quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Apenas Autopromoção

Existem mais coisas em comum entre o futebol e a política do que supõe a nossa vã filosofia e um fato recente demonstra o quão unidos estão a bola e as realizações de nossos governantes. Como? Explico. Mesmo torcendo para o Inter de Porto Alegre, aqueles que me conhecem sabem que não sou nenhum fanático. Por isso, sinto-me à vontade para tratar de assuntos do co-irmão da Azenha, digo, Humaitá. Trata-se da inauguração da famigerada Arena.
Rivalidades à parte, é notória a repetição na esfera esportiva de um lugar-comum da vida política nacional: o embuste. O antigo presidente da agremiação porto alegrense resolveu, às pressas, inaugurar o novíssimo estádio tricolor. Só tem um problema: a obra ainda não está pronta. O fato do indivíduo que forçou a inauguração precoce ser também um conhecido político é uma "mera coincidência". 
Observem que, em detrimento do interesse do clube que presidia, o indivíduo resolveu satisfazer o seu ego e ser  "o presidente que construiu a arena". Não lhe interessava o fato do gramado estar ruim, do acesso estar ruim, enfim, da obra não estar pronta. A ele não importava o bem de seu clube, mas sua autopromoção. Afinal, não poderia correr o risco de deixar seu sucessor, adversário político, receber os louros da inauguração. Tudo deveria ocorrer na sua gestão.
Longe dos gramados, ocorre exatamente o mesmo. Obras são inauguradas sem estarem prontas apenas para alimentar os inflados egos dos atuais governantes. Não há qualquer preocupação com o bem estar da população em geral. O que importa é a auto promoção. O agravante é que, muitas vezes, o sucessor destrói as conquistas alcançadas como forme de eliminar qualquer lembrança do adversário anterior. Aliás, chegamos ao ponto onde projetos foram utilizados como cabos eleitorais de uma campanha presidencial. Ou alguém aí não se lembra de Lula elegendo sua sucessora utilizando apenas num PAC que simplesmente não tinha saído do papel?
O povo, dopado e torporizado pelas benesses estatais, nada enxerga, nada ouve, nada sabe. Lembra muito o mandatário-mor do maior esquema de compra de votos "da história deste país". São iludidos com a idéia de que aqueles que são eleitos preocupam-se realmente com o futuro da coletividade, quando na verdade penas conseguem enxergar o próprio umbigo. A visão estratégica de qualquer político brasileiro tem, no máximo, 4 anos de alcance (por razões óbvias).
Se como dirigente de um clube de futebol, onde todos os seus integrantes torcem para o mesmo time e aspiram as mesmas conquistas, o dirigente pensa apenas em si mesmo, que dirá de nossos políticos que apenas visualizam obras e leis que lhe possam dar votos e garantir-lhes a permanência eterna no centro do poder.

Um comentário:

  1. Bom dia, Morato.
    Finalmente, uma notícia reveladora e corajosa.
    A "inauguração" da Arena do Grêmio, extemporânea, tangenciou a irresponsabilidade, a imprudência e a negligência. Relevou-se, no ato, a importância política do então Presidente - e Deputado Estadual -, em detrimento à conclusão da obra.
    Uma tragédia também beirou a Geral da Arena, aos olhos do mundo.
    O ato político cometido na Arena do Grêmio é o reflexo dos atos dos políticos que infestam o Congressso Nacional, na Brasília hoje desvairada e prostituída.
    Gaudêncio Sette Luas.

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