quarta-feira, 27 de março de 2013

O Preço do Silêncio

A mudez contemplativa se tornou símbolo de intelectualidade e sapiência. Coisa da tal filosofia indu ou chinesa, tão em moda nas últimas décadas. Políticos, artistas, acadêmicos e personalidades do mundo cultural parecem terem sido entorpecidos por uma névoa de ignorância ao escolherem a meditação como método eficaz para combater as mazelas do mundo. Se há um conflito, a resposta mais provável é a mesma: silêncio.
Poucas atitudes têm um preço tão alto quanto o silêncio. Ele custa muito mais do que uma reputação, a perda de um emprego ou reprovação diante da opinião pública e publicada; pode custar milhões de vidas humanas ou a degradação de toda uma classe. Talvez se a América, a Inglaterra e a França não tivessem se calado diante do crescente totalitarismo nazista e sua eterna busca pelo "espaço vital", Hitler teria "morrido na casca".
A quietude acerca dos milhares de cristãos mortos em países árabes ou na China transparece que são  os seguidores do Cristo o grande mal do mundo, enquanto o resto é "tudo gente boa". Enquanto a realidade cubana é maquiada e censurada, aquele povo continua a sofrer com um dos regimes mais tirânicos do mundo... E pensar que, não fossem os medicamentos e os alimentos enviados pelo Tio Sam, a ilha seria apenas um grande cemitério caribenho.
Nas terras tupiniquins, o silêncio também está cobrando seu preço e quem está pagando são as Forças Armadas. O curioso é que, neste caso específico, foram os próprios militares que resolveram "pagar para ver" quando resolveram calar-se. Um erro estratégico que pode custar a cisão entre os "militares de ontem e os militares de hoje", como cansa de repetir o governo. A ilusão de que os futuros historiadores dariam os tons de autenticidade aos acontecimentos daquele período mostrou-se apenas isso... Ilusão.
Ainda na década de 1970, as redações dos jornais e os bancos universitários foram tomados por agentes da esquerda que, já naquela época, passaram a atuar para que a derrota militar se transformasse numa vitória estratégica. E foi o que aconteceu. A tão famigerada "censura" nada fez para contê-los.
Como resultado, surgiu a Comissão da Verdade. Este grupo de trabalho tem como único objetivo a reconstrução histórica para transformar os militares em bandidos e os terroristas em mocinhos. Nada mais. A própria designação, "Comissão da Verdade", infere que já existe uma verdade pré-estabelecida, cabendo aos membros desta patota apenas confirmá-la. Muito parecido com o Ministério da Verdade, aquele de "1984". Diferente do que previram aqueles que silenciaram sobre os acontecimentos dos governos militares, a autenticidade da pesquisa não existe, visto que os "especialistas" estão comprometidos com a ideologia comunista.
O silêncio está cobrando seu preço. São inúmeros os momentos em que o governo, intelectuais e políticos falam em uma separação entre as Forças Armadas de ontem e as Forças Armadas de hoje, como se existissem duas fases diferentes de uma mesma instituição. O objetivo é que os militares da atualidade abandonem seus antecessores, jogando-os às trevas da história e os acusando de terem sido os trogloditas que  professores e jornalistas tendenciosos teimam em pintar.
Os heróis do passado estão sendo convocados a "prestarem esclarecimentos" num repaginado tribunal revolucionário. Tudo indica que serão condenados e execrados por terem combatido aqueles que queriam mergulhar nosso país em um sistema verdadeiramente totalitário. Serão apagados definitivamente da história que, finalmente, será totalmente reescrita de acordo com a orientação governamental. E sobre isto, novamente, queda-se o silêncio. Estaremos dispostos a pagar ainda mais por ele?










domingo, 17 de março de 2013

O Que Conquistamos Com a República

Quando o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a república, o Brasil deu uma guinada. Saímos de uma monarquia e passamos a administração e posses do Estado para o público, para o povo. Afinal, a própria origem do  vocábulo república significa "coisa do povo, bem público". Encerrava-se, assim, um período de poder absoluto imperial e nascia uma nova era. Bom, pelo menos é isso que os livros didáticos nos ensinam. Ao olharmos para nosso passado relativamente recente, entretanto, uma pergunta se faz imperativa: o que ganhamos com a república? Muita coisa...
Com ela ganhamos a política do café-com-leite, prática das oligarquias de MG e SP que inspirou a condução política do país desde então. Ganhamos os currais eleitorais e seus coronéis que, pela força, pelo medo ou mera ignorância do povo, ainda perduram nos dias de hoje. Conseguimos, também, uma burocracia estatal que amarra a vida do cidadão comum, cuja única contribuição é dar emprego a cartórios, despachantes e outros órgãos inúteis e sem razão de existir.
Conquistamos, ainda, um sistema político onde três poderes que deveriam coexistir harmonicamente o são caoticamente. Um emaranhado de cargos indicados por meras preferências políticas formadas nos calabouços partidários, mobiliados com o objetivo de atender a interesses pessoais e sujeitos à toda sorte de corrupção, desvios e incompetência de seus integrantes. Adquirimos, com a república, um sem-número cada vez mais crescentes de agências, empresas e órgãos administrativos e reguladores cujos integrantes repousam, soberanos, nas redes da estabilidade do emprego, tornando a prestação de serviço estatal ineficiente, incompetente e corrupta.
Com o novo sistema de governo, porém, conquistamos a democracia. E como é bela a democracia brasileira! Graças a ela, elegemos um presidente fascista que até hoje é ovacionado como o pai dos pobres, mesmo quando sua legislação trabalhista tornou empresário e operário, escravos do Estado. Com a democracia, conquistamos o sufrágio universal, que permite a eleição indefinida de políticos populistas que nada de efetivo fazem para gerar emprego, renda e desenvolvimento, fazendo da distribuição de bolsas e esmolas as suas bandeiras, garantindo um eleitorado fiel e devotado.
A democracia republicana brasileira, permitiu que as minorias calassem a maioria, como no caso da famigerada questão homofóbica. Nosso governo do povo conquistou o direito dos bandidos portarem armas, e o cidadão não. Nossas cotas, de todos os tipos, impõem uma discriminação asquerosa e humilhante àqueles que o Estado abandonou... E nem a televisão por assinatura escapou, impondo ao assinante a existência de programação nacional nos canais ditos "estrangeiros", isto sem o governo sequer ter ouvido os... Assinantes (a parte que não só paga pelo serviço, como é a mais interessada).
Há quem diga que a monarquia era por demais absoluta, por conta do Poder Moderador. Os que se agarram neste argumentam mostram sua profunda ignorância acerca deste período. Ademais, como diria Edmund Burke, a democracia não é o melhor sistema de governo, é apenas mais um sistema de governo.
Graças ao atual mecanismo de governo e ao sufrágio universal na eleição de nossos representantes, não existe qualquer possibilidade de modificação do quadro atual. Governos populistas continuarão sendo eleitos. Senadores e Deputados continuaram sendo comprados. Juízes continuaram se achando os deuses do Olimpo... E o Presidente da República? O próprio Deus. 
Para fechar a conta, a União detém em suas mãos o poder político, econômico e cultural, concentrando a riqueza produzida e deixando os Estados e Municípios reféns de sua boa vontade. Foi precisamente devido a esta excessiva centralização que ocorreram as Revoltas Regenciais, notadamente a Revolução Farroupilha. Mas, naquela época, vivíamos numa monarquia, onde o Imperador tinha o dever de lutar pelo bem estar de seu povo e buscar o melhor para o seu reino. Infelizmente, a historiografia tupiniquim insiste em rotular os monarcas como déspotas maléficos, esquecendo-se que foram sob a coroa de um monarca que a civilização efetivamente floresceu.


terça-feira, 12 de março de 2013

O PT Não Quer o Poder

Dez anos comandando os rumos do país. Mesmo assim, enganam-se aqueles que acreditam que o Partido dos Trabalhadores deseja o poder. Por mais que tenha, por intermédio da distribuição de bolsas e doutrinação cultural, fixado-se de maneira quase eterna na Presidência da República, o partido não almeja ter para si o poder. Nada disso. Ter o poder é pouco. O PT quer muito mais.
Nas comemorações deste partido, relativas aos dez anos de governo, um novo inimigo foi eleito: a imprensa. Segundo seus integrantes, não há uma oposição política que mereça qualquer preocupação (o que é verdade). A verdadeira força antagônica que estaria pronta a atacar os interesses petistas seria, segundo seus integrantes, a imprensa, que vive criticando-os. Para impedir que os jornais continuem a enfrentar o todo-poderoso partido, uma solução: o marco regulatório. Desta feita, com a mídia sob seu controle, nada poderá impedir a sua perpetuação nas mais altas esferas do poder. Mas, espere um momento... Quem foi que disse que o PT não controla a mídia?
Ora, ao confrontarmos a podridão que ronda este partido com as denúncias efetivas feitas pelos veículos de informações tupiniquins, chegamos a uma conclusão: somente quando nada mais era possível fazer para esconder o mau cheiro que brota de seus porões é que a mídia denunciou alguma coisa; mesmo quando o fez, foi de maneira superficial e cuidando para preservar a imagem dos seus ídolos de barro, como Lula (exemplo clássico: mensalão). Fossem os jornais, a internet e a televisão tão maldosos como eles afirmam, sequer teriam sido eleitos ao primeiro mandato presidencial.
Os jornalistas brasileiros não denunciaram, por exemplo, as ligações do PT com as FARCs, com Fidel Castro e o falecido Chávez. Nada falaram sobre o asilo dado ao falso pastor Olivério Medina, agente infiltrado das FARC. Nada falaram sobre o significado real do asilo político dado ao terrorista Cesare Battisti. Não comentaram sobre o fato de Olívio Dutra ter recebido Hernán Ramírez, representante daquele grupo narco-terrorista no Palácio Piratini em 1999. Não deram ouvidos às denúncias feitas por Olavo de Carvalho e Graça Salgueiro acerca do movimento estratégico do Foro de São Paulo, cujo objetivo é o de tornar a América Latina uma repetição do leste europeu soviético, contado para isso com a associação de partidos políticos, como o PT, e movimentos guerrilheiro como o MIR, o ELN e as próprias FARCs. Aqueles que denunciaram estas ligações, ou melhor, traição, foram desfenestrados sem maiores explicações dos grandes jornais. E os petistas ainda acham que a mídia os persegue e que por isso necessita ser regulada, como já acontece com a TV por assinatura (a cota de programação nacional) e com o cinema, em nome de "democratizar" estes meios de comunicação e entretenimento.
Dizer que o PT deseja o poder não basta. O PT quer a supremacia, a hegemonia total sobre toda a forma de pensamento. Não tolera o mais mínimo resquício de contraponto. Não suporta que, num jornal como a Zero Hora por exemplo, exista um único colunista conservador (Percival Puggina) dentre um sem número de simpatizantes do partido que escreve naquele diário. Já é muito. O suficiente para se chamar a imprensa de golpista. Para eles, a crítica só é admissível até o ponto que eles próprios admitam.
No âmbito da educação e cultura, não é diferente. Os livros didáticos, os financiamento para produções culturais e as verbas publicitárias do Estado só são aprovados e liberados quando existe uma clara identificação entre a ideologia do partido e o conteúdo destas produções (mesmo os filmes "Tropa de Elite" no final das contas deixam claro: "o sistema é foda". Moral da história: quem for contra ele será destruído).
Hegemonia. Isto é o que busca o PT, e ele já está conseguindo. Nos bancos universitários, nas salas de redação, nos estúdios de rádio e televisão, sua influência é mais do que perceptível e comprovada. Pouquíssimos opositores resistem bravamente em pequenos espaços de jornais, revistas e páginas da internet (próximo alvo da regulação estatal-partidária). Esta resistência, ainda que ínfima, não é tolerada pela cúpula do partido e seus militantes. Ela é inadmissível e precisa ser expurgada a qualquer custo. Exatamente como foi feito na ex-URSS, na China, em Cuba e na Coréia do Norte.
Tudo isso soa meio totalitário, meio teoria da conspiração não é mesmo? Sim, concordo. Mas basta que se estude o Estatuto do PT, suas Convenções e as atas das reuniões do Foro de São Paulo para se verificar que de maneira alguma se trata de teoria da conspiração. Já de totalitário...


sexta-feira, 8 de março de 2013

Redenção Pela Morte

"Basta morrer pra ser Bueno
Basta sofrer pra ser Justo"
Os versos de Darci Fagundes, grande poeta gaúcho, em sua poesia "Último Pouso" descrevem com maestria o modo como tratamos aqueles que sofrem e aqueles que morrem, sem olharmos para suas atitudes, seus defeitos ou suas obras. Ademais, poucos acontecimentos tem um poder transformador tão grande quanto a morte. Apesar das implicações religiosas do tema, não é dele que trato. Afinal, são muitas as explicações dadas a este fenômeno e, definitivamente, não é este o tema desta postagem. Não falo das implicações para o morto em si, mas para aqueles que ficam. Aliás, uma das principais transformações que o falecimento trás é acerca da percepção que se tem do indivíduo que partiu.
Exemplos não faltam, especialmente quando se trata de uma personalidade pública. Sua imagem toma uma nova roupagem, invariavelmente positiva em relação ao que realmente aquela pessoa fez, foi e realizou em vida. Ernesto Guevara é um clássico exemplo. Assassino, revolucionário e sanguinário, fundou, juntamente com Fidel Castro, uma Cuba que tirou de seus cidadãos a liberdade em troca de um sonho de igualdade, fazendo com que todos vivam igualitariamente na lama. Não fossem os alimentos e medicamentos que chegam dos EUA (aquele mesmo país que é acusado de ser o próprio demônio), talvez os cubanos fossem hoje mais um povo extinto.
Com Lênin aconteceu o mesmo. Embalsamado, ainda é fonte de idolatria por parte da esquerda mundial e da intelectualidade diplomada. Pouco importa se ele foi o responsável por colocar em prática uma ideologia totalitária que arrastou cem milhões de almas para a morte (devidamente aperfeiçoada por Stalin). Seu semelhante chinês, Mao Zedong, levou o mesmo terror aos cantos mais remotos da China. Mesmo sendo um estuprador, assassino e destruidor da tradicional religião e cultura chinesa, é igualmente idolatrado, inclusive no Brasil, onde o P C do B, da Manuela D'Ávila, segue sua doutrina. Seu corpo também está embalsamado e exposto ao público como uma atração turística.
Esta transmutação post mortem, no entanto, não é exclusividade dos políticos e governantes. Artistas, celebridades, profissionais dos mais diversos ramos, são elevados à categoria de "exemplos a serem seguidos" mesmo quando, de fato, sua história de vida e suas atitudes ditam justamente o contrário. Famosos como Cazuza, Niemeyer, Ulisses Guimarães, Betinho e John Lenon são apenas alguns exemplos de pessoas que, apesar de algumas possuírem um talento artístico inquestionável, defenderam idéias totalitárias ou foram exemplos de como não se deve conduzir a própria vida. 
Esta semana, o fato se repetiu. Hugo Chávez faleceu e imediatamente lá estavam os jornais chamando-o de "líder", "reformador" ou "grande estadista". Realmente ele pode ter sido tudo isto, (Hitler o foi em uma escala muito maior que Chávez e também não é digno de lamentos ou elogios) mas o importante é avaliar como ele utilizou sua liderança e o que ele proporcionou ao povo venezuelano. Respondo: miséria, cerceamento de liberdades e empobrecimento. Entregou seu país à ditadura cubana e quis impor o socialismo do século XXI, como ele próprio definiu sua revolução, que nada mais é do que o socialismo assassino (perdoem-me pelo pleonasmo) do século XX aplicado ao novo milênio.
Não sou daqueles que desejam a morte de ninguém. Mesmo porque, muitas vezes, a morte ainda é castigo brando ante o crime que cometem certas pessoas. Não podemos, entretanto, entregar-nos ao discurso politicamente correto e absolver aqueles que morrem de todos os seus erros e mazelas que causaram como se, por terem falecido, tornaram-se perfeitos. 
O julgamento de seus atos após sua passagem por este mundo, cabe somente a Deus. Não cabe a nós, pois, exaltar e criar virtudes naqueles que se foram, sob pena de estarmos criando novos falsos ídolos que nada farão além de perpetuar a mentira daqueles que os criaram.