeu o recado e concedeu maior autonomia tanto para suas províncias quanto para seus cidadãos. Já na República Brasileira, ocorreu justamente o contrário: a União foi progressivamente se apoderando de todo o poder, tendo o ovacionado Getúlio Vargas contribuído decisivamente para tornar a República Federativa do Brasil um Estado extremamente centralizado, justamente o oposto do que significa ser uma federação.
Mas porque fazer este pequeno e "resumidíssimo" paralelo entre a Guerra de 1835 e a Revolução de 1932? Ora, para mostrar o grau de "bundamolice" ao qual chegamos. Cada vez mais a União toma para si o poder financeiro, legal e político, deixando para seus Estados-membros apenas migalhas que são imploradas por prefeitos e governadores, especialmente quando estes não são ideologicamente alinhados com a Presidência da República. Com efeito, a população fica à mercê da boa vontade de Brasília e de suas promessas eleitoreiras, dificultando a fiscalização do governo e diluindo o poder do voto, visto que é muito mais difícil a população de um Estado mudar um presidente da República do que um governador (por razões óbvias).
O que causa espanto não é a apatia de Senadores e Deputados Federais acerca desta excessiva centralização. Afinal, eles lucram com isto. Estranho é constatar que virtualmente nenhum outro setor da sociedade consegue enxergar o quão pernicioso esta centralização é.
Não se pode conceber que um Estado, ou mesmo uma prefeitura dependa de recursos federais para construir estradas, pontes, hospitais ou obras de transporte público por um motivo muito simples: o dinheiro que será disponibilizado pela União a determinado Estado pertence efetivamente a este, visto que é ele que o gera. No atual estado de coisas, cenas como a de prefeitos e governadores indo ao Palácio do Planalto implorar por recursos que, em última análise, lhes pertencem é algo encarado como natural, quando deveria ser tratado como um absurdo.
Precisamos urgentemente lembrar as lições que os gaúchos e paulistas em 1835 e 1932 nos deixaram: precisamos lutar contra a centralização da corte, que hoje beira a tirania. Precisamos deixar de comemorar que "o Governo Federal liberou recursos para isso ou que vai construir aquilo" como se fosse uma conquista, quando na verdade não passa de uma esmola. Precisamos de uma mobilização real para que a autonomia dos Estados seja ampliada e o poder da União seja diluído, sob pena de continuarmos vivendo num Império Romano travestido de República Federativa.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

As Coisas do Povo.

“Pedágio a 1 km” anunciava a placa na rodovia. Mas... Espere um momento... O Tarso disse que os pedágios tinham sido desativados. Bom, pelo menos a rodovia estará em boas condições. E assim segui viagem rumo à capital gaúcha passando por Santa Cruz do Sul. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com a nova empresa cobradora de pedágios: a EGR, Empresa Gaúcha de Rodovias. Então me lembrei: o trotskista estatizara os pedágios (e a rodovia já começa a dar sinais de deterioração). Cinco reais e cinqüenta centavos, por duas vezes pagos nas praças de pedágios da rodovia estatizada. Ou seja, eu estava pagando ao Estado para manter uma rodovia cujo meu IPVA deveria manter. A raiva foi imediata... E ficaria pior com a justificativa para o estupro estatal: “devolver à sociedade, ao povo, o controle e a posse da rodovia”.
Há cerca de 20 dias, li uma coluna do jornalista Paulo Sant’Ana que versava sobre a situação da saúde no Brasil e de como o dinheiro do povo estava sendo mal empregado por nossos governantes. Segundo o articulista, é preciso que os governos, independente de qualquer orientação política, tenham mais cuidado com o uso do dinheiro público, ao qual reivindica como sendo dinheiro da população brasileira, recolhido através de impostos.
Embora aparentemente desconexas, as duas situações forçaram-me a fazer uma pergunta: o que é do povo? Como podemos afirmar que uma empresa pertence ao povo? Como podemos assegurar que o dinheiro pertence ao povo? Enfim: o que são as coisas do povo? A resposta surgiu-me tão rápido quanto os questionamentos, como em um insight: as coisas só são do povo quando estão com o povo; e nos dois casos, nem a EGR e tampouco o dinheiro dos impostos pode ser considerado “do povo”. São de um governo.
Quando o Estado passa a possuir uma empresa, este empreendimento deixa de ser da população e passa a pertencer a uma cúpula partidária que detém o poder naquele momento. Assim, nossas empresas estatais como a Petrobrás, os Correios, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, por exemplo, são mobiliadas e administradas por um governo, e não pela população.  Detendo tamanho poderio econômico, o governo pode efetivamente comprar apoio político por intermédio da cessão de cargos gordamente remunerados a seus aliados, fazendo com que as empresas estatais sejam ineficientes, corruptas e majoritariamente deficitárias. Aqui se encaixa a tal EGR: uma empresa pertencente a um governo que nasce parecendo ser “da sociedade”.
Desta maneira, uma empresa privada é muito mais “do povo” do que aquela tocada pelo governo.  O simples fato de não estar sujeita a conchavos políticos e não depender de eleições para determinar seu presidente já fala por si. Além disso, qualquer cidadão pode ocupar um cargo em uma empresa privada, bastando ter competência e vontade para trabalhar, sem precisar estar filhado a este ou aquele partido. Ademais, o acesso que o usuário tem a uma empresa privada é infinitamente mais fácil. Suas reclamações são ouvidas com muito mais interesse e atenção, visto que a sobrevivência da empresa depende da satisfação de seus clientes e de sua rentabilidade, ao passo que a estatal é subsidiada pelos impostos que todos pagam (isso sem falar no fato de que, na iniciativa privada não há estabilidade, ou seja, o mau funcionário é despedido). No caso da EGR, por exemplo, o cidadão que nunca passar pelas rodovias que esta empresa administra estará pagando por ela através dos impostos recolhidos em todos os produtos e serviços que consome.
Falando em impostos, eis mais uma coisa que não é do povo: o dinheiro dos impostos. Ora, o dinheiro que pertence ao povo não é aquele recolhido compulsoriamente pelo Estado, mas aquele que está no bolso do cidadão. De forma análoga ao que acontece com as empresas estatais, o dinheiro dos impostos pertencem ao governo, mais especificamente ao partido que está no governo.  Este dinheiro é recolhido com a desculpa de que “o Estado tem que garantir educação, saúde, segurança, previdência, etc". Muito mais coerente é deixar o dinheiro dos impostos com seus verdadeiros donos: o povo. Como? Deixando os recursos financeiros nas mãos da população para que ela decida no que irá aplicá-lo (saúde, educação, cultura, previdência), sendo estes serviços fornecidos pela iniciativa privada. Mas aí dirão “ah, mas tem gente que não consegue administrar seu dinheiro”. Bom, aí é questão da responsabilidade que cada pessoa tem que ter com o seu futuro, com a sua vida.
Retirar o Estado da vida pública é devolver ao povo o que é do povo. Porém impor uma drástica redução das atribuições estatais de maneira que sobre o estritamente necessário (isto é, a segurança) não é um caminho fácil. Afinal, quanto mais atividades econômicas e sociais estiverem sob o controle estatal, mais facilitado fica o trabalho daquelas correntes políticas que querem se perpetuar no poder.
Difícil também é deixar que o governo, além da segurança, cuide apenas das questões essenciais da educação (ensino médio), da saúde e infra-estrutura, porque se criou no país uma mentalidade distorcida de que algo só pertence ao povo quando é do Estado. Infelizmente, nossa população não sabe andar com suas próprias pernas, sempre recorrendo ao governo para solucionar suas demandas, fechando uma espécie de espiral que tende a estatizar cada vez mais todos os aspectos das relações humanas.
Assim, cada vez mais o povo está sendo desprovido de suas “coisas”, sob o pretexto de que o roubo que sofre serve para afirmar que a coisa roubada lhe pertence.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Médicos Cubanos?

Após quase duas décadas de governos de esquerda parece que continuamos onde sempre estivemos. Nossa segurança é precária, a infraestrutura é risível, a educação nada mais que mera doutrinação marxista e a saúde... Bem, a saúde segue daquele jeito... Em coma.
Mas eis que das profundezas guevaristas de nossa Dama de Vermelho, surge a solução: importar médicos. E que sejam cubanos! Afinal, são reconhecidamente profissionais altamente qualificados que tocam uma das medicinas mais desenvolvidas de todo o mundo. Bom, pelo menos é o que nossos professores de história (e de humanas em geral) querem fazer-nos acreditar. Pouco importa se os benefícios, êxitos e procedimentos de tão evoluída medicina simplesmente não são reportados por qualquer revista científica, de medicina, ou pela Folha de São Paulo. Ah, já sei... Coisas do boicote dos interesses do capital norte-americano, que subjuga os mais pobres cobrando dinheiro pela cura de doenças que eles mesmos criaram... Ufa, passou meu momento Luciana Genro!
Aliás, falando em criar doenças, vejam que coisa interessante. Por duas décadas a esquerda esteve à frente do governo imperial, centralizando cada vez mais o poder na corte (Brasília). Conforme os anos passaram, deu aos municípios a incumbência de cuidar da saúde (dentre outras atribuições), mas esqueceu de lhes passar os recursos. Uma excessiva centralização do poder da União¹ que, a seu bel prazer, distribui os recursos produzidos nos Estados e municípios conforme a demanda eleitoreira e política, obrigando governadores e prefeitos a pedirem esmolas todos os anos sob a rampa do planalto. O resultado não poderia ser outro: a coisa não funcionou e o sistema de saúde esfacelou-se. Agora, querem nos fazer acreditar que precisamos de mais médicos para resolver o problema. "Tipo"... Eu forneço a solução para um problema que eu mesmo criei, n'est pas?
Com a saúde em frangalhos, um povo desmemoriado e uma mídia ideologicamente comprometida, consegue-se jogar os médicos brasileiros contra os estrangeiros e a população contra aqueles. O "papo" é que "nem todos querem só dinheiro, algumas pessoas têm ideais nobres, etc.", no melhor estilo Kenny Braga (comunicador do Sala de Redação). Mas como trabalhar sem condições de trabalho, sem medicamentos, sem hospitais, sem infraestrutura? Como sair de um grande centro e ir a cidades menores quando sequer as estradas que levam a elas são minimamente conservadas? Complicado né... Mas não para os doutores cubanos. Afinal, eles estão acostumados com muito menos do que encontrarão no Brasil. A ilha cubana de educação e medicina altamente desenvolvida não passa de uma ilha da fantasia. Tanto que pessoas arriscam suas vidas para abandoná-la (papai Fidel impede a fuga do paraíso).
Porém, não sejamos intransigentes. Digamos que realmente o país precise de médicos estrangeiros. Neste caso, cabe a pergunta: porque não revalidar os seus diplomas? Será que essas pessoas são realmente médicos? Que sejam, vá lá.. Mas aí cabe outra pergunta: Porque o Brasil pagará pelo trabalho dos médicos cubanos à Ditadura Castro e não diretamente ao profissional? Será que estes médicos são tão idealistas que se deixam explorar pelo seu governo a ponto de se tornarem escravos dele? Escravos sim ora! Os cidadãos cubanos são propriedades de sua ditadura. Escravos, pois. 
Há ainda, mais um pequeno detalhe: a educação à qual esses médicos cubanos (se é que são médicos) foram submetidos. Afinal, se no Brasil, que é governado por comunistas enrustidos, a doutrinação marxista é medonha, o que esperar de um país cujo governo é abertamente comunista. Seriam esses "médicos" agentes de multiplicação de forças? Meio teoria da conspiração não é... Nem tanto. 
O movimento revolucionário, assim como o islâmico, possui alcance de longo prazo, planejando suas ações e visualizando resultados vinte, trinta anos à frente. As modificações são lentas e profundas, passando despercebidas pela grande maioria das pessoas que acabam acreditando ser "normal" decisões como esta de importar médicos. 
O problema da saúde (e da educação, cultura, economia e segurança) foi gestado e planejado há mais de vinte anos; e não o foi por acaso.


1. Atenção gauchada: cantar o Hino Rio-grandense quando se executa o Hino Nacional Brasileiro não é ato de rebeldia, mas de imbecil infantilidade. Os farroupilhas romperam relações com a Corte justamente pela alta concentração de poder que esta exercia... Precisamente o que ocorre desde que proclamaram a República.



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Limão e a Lima


"- Uma coca-cola, por favor.
- Gelo e limão?
- Sim, por favor. Bastante limão.
Quando o garçom retornou, um copo borbulhante de líquido preto foi deixado sobre a mesa. No seu interior, pedras de gelo transparentes dançavam com rodelas verdes da fruta ácida que deixava a bebida ainda mais refrescante. O calor era intenso e a sede insuportável. Nada melhor do que uma coca com gelo e limão para revigorar-lhe as forças."
O texto reproduzido acima não foi extraído de nenhum outro lugar; é fruto da pobre imaginação deste que vos escreve. Entretanto, tenho certeza que ao citar a famosa "coca-cola com gelo e limão" a imagem que veio à mente da grande maioria dos leitores foi aquela descrita acima. Nada fora do normal, não fosse por um detalhe: o que chamamos de limão, na verdade é uma espécie de lima. Dentre os frutos aos quais nos acostumamos a chamar "limão" somente um é-lo de fato: o siciliano. 
Repetiu-se tanto que as limas são limões que hoje poucos sabem diferenciar estes daquelas e, se por ventura alguém ousar dizer que o limão taiti, cravo ou galego não são limões, é capaz de ser escorraçado e atirado ao ostracismo. Previsível em um país onde títulos e consenso comum se sobrepõem ao conhecimento real.
Mas porque falamos de frutas? Ora, porque estamos acostumados a levar lima por limão, e isto tem se tornado cada vez mais comum. E aí daquele que ousa desmascarar as limas infiltradas! Sofrerá a ira dos defensores da hegemonia "limonesca".
Deixando a quitanda de lado voltemos à realidade tangível. E o conceito de hoje é democratizar. A palavra está na moda, não há dúvida. Nosso diligente e amável governo, dirigido pelo partido-dinastia e sua corte, quer, com as "melhores das intenções", dar voz e poder ao povo. Para isto, propõem a democratização geral de tudo o que nos cerca: crédito, transporte público, segurança, mídia, imprensa, educação. Tudo precisa ser... Como eles dizem... Postos a serviço da população; abertos ao povo. Afinal, democratizar é isso: dar ao povo a oportunidade de intervir. Só que não!
Nas terras tupiniquins, democratizar significa estatizar. Submeter entidades independentes como a mídia e mesmo as escolas à batuta do maestro governamental, de forma que tudo ocorra conforme o Estado queira. O marco regulatório da imprensa é o exemplo mais gritante: submete ao crivo do governo as pautas jornalísticas (como se estas já não fossem suficientemente submissas). Democratizaram também o cinema e a produção cultural (especialmente a TV por assinatura), liberando crédito de empresas estatais como a Petrobrás e o Banco do Brasil que, claro, precisam passar pela análise da ANCINE. "É censura, mas fala diferente", como diria aquela personagem da Escolinha do Professor Raimundo.
Na esfera econômica, a democratização fica evidente quando da liberação de crédito mais barato para as famílias de baixa renda. Sob subsídio estatal, os bancos vão financiando os "minha casa minha vida", "minha casa melhor" e tutti quanti, promovendo uma falsa prosperidade e contrariando a questão do risco que envolve qualquer operação financeira. A propaganda oficial faz-nos crer que existe uma verdadeira revolução econômica em curso, que as famílias mais pobres agora podem adquirir bens e serviços que antes não poderiam aspirar. Não deixa de ser verdade. Porém os pobres não deixaram de ser pobres, apenas se tornaram endividados; é o crescimento baseado na dívida (e na distribuição de bolsas). Ou seja, não são criadas condições para promover o ganho real de renda e o aumento da poupança do cidadão, mas sim do tamanho de suas contas a pagar. Acho que já vimos filme semelhante nas terras do Tio Sam...
Como não poderia deixar de ser, democratizar virou slogan. Os protestos de junho passado que o digam. As reivindicações por meia tarifa, tarifa zero e outro sem-número de gratuidades nada mais é do que a tentativa de "democratizar" o transporte público, como se este fosse sem custo para quem o administra. Os manifestantes querem a participação da sociedade e dos "estudantes" junto às empresas de transporte público; e o que isto significa? Mais intervenção estatal. Afinal, o governo (democraticamente eleito para representar o povo), ao meter o bedelho em toda e qualquer instituição ou empresa estará, segundo os "especialistas", democratizando aquele serviço ou aquela empresa. 
A realidade, entretanto, está muito distante de ser esta. Democratizar não é dar à população, ao povo, o poder para influenciar e administrar o que quer que seja, mas aparelhar política e ideologicamente o que se deseja. Quando um governo toma para si o poder de gerir qualquer coisa, não é o povo que o faz, mas uma elite partidária. Estando em jogo o futuro do partido e desta própria elite, a corrupção, a ineficiência e o descaso são inevitáveis.
O grande problema é que as pessoas simplesmente não enxergam o óbvio, obstruídas por anos de doutrinação por parte da escola, da mídia e do meio cultural.
E continuam pedindo limão e levando lima.







sábado, 3 de agosto de 2013

A Visita do Missionário

Durante a visita do Santo Padre Francisco, aconteceu um milagre: a grande mídia, a imprensa e os nossos governantes pareceram converter-se ao catolicismo. A cobertura jornalística dada ao evento e os políticos que o rodeavam passaram muito além do mero dever de informar daqueles e o de recepcionar um Chefe de Estado destes. O assédio ao Sumo Pontífice foi motivado por algo que nossos jornais, novelas, movimentos sociais, ONGs e nosso próprio governo julgavam estar morto: o catolicismo. Milhões foram às ruas recepcionar Francisco I, o jesuíta com a missão de resgatar os católicos à sua Igreja; a maioria, jovens. Como um urso despertando de seu longo inverno, os fiéis abriram os olhos e saíram em caminhada para encontrar e ouvir as palavras do Papa. E a Igreja Católica parece ter dado um recado, mesmo sem tê-lo planejado: estamos aqui, e ainda somos a maioria.Muitas foram as palavras trazidas por Francisco. Sua luta contra a miséria e suas causas, sua firme posição contra o aborto e as questões relativas ao homossexualismo. A questão é: será que o Santo Padre soube que estava cumprimentando pessoas que estão justamente contribuindo para a miséria, implorando pelo aborto e empurrando a homossexualidade como algo comum e desejável quando recebeu os sorrisos e abraços das serpentes que o recebeu? Certamente que não. Naquela ocasião, não era o Padre abençoando fiéis, mas um Chefe de Estado sendo recebido pela comitiva de outro. O Papa falou também sobre as manifestações dos jovens, dizendo que a juventude deve se manifestar. Não deixa de estar certo. É preciso que a nossa juventude se manifeste, principalmente a juventude católica. Estes jovens, e toda a Igreja em si, precisam se levantar contra o verdadeiro desmonte que entidades como a CNBB têm promovido ao catolicismo. Não podemos aceitar que bispos apóiem o socialismo promovido a todo custo pelos herdeiros de Lula, por exemplo, visto que este sistema semeou apenas morte, fome e miséria por onde passou. Não é possível, ainda, que as integrantes de movimentos como o das "católicas pelo direito decidir" não tenham sido excomungadas da Igreja. O catolicismo pregado no Brasil precisa retornar ao verdadeiro catolicismo, e não mais ser apenas um instrumento de promoção da revolução marxista e cultural que há três décadas marcha sobre o país e está virtualmente vitoriosa. E Francisco com certeza sabe disto.Entretanto, creio que nossos políticos, mídia, acadêmicos e demais formadores de opinião acreditam que a obra a ser realizada pelo Papa é a de modernizar a Igreja, fazendo com que questões como a liberação e legalização do aborto e a aceitação do homossexualismo sejam finalmente toleradas. Não vejo que isto venha a ocorrer, visto que Francisco é jesuíta, e como jesuíta, deve defender a difusão da fé católica, não sua "adequação aos novos tempos". Ademais, a Companhia de Jesus surge durante a Reforma Católica (ou contra-reforma) que reafirmou os valores defendidos pelo catolicismo, notadamente a questão da transubstanciação. Sendo assim, é muito provável que a Igreja reafirme suas posições relativas à questão do aborto e do homossexualismo sem, porém, recorrer à violência ou o ultraje com que os integrantes das "marchas gays" dispensam aos católicos ao profanarem seus símbolos e imagens numa ofensa direta e violenta aos valores de mais de 60% da população.Francisco I é o Papa, e é jesuíta. Tem por sua formação, convicção e ideal o desapego aos bens materiais, o auxílio aos mais necessitados e a expansão da fé católica. Isto não significa dizer que ele irá revolucionar a Igreja apenas para simplesmente aumentar o número de seguidores e adeptos; e todos os seguidores do catolicismo são pecadores (menos o ex-presidente Lula, que disse em uma igreja que era desprovido de pecados razão pela qual deveria receber a Comunhão. Naquele exato momento, o sociopata cometia um dos pecados maiores pecados perante a fé católica. Virtualmente, igualou-se a Cristo).Por este motivo, a frase dita pelo papa: "quem sou eu para julgar os gays", de maneira alguma mostra mudança ou antagonismo em relação ao que prega o catolicismo e o cristianismo. Jamais se ouvirá de um verdadeiro cristão que um homossexual estará proibido de entrar em uma Igreja ou Templo. Apenas estará proibido de praticar o pecado, tanto naquele lugar como fora dele, se quiser a salvação (e ninguém é obrigado a querer ser salvo). A prática homossexual é pecado segundo os ensinamentos cristãos. Desrespeitar pai e mãe, cobiçar a mulher do próximo, mentir ou usar o nome de Deus em vão também o são. Ora, se todos aqueles que cometem pecados fossem proibidos de entrar em uma missa ou culto, por certo os teríamos eternamente vazios. Assim, um casal gay pode freqüentar uma igreja cristã, mas tem a consciência de que não poderão casar-se os olhos de Deus e que, ao manterem a prática da homossexualidade, são pecadores. Serão proibidos de freqüentar uma igreja? Não. Serão proibidos de trocar beijos e afagos dentro da área que pertence à igreja? Sim, bem como aquele que desejar praticar um furto, roubar, xingar sua mãe ou mentir. São pecados.A visita do Papa Francisco, a meu ver, serviu para reafirmar os valores do catolicismo que foram esquecidos pela igreja no Brasil. Veio como missionário, para chamar nossos jovens a lutar pela sua Igreja, não apenas assistir a sua deturpação. Ele veio para chamar os católicos às ruas, certamente contra projetos como o aborto e à imposição da homossexualidade como algo tão perfeito que sequer pode ser criticada. O Estado é laico, muitos dirão. Porém, a população não é laica, e com certeza ela é maioria. Se o despertar dos católicos perdurar e eles saírem em defesa de sua fé como fazem os evangélicos, a visita do Papa terá sido extremamente proveitosa... E está mais do que na hora da maioria ser ouvida. 



segunda-feira, 15 de julho de 2013

Campanha Eleitoral e Poder Econômico.

Após inúmeras manifestações no mês de junho (e outras que se arrastam atualmente), o resultado mais tangível que podemos perceber é a volta da questão da reforma política. Adormecida durante um bom tempo, eis que surge como o grande debate nacional, tendo o financiamento da campanha eleitoral como sendo o ponto mais sensível da tal reforma. E agora? Teremos os partidos sendo financiados por dinheiro público? Ao que parece sim, e com a mais ridícula das justificativas: impedir a interferência dos interesses do capital durante a eleição (isso mesmo, no melhor estilo Luciana Genro de argumentar).
Ocorre que o financiamento de campanha, (por grandes empresas ou quem quer que seja) não é a causa do favorecimento dado aos patrocinadores após o resultado do pleito, mas um meio para que os anseios daqueles que "investiram" neste ou naquele candidato possam colher as suas vantagens durante o governo dos eleitos. A verdadeira causa da existência do "interesse do capital" e sua influência dá-se por um motivo óbvio, porém esquecido: o poder econômico do Estado.
A estrutura gigantesca de um Estado como o brasileiro, facilita tanto a influência de grupos empresarias, como a corrupção interna de suas estruturas. Quando determinada facção política chega ao governo e se depara com um aparato recheado de  autarquias, agências reguladoras e empresas e bancos estatais (que virtualmente controlam a economia) fica fácil por demais formar novas alianças e angariar novos admiradores. Desta feita, pode dar as regalias prometidas durante a campanha eleitoral  não apenas a empresários, mas também a antigos adversários eleitorais que podem acabar formando sua base aliada mediante a troca de um cargo ou outro na administração.
Fosse o financiamento de campanha de origem pública, a situação continuaria a mesma. O agravante é o fato de que quem detém a gerência dos recursos acaba sendo o governo. O resultado já podemos imaginar não é mesmo? Ou será que num país onde se consegue comprar um congresso inteiro não se conseguiria desviar um ou outro recurso para favorecer o candidato da situação?
O caminho para que se minimize a influência econômica de qualquer grupo em um governo passa necessariamente pela retirada do poder econômico deste governo. Muito mais eficiente seria diminuir drasticamente o número de órgãos de assessoramento, empresas e bancos estatais. O poder econômico não reside em uma campanha eleitoral, mas na atual estrutura estatal.


terça-feira, 25 de junho de 2013

O Pacto Esquecido

O anúncio desesperado dos tais cinco pactos pela Presidência da República pode, aos olhos de alguns, significar que o governo resolveu agir diante da onda de protestos que toma conta do Brasil. Lá estavam 26 governadores e 25 prefeitos de capitais, reunidos para tratar de educação, saúde, transporte,  reforma política e responsabilidade fiscal. 
A urgência de tal reunião, entretanto, nos mostra a necessidade de tratar do pacto mais importante de nossa nação. Este pacto está escrito nas armas nacionais e deveria nortear a nossa formação como Estado independente. Infelizmente, permanecemos no campo da teoria desde os primórdios da República acerca do significado real de adotarmos o tipo de Estado que dizemos adotar. É preciso, pois, rever aquele que é o mais importante de todos os pactos: o pacto federativo.
República Federativa, significa que adotamos a forma de governo republicana, isto é, sem um monarca e que somos um Estado cuja forma é federal, ou seja, dotada de estados-membros autônomos. Ocorre que esta autonomia, no caso brasileiro, é extremamente limitada, fazendo com que a União centralize virtualmente todas as atribuições e poderes. 
Não é à toa que a grande maioria das decisões que atingem a esfera municipal e estadual sejam emanadas com o aval do governo federal ou diretamente por ele. O sistema tributário brasileiro também não deixa dúvida quanto a esse centralismo, visto que prefeitos e governadores precisam periodicamente implorar pela boa vontade da União em liberar recursos financeiros ou desonerar impostos (aumenta-se os deveres e responsabilidades dos estados em áreas como segurança, educação e saúdem, mas continua-se a sugar-lhes a riqueza produzida por meio do sistema tributário nacional). Neste ponto, aliás, somos muito mais um império do que fora o próprio Império do Brasil.
A excessiva concentração de poder pela União no Estado brasileiro, porém, não é obra do PT ou de qualquer governo recente. Ela surge com a própria República, quando oligarquias e elites estabelecidas mesmo antes da independência do país puderam se libertar das amarrar que a monarquia lhes impunha. Assim, puderam assumir o lugar do imperador como governo, centralizando o sistema. No governo de Getúlio Vargas, com seu viés claramente fascista, a centralização foi ainda mais forte, chegando ao ponto de se queimarem as bandeiras estaduais e proibir-se a entonação dos hinos estaduais. De lá para cá, apesar de um aumento maior da autonomia dos estados após a era Vargas, muito pouco efetivamente mudou.
O problema da não discussão acerca da urgente necessidade de revisão do pacto federativo dá-se devido primordialmente às vantagens que a União tem com a concentração de poderes, à ignorância generalizada sobre o que realmente é uma federação e ao acomodamento de nossa população, que se acostumou a ver o presidente como o grande responsável em atender às suas demandas. Consequentemente, um assunto que deveria ser estudado e discutido a fundo é relegado a mera nota de rodapé das grandes pautas. E todos corremos a implorar ajuda do governo federal.
Acontece que, para dotar os estados da autonomia que eles precisam, é preciso abrir mão daquilo que sustenta a Corte de Brasília: impostos. Sem eles, é impossível manter o número astronômico de funcionários públicos, autarquias, empresas estatais, ministérios, secretarias, enfim, a estrutura paquidérmica de nosso governo. Sem essas estruturas, fica dificultado o apadrinhamento político, compra de votos, corrupção, ineficiência administrativa e, principalmente, o controle da mídia por meio das famosas verbas publicitárias. Em resumo, o governo central precisaria encolher. E isto desagrada sobremaneira aos governantes que não querem "largar o osso" de maneira alguma.
Ademais, com a atual estrutura federativa do país, os estados e municípios ficam à mercê da boa vontade federal, sendo que aqueles partidários do presidente são flagrantemente favorecidos com os chamados investimentos federais. O detalhe é que muito destes investimentos seriam virtualmente desnecessários caso as unidades da federação fossem dotadas dos recursos financeiros que elas próprias geram, mas são obrigadas a enviar grande parte deles ao faminto governo central. É no mínimo de se estranhar que para se construir uma ponte ou um metrô, prefeituras e governadores precisem mendigar dinheiro à presidência.
Triste ainda é constatar que a questão federativa é simplesmente abandonada e esquecida pela multidão de manifestantes que exige melhorias dirigindo-se ao governo federal, quando poderia estar exigindo maior autonomia financeira, legal e política aos estados, além da imperiosa redução do tamanho do Estado e consequente diminuição da carga tributária. Mudanças como estas fatalmente diminuiriam o custo de toda a cadeia produtiva e possibilitariam à população a fiscalização mais cerrada sobre os seus governantes. Os habitantes dos estados e municípios não ficariam dependentes da boa vontade presidencial, podendo cobrar soluções e a correta administração dos recursos públicos diretamente de seus prefeitos e governadores. Não podemos mais depender de Brasília para solucionar questões que poderiam e deveriam ser tratadas no âmbito estadual e mesmo municipal.
Infelizmente, não bastasse a total falta de vontade de nossos representantes em revisar o pacto federativo, temos uma multidão de estudantes e especialistas que parecem ignorar o assunto. Preferem a demagogia do "passe livre" e outras gratuidades e benesses governamentais que só podem ser obtidas mediante um Estado inchado e centralizador, justamente a causa de nossos péssimos serviços, corrupção e alta carga tributária.


Só como lembrete: a causa da Revolução Farroupilha foi justamente o centralismo da Corte em relação às províncias e isto parece que os gaúchos esqueceram. Cantam o Hino Riograndense e acham o suprassumo do protesto.







terça-feira, 18 de junho de 2013

É Pra Protestar? Então Faz Direito!


Não é só por vinte centavos. Mas é pelo quê? Pelos tributos abusivos que nos são impostos todos os dias? Pelos gastos exorbitantes com a Copa do Mundo e as Olimpíadas? Pela Corrupção? Pela violência? Por nossa educação ser nada além de doutrinação ideológica? Por nossa saúde estar em coma? Contra o governo? Pode ser. Talvez os manifestantes realmente estejam exigindo muito mais do que a redução da tarifa do transporte público. Seu esforço, porém, será em vão. Se “a gente não sabemos escolher presidente”, a gente não sabemos protestar também.
Para terem efeito, as manifestações de protesto político (sim, política não é só partido político) precisam ser claras contra quem, e não contra o quê protestam. Precisam nomear os responsáveis, e não dirigir sua raiva a meros conceitos, a entidades sem rosto. Os gritos de palavras de ordem e slogans repetidos devem ser substituídos por um clamor de repúdio aos culpados pelas mazelas da nação. E eles têm nome, têm rosto, têm sede própria.
Demais seria exigir de nossos estudantes, e mesmo dos ditos intelectuais, o entendimento de que vivemos em uma federação de mentirinha, onde a União concentra em suas mãos um poder econômico, político e cultural que sequer o Império do Brasil jamais sonhou em ter. Seria exigir demais que nossos estudantes conhecessem as ligações obscuras (agora nem tanto) que são seladas no Foro de São Paulo, cujo organizador-mor é o partido que ora nos governa. Seria exigir demais de nossos universitários que entendessem os malefícios que o pensamento econômico keynesiano com seu intervencionismo trás para a economia. Seria demais exigir dos manifestantes a leitura de livros diferente daqueles recomendados por suas universidades. Não. Nada disso exigimos.
Mas o que podemos exigir não só dos manifestantes, mas de grande parte de nossa população e especialmente da imprensa, é a consciência de perceberem que após 18 anos de governos de esquerda (sim, o PSDB também é esquerda!), a promessa de um mundo melhor minguou, e o que temos é um país entregue às traças sustentado por uma massa de intelectuais cujos cérebros sequer existem e onde um programa de transferência de renda garante a reeleição continuada da mesma turma, ao custo da dignidade de se ganhar o dinheiro pelo suor do trabalho.
Sim, caros manifestantes. Nomeiem os responsáveis. Gritem pela saída de Dilma, pelo fim do PT. Gritem contra esta esquerda cheia de mentiras e desenganos que apenas conseguiu tirar-nos a liberdade de pensar (vide a imposição de aceitação compulsória da “homonormatividade”), de nos informar (vide projeto do marco regulatório da imprensa que, sedo ou tarde será aprovado e a cota compulsória de programas nacionais na TV por assinatura) e de nos defender (campanha contra o desarmamento), para citar apenas alguns. Peçam pela saída daqueles que causaram as mazelas pelas quais agora protestam... Não podem fazê-lo por um simples motivo: são programados a serem ideologicamente comprometidos com a causa da esquerda.
Nossos barulhentos manifestantes não conseguem exigir o que realmente importa pelo simples motivo de não conhecerem absolutamente nada de diferente daquilo que lhes foi ensinado nos bancos escolares. Não sabem o que realmente é livre mercado, livre concorrência, liberdade individual. Não sabem que um Estado inchado como o brasileiro está condenado a ser ineficiente e corrupto. Não sabem que é pela mão dos indivíduos e da iniciativa privada que uma nação consegue sua riqueza. Não sabem o que realmente é liberdade de expressão, opinião ou informação. A tudo isso, chamam de neoliberalismo ou, pior ainda, “pensamento de direita”, palavras que desencadeiam verdadeiros arroubos de protesto. No Brasil, ser de direita ou conservador é quase um crime. Pergunto: acaso foi o pensamento conservador que meteu nosso país nesse mar de lama?
Enganam-se quando dizem que suas reivindicações são apartidárias ou apolíticas. Não são. Manifestações deste tipo são absolutamente incapazes de serem concebidas por geração espontânea. É preciso que alguma liderança as aglutine. Um verdadeiro movimento que possa gerar mudanças ou “revolucionar” como dizem os cartazes que os jovens empunham carece de uma elite pensante.
Foi assim na Independência dos EUA, na Revolução Francesa, na Revolução Russa, na Revolução Chinesa, no Nazifascismo e nos movimentos das décadas de 1960-1980 (aqui sem levar em consideração se tais movimentos foram bons ou ruins). O povo, por si só, não se organiza sem estar sendo conduzido por alguém. A julgar pela generalização e falta de objetividade dos protestos, as lideranças (certamente partidárias como PT, PSOL, PSTU, UNE etc.), não estão interessadas em promover mudanças reais.
Para que possamos exigir e realizar aquilo que ora propõem nossos ativos manifestantes, é preciso que formemos uma verdadeira elite cultural pensante que saiba contrapor a ideologia reinante com propriedade, conhecimento e contundência. Esta elite não será formada em curto, ou mesmo médio prazo. Demanda tempo e estudo. Tampouco sairão das USP e UFRGS da vida. Precisamos de indivíduos capazes de contestar o status quo reinante na imprensa, no meio artístico e no meio cultural.
Levará tempo para que se reorganize uma nova elite. Talvez sequer consigamos, dado o tamanho do estrago causado pelo gramscismo em nossa educação e cultura. Por ora, se quisermos realmente mudar os rumos do país, precisamos fazer três coisas: estudar, protestar contra os verdadeiros culpados e votar sem amnésia.

domingo, 16 de junho de 2013

Ninguém Despertou.


Os protestos contra o aumento das tarifas de transportes públicos no Brasil refletem a triste realidade na qual vivemos, especialmente quando nos deparamos com estudantes protestando. Esta massa prova a total falência de nosso sistema educacional que, somente é capaz de produzir militantes políticos e escravos ideológicos. A própria negação dos manifestantes acerca da politização do movimento são provas da alienação mental pelo qual são submetidos. É muito Marx na veia mano.
Quebrar ônibus, depredar o patrimônio histórico ou pichar residências e estabelecimentos alheios parece justificarem-se pelo abusivo aumento da passagem. “É o povo acordando”, dizem. Não. São apenas estudantes formados em nossa academia que tiveram seus cérebros destruídos pela ideologia comunista, mesmo quando insistem em negar.
As bandeiras de partidos como P C do B, PSTU e movimentos sociais não estão ali por acaso. O clamor dos revoltados por mais regulação do Estado (passe livre) não é fruto do nada. A própria imprensa, a cobrir os eventos sempre da perspectiva dos manifestantes, deixa em evidência a violência policial que, infelizmente, às vezes é necessária. Progressivamente, a polícia é vista como o “órgão opressor”. Até gritos de “abaixo a ditadura” são ouvidos. Só um cego não percebe o pincel socialista no quadro pintado.
Protestar não é o problema. Aliás, é louvável. Mas infelizmente, os jovens que vestem máscaras e gritam palavras de ordens simplesmente não sabem pelo quê protestam. Não sabem o porquê do aumento da passagem de ônibus. São apenas papagaios repetindo refrãos. E nesta repetição imbecil, defendem justamente aquilo que causa o problema: estatização. Em Porto Alegre, por exemplo, teve protesto contra a privatização da cidade... Coisa de gente burra mesmo.
O aumento tarifário é inevitável, visto que a inflação (sim, ao contrário do que a Dilma diz, ela existe) corrói salários e aumenta custos (e anualmente o salário mínimo é aumentado). Acontece que a culpa por este aumento não é dos empresários malvados como nos fazem crer, mas do governo. Para manter seus assistencialismo social e um sem-número de ministérios e secretarias, é preciso dinheiro. Obtê-lo gera custo, quer seja aumentando a carga tributária ou imprimindo mais papel-moeda. Ambos, por motivos distintos, geram aumento dos preços que vão refletir nos custos que o empresário e o prestador de serviço terão. E este custo é revertido ao consumidor.
Não obstante, as várias gratuidades do sistema de transporte fazem com que a tarifa custe mais do que deveria custar se todos pagassem igualitariamente pela passagem. Assim, para que um estudante pague meia passagem ou para que a população viva “sem roletas” como querem alguns manifestantes, os usuários ordinários serão penalizados. Mas supomos que a pressão dos protestos surta efeito e os valores sejam mantidos ou mesmo reduzidos por força de decisão judicial. Em tese, todos sairiam ganhando... Negativo.
O governo precisaria subsidiar o transporte. E de onde sairá este recurso? Ora, do bolso dos contribuintes, tanto daqueles que não usam o transporte quanto daqueles que gritam contra o aumento; irão pagar pelo aumento quando forem ao supermercado, comprarem pipoca ou dirigirem-se ao cinema. Afinal, não existe serviço de graça. Se alguém tem qualquer coisa de graça, outro teve que pagar por ele. No longo prazo o sistema vai à falência. Esta é a raiz dos problemas que a Europa enfrenta agora, por exemplo.
Outro grande problema que faz com que as passagens sejam caras chama-se monopólio. Não há concorrência. Tudo está na mão de uma única empresa e quando existem mais de uma concessionária atuando, os trechos concedidos são diferentes, de maneira que fica tudo na mesma. E se tem algo que o Estado abomina é a concorrência. Com ela, sua influência política e econômica é drasticamente diminuída, e a população passa a perceber que não precisa tanto dele assim. Mas ninguém protesta por isso.
Da mesma forma, ninguém protesta quando a presidente resolve criar um ministério, 39 agora, que aumenta gastos e diminui capacidade de investimentos. Ninguém protesta quando entra na fila do SUS e é mal atendido, quando sai da escola e percebe que não aprendeu nada ou quando precisa da força policial e ela, além de ser mal equipada e remunerada, ainda tem suas ações diluídas em virtude de nossas leis brandas. Ninguém protesta... Detalhe: todas estas áreas são de responsabilidade do Estado.
Protestam contra aumento de preços e tarifas de serviços, mas não se dão conta que o triste não é pagar, mas não ter condições de pagar. Ninguém protesta contra uma carga tributária que suga mais de um terço de nosso suado dinheiro que vai diretamente para o bolso de apadrinhados políticos, diretores de estatais que não deveriam existir ou para custear os salários absurdos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Contra isso não há quebradeira, não há coragem, não há cartazes dizendo “desculpe o transtorno, estamos mudando o país”. Não estão. Estão justamente fomentando o que o torna cada vez pior: a estatização.
O mais grave, porém, é notarmos a natureza das coisas pelas quais se protesta. Marcha da maconha, das vadias, dos gays, e agora pelo passe livre. Enquanto isso, 50 mil brasileiros morrem por ano, e ninguém protesta. Querem legalizar o aborto, chamando o feto de um “emaranhado de células”, e ninguém sai em defesa dos mais inocentes. A criminalidade está atingindo níveis cada vez mais insuportáveis, mas ninguém parece se importar. Condenados pelo mensalão ocupam a Comissão de Constituição e Justiça do legislativo e nem um “piu” se ouve.
Parece que o brasileiro está muito mais preocupado em dar o rabo, mostrar os peitos, fumar um baseado e pular uma roleta do ônibus do que pela sua vida, segurança, saúde ou pelo destino do seu dinheiro. E tem gente que acha que o brasileiro acordou...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A Sabedoria do Samba e do Futebol

Incrível o poder que um simples pedaço de papel timbrado de uma universidade pode dar a um indivíduo. O simples fato de a pessoa ostentar um título de bacharel nisso ou doutor naquilo pela universidade de qualquer lugar, o faz automaticamente detentor de um conhecimento "acima de qualquer suspeita". Isso lhe dá uma autoridade intelectual praticamente irrefutável, sendo suas idéias imediatamente aceitas, digeridas e validadas. Soma-se o alinhamento politicamente correto de seu pensamento e voilà! Nasce um intelectual.
Blindados por um diploma acadêmico, pessoas realmente imbecis como Marilena Chauí, Dráuzio Varella, Quartim de Moraes, e um sem-número de outros, escrevem, postulam, e falam verdadeiras idiotices que não resistem a uma análise mínima de suas idéias. Escondem-se em seus títulos, como se portar um canudo ou passar pelos bancos universitários sejam garantias de credibilidade ou honestidade intelectual. Tornam-se os queridinhos de Pindorama, inatacáveis e incriticáveis. Soma-se o analfabetismo funcional brasileiro, que atinge desde o aluno do ensino fundamental até professores de cursos de doutorados que, em muitos casos, mal sabem escrever bem a língua portuguesa.
Muito mais que a quantidade de títulos, o que realmente deveria ser avaliado é a qualidade dos argumentos e idéias apresentadas. Infelizmente, não é isso o que acontece. Qualquer cidadão que resolva produzir algo que vá de encontro ao que estabelece a ditadura do politicamente correto e ideologicamente aceito, passa a sofrer toda sorte de perseguição e preconceito, sendo que o ponto mais atacado é a sua titulação. Os argumentos em si são deixados de lado. A frase típica é "ah, mas fulano não é sequer formado nisso", ou mais recentemente "ah, ele é de direita/evangélico". Com estas afirmativas, retira-se a credibilidade de qualquer pessoa, mesmo que seu texto, seus argumentos e suas idéias sejam irrefutáveis. E a população falsamente politizada, leitora de jornais e revistas, vai engolindo estes e outros sapos, pois foram acostumados e preparados para apenas aceitar aquilo que é dito pela intelectualidade oficial.
Uma forma de se ilustrar que nem sempre título acadêmico é sinônimo de competência, basta observarmos o que ocorre com as duas grandes paixões nacionais. As opiniões mais acertadas, coerentes e que suscitam debates realmente produtivos são aquelas relacionadas ao carnaval e ao futebol. Especificamente para este, mesas redondas são formadas e ali são expostas idéias, argumentos e fatos que, embora por vezes antagônicos, resultam sempre em uma discussão produtiva e relevante, onde os interlocutores buscam convencer uns aos outros através de conhecimento e argumentação... E não me parece que existam faculdades de futebol ou carnaval.
Se tratássemos os assuntos realmente relevantes com a mesma importância e atenção que dispensamos ao carnaval e ao futebol, muitos famosos e influentes intelectuais seriam desmascarados e chegaríamos à conclusão de que um título é importante, mas não supera (jamais) o conhecimento demonstrado.

domingo, 2 de junho de 2013

Pena de Morte aos Inocentes

Ao abrir o jornal Zero Hora deste sábado, dia 1º de junho, dou de frente com o artigo "O Sermão do Médico", de uma tal Cláudia Laitano que, para resumir a ópera, advoga que a novela das oito não pode ser contra o aborto e que médicos não podem ter convicções religiosas. Ainda, cita o famigerado Dráuzio Varella, para validar seu posicionamento pró-abortista. 
As pessoas favoráveis ao aborto alegam que "milhões de mulheres morrem por praticarem o abortamento de forma clandestina" e que a legalização de tal prática iria diminuir drasticamente a mortalidade destas. O preço a ser pago, entretanto, é a vida de um ser humano em formação que, para eles, não passa de um amontoado de células parasitando o corpo da mulher. De fato, consideram que uma cadeia de ADN envolto em proteína pode ser considerada vida, mesmo que necessite de outro ser vivo para viver e se reproduzir... Um humano em gestação não é. Raciocínio safado este não?
O fato é que o aborto condena à morte o mais inocente dos seres: o bebê em formação. Sobre si, recai toda a responsabilidade sobre o ato sexual que lhe deu origem, quer seja consentido ou violento. Aquele pequeno ser que repousa na segurança do útero materno passa a ser o vilão, o bandido que precisa ser eliminado... Sem nenhuma chance de defesa, sem nenhum tipo de apelação. Apenas porque ele está lá, fruto de algo que deu errado.
Despir-se dos aspectos morais e religiosos, como deseja gente como essa Cláudia Laitano, para tratar de assunto tão complexo é de uma idiotice monstruosa. Os preceitos legais que hoje fazem parte de qualquer civilização assentam-se justamente em conceitos morais e religiosos. A codificação legal inexiste sem um assentamento moral e religioso. Os primeiros dias da civilização, na distante Suméria de 6500 a.C. tinham o templo como unidade central de sua organização política, cultural, religiosa e legal, de onde emanavam as leis. 
Mesmo com a separação entre Estado e Igreja, milênios depois, a herança da moral religiosa nos códigos legais é imperativa, pois é ela que nos dá a consciência de que nossos atos geram consequências. É a própria noção de responsabilidade. É justamente este o motivo que leva nossos famigerados abortistas a abominarem a abordagem "moralista" ou/e religiosa que se faz do tema. Afinal, uma gravidez não surge por geração espontânea. É preciso pelo menos dois agentes: um homem e uma mulher. 
A autora do artigo citado se apavora com o sermão religioso dado por um médico em uma novela, mas parece não se incomodar quanto (com o perdão da palavra) à putaria generalizada na mesma emissora que ela ataca. Não parece estar preocupada com a erotização cada vez mais precoce de nossas crianças e com a vulgarização crescente de nossas mulheres que, rebolando ao som de funks e "músicas" de qualidade desprezível, mais pareçam peças de carnes à venda para o deleite do macharedo.
Ao legalizar o aborto em qualquer situação, estaremos transferindo responsabilidades. Salvo em casos de estupro, é preciso que tanto o homem quanto a mulher aprendam a dizer não. As pessoas precisam entender que ao praticarem um relacionamento sexual, existe a possibilidade de gravidez por mínima que seja, mesmo com todos os métodos contraceptivos disponíveis. Ao terem relações sexuais, não se pode simplesmente descartar a possibilidade de uma gravidez. A responsabilidade é do homem e da mulher, e não do bebê em formação resultado do ato.
Porque se deve matar justamente o mais inocente de toda essa história?






sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Humorista Relativista.



Ao ler o texto “Os Cães de Guerra” de Luiz Fernando Veríssimo, reproduzido na página 2 da edição de 16 de maio do jornal Zero Hora, confirmo o que eu temia: sou um total imbecil. Afinal, como pode alguém não achar a tanta graça nos textos humorísticos desse senhor ou não tomar como respeitáveis e sapientíssimas as suas opiniões? Pois é. O cara que não acha graça no L. F. Veríssimo... Que leu o seu texto e o achou deprimente... Esse cara sou eu!
No referido escrito, o autor questiona a não observância pelos militares das regras estabelecidas pela Convenção de Genebra no combate contra a guerrilha do Araguaia, enfatizando que “a maioria não sobreviveu e nem seus corpos foram encontrados”. Ainda, afirma que quanto ao que aconteceu no que ele chama de “salas de tortura da repressão”, não restam dúvidas ou apenas suposições: está vivo na memória dos torturados e suas famílias (deixei de colocar entre aspas devido ao esquecimento do sinal de pontuação “dois pontos” no texto original de Zero Hora que, acredito, seja erro de impressão, visto que um erro básico como este não pode ser esperado de tão eminente intelectual).
Como bom esquerdista alienado que é, cobra um tratamento humanitário a prisioneiros por parte da “ditadura”, porém silencia sobre como eram tratados aqueles que sofriam nas mãos dos grupos terroristas (como a guerrilha do Araguaia) e mesmo acerca dos justiçamentos a que eram submetidos, inclusive, integrantes do próprio movimento guerrilheiro. O companheiro Veríssimo jamais escreveu uma única linha sobre as torturas praticadas pela esquerda e as violações da Convenção de Genebra por ela cometidas. Ademais, muitos que “lutaram contra a repressão da ditadura” não foram mortos ou “torturados” pelo aparato policial do Estado, mas por seus próprios companheiros. Mas isto, claro, é sonegado ao leitor.
O autor, entretanto, acerta quando fala que “(...) o grande mudo dessa história é a instituição militar, que nunca fez uma autocrítica conseqüente, nunca desarquivou voluntariamente seus arquivos ou colaborou nas investigações (...)”. Se os militares fizessem isso, José Dirceu, Dilma, e companhia estariam atrás das grades. E as vítimas do terrorismo de esquerda poderiam também ser indenizadas pela violência sofrida. Mas optou-se pela estratégia do silêncio, uma decisão no mínimo equivocada.
Para fechar com "chave de ouro", Veríssimo compara o ocorrido na Itália com o que aconteceu no Brasil, lembrando que lá “o governo enfrentou uma violenta contestação armada sem sacrificar um direito civil, ameaçar uma instituição democrática ou recorrer a seu próprio terror. Sem, enfim, soltar os cachorros”. Ao comparar a realidade italiana com a brasileira à época, desnuda-se o seu desconhecimento sobre acontecimentos estratégicos que se passavam.
Ao final da leitura, a despeito da ignorância do autor sobre acontecimentos históricos recentes e a Convenção de Genebra, temos o exemplo do típico intelectual oriundo da fábrica esquerdista: um ser despido de qualquer parâmetro moral e impregnado até a medula óssea de relativismo. A mensagem do texto é clara: os excessos cometidos pelos agentes de segurança do Estado devem ser todos apurados e seus responsáveis punidos. Quanto aos cometidos pelos grupos da luta armada (terroristas e guerrilheiros) estes são perdoáveis, sacrossantos e justificáveis. Louváveis até.
Escritores e intelectuais como Veríssimo além de se constituírem na imensa maioria, são justamente os mais respeitáveis e influentes. Para eles, as atitudes pessoais e o valor da vida ou da dignidade humana não são valores absolutos: dependem do lado ao qual pertencem o agressor e a vítima. 
Quisera eu que "Os Cães de Guerra" fosse apenas mais um texto cômico sem muita graça...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Culpados e Inocentes

Os crimes cometidos contra Cinthya Magaly Moutinho de Souza e Victor Hugo Deppman, ela incendiada, ele executado, têm algo em comum: a participação de menores de idade. Menores sem rosto e sem nome que, protegidos sob as mantas bondosas da nossa "constituição cidadã". A violência e a repercussão destes dois casos fazem com que a população exija o enrijecimento das leis, tendo a redução da maioridade penal como uma das demandas. Infelizmente, o pensamento da maioria é deixado de lado em nome da teimosia ideológica.
Em meio às lagrimas das famílias destroçadas, surge a voz dos especialistas, juristas, psicólogos, artistas, jornalistas e membros do governo afirmando que apertar as leis é inócuo. Pior, fazem disso sua bandeira e passam a determinar o que deve ser feito, sem sequer terem sido eleitos para tanto. Entre as palavras de condolências aos familiares, o verdadeiro desejo dessas pessoas é que os menores que cometeram estes bárbaros crimes estejam livres e com suas fichas imaculadamente limpas em três anos. A isso, chamam justiça. A vontade popular de que criminosos menores de idade passem a responder por seus atos como adultos, vingança. O menor de 16 anos pode escolher quem irá dirigir o país, mas não pode ser culpado pelos crimes que comete...
Soma-se a estes dois casos, a abordagem extremamente tendenciosa que o programa Fantástico deu ao caso da eliminação do traficante Matemático. Muito pode ser questionado em tal operação, mas reconhecer o mérito da força policial que tirou de circulação um criminosos de alta periculosidade deveria ser fundamental. Mas não foi. Matemático passou de criminoso a vítima em um piscar de olhos. Antes, traficante, assassino, estuprador. Agora, apenas mais um dos excluídos que "não tiveram outra opção na vida."
Estes são apenas três dos inúmeros exemplos que poderiam ser citados para ilustrar o grau de corrupção moral que vivemos. Nossos valores estão sendo invertidos por intermédio de uma elaborada estratégia que faz com que deixemos de lado valores absolutos do que é certo ou errado, do que é bom e mal. A enxurrada de especialistas inundando a mídia com explicações "humanistas" para a violência nos faz crer que os menores que cometeram aqueles crimes bárbaros e o traficante Matemático não são criminosos e nem bandidos, mas vítimas de uma sociedade maléfica e condições sócio-econômicas que não lhes deixaram outra opção que não seja a criminalidade. 
Assim, o verdadeiro "mau elemento" somos nós, pessoas comuns que trabalham, pagam seus impostos e rezam para chegar em casa com vida. Somos nós, com nossa malevolência e ganância que obrigamos os "excluídos" a cometerem atos criminosos que nada mais são do que "pedidos de ajuda". A responsabilidade não é do indivíduo, mas da sociedade. A responsabilidade não é do menor que riscou o isqueiro para atear fogo em sua vítima, mas nossa. Nós somos os verdadeiros culpados. Ele não pode ser punido; ele precisa de ajuda... E o conto da carochinha prossegue... E a corrupção moral se aprofunda. A população segue pedindo, clamando por justiça. Os especialistas chamam este clamor de "desejo de vingança, não de justiça".
O grande problema é que, como ensina Yuri Bezmenov, quando alguém está com seus valores morais completamente corrompidos e relativizados não há nada que possa ser feito para reverter o processo. Ainda, este processo não acontece da noite para o dia, pelo contrário. Demanda tempo, precisamente o tempo de escolarização do indivíduo, computado desde as séries iniciais até os bancos acadêmicos. Após este período, o cidadão, exposto ao processo, será incapaz de enxergar além de suas convicções, mesmo que provas irrefutáveis sejam colocadas diante de seus olhos, mesmo que esta pessoa tenha passado por uma situação traumática que tornaria suas convicções fabricadas absurdas. Absolutamente nada abala o idealismo que lhe foi implantado e consolidado durante os anos.
Um exemplo recente do comportamento de alguém no qual o processo de corrupção moral foi concluído é o caso da jornalista que foi estuprada por um menor de idade, mas que é contra a redução da maioridade penal. No texto, podemos identificar claramente a deturpação dos valores morais pela qual esta mulher foi submetida (formada pela USP, esperar o que também não é...). Percebemos que, à época do crime, a vontade dela era de eliminar, matar, se defender do criminoso. Nada mais normal. Porém, achou que a declaração da autoridade policial de que deveria "mandar logo um tiro" no menor soou como justiçamento em sua cabeça. Ainda, faz questão de deixar claro que sabia que ela era a vítima; mas nas entrelinhas, deixa escapar que a vítima também era o menor delinqüente. E vítima de quê? Ora, da sociedade, que não lhe deu oportunidades, da falta de estrutura familiar (estrutura esta sendo desconstruída ao galope). Afirma, ainda, que a redução da maioridade penal não seria a solução para a redução da criminalidade, que esta ocorreria somente com investimentos sociais do estado.
Mas ninguém está dizendo que a redução da maioridade penal redundaria, necessariamente, na redução dos índices de criminalidade. A questão não é esta, mas garantir que as pessoas saibam que suas escolhas têm conseqüências, que suas ações geram reações. É dizer que um indivíduo de 16, ou mesmo 14 anos, possui discernimento suficiente para saber o que é certo e o que é errado, o que é um estupro, um assassinato ou um roubo, e que estas atitudes são erradas. Por fim, não há qualquer garantia de que, em uma sociedade altamente desenvolvida, os menores (e as pessoas em geral) estarão automaticamente desprovidos de instintos maléficos. Simplesmente tal afirmativa não encontra respaldo na realidade que observamos justamente em sociedades onde os indicadores sociais são altamente elevados (e que possuem idade penal menor que a brasileira).
Outro argumento recorrente àqueles que são contrários à redução da maioridade penal é a de que "os presídios são universidades do crime", que o infrator leve acaba se tornando um elemento de alta periculosidade, mesmo comandando ações de dentro das instalações carcerárias. Portanto, submeter um menor a essas condições seria apenas piorar a situação. Este tipo de afirmação, muito difundida aliás, apenas soma-se ao desejo da população no endurecimento das leis, especialmente as que garantem regalias aos presidiários tais como visita íntima, a dispensa de revista a advogados, isolamento físico entre visitante e apenado, trabalho forçado, dentre outras. Muito mais importante, porém, é a aplicabilidade da lei, da certeza da punibilidade do infrator, da presteza do sistema judiciário, etc.
Precisamos despertar do feitiço revolucionário no qual estamos mergulhados. Somente assim poderemos exigir que os criminosos sejam tratados como criminosos, e não como vítimas de uma sociedade que, na sua maioria, é composta de pessoas que trabalham, estudam, e apenas querem a garantia de que aqueles que cometerem um ato criminoso serão responsabilizados. Infelizmente, as verdadeiras vítimas estão sendo culpadas e os culpados são cada vez mais tratados como vítimas.