quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Mais do Mesmo

A última vez que recebi um exemplar de jornal impresso foi em 2006. Naquele ano, deixei de assinar a Zero Hora e nunca mais voltei (e possivelmente jamais voltarei) a assinar um periódico novamente. O motivo que me levou a tomar aquela atitude foi a demissão do colunista Olavo de Carvalho, tornando o jornal apenas um monte de papel pintado. Não foi a demissão em si que me deixou frustrado, mas a completa falta de ética do veículo em informar acerca do afastamento do mesmo. Posteriormente, Percival Puccina acabaria, de maneira competente e brilhante, preenchendo a lacuna. Mesmo assim, não foi o suficiente para convencer-me da necessidade do jornal.
Com o avanço da comunicação digital, hoje temos acesso a um sem número de portais de notícias que preenchem facilmente a lacuna de um exemplar impresso. Ademais, o que vemos na esmagadora maioria deles é a repetição sistemática dos mesmos discursos, das mesmas matérias, das mesmas opiniões. O único momento em que verificamos um confronto justo, aberto e dissonante de opiniões é na seção de esportes. Como se a escalação dos times de futebol fosse mais importante do que a política e a economia nacional e internacional.
Entretanto, seria falso de minha parte dizer que não leio jornais. Esporadicamente, quando visito a casa de parentes e amigos, me arrisco a passar a vista por estes informativos. O que vejo? Mais do mesmo. Com a ressalva da cobertura criminal, é fácil saber o que se encontrará ao folharmos as páginas dos noticiosos. Invariavelmente, as opiniões e matérias se mantém em uma uniformidade assustadora. Duvidam? Vejamos:

  • Em todos os jornais, a reeleição de Obama e suas realizações são adjetivadas como lindas e maravilhosas, ao passo que a oposição é retratada como sendo retrógrada, e impeditiva ao progresso social dos EUA;
  • Se a pauta é sobre demandas dos homossexuais, todos se posicionam amplamente a favor, sem o mínimo contraponto;
  • Ocorreu um massacre à mão armada? A uníssona imprensa prega o desarmamento, mesmo quando os locais das ocorrências são áreas onde é proibido portar armas (escolas, cinemas, hospitais...);
  • O mundo está aquecendo? Culpa da atividade humana (máximo e mínimo solar, oscilações naturais, a natureza dinâmica do clima, nada é levado em conta);
  • Os cristãos são sempre os vilões que emperram o "mundo melhor possível", especialmente a Igreja Católica;
  • Toda e qualquer opinião de esquerdistas (99,99% das publicadas) são válidas e inteligentes;
  • Toda e qualquer opinião de conservadores são taxadas de imbecis, idiotas e (o pior xingamento de todos) conservadoras (!), mesmo que não ocorra ataque efetivo contra os fatos;
  • O criminoso é sempre vítima da sociedade malvada que o tornou mau;
  • Lula nunca sabe de nada, ninguém pergunta nada e, quando o fazem, tratam logo de proteger o ungido;
  • Tudo o que os militares falam sobre o período de governo militar é mentira;
  • Tudo o que os ex-terroristas, digo, os pobres defensores da democracia, falam sobre o governo militar é verdade e
  • A crise europeia é causada pelo capital especulativo e pelo capitalismo selvagem, não pelo falido welfare state ou pela política econômica keynesiana.
Claro que estes são apenas pequenos exemplos da padronização de opiniões, coberturas jornalísticas, editoriais e entrevistas que são apresentados todos os dias nas páginas de nossos jornais. Basta folheá-los e, com raríssimas exceções, o que encontraremos é sempre o mesmo, como dois e dois são quatro. Além do mais o mesmo se aplica aos principais portais de notícias da internet. Seria idiotice continuar pagando para ler a mesma coisa dia após dia.

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